⋆⋅☆⋅⋆ Capítulo 16
⋆⋅☆⋅⋆ Capítulo 16
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Falando com sinceridade, ele achou que no meio do caminho viria algum contato. Como ele viera até a frente de casa contrariando as previsões de Eunho, ele achou que, mesmo depois de expulso, viria uma ligação ou uma mensagem. E que, entrando em contato, ele soltaria a besteira de que um amigo também pode ser único.
Mas, de forma surpreendente, de Ji Hyeon não veio contato nenhum. Até a hora em que ele finalmente passou a preparar comida pra uma pessoa só, o dia em que acordou de manhã e não procurou mais a chave do carro, até o momento em que, ao contrário, ele é que ficou na posição de quem espera e achou que precisava se mexer nem que fosse conscientemente.
Pensando bem, era um sujeito que cumpria à risca as coisas que mandavam não fazer. Não tomar remédio com bebida, não aprontar no set, não estragar o clima do local — ele não cumpriu tudo isso? Nas vezes em que ele não vencia a condição física ruim e simplesmente calava a boca, como aquilo também era ordem de Eunho, não havia o que reclamar.
Ele sabe que ele faz todas as coisas incômodas possíveis, mas, quando percebe que realmente incomodou, se acovarda e fica medindo a situação. Como não era diferente da birra de uma criança pedindo atenção, aquele nível de manha dava pra achar fofo. Portanto, dessa vez também havia grande chance de que ele estivesse se esforçando ao máximo pra tentar obedecer ao que Eunho dissera.
Se fosse realmente isso, Eunho não tinha motivo especial pra impedir. E, se apesar disso ele sentia um aperto, devia ser porque não conseguia dar conta do tempo que sobrava de repente.
No dia em que se completou uma semana desde a foto da confraternização, Eunho saiu de casa por impulso e foi a algum lugar. O motivo não era nada de mais: como ficava todo dia sentado à mesa usando a cabeça, de repente veio uma sensação sufocante.
Decidir prestar concurso público fora uma escolha bastante impulsiva. Tanto que ele comprou a coletânea de provas sem saber o que fazer e só alguns dias depois foi pesquisar direito como era o processo. Ou seja, dito de outro modo, não fora uma decisão tomada com grande motivação desde o início.
Como não havia objetivo, também não havia graça. Foi algo que ele sentiu depois de pegar mais ou menos o fio da meada: a preparação pro concurso tinha um tom completamente diferente do estudo de vestibular. Fazia tempo que ele largara os estudos e, com a cabeça complicada por várias razões, a concentração também não vinha.
Então, sem pensar, ele saiu de casa e pegou um ônibus. O caminho era bastante desconhecido, mas o destino no fim da estrada era um lugar impossível de esquecer.
Aquele lugar onde conheceu Ji Hyeon pela primeira vez e do qual, no fim, acabou se separando. Aquele lugar de onde, sem folga na época, ele acabou indo embora.
Já se passaram nada menos que dez anos, mas seria bom se, mesmo tarde, ele conseguisse transmitir sua gratidão.
—Meu Deus, quanto tempo!
Sala dos professores do terceiro ano do Colégio Hanguk. Ali estava a professora que fora, dez anos antes, a orientadora da turma de Eunho e Ji Hyeon. A professora recém-nomeada de então agora era uma veterana com quase dez anos de casa. A professora, que ia trabalhar com uma saia de tailleur impecável, agora lidava com os alunos com desenvoltura, vestida com roupas confortáveis.
—Eu vi na TV e me assustei tanto. Do Hyeon tudo bem, mas quem é que ia imaginar que você apareceria lá?
Até entrar na sala dos professores, ele se arrependera várias vezes, pensando se não tinha ido lá à toa. Porque não tinha certeza de que ela ainda estaria ali, nem de que o receberia bem, aparecendo assim de repente.
—Que bom ver o seu rosto assim. Você continua igualzinho, Eunho, igualzinho.
Mas a professora, desde o instante em que ele entrou na sala, o reconheceu imediatamente. Primeiro arregalou os olhos, surpresa, depois se levantou de um pulo e, chamando seu nome, se aproximou e segurou firme suas duas mãos.
—Você devia ter vindo ao menos uma vez. Sabe o quanto a professora se preocupou?
—…….
Ele encontrou muitos adultos bons — foi só agora que ele se deu conta disso. Mesmo tendo passado uma infância pobre, ao lado de Eunho sempre houve bons adultos. Começando pela avó, os professores orientadores de cada ano e até mesmo os vizinhos que moravam por perto.
—…Desculpe ter vindo tão tarde.
—Não precisa se desculpar.
Na sala de atendimento dentro da sala dos professores, Eunho trocou notícias rápidas com a professora. Ela, que disse ter assistido a “AME” com prazer, disse que bastava ele estar bem de saúde e não tocou nem uma vez no assunto da faculdade daquela época. Contou que já tinha tirado até uma licença-maternidade e mostrou a aliança e cinco fotos do filho.
—O bebê é lindo, né? Meus alunos ficam dizendo que ele parece com a professora…
No fim daquela tagarelice agitada, ele percebeu a preocupação transparecendo. Sabia também que ela vinha checando o rosto dele. Era, à sua maneira, aquela mesma consideração que ele não conhecia dez anos antes, mas que agora reconhecia com clareza e podia retribuir.
—Professora.
