⋆⋅☆⋅⋆ Capítulo 25
⋆⋅☆⋅⋆ Capítulo 25
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O prédio, com segurança rigorosa já na entrada, era um lugar onde Eunho fora todos os dias nos últimos anos. Dentro do condomínio havia um jardim bem paisagístico, e não se entrava no edifício sem um cartão designado. Havia muitas torres, mas naquele lugar de clima estranhamente pouco movimentado morava o grande ator de quem Eunho teria de cuidar por algum tempo.
Eunho cumprimentou com uma reverência o porteiro que guardava a entrada e caminhou até a torre que já conseguia achar de olhos fechados. Ainda era cedo, mas, considerando a agenda que costumavam cumprir, estava até um pouco atrasado. Bom, de qualquer forma não havia gravação hoje, então tanto fazia.
—Será que ele tá dormindo…
Será que era melhor avisar antes? Pensou nisso e simplesmente balançou a cabeça. Como ele já avisara sobre a volta, ele devia ao menos imaginar quando iria buscá-lo. Mesmo que não soubesse que Eunho viria, Ji Hyeon devia saber que havia consulta marcada nesta manhã.
—Eunho.
—Eu posso te ligar?
Depois daquele dia, de Ji Hyeon não veio contato nenhum. Ele previa isso o bastante, porque um sujeito sem assunto não mandaria mensagem nem ligaria. Se fosse depois de ele voltar como Manager, tudo bem; mas naquele estado incerto, ainda menos.
—Você é que tem que julgar por conta própria.
Pois é, provavelmente, mesmo sem ele ter dito aquilo, ele teria continuado quieto.
—…….
O cartão necessário na entrada do prédio ele já recebera antes do diretor Byeon. Era um apartamento onde Ji Hyeon morava sozinho, mas quem administrava, na maior parte, era o diretor Byeon. Claro, se o outro não fosse Eunho, o diretor Byeon também não entregaria o cartão com facilidade.
Eunho entrou no elevador, apertou o último andar e ajustou a mochila pendurada em um dos ombros. Roupa toda preta e até a mochila era preta. Naquele dia ele não usava boné, mas, como o cabelo era preto, dava no mesmo.
Com um “tin”, o elevador parou, e Eunho saiu e se aproximou da porta. Fazia um tempo razoável que ele não vinha ali, mas não a ponto de esquecer a senha. Assim que digitou os números familiares e abriu a fechadura, a paisagem ainda mais familiar de dentro da casa entrou em seu campo de visão.
“Não tem o que mudar mesmo.”
Eunho primeiro pegou e calçou os chinelos de casa preparados pra ele. Os chinelos macios com um ursinho desenhado eram algo que Ji Hyeon encomendara pela internet dizendo que eram calçados exclusivos dele. Depois de entregá-los, ele lhe lançou um olhar cheio de expectativa, mas, como Eunho os aceitou como se nada fosse, ele ficou com um ar meio desanimado.
Ele achava que ele gostava de coisas fofas, mas o próprio calçava chinelos cinza sem graça. Um pro dono da casa, um pra visitas (o diretor Byeon às vezes usava) e um pro Kwak Eunho. Dos três, só o de Eunho era de um rosa clarinho fofíssimo.
“Que gênio, sério…”
Na época ele não percebeu, mas, pensando bem, ele achava que entendia. Provavelmente Ji Hyeon queria que Eunho olhasse os chinelos de ursinho e se horrorizasse. Como era um sujeito com senso de humor em pontos estranhos, era uma suposição bastante plausível.
—…….
Na sala em que ele entrou devagar não havia Ji Hyeon. Ele conferiu o sofá por precaução, mas no sofá de tecido não se via um único fio de cabelo. A mesa também estava limpa, e da cozinha também não vinha sinal de ninguém.
“Deve estar no quarto.”
Ele dissera que não ia mais deixar potes de remédio vazios espalhados. Parece que ele pretendia cumprir aquela promessa. Eunho conferiu a mesa mais uma vez à toa e caminhou em direção à escada. No primeiro andar havia a sala, a academia, o escritório e o depósito; no segundo, o quarto, o closet e outros quartos vazios.
