⋆⋅☆⋅⋆ Capítulo 18
⋆⋅☆⋅⋆ Capítulo 18
Não precisa bater? Mesmo pensando nisso, Eunho entrou pela porta abafando o som dos passos. Porque o gesto do segurança ao abrir a porta foi tão cuidadoso que ele sentiu que também deveria fazer silêncio.
O quarto VIP onde Ji Hyeon estava internado parecia maior que o prédio onde Eunho morava. Havia uma cozinha equipada e uma sala separada, e na sala havia mesa e um sofá amplo. O espaço com a cama era separado por uma porta de correr; mais que quarto de hospital, parecia um hotel.
—…….
Na verdade, ele achou que Ji Hyeon apareceria assim que a porta se abrisse. Como havia mais uma porta a abrir, ele acabou ficando com uma sensação esquisita. De qualquer forma, por causa daquela porta, nem o som da batida seria ouvido. Pensando isso, Eunho caminhou devagar.
Mas, antes mesmo de conseguir se aproximar, uma voz familiar gritou a plenos pulmões:
—Então quem foi que mandou você andar por aí distraído?
Aquela voz irritadíssima era, sem precisar ver o rosto, a do diretor Byeon. Eunho fez uma expressão de quem entendia e parou diante da porta. Ele não tinha notado, mas agora via que a porta estava aberta por um dedo.
—Por que você estava ali distraído! Trabalho de ator é brincadeira? Acha que se machucar é problema só seu?
Pela fresta da porta aberta se via as costas do diretor Byeon. Via-se também o pé de alguém sentado na cama, mas infelizmente o rosto estava escondido pelo diretor Byeon. Claro, só havia uma pessoa que estaria ali.
—Como se alguém se machucasse por querer.
—…….
Então ele não se machucou gravemente. Assim que ouviu aquilo, Eunho soltou um suspiro de alívio. Aquela voz calma e suave como sempre não era muito diferente do Ji Hyeon de que ele se lembrava.
—O que eu faço se eu não consigo dormir? Nem percebi que caí até o braço sangrar.
Mesmo sem ouvir por muito tempo, dava mais ou menos pra imaginar. Era certo que o equipamento tombara de repente e que Ji Hyeon, sem dormir, não conseguiu reagir e sofreu o acidente.
Então ele realmente não teria se machucado se eu estivesse lá? Enquanto ele pensava isso, Ji Hyeon disse de repente:
—Não dá pra pedir mais um pouco daquilo de antes? Dormi um pouco durante a cirurgia e me sinto bem melhor.
—O quê, propofol? Você é louco, quer ser preso por uso de droga?!
Parece que ele disse aquilo de propósito. Não é possível que Ji Hyeon não saiba que é um sedativo narcótico.
—Qual é o seu problema, afinal…
—Qual é? Tudo é problema.
Aquela fala que soava vagamente irônica, ouvida sem prestar atenção ao conteúdo, era simplesmente melodiosa. Claro, Eunho sabia perfeitamente o quanto aquela voz arranhava o íntimo do diretor Byeon.
—Hyeon, acha que eu não sei que você não consegue cuidar da sua condição ultimamente por causa do Eunho? Fez isso aos vinte anos e agora, com essa idade, como é que…
—…….
Eunho, parou os movimentos de repente. Porque, justo no momento em que ia bater na porta, saiu um nome familiar. Isso é meio complicado. Mal ele pensou isso, vieram palavras ainda mais embaraçosas.
—E por que um sujeito desses vive indo nessas reuniões de atores…? De que adianta comer lá e vomitar tudo ao chegar em casa? Alguém vai reconhecer esse esforço?
—Que besteira. Não pode reconhecer. Eu vomito em casa justamente pra ninguém saber.
Então ele não estava bem. Ele achava que ele estava indo bem, mas parece que não. Por que diabos ele foi lá se ia vomitar, por que ele faz coisas que normalmente nem faz? Não parecia que só Eunho tinha curiosidade sobre isso.
—Então pra quê diabos você faz isso?! Eu já falei quantas vezes que agora não precisa mais disso e que é pra você descansar em casa!
—…….
No fim, Eunho baixou a mão que ia bater e ficou calado. Não era pra bisbilhotar; ele só estava um pouco curioso pra saber o que vinha depois. Como o diretor Byeon torceu o corpo, impaciente, pela fresta minúscula viu-se o rosto de Ji Hyeon de olhos fechados.
—Porque o Kwak Eunho é meu único amigo.
Ji Hyeon, que parecia um pouco mais magro, estava com os olhos delicadamente fechados, as costas apoiadas na cabeceira da cama. O braço direito estava engessado, e havia pequenos curativos também no rosto.
—Aí eu pensei que talvez fosse diferente se eu fizesse amigos.
—…….
Quem ficou sem palavras foi Eunho. O diretor Byeon soltou um suspiro, como quem acha aquilo absurdo, mas Eunho apertou os dois punhos com força e baixou o olhar.
—E mudou alguma coisa?
—Sei lá…
Ji Hyeon arrastou o fim da frase e evitou a resposta. Significava que não mudou nada. Depois de ficar um bom tempo de boca fechada, não muito depois ele chamou o diretor Byeon de leve:
—Diretor.
Era a única palavra que, por algum motivo, me deixava tenso. Não só o diretor Byeon, mas até Eunho.
—O que o senhor acha?
—…Acha o quê?
—Eu não conseguir dormir sem ele, ficar inseguro com medo de que ele suma de novo, ter até crise de pânico e não conseguir respirar…
A fala emendada devagar era pesada mesmo aos ouvidos de Eunho. A cada frase encadeada, era como se a boca do estômago fosse esmagada.
