⋆⋅☆⋅⋆ Capítulo 08
— Então eu te pergunto: o que você acha que foi o que a gente acabou de fazer?
— …
Pois é, o que foi aquilo mesmo?
A cabeça girava tanto que não conseguia pensar em nada a fundo. A sensação dos lábios ainda era vívida, e os corpos, excitados lado a lado, roçavam partes constrangedoras ao menor movimento. Com os cinco sentidos à flor da pele, algo de repente entrou em seu campo de visão.
— …Você não vai se arrepender amanhã quando passar a bebedeira?
Lá longe, viu a garrafa de vinho caída no chão. Pensando bem, ele já parecia bêbado fazia tempo. Mesmo no momento em que perguntou, cobrando, se ele odiava tanto assim que gostasse dele, não estava alterado pela bebida?
Então, se, por acaso, tudo isso fosse efeito do álcool…
— Agora, no efeito da bebida…
— …Ah, efeito da bebida.
Respondendo devagar, Jihyeon curvou os lábios de lado. Os olhos, que tinham ficado enevoados, de repente ganharam um brilho nítido e fitaram Eunho. Enquanto Eunho franzia o rosto por um instante, com uma sensação desconfortável, uma voz tranquila saiu da boca de Jihyeon.
— Aquilo é sem álcool.
— …Quê?
Por um instante, não entendeu o que ele disse. Quando Eunho perguntou, aturdido, Jihyeon o olhou de cima, fixamente. E repetiu num tom firme:
— É sem álcool, tô falando.
Seria um déjà-vu? Ou seria sensação de traição?
Como se tivesse levado uma pancada na nuca, ficou sem palavras. Tinha imaginado que o teor alcoólico fosse baixo, mas jamais que fosse completamente sem álcool. Mesmo que ele próprio não estivesse, tinha certeza de que Jihyeon estava bêbado, mas aquilo queria dizer que eles tinham bebido, no fim das contas, suco de uva?
— O Shin Ichan me disse quando me deu. Que é um vinho que eles bebem só pra entrar no clima, porque não podem beber quando estão em plena promoção.
“É que quando a gente tá em plena promoção, a gente não pode beber. Mas esse vinho…”
Parecia que a continuação era “não tem álcool”. Ou podia ser, como Jihyeon disse, algo como “é bom pra entrar no clima”. De qualquer forma, só Eunho, que não ouviu aquela parte, tinha caído direitinho.
— Peraí…
Eunho encarou Jihyeon atônito, incrédulo. Ele continuava com o rosto tomado pela excitação, mas aquilo já não parecia efeito da bebida. Vendo-o assim, os lábios se moveram sozinhos, de pura perplexidade.
— E aquela hora que você tava bêbado?
— Fingi que tava bêbado.
— …
— Porque senão achei que não ia conseguir falar.
Esse cara usa o talento de ator para cada coisa. Nem sequer negou. Admitiu na hora e respondeu com uma postura tão confiante que chegava a ser descarada.
— E, mesmo que fosse vinho de verdade, eu não ficaria bêbado com só isso. Você também não.
O que aquilo queria dizer era óbvio. Que você e eu, os dois, estamos sóbrios. Ou um aviso para nem pensar em usar a bebida como desculpa.
— Agora fala de novo.
— …
— O que mais te deixa inseguro?
O tom era de quem estava disposto a eliminar na hora qualquer insegurança. A expressão estava cheia de convicção, e o que veio em seguida soou, em parte, até como desconfiança.
— Por acaso você vai se arrepender amanhã?
— …De que eu me arrependeria?
Como ele estava com o rosto realmente transtornado, Eunho respondeu num tom lento. Quem tinha misofobia era Jihyeon, e quem poderia se arrepender também era Jihyeon, não Eunho. Podia ficar constrangido por ter confessado de repente, mas não achava que chegaria a se arrepender.
— Não é como se eu tivesse cometido algum erro…
— Isso é verdade. O que é que a gente fez pra se arrepender? A gente ainda nem fez nada de que se arrepender.