Pensando bem, fazia bastante tempo que ele não subia ao segundo andar. Ji Hyeon estava sempre deitado no sofá e recebia Eunho, que chegava cedo, com um cumprimento ríspido tipo “por que você demorou tanto?”. Naturalmente, os passos em direção ao quarto se interromperam.
Assim que chegou ao segundo andar, Eunho seguiu direto pro quarto. Não era uma casa tão desconhecida a ponto de ele esquecer a planta só por não subir com frequência. No início do trabalho de Manager, ele sempre subia até o segundo andar assim pra acordar Ji Hyeon.
Nem era preciso bater na porta bem fechada. Eunho abriu a porta com cuidado e olhou o interior pela fresta entreaberta. Ele entrara pra acordá-lo, mas, com a ideia de que ele talvez ainda estivesse dormindo, sua respiração diminuiu por si só.
—…….
O quarto de iluminação baixa e, no meio dele, sobre a cama solitária.
“Parece que tá dormindo.”
O vulto deitado de costas pra porta era, por mais que se olhasse, claramente Ji Hyeon. Tanto pelo edredom puxado até o pescoço, quanto pelos pés que apareciam por serem as pernas longas, quanto pelos ombros largos e pelas costas amplas.
Normalmente ele acordava quando a porta se abria, mas naquele dia parece que ele estava num sono profundo. Dava pra saber pelo fato de ele não se virar remexendo pra olhar Eunho, permanecendo imóvel.
Eunho entrou devagar, deixando a porta entreaberta. Como a cortina blackout estava caprichosamente fechada, o sol não entrava nada, apesar de ser manhã. Pensou em abrir logo aquela cortina, mas mudou de ideia e se aproximou da cama.
E foi no instante em que ele chamou Ji Hyeon com aquela voz seca característica:
—Ji Hyeon.
Num salto, Ji Hyeon, que ele achava adormecido, se ergueu. Foi uma reação tão intensa que até Eunho, de pé ao lado, se sobressaltou. Ji Hyeon virou a cabeça e, olhando pra Eunho, arregalou os olhos e mexeu os lábios:
—…Kwak Eunho?
—…….
Era uma reação como se tivesse visto um fantasma. Exatamente como quando ele o encontrou no escritório. Mesmo no escuro, dava pra ver com clareza que o olhar dele oscilava.
—Por que você…
—Você não estava dormindo?
Diante da pergunta de Eunho, Ji Hyeon fechou a boca com força. Como ele não se moveu nem quando a porta abriu, ele achou que ele estava dormindo profundamente depois de muito tempo. Mas, sob o cabelo desgrenhado, no olhar que se voltava pra ele não havia o menor sinal de sono.
—Eu não dormi.
Não é que não dormiu, é que não conseguiu. Eunho engoliu essa frase e pegou o controle sobre o criado-mudo. Manejando os botões, abriu a cortina e ajustou a iluminação do quarto pra mais clara. Enquanto a janela se abria com um ruído, Ji Hyeon conferia o celular que segurava e franzia a testa.
—…E o diretor?
—Como assim? Deve estar no escritório.
Além da insônia, ele ainda estava mexendo no celular? Pensando isso por dentro, Eunho pousou o controle. Pelo visto, ele não ficara sabendo da volta dele. Em vez de dizer que voltara a trabalhar como Manager, Eunho recitou a agenda do jeito mais empresarial possível:
—Você sabe que hoje é dia de hospital, né? Consulta em hospital universitário é difícil de remarcar, então, mesmo cansado, hoje faça um esforço e levante.
—…….
Se é que se pode dizer felizmente, Ji Hyeon se levantou sem perguntar nada. Desceu devagar da cama e ficou com a mão na testa, de cara franzida. Estava com um rosto de algum modo aéreo, e não dava pra saber se era por não ter dormido ou por outro motivo.
—Toma banho e desce.
Deixando só essa frase, Eunho saiu do quarto. Como não precisava ajudá-lo a tomar banho, não havia razão nenhuma pra ficar mais tempo ali. Depois de lavar o rosto e vestir a roupa de sair, ele desceria por conta.