—Isso é normal?
—…….
—Ou o quê, é caso pra hospital?
A essa pergunta, quem ousaria responder? Só Eunho, o interessado, poderia dizer a ele pra ir ao médico. E mesmo ele, se não fosse por um estouro, não teria conseguido dizer.
—Ele disse que eu não posso ser o único pra ele.
—…….
—Mas não existe ninguém como o Kwak Eunho.
Eunho ficou parado no lugar como se pregado ao chão, olhando pra Ji Hyeon. Eu não devia ter escutado. Esse pensamento veio, mas ele não conseguia tirar os olhos do Ji Hyeon que via através da porta. Porque aqueles dois olhos delicadamente fechados, aqueles lábios torcidos em autodepreciação e aquele rosto de aparência cansada ficaram nítidos em sua mente.
—Hyeon, será que você…
O diretor Byeon começou devagar e interrompeu o resto às pressas. E, como se mexeu de novo, a figura de Ji Hyeon voltou a ficar escondida. Ele mal teve tempo de lamentar isso e, “Não, não, não pode ser isso”, murmurou o diretor Byeon, balançando a cabeça.
—De qualquer forma, eu, pro Eunho…
—Se ele entrar em contato, diz pra ele não vir.
Eunho estremeceu os ombros. Mas eu já estou aqui. Foi esse o pensamento. Bom, tendo sido expulso daquele jeito, era natural que ele não quisesse vê-lo. No instante em que Eunho tentava aceitar isso, Ji Hyeon acrescentou devagar:
—Aquele cara é mole, então mesmo com raiva de mim ele vai fingir que cedeu e vir.
Não, será que agora ele não vem mais? A voz que murmurou em seguida era autodepreciativa. A ponto de ele quase ter respondido de imediato que aquilo era besteira. Que ele não era mole como ele pensava, e que, mesmo com raiva, numa hora dessas ele sabia distinguir as coisas.
—E não vá ligar primeiro para chamar ele. Conhecendo a sua intromissão, é bem possível.
—…….
O diretor Byeon não conseguiu dizer nada. Provavelmente a essa altura ele pensava a mesma coisa que Eunho. “Mas eu já chamei o Manager Kwak.”
—Ei, não fica teimando à toa e…
—Não é isso.
Ji Hyeon cortou com voz firme a fala do diretor Byeon, que tentava convencê-lo. Farfalhando um pouco ao mover o corpo, ele soltou um gemido pequeno e suspirou. Até aquele gemido contido lhe pesou demais no coração, e a frase que veio em seguida agarrou a nuca de Eunho com força.
—Eu ainda não organizei tudo.
—…….
Era uma fala que tirava o ar. Porque naquela voz cuspida com falsa serenidade havia emoções demais. Porque provavelmente o diretor Byeon não sabia, mas Eunho sabia exatamente o motivo de ele dizer aquilo.
—Eu espero coisas demais dele.
—Não me procura até você organizar tudo.
Idiota. E logo as coisas inúteis ele escuta de forma impecável. Parece que, por um motivo idiota daqueles, mesmo internado, ele achou que não podia entrar em contato.
Eunho apertou o punho e baixou a cabeça. Algo insistia em subir por dentro, e ele sentia que, se não fizesse ao menos isso, sairia um palavrão. Aquela sensação de aperto na barriga era algo com que, por mais vezes que sentisse, ele nunca se acostumava.
—E traz o meu boné do set, por favor.
Boné, deve ser aquele que ele mesmo colocou nele. Não era o primeiro objeto que alguém acidentado procuraria. E também não era um objeto que valesse a pena pedir pra trazerem, estando internado.
—Eu estava tão fora de mim que esqueci aquilo lá…
Ele não conseguia de jeito nenhum ignorar aquela fala emendada como um monólogo. A imagem de Ji Hyeon usando seu boné e todas as fotos que ele vira até então lhe passaram pela cabeça em fila.
—Por que você fica com esse boné…
No fim, ao ouvir a fala do diretor Byeon, Eunho se virou devagar. Não tinha intenção de continuar ouvindo, nem confiança pra entrar e encarar Ji Hyeon. Pra perguntar se ele estava bem fingindo que nada acontecera, o que ele sentia agora era complicado demais.
Ele virou as costas sem hesitação e abriu e atravessou a porta com o mesmo cuidado de quando entrou. Como o segurança lá fora lançou um olhar intrigado, ele cumprimentou de qualquer jeito com os olhos. No caminho até o elevador, os passos foram acelerando cada vez mais, e no instante em que finalmente chegou diante dele, o ar que subira até a garganta explodiu de uma vez.
—…Ha.
Como chamar essa sensação? O íntimo queimava como se ele tivesse engolido uma bola de fogo, e, se pudesse, queria vomitar tudo o que havia lá dentro. A garganta insistia em ressecar, e ele nem conseguia distinguir se aquilo era sede ou outra coisa.
Eunho curvou fundo a cintura e deixou escapar risos vazios várias vezes. Idiota, imbecil. Ele não sabia a quem se dirigiam aquelas censuras sem motivo. Apenas mordeu os lábios com força, sentindo um coração que parecia prestes a explodir.
No caminho pra casa, ele comprou um cigarro e fumou. Depois de muito tempo, dos que Ji Hyeon fumava. O cigarro em que ele não tocara uma única vez desde que parou tinha um gosto tão horrível que ele se perguntou por que diabos fumava aquilo.
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Continua…
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✦ Tradução, revisão e Raws: Faby&Belladonna