Capítulo 04.5
4. Wolfie, The Bunny
Com uma sensação como se a garganta se contraísse, um formigamento se espalhou de dentro de seu corpo. A língua que lambia com ternura a cicatriz se moveu lentamente e chegou perto do umbigo de Yurijj. Surpreso pela sensação de tocarem uma área sensível, apertou os olhos e abriu a boca. Por pouco não escapou um som estranho, mas ele o conteve a muito custo. No entanto, Cheriot o estimulou de novo. Cheriot afinou a língua e lambeu ao longo da linha reta que dividia o centro de seu abdômen. Diante da sensação úmida que percorria sua pele, Yurij agarrou às pressas o cabelo de Cheriot. Aquilo revirava tanto seu estômago que quase dava-lhe vontade de vomitar, mais do que vergonha, e lhe custava aceitar mais carícias.
—Para, chega… já… para…
O que ele deveria fazer? Diante da dúvida que chegou de repente, fechou a boca e Cheriot ergueu a cabeça para encontrar seus olhos. Suas pupilas, com uma cor mais intensa e mais contraídas do que antes, o encaravam fixamente como se fossem devorá-lo.
—Como assim “já”…?
Pelo estado de seu feromônio, flutuante, era certo que Cheriot estava excitado. A palma que segurava seu pulso também ardia como em chamas, e o que um alfa cujo rut já tinha começado queria seria uma coisa só. «Como pensei no lago, esse homem parece querer me pegar.»
—Eu nunca fiquei com um alfa antes… mas se você quiser, eu poderia te pegar.
No entanto, como nunca tinha imaginado aquele papel, Yurij sussurrou assim. Embora Cheriot fosse um pouco maior, no fim das contas, para pegar alguém o tamanho não importava. Mas assim que ouviu as palavras de Yurijj, Cheriot voltou a baixar a cabeça. Com o cabelo ainda preso, baixou o rosto e apoiou os lábios nos músculos peitorais curvados de Yurijj. Depois lambeu os mamilos, que já tinham se erguido pelo contato com o ar.
Diante da sensação estranha que se espalhou de seu peito, os olhos de Yurijj se arregalaram, assustado. Uma perturbação momentânea cruzou suas pupilas azuis e, espantado, ele agarrou os ombros de Cheriot. Lamber o peito dele? Ele não era um ômega, então não fazia sentido sentir alguma coisa só porque o lambessem ali…
—Você sabe como pegar um alfa?
Ele não deveria sentir.
—Se é entre alfas, tem que relaxar bem. Como é diferente de com um ômega e a parte de trás não lubrifica, tem que lamber e tocar até o corpo todo relaxar.
A força escapou momentaneamente das mãos de Yurijj. Porque Cheriot, espalmando a língua amplamente, lambia com viscosidade os mamilos rosados que se erguiam pontudos. Um prazer intenso, como se o espetassem com uma agulha, cravou-se sobre seus mamilos.
—Hah, uhh…!
A excitação que tinha se acalmado por um instante por causa do toque na cicatriz ardeu violentamente como um incêndio florestal. Ao ouvir o gemido de Yurijj, Cheriot cerrou os dentes e mordiscou suavemente os mamilos eretos, depois cobriu a aréola juntando os lábios e os chupou produzindo um som vergonhoso. A área redonda e rosada, lindamente posicionada em seu peito, foi completamente engolida pela boca de Cheriot.
—Ah… ugh, hh, hu…
Yurij, soltando um fôlego trêmulo, dobrava e esticava repetidamente os dedos que agarravam os ombros de Cheriot. Um prazer pungente se espalhava descontroladamente de seus pequenos mamilos, impossibilitando que recobrasse os sentidos. Era um prazer completamente diferente de tocar os genitais, tão estranho que dava medo.
Era claramente seu próprio corpo, mas não lhe parecia seu. Nunca imaginou que pudesse sentir tal sensação num corpo tratado como ferramenta por décadas. Ao confirmar que Yurij, paralisado pelo prazer, não conseguia falar, Cheriot logo transferiu os lábios para o outro peito.
Quando Cheriot chupou com gosto o pequeno e firme mamilo rosado que se erguia como se pedisse para ser tocado, a parte inferior de Yurijj respondeu imediatamente. Da ponta de seu sexo, que tinha ficado abandonado totalmente ereto porque ninguém lhe dera atenção, brotou um jato de líquido transparente.
Ao sentir algo escorrer da glande, Yurij recobrou tardiamente os sentidos. O que estava acontecendo? Em pouco tempo, tinha se excitado de uma maneira nunca antes experimentada. Confuso pelas reações em cadeia, Yurij torceu os olhos, desconcertado. Cheriot, que saboreava os mamilos de Yurijj como se chupasse uma bala doce, separou os lábios e olhou em seus olhos.
