⋆⋅☆⋅⋆ Capítulo 11
⋆⋅☆⋅⋆ Capítulo 11
Pra Ji Hyeon, que ficou de boca fechada sem conseguir dizer nada, a avó segurou sua mão com cuidado e acrescentou:
—Não briga com o nosso Eunho. Continua sendo amigo dele daqui pra frente. Está bem?
O motivo de não ter conseguido responder foi que uma emoção sem nome lhe subiu de repente. Porque um contato que normalmente seria desagradável pareceu tão frágil que sumiria a qualquer momento. Porque uma frase aparentemente comum, de algum modo, soou como uma despedida final.
—…Quando a senhora tiver alta, vamos comer algo gostoso juntos.
Na verdade, era o que ele pretendia dizer no dia da formatura. Ele preparou e preparou, e só agora, anos depois, conseguiu transmitir. Não conseguira na época, mas dessa vez desejava fervorosamente que pudessem estar juntos. Porque, se pudessem ir os três ao restaurante que ele escolhera a dedo, seria perfeito.
Ele não sabe se Eunho ficou sabendo daquela visita. Ji Hyeon saiu do quarto antes que ele chegasse e voltou em silêncio pro carro, esperando por ele como se nada tivesse acontecido. Eunho, que voltou tardiamente, também não lhe disse nada em especial.
Depois disso, exatamente dois meses. A avó de Kwak Eunho partiu deste mundo. Eunho, que tinha saído antes do set, só transmitiu a notícia tarde da noite. Quando ele foi às pressas ao velório, Kwak Eunho estava sozinho num salão tomado pelo cheiro de incenso.
—…….
Ele deveria ter estado junto no momento da despedida. Isso ficou pesando no coração dele. Naquele lugar sem um único parente, com um número de visitantes que se contava nos dedos, Kwak Eunho parado ali sozinho parecia irreal demais.
Compaixão, não era isso. Porque ele mesmo não era uma pessoa tão grandiosa a ponto de ousar ter compaixão de Kwak Eunho.
Mesmo com a agenda empilhada feito montanha, ele ficou ao lado de Kwak Eunho ignorando as ligações que chegavam. Como ele não comia, ele passou fome junto; como ele não dormia, ele varou a noite ao lado dele. Ele achou que a qualquer momento ele mandaria que fosse embora, mas Eunho só perguntou a Ji Hyeon depois que todo o funeral terminou:
—…E a sua agenda?
O que ele respondeu àquela pergunta? Ele acha que só ficou irritado perguntando onde ele tinha aprendido a fumar. Mais do que o fato de não saber que ele era fumante, ele ficou com mais raiva por não saber que palavras dizer numa hora dessas.
—Chora logo.
Como não sabia consolar, ao menos fumou junto. Porque a imagem dele enterrado na fumaça esbranquiçada parecia à beira do colapso a qualquer instante. Porque, ficando junto naquela paisagem, ao menos o fato de estar perto já lhe acalmava o coração.
—Numa hora dessas, fingir que tá tudo bem é que dá mais vergonha.
—…….
Era uma das frases que ele ouvira por aí gravando novela. Assim que Eunho ouviu aquilo, contorceu o rosto. Cobrindo os olhos com uma das mãos, deixou escapar um som entre o suspiro e o riso.
—Ah…
Nunca ele parecera tão pequeno quanto naquele instante em que se deixou cair, como quem desaba. Porra. O palavrão que escorreu assim pareceu retalhar a região do peito. Ele puxou o ar com força e o soltou devagar de novo. No fim daquele fôlego contido a duras penas, havia mágoa.
—Hunc…
Era um vazio que ele nem ousava dimensionar. Quanto ele se esforçou, quanto ele viveu com afinco. Qual fora aquela esperança fugaz que ele tivera. Ji Hyeon não desconhecia nada disso. Sentia uma revolta enlouquecedora pelo fato de não conseguir fazer nada por um garoto que aguentara com tanto fervor.
—Você mandou bem.
A voz que ele fabricou com esforço era aquela que Eunho sempre lhe dizia. Porque, quando ele esperava quieto depois da filmagem, Eunho sempre chegava com uma garrafa de água e dizia exatamente isso. No meio de um medo de até mesmo tocá-lo, criar coragem e dar tapinhas no ombro dele era o máximo que ele podia fazer.
Ele pensou que nunca mais queria vê-lo chorando. Pensou que preferia que ele xingasse e se irritasse, e com esse pensamento fumou à força um cigarro sem gosto nenhum. Acreditando que a ardência nos olhos era simplesmente por falta de sono e pela fumaça. E também empurrando à força pra baixo a náusea que insistia em subir.
Depois disso, por quatro anos, Eunho continuou no trabalho de Manager de Ji Hyeon. Até pagar com toda a diligência o dinheiro que recebera adiantado, até baixar pra um nível razoável o salário que lhe enfiavam à força e até finalmente largar o cigarro no qual agora Ji Hyeon estava viciado.
—Agora eu não preciso de tanto dinheiro.
Era uma frase que deveria trazer alívio, mas, no instante em que a ouviu, seu estômago revirou. Porque o único pretexto que ele tinha pra segurá-lo era dinheiro, e agora até isso tinha desaparecido. Vendo Eunho, que não lhe exigia nada, ele sentia a cada instante uma sede que ressecava a garganta.
Desde quando foi? Que os nervos ficavam todos em pé quando estava com ele. E que, mesmo sentindo conforto pelo fato de estarem juntos, um desagrado sem motivo aparecia sempre que chegava a hora de ele voltar pra casa. E que a paciência parecia gasta até o fim, e vinha uma ansiedade que nem ele mesmo dava conta.
