Capítulo 04.8
4. Wolfie, The Bunny
—Acho que você vai ter que trazer para mim.
Cheriot já estava pegando um copo de vidro e servindo água antes que Yurij pedisse. Ao ouvir o que Yurij disse, inclinou a cabeça para trás e perguntou sorrindo:
—Está exausto, Wolfie?
Ele, que tinha se mexido feito um louco, deveria estar fisicamente muito mais exausto, mas diante de sua aparência excessivamente despreocupada, Yurij franziu o cenho. Aquilo pretendia ser uma pergunta?
—Você está falando sério?
—Estou. Sinceramente, fiquei surpreso. Por mais que você seja um alfa, se outro fizesse o que a gente fez antes, mesmo que você o ajudasse a se apoiar, ele mal conseguiria andar, mas o Wolfie parece estar bem.
Cheriot fechou a torneira e colocou diante dele o copo de vidro cheio de água. Olhando para o copo sobre a mesa, Yurij mergulhou em seus pensamentos e depois separou lentamente os lábios.
—Você realmente quer falar de outras pessoas depois de transar comigo?
Ele não ignorava que, embora para ele fosse sua primeira relação com um alfa, para Cheriot não era assim. Mas lhe parecia que, no clima em que estavam, aquele comentário era
desnecessário, então, de cenho franzido, perguntou. Cheriot arregalou os olhos.
—Você está com raiva, Wolfie?
—Simplesmente não entendo por que você disse isso.
—Desculpa. Não era minha intenção comparar…! É que… eu nunca tinha conseguido ir tão longe.
Deixando Cheriot se explicando com atraso, Yurij estendeu a mão e pegou o copo. Não estava com raiva. Simplesmente não se sentia bem, mas também não estavam em um relacionamento…
Nem podiam estar.
Yurij engoliu junto com a água aquele murmúrio silencioso que acrescentou para si mesmo. Ao umedecer a garganta ressecada, sentiu-se um pouco melhor. Uma vez desperta a sede, era insuportável, então bebeu água sem parar. Talvez por beber com certa pressa, a água escorreu pelo queixo levantado e se acumulou de leve no pomo de adão. Cheriot, que o observava fixamente, fez um som —mmm— e depois abriu a boca.
—Ei, Wolfie. Eu sei que provavelmente você não vai gostar do que eu vou dizer…
Yurij largou o copo com um baque seco e fuzilou Cheriot com o olhar. Vendo que ele começava assim, parecia que sairia mais uma bobagem como antes. Com a intenção de cortar qualquer conversa desnecessária, falou com um tom um pouco brusco.
—Se você sabe tão bem, por que não fica quieto?
Ao dizer isso, sentiu que tinha sido um pouco duro e lhe deu vontade de se desculpar, mas Cheriot, soltando um suspiro preocupado, se virou e serviu mais água no copo de vidro. Como tinha ficado com a garganta seca por um tempo, Yurij aceitou de bom grado o copo e estava prestes a beber de novo quando Cheriot, observando a cena, soltou de repente:
—O rut voltou.
Yurij, que por pouco não se engasgou, franziu o cenho e cravou o olhar em Cheriot.
—Ver como o seu pomo de adão se mexia foi excitante demais, não consegui evitar. É culpa sua, Wolfie.
Seguiram-se as bobagens. Com as sobrancelhas escuras franzidas, ele estava prestes a dizer que seria difícil continuar assim, mas Cheriot se aproximou dele e o abraçou por trás. Rodeou sua cintura com os dois braços e colou o corpo com firmeza, esfregando o pênis entre as nádegas de Yurijj, onde ainda restavam marcas de mãos. Apesar de ter ejaculado havia pouco, o peso que pressionava seu cóccix era evidente; tinha voltado a ficar ereto sem que Yurij percebesse.
Atônito, Yurij largou o copo. Enquanto o encarava fixamente e engolia em seco, Cheriot de repente o beijou. Enfiando a língua na boca de Yurijj, onde ainda restava água, Cheriot a lambeu e a engoliu. Com a sensação de ter voltado ao momento em que se beijaram dentro do lago, Yurij esqueceu até de dar bronca em Cheriot e entrelaçou a língua com a dele.
—Estou com sede, Yurij. Me dá de beber.
Cheriot esfregou a testa contra sua nuca e implorou. Talvez porque o cabelo macio lhe fizesse cócegas na pele, seu peito se estremeceu. Depois de uma breve hesitação, Yurij pegou lentamente o copo de vidro, levou-o aos lábios e, olhando para Cheriot, que o observava intensamente, tomou um gole de água. Assim que largou o copo, Cheriot lhe beijou a boca como uma fera faminta. As línguas se misturaram e a água passou de um para o outro.