Por isso Eunho abriu a boca com cautela, aproveitando o intervalo em que ela terminou de falar. Para contar as notícias que ela talvez mais quisesse saber, as que aconteceram depois que o contato se rompeu.
—Naquela época… eu agradeço de verdade.
—…….
—A cirurgia da minha avó deu certo, e ela viveu mais alguns anos antes de partir. Felizmente o Ji Hyeon… hã, um amigo meu me ajudou, e a parte financeira também se resolveu bem.
Na época foi tão difícil que ele quis morrer. E agora, ao pôr aquilo pra fora, eram alguns anos resumidos em uma única frase. Como o resultado foi bom, até o processo foi embelezado, e ele pôde guardar aquilo no coração bem embrulhado, sem nenhum arrependimento.
—Que bom.
—…….
—Eu me preocupei muito.
O consolo que aquela voz serena oferecia tinha algo que apertava a garganta. A ponto de ele engolir em seco às escondidas e baixar a cabeça sem perceber. E a ponto de ele não conseguir emendar até o fim as palavras que preparara.
—E eu queria devolver o dinheiro da taxa de inscrição…
Ele queria devolver o dinheiro emprestado, mas, para estender um envelope, os olhares ao redor o incomodavam. Ele trouxera por precaução, mas não conseguia calcular em que momento e como estendê-lo.
Mas a professora, como se já previsse que palavras viriam, deu tapinhas na mão de Eunho.
—Deixa disso, moleque. Como é que eu vou aceitar dinheiro de um aluno?
Aquela resposta desprendida não era um tom fabricado. E o mesmo valia pra voz brincalhona que veio em seguida.
—Aquilo foi tudo porque você estudava bem. A professora não fez caridade, foi investimento, investimento.
Era evidente que ela fingia despreocupação de propósito pra que ele não se sentisse em dívida. O Eunho de dezenove anos talvez não soubesse, mas o Eunho de vinte e nove sabia perfeitamente.
—…Obrigado.
Então Eunho, sem retrucar nada, apenas transmitiu sua gratidão. Porque, diante de uma gentileza que alguém oferece, às vezes o melhor é aceitá-la com alegria. Da infância até agora, era assim o modo que ele aprendera com a avó.
—E também, professora…
—Sim?
Pergunto ou não pergunto? Eunho, que hesitou um instante, mexeu os lábios. Era uma coisa que ele lamentara só depois de ter ganhado alguma folga, e perguntar tão tarde parecia excessivo. Mas, mesmo assim, já que tinha chegado até ali, ele pretendia tentar.
—Já é muito tarde, mas será que o meu diploma ainda existe?
—…Diploma?
Mas, assim que ouviu aquilo, a professora ficou com uma expressão um pouco intrigada. Ela também devia saber que Eunho, por não ter ido à escola, não recebera o diploma.
Será que enviaram pelo correio? Enquanto ele pensava nisso, a professora falou com um ar desconcertado:
—Aquilo, naquela época…
* * *
O céu azul estava especialmente gelado e límpido naquele dia. Enquanto esperava o ônibus, Eunho ficou o tempo todo com as mãos nos bolsos, fitando o vazio. Sentia que os estudantes por perto o olhavam de relance, mas sua cabeça estava complicada demais pra ligar até pra isso.
—…….
Não muito depois o ônibus chegou, e Eunho subiu em silêncio e se sentou perto da porta de trás. E, por hábito, tirou o celular e entrou no endereço familiar. Era o fórum onde apareciam as notícias de Ji Hyeon, no qual ele entrava com tanta frequência que já decorara o endereço.
—Aquilo, naquela época, o Hyeon pegou.
Ou seja, por que diabos você pegou? E qual era o motivo de ter pegado e ficado calado até agora, sem dizer uma única palavra? Ele reclamava que ele não lhe contava nada, mas as partes que ele mesmo escondia também não eram muitas, transbordando?
—Ele disse que ia te entregar; você não recebeu?
—…….
Se pudesse, queria perguntar o que ele estava pensando. Talvez ele também já tivesse esquecido, mas, por ora, queria conversar relembrando aqueles tempos.
—Não me procura até você organizar tudo.
Mas, como não era uma situação em que isso fosse possível, Eunho apenas percorreu o fórum com o olhar vazio. Como dificilmente haveria alguma novidade, na maior parte era só conteúdo esperando o próximo trabalho de Ji Hyeon e conversas sobre outras produções da filmografia.
—…Sem você eu não consigo respirar.
Mas agora parece que ele respira bem. Na verdade, ele começava a achar que, no fim, tudo era problema que o tempo resolveria. Não é que a saída dele causasse um grande problema, e no entanto parece que ele se acovardou à toa e arrastou aquilo por anos.
—Isso eu não posso resolver por você.
Será que era melhor parar com isso também? Diploma, essas coisas, era só dar por perdido. Ele parece estar bem agora, então não precisa remexer nisso à toa. E aí, passado muito tempo, talvez depois eles voltassem a ser amigos naturalmente.
—…….
Eunho engoliu um pequeno suspiro e desceu a tela. Foi um gesto sem sentido nenhum, mas na tela que parou bem naquele instante havia uma publicação que prendeu seu olhar.
Era uma matéria com um título impossível de ignorar, copiada do site Hot Star News.
「[EXCLUSIVO] Ji Hyeon se machuca durante gravação de série… “levado ao pronto-socorro”」
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Continua…
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✦ Tradução, revisão e Raws: Faby&Belladonna