⋆⋅☆⋅⋆ Capítulo 13
⋆⋅☆⋅⋆ Capítulo 13
No instante em que percebeu foi um alívio, mas depois acabou ficando um pouco vazio. Mais precisamente, seria melhor chamar de sensação de falta. Ele simplesmente não sabia o que fazer com o tempo que sobrava de repente. Diziam que as pessoas descansam tranquilas depois de pedir demissão. Pra Eunho, que vivera a vida inteira com afinco, nem descansar direito ele sabia.
Ficou deitado meio dia sem querer fazer nada. Mas, engraçado, quanto mais ficava vagando, mais a cabeça se complicava. Os pensamentos aleatórios que subiam feito fumaça eram muito mais insuportáveis do que o corpo cansado.
Do que eu vou viver daqui pra frente? Ele não tinha como não pensar nisso. Como tinha dinheiro guardado, não morreria de fome, mas nem por isso poderia ficar de férias a vida toda. Pensou em ir pra obra como antes, mas perdeu a vontade ao se dar conta de que agora não precisava de uma quantia tão grande.
—Eu não vou pra faculdade.
Era uma vida que desde o começo transcorria sem objetivo. Pra se traçar um objetivo é preciso ter folga; ele tinha que se preocupar com o hoje antes mesmo de olhar pro futuro distante, não era? O motivo de não sentir pena por ter desistido da faculdade também era que, desde o início, não era um caminho que Eunho quisesse.
Pensou em entrar em outra agência. Pensou nisso e logo decidiu não fazer. Simplesmente porque não tinha confiança pra cuidar de outro artista que não fosse Ji Hyeon. E Eunho também nunca fora do tipo que cuida dos outros com minúcia.
A conclusão a que chegou assim foi justamente o concurso público. Ele tinha bastante confiança em estudar, e não existia emprego tão estável e constante quanto aquele.
Assim que organizou os pensamentos, foi à livraria e comprou uma coletânea de provas anteriores. No caminho de volta, viu um anúncio de vaga e foi fazer uma entrevista numa cafeteria sem pensar duas vezes. Teve que voltar por causa do “estamos procurando uma funcionária”, mas, pensando depois, achou que até foi melhor assim.
—Depois que passar na TV, até o que eu ando fazendo por aí vai chegar aos meus ouvidos.
Ele não achava que tinha ficado famoso, mas era fato que o número de pessoas que o reconheciam tinha aumentado. Não porque ele fosse alguém importante, mas porque Ji Hyeon era um ator daquele tamanho. De qualquer forma, ele seria esquecido em pouco tempo, então até lá talvez fosse melhor descansar um pouco, legalmente.
—…….
Pois é, foi com esse pensamento que ele passou a noite estudando, mas…
—…Alô.
Por que diabos ele atendeu à ligação que tocou de madrugada? Era mais ou menos a hora em que o sol nascia, e originalmente seria a hora em que ele acabava de acordar e ia tomar banho. Pra ele não era um horário tão cedo, mas nem por isso era um horário educado.
—…Kwak Eunho.
Mas, assim que viu aquele nome, a mão se moveu. Apertou o botão de chamada por hábito, levou o aparelho ao ouvido e se concentrou na voz dele. A voz rachada era estranhamente frágil, e veio até uma preocupação automática: será que ele não dormiu de novo?
—Eunho, eu…
—Ji Hyeon.
Foi por isso que ele cortou a fala de propósito. Porque, se continuasse ouvindo mais um pouco, sentia que amoleceria depressa.
—Parece que você esqueceu, mas eu não sou mais o seu Manager.
Que palavras ele pretendia dizer? De qualquer forma, ele acha que não seria um conteúdo tão significativo. Que não conseguia dormir, ou se ele realmente não vinha; ele devia pretender enfileirar palavras banais desse tipo.
—Ou seja, não tenho motivo pra atender uma ligação a essa hora.
Falando com sinceridade, motivos pra atender a ligação havia muitos. Desde o início, o fato de ele cuidar de Ji Hyeon não era exclusivamente porque ele era ator. Simplesmente porque ele o preocupava, e como o preocupava acabava importando-se, é por isso que ele acabava assumindo até coisas que um Manager comum não faria.
—Eu queria que você não ligasse sem motivo.
Ele torceu pra que a voz não tivesse tremido. Rezou fervorosamente pra que o resquício de apego que ele guardava não fosse transmitido justo a Ji Hyeon. A julgar pelo fato de não ter havido novo contato, seu orgulho certamente ficara ferido, se é que nada mais.
—…Provavelmente ele não vai ligar nem quando tiver motivo.
Era um sujeito de orgulho grande e autoestima baixa. Depois de ter sido cortado com tanta firmeza, ele não achava que ele viria se curvar primeiro. Não simplesmente por ter ficado ofendido, mas por medo de ser recusado de novo. Nos tempos de colégio, na única vez em que brigaram feio, ele não foi aquele garoto que não conseguia puxar conversa e só ficava medindo a situação de longe?
Por um tempo não vou ver a cara dele. Pensando isso, Eunho pegou de novo a lapiseira. Sem saber sequer se a emoção que sentia agora era mágoa ou falta. Pensando que talvez, dali a um mês, ele mesmo é que sentiria saudade primeiro. Porque, se aquela história de que quem gosta mais é quem perde for verdade, no fim quem vai perder é ele.
E, naquela noite, Ji Hyeon apareceu na frente da casa dele.