Mesmo depois de beber o que desejava, Cheriot não separou os lábios. Segurando a nuca de Cheriot e girando ligeiramente o tronco, Yurij o aceitou de bom grado, deixando escapar suspiros embriagadores —mm, mmm—. Ao ouvir esses sons, Cheriot empurrou dentro de Yurijj seu pênis, que desde antes estava muito excitado e tinha recuperado o tamanho.
Os calcanhares se ergueram e o vazio interior se preencheu por completo.
Embora Cheriot fosse mais alto, ficar de pé não dificultou a penetração. As paredes internas, já dilatadas ao limite e moldadas pelo formato de Cheriot, aceitaram o pênis com dificuldade, mas com gosto. Cheriot começou a possuí-lo nessa posição enquanto Yurij, fazendo sons —ah, ah—, inclinava a cabeça para trás. Graças a Cheriot ter posto uma mão sobre seu ventre, o abdômen não batia contra a borda do balcão-ilha da cozinha.
Apesar de terem brigado como cães até pouco antes, os dois entrelaçaram os corpos mais uma vez. Yurij, que era penetrado de pé, logo se encontrava se sacudindo com a cintura flexionada, e Cheriot sobrepôs a mão sobre o dorso da mão de Yurijj, estendida sobre a mesa. Yurij girou o pulso que apoiava na tábua da mesa e entrelaçou os dedos com os de Cheriot. No instante em que suas palmas se tocaram, Cheriot entrelaçou os dedos com força.
No lugar onde antes tinham compartilhado uma refeição, ficaram manchas do suor dos dois e, de novo, o sêmen de Yurijj ao alcançar o clímax. Mesmo depois do segundo orgasmo, Cheriot o levou para o seu quarto, ainda enterrado dentro dele.
Assim que a porta se fechou e ele foi empurrado sobre a cama, começou o terceiro round. Lá fora já tinha amanhecido e a luz inundava o quarto, mas a noite deles não tinha terminado. Sem nem sequer ter a oportunidade de ver o que havia no quarto de Cheriot, Yurij passou outras doze horas fora da cama. A cama limpa de Cheriot ficou encharcada e úmida com o sêmen de Yurijj. Mais tarde, o próprio Yurij já não conseguia distinguir se estava ejaculando ou derramando líquido.
O jovem alfa em rut reteve Yurij por quase dois dias. Embora antes ele tivesse passado noites em claro de olhos abertos por dias a fio por causa de trabalhos mais árduos, agora aquilo parecia insignificante; Yurij repetia um ciclo de desabar inconsciente e acordar. Chegou a sentir como algo mais familiar ter a parte inferior aberta, e passou a achar natural que o calor corporal de Cheriot estivesse sempre ao seu lado.
Quem o acordava quando perdia brevemente a consciência e ficava flácido era Cheriot, beijando-o e fazendo com que engolisse água. Toda vez que a água tocava a ponta de sua língua, era tão doce que para Yurijj aquela doçura já não parecia estranha.
Continuaram, continuaram, continuaram, continuaram e continuaram.
O dia foi longo e curto ao mesmo tempo. Quando o tempo que passaram enroscados e fora de si superou o tempo vivido com lucidez, o rut de Cheriot chegou ao fim. Era a terceira vez que ele presenciava o amanhecer clareando o céu atrás das cortinas.
Depois de confirmar que Cheriot, que o abraçava com força, enfim tinha adormecido, Yurij também fechou os olhos. O braço que o envolvia com firmeza deveria ser pesado, mas em vez disso lhe trazia uma sensação de estabilidade. Piscou várias vezes com as pálpebras inchadas e avermelhadas de tanto chorar pela exigência física, e conseguiu enfim adormecer ao sentir os feromônios de Cheriot, que pareciam acariciá-lo suavemente.
***
A primeira experiência de Yurijj não foi exatamente ideal.
Não era que ele não tivesse recebido dos pais educação sobre o ciclo de rut ou cio, mas quando chegou seu primeiro rut, infelizmente eles já não estavam com ele para aconselhá-lo. Tinha dezenove anos quando o rut chegou, no fim de um inferno de começo de verão.
No começo achou que estivesse com um pouco de febre. Não era caso de tomar remédio, então saiu para beber chá e trabalhar. Embora detestasse a ideia de fazer mais alguma coisa por Igor, a ponto de preferir morrer, Yurij tinha razões para não fazer isso. Além do mais, se ele morresse, Alexei ficaria completamente sozinho, sem ninguém em quem se apoiar.
Naquele dia visitou o clube que Igor administrava. A maioria dos estabelecimentos de lazer de Saratov tinha sido criada por Igor, mas aquele clube era um lugar de que pai e filho Volkov gostavam especialmente. Não era um lugar criado para o negócio, mas uma fortaleza feita exclusivamente para eles.