Jihyeon franziu o rosto e repetiu como se falasse sozinho. O tom de “ainda” era bem estranho. Eunho achou que, de algum modo, ele parecia injustiçado. Como esperado, Jihyeon, como se quanto mais pensasse mais absurdo achasse, explodiu de repente:
— O quê, você se masturbou pensando em mim? Ei, eu…
Começou a falar como se zombasse, mas o resto ficou um bom tempo sem vir. Apenas fechou a boca com força, com cara de quem disse o que não devia. E logo, com um leve suspiro, uma voz baixa e contida perguntou:
— …Você acha que só você fica com tesão em mim?
O tom parecia de alguém sufocado, e, de fato, Eunho sabia a resposta daquela pergunta. O olhar fixo era diferente de antes e estava cheio de um desejo que ondulava. A emoção, mais densa do que Eunho imaginava, não arrefecia nem enquanto conversavam com calma.
— Você é tão inteligente…
Murmurando irritado, Jihyeon inclinou o tronco na direção de Eunho. Parecia que ia beijá-lo, e Eunho, sem querer, estremeceu e virou o rosto. Ao mesmo tempo, Jihyeon parou o movimento e curvou os lábios com uma expressão torta.
— Quem tem misofobia sou eu, mas parece que é você que odeia mais ser tocado.
— …
Pois é, hoje você parece muito alguém sem misofobia.
— Ei, primeiro…
Engolindo essas palavras, Eunho empurrou o ombro de Jihyeon. Já tinha entendido que ele não estava bêbado e tinha confirmado que Jihyeon não sentia repulsa por ele. Só que, embora a cabeça entendesse, o emocional não se resolvia, e ainda restava uma sensação incômoda. Além disso, depois que a tensão passou, começou a ficar consciente demais da posição em que estavam.
— Que foi, você não tem misofobia.
Mas Jihyeon, em vez de sair de cima dele, colou ainda mais o corpo. Pressionou as pernas emaranhadas e enterrou o rosto no pescoço de Eunho. Eunho travou o corpo com a parte de baixo colada à dele e, em seguida, um hálito quente começou a fazer cócegas em seu pescoço.
“…Vou enlouquecer.”
O corpo masculino é tão honesto que não dava para esconder que tinha reagido à outra pessoa. A parte de baixo, que já estava inchada fazia tempo, agora tinha sido completamente descoberta. Os dois estavam igualmente excitados, e Eunho se perguntou por que esse cara estava tão à vontade, mas Jihyeon, deitado sobre ele quase o abraçando, soltou um palavrão agudo.
— Porra, essa misofobia de merda… Nunca me ajudou em nada na vida.
Era só um comentário de passagem, mas não sabia por que aquilo ficou tanto nele. Talvez porque havia mágoa no tom irritado, ou porque o jeito de se esfregar parecia o de quem faz manha.
— …
Só agora, tarde demais, as palavras que ele mesmo dissera lhe passaram pela cabeça. As palavras que ele soltara sem pensar, para se defender, mesmo sem ignorar a doença crônica dele. As palavras de culpa que atirou nele, apressado apenas em aliviar a própria insegurança imediata.
“Você tá se iludindo.”
“Jihyeon, como é que eu e você vamos namorar?”
“E você ainda tem uma misofobia forte…”
Eunho engoliu um suspiro às escondidas e, hesitante, pôs a mão nas costas de Jihyeon. Antes de a palma tocá-lo, não se esqueceu de checar, por hábito, a expressão dele. O rosto estava escondido e não dava para ver, mas, felizmente, Jihyeon só estremeceu um pouco, sem mostrar nenhuma repulsa.
Parece que está mesmo tudo bem. Pensando isso consigo, Eunho deslizou a mão devagar pelas costas largas.
— Desculpa.
— …
— Eu falei o que não devia.
Diante do pedido de desculpas feito com cuidado, Jihyeon não respondeu nada. Apenas soltou uma respiração fina, com o rosto enterrado no pescoço de Eunho. Aquilo fazia muitas cócegas, mas Eunho não queria empurrá-lo.
— Não vou dar desculpas. Me desculpa.