Eunho desceu pra cozinha por hábito e abriu a geladeira. Cerca de trinta minutos pra ele terminar de se arrumar, mais trinta pra comer e sair, e mais trinta até o hospital pegando o carro estacionado na garagem. Como a consulta era às onze, o tempo estava bem folgado.
—O que esse moleque come na vida…
Normalmente já não havia muita comida, mas agora estava realmente grave: não havia absolutamente nada. Havia algumas garrafas de água, alguns ovos e, do nada, uma maçã.
Não é à toa que ele parecia ter emagrecido. Sem ninguém pra cuidar, era certo que ele não fazia nenhum controle de peso. Se fosse um trabalho com cenas de nudez, tudo bem; mas, como ele usaria terno o tempo todo, não devia ter ligado nem se emagrecesse um pouco.
Tirou os ovos e a maçã mecanicamente e procurou uma frigideira no armário. Seria bom se ao menos pra refeição ele contratasse alguém, mas, como era um sujeito que odiava a invasão de terceiros, não havia jeito. No mínimo, quando o diretor Byeon o levava por aí, ele devia enfiar nele sanduíches no carro, de vez em quando.
“E ele devia comer mal até isso…”
Enfim, que sujeito exigente, pensou Eunho, e suspirou. Ao mesmo tempo em que sentia pena do diretor Byeon, que devia ter aturado aquele temperamento difícil, um riso vazio lhe escapou por tudo aquilo ter voltado a ser papel dele. Não por ser cansativo, mas por não lhe parecer uma tarefa tão difícil.
Na verdade, ainda faltava tempo até a gravação do ‘AME’, mas Eunho voltou ao trabalho de Manager um pouco antes. Foi porque pensou que largar pode ter sido coisa de um instante, mas voltar levaria tempo. Porque, no meio de um reality de observação, seria complicado se ele cometesse algum erro.
Quando as gravações começassem de verdade, ele pretendia soltar a isca de que surgira algo que queria tentar e que estava pesquisando. E depois bastaria anunciar que, por questões pessoais, deixaria o cargo de Manager e sairia também do ‘AME’. Pra que não sobrasse conversa depois, ele já acertara isso com o diretor Byeon.
Bom, aquele sujeito que agora entrava na cozinha não sabia de nada disso.
—Senta, você não comeu, né?
—…….
Ji Hyeon entrou na cozinha com uma toalha no pescoço e a franja um pouco molhada. Ficou olhando à toa pra Eunho, que estava do outro lado da bancada, depois foi até a geladeira, pegou uma garrafa de água e bebeu tudo de uma vez.
E então, amassando a garrafa vazia com um estalo, Ji Hyeon se virou pra Eunho e disse:
—Meu bem.
Era um chamado corriqueiro. Eunho respondeu sem sequer se virar pra lá:
—Por que eu sou seu bem?
Antes ele teria respondido “o quê” como se nada fosse. Era um tratamento a que ele já se acostumara o bastante, e ele não pretendia apontar aquilo agora. Ainda assim, ele rebateu de forma seca porque pensou que precisava ter senso de alerta ao menos em detalhes pequenos como esse.
Depois que o ‘AME’ foi ao ar, os fãs não disseram? Que amigos não se chamam de “meu bem”. A falta de distância também era culpa dele, então parecia que agora, mesmo tarde, ele precisava instalar alguma trava de segurança.
—…….
Ji Hyeon ficou um bom tempo sem dizer nada, olhando pra Eunho. Era um olhar tão insistente que parecia furar sua nuca, mas Eunho ignorou tudo aquilo com esforço. Não muito depois, Ji Hyeon soltou um sopro e murmurou como quem fala consigo:
—…Ah, eu pensei que…
Era uma reação que se entendia e não se entendia. E o mesmo valia pro modo como ele desviou o olhar sem apego. Ele pendurou numa cadeira ao lado a toalha que trazia no pescoço e se sentou na cadeira em frente a Eunho.
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Continua…
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✦ Tradução, revisão e Raws: Faby&Belladonna