—Você vai conseguir, Wolfie?
Seus olhos verde-claros se semicerraram maliciosamente desenhando um sorriso sensual. Ao ver seus lábios, ainda mais avermelhados de tanto chupar seu peito, e seu rosto tingido de um desejo intenso, ele sentia até formigamento nos globos oculares. Cheriot observou Yurij, confuso pelo prazer estranho, como se o achasse adorável, e depois estendeu a mão para lhe cobrir a bochecha. Devido à mudança de peso, a pressão de Cheriot sobre o pulso de Yurijj ficou ainda mais forte.
—Pelo que vejo, parece que você não vai conseguir.
Cheriot parecia muito satisfeito. Ao ver seu rosto sorridente com os cantos dos lábios curvados para cima, Yurij esqueceu até sua insistência em dizer que conseguia.
—Só de chupar um pouquinho… dizer isso enquanto sente assim é ridículo.
Yurij pensou que permitir que Cheriot tivesse uma expressão tão satisfeita valia mais do que o ato de defender seu orgulho de alfa.
Isso não era escolher entre o pior e o menos ruim, mas entre a segunda melhor opção e a melhor…
—Além disso, quem está no rut sou eu, Yurij.
O melhor para Yurijj era ver Cheriot satisfeito.
—Quero te abraçar.
Cheriot vinha fazendo comentários com esse subentendido desde a primeira vez que o viu. Embora não entendesse por que alguém como ele, que não era um ômega e tinha uma compleição parecida, o desejava daquela maneira, não lhe desagradava totalmente que ele continuasse pensando assim mesmo depois de ver seu corpo cheio de cicatrizes e desfigurado. Era porque aquela atitude dele parecia realmente não se importar com que tipo de pessoa ele era.
Durante toda a vida, Yurij tinha acreditado que não haveria ninguém que, conhecendo sua verdadeira identidade, o desejasse. Muito menos alguém bom e comum como Cheriot.
Mas o que Yurij realmente desejava era exatamente o contrário dessa crença.
Queria estar ao lado de alguém bom e carinhoso, diferente dele. Queria ter alguém que lhe dissesse que as coisas pouco comuns nele eram normais, sem negar ou desprezar a vida que tinha levado. Mas sabia que desejar isso era uma ambição grande demais, então não manteve ninguém por perto.
Muito tempo atrás, o homem que tinha entendido seus limites aprendeu a se contentar com o insignificante e tentou encontrar sentido apenas no fato de estar vivo e respirando.
Mas esse intruso que apareceu um dia…
—…Você é realmente estranho.
O fez perceber o que tinha querido todo esse tempo.
—Pode ser.
Nem seu pai nem seu amigo mais próximo, que o tinham observado a vida inteira, conseguiram lhe ensinar ou lhe fazer compreender aquilo que um homem que ele mal conhecia havia alguns dias tinha conseguido. Com certeza Cheriot não lhe dava um significado especial e, no máximo, seria só um desvio de um dia de verão que roçava brevemente sua vida…
—Mas eu acho mais estranho não desejar alguém tão lindo quanto você.
Se ao menos ele pudesse ficar como um pequeno fragmento na vida de uma pessoa tão adorável, só isso já seria motivo de grande alegria.
A resistência era impossível. Cheriot sabia como fazê-lo se render sem nem sequer apontar a boca de uma arma para sua cabeça. Com uma única palavra, Yurij ficou preso a um forte desejo de fazer o que aquela pessoa queria. Embora fosse uma escolha completamente irracional e que de modo algum lhe traria benefício, seu coração não sentia arrependimento.
—Eu venho pensando nisso há algum tempo.
Yurij deu uma olhada no braço que pressionava seu pulso direito e depois, olhando para cima,
Encarou Cheriot, que o segurava com atrevimento e disse:
—Você fala demais.
A inversão de posições foi questão de um piscar de olhos. Yurij, que estava deitado fazendo a vontade dele, empurrou com força os ombros de Cheriot para trás, derrubando-o de uma vez. Cheriot, posicionado com a cabeça na borda do sofá, olhou para ele piscando, surpreso. Ao ver de cima seu belo rosto que não entendia o que estava acontecendo, sentiu a satisfação subir.
«Parece que vou fazer uma coisa que nem estava no meu destino… mas pelo menos a posição quem decide sou eu.»
Montando em cima de Cheriot, que tinha se atrevido a segurá-lo, e apoiando o peso, Yurij pressionou a cintura dele com as coxas para que não pudesse escapar. No rosto de Cheriot, que tardiamente compreendeu a situação, floresceu um leve desagrado, desconcerto e um intenso desejo de conquista.
—O que é isso?
—Você trouxe alguma coisa tipo lubrificante?