Igor cometia ali todo tipo de atrocidade. Drogava ômegas trazidos de algum lugar e organizava festas, ou embebedava até o extremo quem vinha negociar. Se o acordo não avançava, estouravam brigas, e muitas vezes, entre a música estridente, ressoavam disparos.
A adolescência de Yurijj esteve atada àquele lugar. Desde que largou o colégio no ensino fundamental, Yurij vigiava do lado de fora enquanto essas coisas aconteciam. Ao meio-dia, quando o clube fechava, limpava toda espécie de porcaria. Vidro quebrado, cinza de cigarro, lenços com sangue, camisinhas rasgadas, seringas, pó branco, vômito.
Era um meio-dia ensolarado, depois que o inverno cru que se estendia até a primavera enfim terminara e o tempo subira acima de zero. As pessoas afortunadas que, vivendo naquela cidade infernal, podiam se dar ao luxo de uma vida cotidiana, pareciam ter esperado por esse momento para sair de piquenique. Ele tinha ouvido dizer que, se você visitasse certo parque num bairro rico perto de repartições públicas como a delegacia ou o corpo de bombeiros, por essa época era possível ver gente tomando sol de traje de banho.
Houve um tempo em que, intrigado por existir um lugar assim em uma cidade que parecia feita só de pesadelos, ele sentiu curiosidade de ver, mas agora já não tinha esse desejo.
Yurij passou por uns gêmeos adoráveis que iam de mãos dadas com os pais, roçou um casal que dividia um sorvete de braços entrelaçados, e ficou sozinho em um beco por onde ninguém passava. Depois de percorrer um beco estreito onde já não havia cartazes de companhias de balé, só contêineres de lixo, aparecia uma fábrica e, caminhando um pouco mais dali, ficava o clube.
Justamente naquele dia Igor estava lá. O homem, que normalmente teria ido cuidar de outros assuntos, fumava um charuto cercado por seu pessoal, como se tivesse ficado vigiando os prazeres do filho até bem tarde da manhã. Yurij tentou cumprimentá-lo com respeito e seguir adiante, mas Igor o chamou.
—Kiselyov, você entrou no cio.
Igor usava o termo “cio” para Alexei e Yurij, em vez de “rut”.
—Que cara de quem não sabe de nada. Ah, claro. Sua mãe morreu e seu pai fugiu sabe-se lá para onde, então você não tem nenhum adulto para te explicar.
Disse que, em substituição ao pai fugitivo e à mãe morta, ele mesmo lhe daria a educação, e trancou Yurij em uma jaula. Um dos capangas de Igor, chamado Bogdan, golpeou a cabeça de Yurijj com um sarrafo de madeira enquanto ele resistia, e o sangue jorrou naquele momento.
Trancado em uma caixa quadrada de ferro com grades, Yurij ficou abandonado por
aproximadamente uma hora. Recobrou os sentidos quando sentiu que a porta da jaula se abria e percebeu algo como um aroma doce. Ao abrir os olhos sobressaltado, viu que um ômega com quem Igor costumava se divertir fechava a porta da jaula com passos cambaleantes. Era um homem uns três ou quatro anos mais velho que Yurij, que, seguindo as preferências sexuais retorcidas de Igor, usava piercings com joias nos mamilos.
O robe de seda que ondulava se abriu, revelando o corpo nu e pálido do ômega. O rapaz, intoxicado por álcool e drogas, não estava em seu juízo. Ao ver Yurij soltou uma risadinha debochada e estendeu uma mão pequena e fina. A cada movimento dele se expandia um aroma doce, nunca antes sentido.
Só de inalar, não, só de estar no mesmo espaço, a doçura se adensava e seu corpo reagia. Como Igor tinha dito, seu corpo, ao entrar no cio, desejava o ômega capaz de receber seu sêmen.
Mas o coração de Yurijj não concordava. Uma onda de repugnância lhe provocou náuseas secas e o ômega riu com deboche.
—Calma, vai ser uma sensação incrível. Depois que você perder a virgindade, toda vez que vir um ômega não vai conseguir evitar a vontade de enfiar naquele buraco. Eu faço bem feito. Quer que eu chupe primeiro?
Diante daquele sussurro vulgar, Yurij empurrou o ômega várias vezes, mas ele, mesmo caindo no chão, se levantava e se agarrava nele de novo. Contemplando aquela cena grotesca, Yurij decidiu deixar o ômega inconsciente, mas Igor o deteve.
—Se você quiser que eu o solte, tudo bem. Mas então esse aí vai morrer. Eu poderia até cortar a garganta dele e mandar de presente para casa do seu único amigo. Ah. Pensando bem, esse Sorokin também vai entrar no cio logo. Diferente de você, ele tem colhões; se a gente mandar um ômega, talvez ele até fique feliz.
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Continua….
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✦ Tradução, revisão e Raws: Faby&Belladonna