Não precisava dizer de novo que tinha feito aquilo por insegurança. Perguntar, cobrando, se ele não estivesse desconfiado também, já não fazia sentido. Ainda faltava um pouco de senso de realidade, mas, de qualquer forma, ele não tinha confirmado tudo o que dava para confirmar?
— Eu acredito que você gosta de mim.
— …
— Acredito e…
Então era assim tão constrangedor dizer isso. Na hora de dizer de verdade, sentia a garganta apertar a todo instante. Mesmo assim, tendo chegado até ali, não precisava fugir.
— Eu também gosto de você.
A confissão, dita com calma, foi o fim definitivo da insegurança de Eunho. Depois de colocá-la para fora, viu que era maior do que imaginava, e ela se tornou o sentimento que, mais uma vez, lhe confirmou que desde o início jamais teria conseguido dobrá-lo.
Às vezes, uma percepção não precisa de um grande motivo. Assim como agora Eunho percebeu o sentimento dele. Assim como descobriu que sua insegurança, no fim das contas, era do tipo inútil.
E assim como tomou consciência de algo que por muito tempo ignorara, ao ouvir a resposta de Jihyeon que veio em seguida.
— …Eu nunca, nem uma vez, odiei te tocar.
Era isso mesmo. Exceto muito tempo atrás, quando Jihyeon confessou pela primeira vez sua misofobia, ele nunca demonstrou repulsa ao contato com Eunho. Só que, como Eunho tomava cuidado quando o estado dele não era bom, e normalmente quase nunca encostava nele, nunca tinha pensado nisso.
— Até agora, com você tá tudo bem.
Eram palavras que davam um déjà-vu. Uma vez, no dia em que fizera Jihyeon dormir na casa de Eunho. Naquele dia também Jihyeon tinha dito isso a Eunho. Lembrava-se de que ele, com cara de quem não sabia de nada, dissera que, depois de tantos anos convivendo, não teria como não gostar, e virar seu estômago do avesso.
“Mas eu sempre gostei de você. Acho que foi assim desde o começo.”
Será que ele já gostava de mim naquela época? Pensando agora, todos os momentos pareciam suspeitos. Não tinha acreditado quando ele disse que gostava de si porque a atitude dele não mudou. Será que o motivo de a atitude não ter mudado era justamente esse?
— …
— …
Por um tempo, só o silêncio pairou na sala. Jihyeon nos braços de Eunho, e Eunho com a mão nas costas de Jihyeon. Do peito colado vinham batidas de coração que não se sabia de quem eram. No clima calmo e sereno, infelizmente, a excitação que tinha subido ainda não dava sinal de passar.
— …Até quando você vai ficar assim?
— Só mais um pouquinho…
Eunho falou com cuidado, mas Jihyeon não parecia ter intenção de sair de cima dele. Ao contrário, encolhendo os ombros largos, foi se aninhando ainda mais nos braços de Eunho, todo amarrotado. Depois de esfregar o nariz no pescoço dele por um bom tempo, Jihyeon, em certo momento, ergueu o tronco e disse de repente:
— Mais uma vez.
— Quê?
— Você não perguntou se eu consigo fazer coisas como te beijar?
Essa conversa não tinha acabado antes? Ele tinha mostrado com ações, antes das palavras, que conseguia. Mas, antes que pudesse perguntar, Jihyeon baixou os olhos e sussurrou com doçura:
— Como você disse, eu tenho uma misofobia forte, então não sei se tá tudo bem ou não. Por isso, vamos fazer mais uma vez.
— Ei, peraí, que… hmp…
Nem houve tempo de perguntar que besteira era aquela. Jihyeon segurou o queixo de Eunho e colou os lábios aos dele sem hesitar. No instante em que mordiscou o lábio inferior e enfiou a língua, o calor voltou a se concentrar abaixo do umbigo.
— …Ngh.
A parte de baixo dos corpos sobrepostos se esfregou levemente. As orelhas ardiam, mas, quanto mais se mexia, mais roçava as partes constrangedoras. Pressionando abertamente a área toda inchada, Jihyeon mordeu a língua de Eunho e disse, com a fala abafada:
— …Fica quieto.