—Não trouxe. Não sou do tipo que se deixa levar tanto pelo desejo sexual a ponto de pensar em transar com alguém enquanto fugia… espera, não é isso. O que você pretende, Wolfie?
—Não tem jeito.
Yurij, sentado sobre ele, tirou de um puxão a parte de cima que estava enrolada até o peito. Depois de jogar a roupa no chão, desceu lentamente as mãos até a parte inferior e agarrou a ponta do zíper, rígida por causa de seu sexo já excitado. Ao desafivelar o cinto e baixar o zíper, a expressão de Cheriot ficou tensa. Era óbvio que ele pensaria que era a situação que menos desejava.
«De agora em diante, parece que vou ter que aguentar a coisa grossa dele por trás, então pelo menos eu deveria receber uma cara de surpresa em troca, não é?»
—Yurij, eu não quero usar a força para te submeter. O que eu disse antes era sério. Não me faça perder a cabeça.
Cheriot sussurrou com a voz bastante séria. Parecia ter chegado ao limite, advertindo em silêncio com uma voz grave que ressoava como metal. «Certamente, em força pura, eu seria superado pelo Cheriot. Afinal, tem diferença de peso, e os músculos que ele treinou com o hóquei devem ter uma densidade avassaladora. Se fosse questão de atacar para matar seria o contrário, mas agora…»
—Cala a boca.
Yurij pressionou com força os lábios vermelhos de Cheriot, que se moviam com um gesto de desdém, com o indicador e depois enfiou o indicador e o dedo médio dentro de sua boca. A língua de Cheriot, que ia dizer mais alguma coisa, tocou seus dedos. Cheriot, sobressaltado, o encarou fixamente, e Yurij, também olhando em seus olhos, ergueu lentamente os quadris.
Uma corrente estranha passou entre eles, e Cheriot começou a perceber aos poucos o que acontecia. Sua língua, que tinha ficado dura, umedeceu com viscosidade os dois dedos de Yurijj, e ele, soltando uma respiração baixa pela excitação, ficou parado deixando que os lambesse.
Cheriot baixou o olhar e chupou com força os dedos de Yurijj, como se lhe fizesse um boquete. Ao se espalhar para fora o som úmido que saía sob seus lábios, ele sentiu algo irresistível. Com a outra mão, baixou a parte inferior junto com a roupa de baixo que usava por dentro e, com o indicador e o médio, pressionou a língua de Cheriot e depois a retirou.
Levou lentamente para trás os dedos encharcados de saliva. Quando os dedos molhados tocaram a parte de trás, onde ele nunca tinha posto as mãos a não ser para se lavar, sentiu um arrepio. Também foi tomado pela rejeição. «Mesmo já tendo tomado uma decisão e o que vou fazer estar decidido, acho que é porque eu nunca ousei imaginar que usaria essa parte pra transar.»
—…Huu, nhg.
Sentiu vontade de vomitar. Fechou os olhos com força e franziu levemente o cenho, depois, sem vacilar, introduziu o dedo com força para dentro. Ao empurrar o indicador dentro da abertura que estava tensa e fechada, o esfíncter, que se contraía com força, tentou expulsar o dedo. Seu corpo, mostrando rejeição diante da sensação de um objeto estranho, ficou rígido e tenso, mas Yurij fez mais força e afundou profundamente o indicador. Seu jeito combinava mais com fazer de uma vez do que com hesitar.
…Ha.
A ruga de seu cenho, já pálida e funda, se marcou ainda mais. Era difícil imaginar como enfiaria o membro de Cheriot num buraco tão rígido, mesmo com apenas um dedo. Com um pênis de tamanho normal talvez desse para empurrar de alguma forma, mas o de Cheriot era extraordinário, tanto em grossura quanto em comprimento, que não teria comparação.
«Vai ter que rasgar, não tem jeito.»
Embora a dor de um ferimento nas entranhas não fosse do tipo que ele tinha suportado antes, como era algo que ele fazia porque queria e não por obrigação, parecia que conseguiria aguentar. Yurij, que tinha parado de respirar por um instante por causa da tensão, expirou e tentou relaxar o corpo com uma respiração profunda. Enquanto respirava com dificuldade movendo o peito, ao tentar introduzir também o dedo médio, de repente sentiu um forte estímulo na parte da frente.
Yurij, sobressaltado, entreabriu os olhos e olhou para baixo: Cheriot estava segurando seu membro. Sem ainda desviar o olhar de Yurijj, Cheriot, que envolvia o pênis com a palma da mão, começou a mover lentamente o pênis de Yurijj. Embora o de Yurijj também fosse de tamanho considerável, como a mão de Cheriot era muito grande, ele conseguia envolver o pênis todo.
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Continua….
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✦ Tradução, revisão e Raws: Faby&Belladonna