Ato 7, 15
ִֶָ𓂃 ࣪˖ ִֶָ⏱️🐇 Ato 7: Toque de orientação 15 ִֶָ་༘࿐
Há uma hora, quando Ash recebeu a ligação do Centro, especialmente com a menção de um acidente, ele vestiu seu uniforme tático sem perder um único segundo. Considerando sua personalidade geralmente descontraída, quase preguiçosa, foi bastante inesperado. Nine nunca tinha visto o homem, que tipicamente evitava sessões de treinamento por preguiça e não demonstrava interesse por ninguém além de si mesmo, correr daquela forma antes.
— Olá, Guia. Obrigada pelo seu trabalho duro.
Uma mulher desconhecida o cumprimentou naturalmente com uma saudação. Quando seus olhares se cruzaram, ela estendeu a mão e se apresentou.
— Sou Ebony Hanson.
— Ela é a prefeita. — sussurrou o assessor da prefeita.
— Nine Elrowin. — respondeu ele.
— Vamos?
Os dois caminharam juntos na direção que a prefeita havia indicado, vistoriando a cena.
— Ouvi falar muito sobre você, Guia. Suas habilidades linguísticas são realmente impressionantes.
O comentário significativo da prefeita implicava que ela já sabia que Nine era um órfão espacial. Ele fingiu deliberadamente não perceber e mudou de assunto.
— Bem, meu Esper é bastante famoso.
— Haha, é verdade. Mas você não é menos famoso, Guia. Não estava mentindo quando disse que ouvi falar muito sobre você.
Ela baixou a voz para um sussurro.
— Ouvi dizer que você é incrivelmente experiente sobre as criaturas monstruosas…
— Ah, não é para tanto.
Mas a prefeita interpretou as palavras de Nine como mera modéstia. Ela começou a fazer a Nine todas as suas perguntas sobre as criaturas monstruosas. Ele respondeu o melhor que pôde dentro dos limites de seu conhecimento. Parecia a resolução de um quiz, tendo que identificar rapidamente qual monstro ela estava descrevendo com base apenas em suas descrições.
— Pensei que pudesse encontrá-lo em breve, mas não esperava que fosse por um incidente fora de um portal.
— É lamentável. — respondeu Nine, olhando para a cena do acidente que ainda estava caótica. Ninguém esperaria encontrar alguém em tais circunstâncias.
— Guia. Esta cidade tem significativamente mais incidentes com portais do que outras regiões.
Ela então desenrolou o cachecol que estava usando, revelando uma cicatriz em seu pescoço. Parecia que seu pescoço tinha sido quase decepado. Era um alívio que já tivesse cicatrizado bem. Vendo Nine engolir em seco sem dizer uma palavra, a prefeita reajustou o cachecol e continuou falando.
— É uma cicatriz de honra. Eu quase morri, mas salvei a vida de dezenas de crianças apenas com isso.
Ela explicou o contexto de como conseguiu aquela cicatriz.
— Foi há sete anos. Eu estava na Guarda Nacional naquela época.
Portais do tipo emissão podem ser previstos em termos de localização e tempo. No entanto, no momento em que os Despertos foram implantados no portal, criaturas monstruosas vazaram inesperadamente e começaram a atacar a cidade mais rápido do que o antecipado.
Ela, uma soldada na época, tentou lidar com uma criatura monstruosa que estava prestes a atacar um ônibus escolar. No processo, sofreu ferimentos graves no pescoço e no abdômen, ficando inconsciente por cerca de um mês. Após quatro grandes cirurgias, recuperou a consciência, mas acabou tendo que desistir de sua vida como soldado. Ela mostrou seus dois dedos que permaneceram dobrados e incapazes de esticar enquanto falava.
— Não me importo de me aposentar por causa desta lesão. Qualquer um na minha situação teria feito o mesmo.
— Nem todo mundo conseguiria fazer isso. Mesmo eu poderia não ter tomado a iniciativa tão prontamente.
— …
— Foi um ato de coragem.
Por fim, a prefeita sorriu levemente e expressou sua gratidão.
— Obrigada. Mas ainda é frustrante que nós, não Despertos, não possamos fazer nada sobre os incidentes de portais sem o apoio do Centro. Apenas um Esper pode resolver uma situação pela qual temos que arriscar nossas vidas.
— Bem, aquela situação de antes…
— Estava além da capacidade humana, certo?
A prefeita completou o pensamento de Nine por ele. Parecia que ela tinha lido sua mente. Nine assentiu em concordância.
As habilidades dos Espers eram simplesmente maravilhosas. Poderes de um reino completamente diferente, além das capacidades das pessoas comuns. Não importava o quanto se lesse sobre isso, a realidade era vastamente diferente de ver com os próprios olhos.
Mesmo para Nine, que tinha observado as habilidades de Ash de perto a ponto de ficar entediado e achava que as conhecia bem o suficiente, a escala de poder parecia nova. Não se tratava apenas de puxar objetos com preguiça ou espionar as conversas das pessoas, o que Ash costumava fazer porque achava incômodo se mover.
Nine achou bastante impressionante que Ash estivesse usando seu poder não apenas para si mesmo, mas habilidosamente para o benefício dos outros. Ele continuou olhando de relance para onde Ash tinha ido.
— Por que os portais aparecem afinal? Já estou farta deles.