Pois é, ele tinha medo. Medo de que, se ele fosse embora assim, não voltasse no dia seguinte. Porque, se ele sumisse sem dizer nada como fizera antes, ele teria de apostar tudo mais uma vez num milagre criado pelo acaso.
Porque ele não desconhecia que um Kwak Eunho a quem nada mais faltava não tinha motivo pra precisar de um Ji Hyeon a quem tudo faltava.
—Você realmente não vem morar na minha casa?
Ele detestava que ele tivesse um lugar pra onde voltar. Ficava tão inseguro que até o fato de ele se aproximar de outras pessoas o irritava. Segurando-o sob o pretexto de ser Manager, havia momentos em que o fato de ele permanecer ao lado dele apenas como Manager o desagradava a ponto de dar revolta.
—Olá. …Sou Kwak Eunho, Manager do Ji Hyeon.
Mas ele só agora percebeu que até isso era luxo. Ele deveria ter se satisfeito só com ele estar ao lado, de qualquer forma. Por desejar um cuidado excessivo demais, no fim não perdeu até isso?
—…Tem algum gênero que você quer filmar da próxima vez?
Ele nem sabe quantas vezes a voz que saía da TV se repetiu. A noite inteira, Ji Hyeon ouviu a voz de Eunho sem dormir um instante. Remoendo inúmeras vezes as coisas que viveram juntos, esforçando-se pra encontrar o ponto de partida do erro.
—Achei que você ficaria bonito de roupa de promotor.
—…….
Mas, por volta do nascer do sol, ele não conseguia nem sequer continuar esse pensamento. Porque, no momento em que originalmente deveria melhorar, ele de repente se deu conta de um fato novo.
De que adiantava esperar e pensar sozinho? Por mais que esperasse, Eunho não voltaria. Porque nunca mais aquele garoto, que agora nem era mais Manager, abriria aquela porta e entraria.
—…Ha.
Assim que pensou isso, a boca do estômago apertou. O senso de realidade que veio tardiamente cobriu Ji Hyeon como uma maré num piscar de olhos. A cabeça esquentou tanto que ele não conseguia nem manter um pensamento racional.
Por impulso, ele pegou o celular e digitou os onze dígitos familiares. Era o número que ele apertava toda noite desde o dia em que Eunho o salvara. Nunca ligara de fato, mas na cabeça ele repetia sempre o ato de ligar pra ele.
No instante em que a chamada começou a tocar, tudo diante dos olhos embaçou. Achando que era porque não tinha dormido, ele cobriu os olhos com uma das mãos. A palma estava fria como gelo, e, ao contrário, as pálpebras estavam quentes demais.
—Eu vou deixar de ser seu Manager.
O Kwak Eunho da cabeça dele repetia sem parar a mesma frase. Que não dava mais pra aguentar aquela nojeira, que nunca mais seria Manager dele. Virava as costas friamente, deixando Ji Hyeon sozinho. Como alguém que nunca mais voltaria, ele não conseguia de jeito nenhum segurar aquela figura que se afastava devagar.
—…Alô.
—…….
Por isso, quando ouviu a voz de Eunho, Ji Hyeon ficou um bom tempo sem conseguir dizer nada. Porque não tinha consciência nem de ter ligado, nem de que o outro tinha realmente atendido. Como não conseguia escolher nem o que dizer, o que saiu foi apenas um chamado sem graça:
—…Kwak Eunho.
—…….
Eunho não respondeu, e a única coisa que se ouvia era a respiração dele. Mesmo isso lhe parecia precioso, e Ji Hyeon, de olhos bem fechados, concentrou-se na respiração que chegava. Então o motivo do sofrimento até agora era falta de ar. Foi só depois de soltar um sopro fino que ele se deu conta disso.
—Eunho, eu…
Eu sinto muito, era isso que ele pretendia dizer. Que não devia ter falado daquele jeito, que primeiro tentaria pedir desculpas. Ou pedir que ao menos se vissem por um instante.
—Ji Hyeon.
Mas Eunho cortou a fala dele antes que dissesse qualquer coisa. Era um chamado igual ao de sempre, mas estranhamente gelado. No instante em que Ji Hyeon puxava o ar com força, uma voz seca falou sem altos nem baixos:
—Parece que você esqueceu, mas eu não sou mais o seu Manager.
—…….
Por que ele resolve trazer de novo um fato que ele não desconhece? Ele não tinha esquecido desde o início, e foi justamente por saber disso que ligou. Porque, mesmo de manhã, ele não viria; porque parecia que ele ia enlouquecer de verdade.
—Ou seja, não tenho motivo pra atender uma ligação a essa hora.
Aquela fala calma era algo de uma frieza que ele nunca ouvira. Pra Ji Hyeon, que não conseguia dizer absolutamente nada, Eunho falou mais uma vez num tom firme:
—Eu queria que você não ligasse sem motivo.
A cabeça ficou completamente branca, e ele não conseguiu nem se justificar dizendo que não era isso. O Kwak Eunho da TV sorria pra ele, mas o Kwak Eunho do outro lado da linha falava com uma voz sem um traço de riso. Uma recusa que ele nunca imaginara lhe perfurou os ouvidos sem que tivesse tempo de bloqueá-la.
—Se entendeu, eu desligo.
Junto com essa frase, Eunho desligou sem hesitação. Do outro lado da linha interrompida, não se ouvia nem mais o som de uma respiração.
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Continua…
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✦ Tradução, revisão e Raws: Faby&Belladonna