Como não tirou a língua da boca dele, a pronúncia escapava um pouco. Quando Eunho, sem responder, franziu a testa, Jihyeon sugou a língua macia dele. A sensação era ainda mais explícita do que antes, mas, desta vez, Eunho, em vez de evitá-lo, segurou com delicadeza o rosto dele.
Não demorou para a saliva se misturar com sons molhados e as respirações se agitarem. Era um calor que nunca tinha esfriado, então até um pequeno contato o reacendia rapidamente. A mão que segurava o queixo de Eunho desceu para o pescoço, e agora ele já nem achava vergonhoso o quadril que se erguia sem querer.
— …
Com um estalo, os lábios se separaram e soltaram uma longa respiração. Esfregando os lábios para que a saliva não se esticasse, Jihyeon piscou os olhos turvos e olhou para Eunho. Eunho conferiu aqueles olhos úmidos e lascivos e começou em voz baixa:
— …E então?
Era só uma palavra, mas sentia o fôlego chegar até o queixo. Como ainda não tinham se afastado, os lábios quase se roçavam a cada palavra.
— Agora, haa… já sabe se tá tudo bem ou não?
— …Não.
Jihyeon respondeu quase inaudível, tremendo levemente os cílios. A mão que acariciava o pescoço de Eunho agora entrava um pouco pela gola da camiseta. Contornando a região da clavícula com a ponta dos dedos, Jihyeon sussurrou com uma voz que parecia um sopro:
— Acho que preciso fazer mais pra saber.
Qualquer um perceberia que era uma desculpa esfarrapada, mas não havia ninguém para apontar isso. No instante em que Eunho fechou os olhos, Jihyeon voltou a morder os lábios dele com os seus. Achou que ele enfiaria a língua logo, mas, desta vez, outras palavras saíram da boca entreaberta.
— Mas, Eunho.
Dizendo isso, Jihyeon mexeu discretamente o quadril. A parte de baixo, já sensível havia muito tempo, começou a se esfregar de forma explícita. Achando que ia acabar gemendo, Eunho franziu o rosto, e Jihyeon estreitou os olhos.
— Você tá duro.
— …
Garanto que não era esse cara quem devia dizer isso. Porque o peso que sentia agora não era, de forma alguma, problema só de Eunho. Como esperado, o que ele queria dizer era outra coisa, pois uma voz quase suplicante saiu de sua boca.
— …Posso tocar?
Era um pedido repentino e, naturalmente, Eunho não conseguiu responder nada. Porque, por um instante, duvidou de ter entendido direito. Pela situação e pelo tom, não havia outra interpretação possível.
— …Tocar o quê?
Por isso perguntou, mas Jihyeon, em vez de responder, apenas baixou os olhos em silêncio. Como estavam muito perto, dava para ver claramente que ele estava pensando. Jihyeon, que tinha afastado os lábios e abaixado a cabeça, logo ergueu só os olhos, de leve, e olhou para Eunho.
— Não pode?
— …
Diante daquele olhar, como poderia dizer que não? O contorno dos olhos avermelhado era suficiente para fazer Eunho sentir uma culpa estranha. Talvez por os olhos estarem úmidos, hoje ele parecia especialmente desolado, e isso tornava tudo pior.
— Pode, toca… faz o que quiser…
Depois de permitir como se estivesse enfeitiçado, era praticamente leite derramado. Tendo falado num estado de entrega total, Eunho controlou a respiração trêmula e se esforçou para recompor a expressão. Para dizer que não queria, os lábios não se abriam, e, de fato, não era algo que ele não quisesse.
Jihyeon o observou por um momento e, depois de uma pequena pausa, foi descendo devagar a mão que acariciava seu ombro. Os dedos longos começaram a percorrer lentamente o tronco de Eunho. Como ele só vestia uma camiseta fina, aquele toque era especialmente explícito.
— …
Continua….
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✦ Tradução, revisão e Raws: Belladonna&Faby&Othello