* * *
Ele tinha saído porque o corpo estava travado e queria dar ao menos uma caminhada leve. No caminho de volta comprou algo pro jantar e, pensando que o tempo tinha esquentado bastante, entrou devagar no conjunto de prédios. Como não dormira nada a noite inteira, seu plano era ir direto pra cama assim que terminasse de comer.
—…?
Mas havia um vulto grande parado em frente ao prédio. Como bloqueava a entrada, era uma presença impossível de ignorar por mais que se tentasse. Eunho, que sentira uma sensação familiar desde longe, confirmou tardiamente o rosto dele e parou os passos de vez.
—…Ji Hyeon?
Era Ji Hyeon. Sem boné nem máscara, ali plantado, olhando pra entrada do prédio. Se a voz de Eunho chegou até lá, não sabia, mas, com um compasso de atraso, Ji Hyeon se virou pra ele.
—O que você tá fazendo aqui…
—…….
Ele piscou os olhos devagar, com um rosto aéreo. Tão aéreo que, mesmo tendo cruzado olhares, não dava a sensação de que tinham se cruzado. Por que ele está aqui? Antes de perguntar isso, Eunho primeiro confirmou uma coisa.
—Você bebeu?
Recentemente ele não via mais, mas houve uma época em que Ji Hyeon tinha o péssimo hábito de tomar bebida junto com remédio. Depois que Eunho descobriu isso por acaso e explodiu de raiva, ele nunca mais fizera. Como não havia motivo pra aparecer de repente sem avisar, ele pensou que talvez ele estivesse aprontando por causa da bebida.
—Cadê o diretor, você tá sozinho?
O que faço, se um ator fica desse jeito aqui? Mesmo sem olhos observando, cada câmera de painel dos carros era um olhar.
Quando Eunho se aproximou, preocupado por hábito, só então um suspiro escapou da boca de Ji Hyeon.
—…Ah.
Foi exatamente uma sílaba, e ele não sabe por que ela perfurou seus ouvidos daquele jeito. Como as pálpebras que tremiam, a voz que saiu baixinho também tremia levemente.
—Kwak Eunho.
—…….
Foi um chamado como um sopro. A ponto de escapar num instante se não se prestasse atenção.
Bêbado… parece que não. Não havia cheiro de álcool, e a cor do rosto estava normal. Agora, se perguntassem se ele estava em seu juízo perfeito, não parecia.
—Eunho, eu…
Foi nesse momento que se ouviu um burburinho de vozes. Eunho, que se virou por reflexo, franziu a testa ao ver um grupo de pessoas entrando no conjunto. Em outra ocasião, tudo bem, mas ele não podia expor a outras pessoas um Ji Hyeon com aquela aparência ruim.
Então Eunho tirou o boné que usava e se aproximou de Ji Hyeon a passos largos. Quando a distância diminuiu, Ji Hyeon mexeu os lábios pra dizer mais alguma coisa. Eunho enfiou o boné na cabeça dele e puxou a aba pra frente com força.
—Fica quietinho um pouco.
—…….
Quem passava era um grupo de estudantes de colégio. Os estudantes, que vinham tagarelando, olharam pra Eunho e Ji Hyeon parados em frente ao prédio com olhos cheios de desconfiança. Com dois homens compridos plantados ali, era natural que parecessem suspeitos.
—…Entra primeiro.
Não tendo escolha, Eunho estalou a língua e puxou o pulso de Ji Hyeon. Ele temeu que aquilo o desagradasse, mas felizmente Ji Hyeon veio arrastado por Eunho sem dizer nada, dócil. Mesmo enquanto subiam a escada em direção ao apartamento, em vez de se soltar, ele apenas ficou olhando fixamente.
Só depois de chegarem ao terceiro andar Eunho o soltou e digitou a senha. Assim que abriu a porta e entrou, Ji Hyeon o seguiu logo atrás.
Ele achava que aquela vez tinha sido a última em que o traria pra casa. Ontem como hoje, o problema é sempre uma situação que ele não pretendia.
—E as filmagens?
—Vim depois que tudo acabou.
Diante da pergunta de Eunho, Ji Hyeon respondeu com aquela voz branda característica. Era uma sensação bem diferente de quando ele estava lá fora. Continuava havendo um ar ausente, mas, ainda assim, ele estava bem mais estável.
—Você veio sozinho?
—Vim.
—Veio como?
—De táxi…
—…Você veio de táxi?
Eunho, sobressaltado, examinou Ji Hyeon. Parecia que ele viera direto do set, porque a maquiagem também não estava totalmente removida. Será que esse moleque veio escondido do diretor? Esse pensamento passou, mas ele se esforçou pra fingir que não sabia e só suspirou.
—Tá… deixa isso pra lá.
De que adianta se preocupar? Eu nem sou mais Manager dele. Não era coisa pra se dizer depois de trazê-lo pra dentro de casa, mas ficar aflito com medo de que ele aprontasse também não era mais papel dele.
—Então, qual é o assunto?
—…Se eu não tiver assunto, não posso vir?
Ji Hyeon encarou Eunho devagar e devolveu a pergunta. Era um tom de quem não estava cobrando, mas perguntando por realmente não saber. Como os olhos se encontraram, ele não conseguiu dizer que não podia, então Eunho apenas esfregou a nuca e franziu a testa.
—Aparecer assim sem avisar é falta de educação.
O que se faz se ele aparece de repente na frente de casa? Se veio, que ao menos ligasse; e se por acaso ele não estivesse voltando de uma saída, o que ele ia fazer?
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Continua…
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✦ Tradução, revisão e Raws: Faby&Belladonna