A prefeita, que esteve falando sobre as criaturas monstruosas que conheceu em sua vida, murmurou em tom de lamentação. Mas Nine só tinha visto um portal uma vez, e isso também logo quando Chase estava saindo após completar uma missão, então ele não tinha muito a dizer.
A prefeita também não parecia esperar uma resposta, pois o tópico mudou rapidamente para outra coisa.
“É estranho, no entanto. As paredes entre as dimensões não deveriam ruir tão facilmente.”
Nine tinha pensado muitas vezes que os fenômenos que ocorriam ali eram bastante bizarras. Um mundo onde até mesmo dragões, que dizem viver por mais de mil anos, poderiam ver um viajante… não, um órfão espacial, apenas uma vez na vida, se é que veriam, mas aqui eles ocorriam com frequência excessiva.
Em um mundo sem seres transcendentes para protegê-lo, não haveria como evitar que fenômenos como portais ocorressem. Provavelmente seria difícil até mesmo identificar a causa.
— Guia?
A prefeita chamou Nine, que estava perdido em pensamentos, atraindo sua atenção de volta para ela. Ela apontou para outro local e perguntou:
— Os repórteres chegaram. Acho que preciso informá-los sobre a situação do acidente. O que você gostaria de fazer?
A prefeita apontou para onde uma multidão se reunia. Nine pensou por um momento antes de falar.
— Vou esperar aqui pelo Ash.
— Tudo bem então.
Ah, claro. Nine parou a prefeita quando ela estava prestes a se virar.
— Desculpe-me, mas eu poderia pedir um favor?
— Um favor… você diz?
Ela inclinou a cabeça com curiosidade. Nine colocou a mão no bolso e tirou um punhado de doces de bons sonhos. Enquanto ele estendia o punho cheio de doces, a prefeita instintivamente encochou as mãos. Os doces estalantes caíram sobre suas mãos, acumulando-se como uma pequena montanha.
— Você poderia, por favor, distribuir estes para cada uma das vítimas deste acidente?
— Os doces, você quer dizer?
— Por favor, diga a eles para comerem eles mesmos e não darem a mais ninguém.
A testa da prefeita franziu ligeiramente diante desse pedido inexplicável. Nine tirou mais um e colocou no topo das mãos dela.
— E este é para você, Prefeita.
— …
A prefeita deu uma risada perplexa com aquele gesto estranho de incluir até mesmo uma parte para ela. Como se não pudessem mais se atrasar, seu assessor a chamou mais uma vez, dando-lhe um olhar significativo. Ela rapidamente se compôs e assentiu seriamente.
— Então, vejo você na próxima vez.
Embora ainda parecesse confusa, a prefeita entregou diligentemente os doces ao seu subordinado, instruindo-o a “entregar estes às vítimas em cada hospital junto com palavras de conforto”. Nine observou enquanto ela tirava um e o colocava em seu próprio bolso antes de voltar à sua posição original.
— Guia!
O homem que esteve escutando em silêncio a conversa deles se aproximou rapidamente e parou ao lado de Nine.
— Posso perguntar onde você comprou esses doces? Eu não consigo nem ler o texto impresso na embalagem…
O assessor da prefeita murmurou apologeticamente que eles não podiam distribuir itens de origem desconhecida. Ele então mencionou um incidente de alguns anos atrás, quando drogas ilegais eram prevalentes em forma de doces nas ruas, explicando apressadamente que não estava suspeitando de Nine sem contexto.
— Eu tenho estes desde antes de vir para este mundo. São apenas doces comuns.
— Por que você daria apenas doces comuns…
— Porque são deliciosos.
— …
— São com sabor de abacaxi. Você gostaria de um?
— Ah, não. Estou bem, obrigado.
O assessor olhou momentaneamente para Nine como se ele fosse uma criança, mas rapidamente se recompôs e fingiu despreocupação. Nine o tranquilizou comendo um doce na frente dele e até se oferecendo para mandar testá-los, se necessário.
A magia dos sonhos concentrada com mana é completamente inofensiva ao corpo humano. No entanto, não é tão poderosa quanto a magia do esquecimento, que pode apagar completamente memórias infelizes. Ele simplesmente queria que aqueles que experimentaram o acidente não passassem a noite cheios de medo e gritos, pelo menos por hoje.
“Assim que passarem pelo dia de hoje em segurança, será duas vezes mais fácil de superar.”
Todo mundo tem seu lado sombrio. A desgraça não ocorre de forma justa, discriminando entre as pessoas. Ela se infiltra na vida de uma pessoa de forma irregular e aleatória, em momentos inesperados.
No entanto, Nine sabia que, em última análise, todos os seres vivos superam seus próprios grandes e pequenos medos e continuam a viver. A única diferença está na velocidade da recuperação.
Feridas do passado e memórias delas podem se tornar marcas indeléveis para algumas pessoas, durando uma vida inteira. Há inúmeras coisas que alguém pode querer esquecer, mas não consegue. Pesadelos são mais pesados do que boas memórias e muitas vezes fazem as numerosas alegrias da vida diária parecerem entorpecidas.
Essa era a essência da magia dos sonhos. Funcionava trazendo à tona memórias felizes para desfocar e obscurecer pesadelos. Apesar de ser um remédio mágico de baixa qualidade que poderia ser vendido em lojas de brinquedos, havia uma razão pela qual os doces de bons sonhos tinham uma demanda constante.
↫ ࣭ ⭑๋ ࣭ ⭑Continua….
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✦ Tradução, revisão e Raws: Belladonna&Yuki