Ato 4, 13
ִֶָ𓂃 ࣪˖ ִֶָ⏱️🐇 Ato 4: Guia Inútil 13 ִֶָ་༘࿐
— Oh, esqueci de me desculpar. Originalmente, eu não pretendia persuadi-lo com tanta urgência.
— Persuadir? Você deveria falar claramente. O que quer dizer com persuadir?
— Você tem razão. Sinto muito mesmo por ter ameaçado você.
Ele sabe. Como admitiu com a própria boca que era de fato uma ameaça, Nine estranhamente sentiu seu coração amolecer muito mais do que antes.
— Eu estava com tanta pressa.
— …?
— Você continua tentando fugir, enquanto eu estou ficando louco querendo ter você. Ah, naquela época eu não sabia que estava apaixonado por Nine. Não consegui pensar em nenhuma outra maneira de manter você comigo. Me desculpe.
Isso não era motivo para preocupação. Nunca tinha havido ninguém que precisasse de Nine antes dessa pessoa. Era quase cômico o quão ansioso o homem estava. Nine respondeu com perplexidade.
— Eu já lhe disse que não sei como Guiar. Talvez eu nem seja um Guia. Todos dizem que não sentem nada vindo de mim, de qualquer forma.
— Nine, você é um Guia.
Havia certeza em seu tom. Claramente, Ash vinha afirmando que ele era um Esper mesmo antes de saber que Nine havia feito o teste de Esper. Isso de fato poderia ser uma prova de que Ash sentia algo vindo dele.
Mas por que apenas Ash percebeu? Essa parte não fazia sentido.
— Você não se lembra de nada do Portal? Lembro que você abriu os olhos brevemente.
Nine franziu a testa, buscando na memória.
— Eu realmente não me lembro.
— Naquele momento, embora não tenha sido intencional, você me Guiou. Se você não se lembra, suponho que não há nada que possamos fazer.
Hã? Naquele momento, Nine notou os cantos dos lábios dele se curvarem ligeiramente para cima e inclinou a cabeça.
“O que é isso?”
Uma cena fragmentada passou por sua mente. Muito nebulosa de sonho. Ele percebeu tardiamente que, em sua memória entreaberta pelo sono, havia definitivamente um calor se aninhando em seus lábios. Sua expressão endureceu enquanto ele, inconscientemente, levava a mão aos próprios lábios.
— A orientação de um Guia também está presente nos fluidos corporais.
— Seu bastardo pervertido.
— É um mal-entendido. Eu só lhe dei água.
Ele disse em tom brincalhão, levantando ambas as mãos. De qualquer forma, o fato de ter encostado os lábios nos desse homem à sua frente, a quem mal conhecia, permanecia inalterado. Era até uma sorte que não conseguisse se lembrar bem.
— Se foi o seu primeiro beijo, eu assumo a responsabilidade.
— Está tudo bem. Felizmente, não foi meu primeiro beijo.
Ash estudou cuidadosamente a expressão de Nine e perguntou com um rosto ligeiramente surpreso.
— Sério?
Sua expressão era de meia dúvida. Não era algo para se chocar, pensou Nine. Seria mais estranho um jovem de vinte anos que passou por uma adolescência apaixonada ainda estar guardando o primeiro beijo. A menos que a pessoa fosse impotente, um beijo ou dois era…
Claro, tinha sido um relacionamento casto que não tinha avançado além de beijos. Ainda assim, era um enorme alívio não ter dado seu primeiro beijo a um homem. Nine queria zombar da expressão chocada de Ash.
Quer o coração dele estivesse pesado ou leve, não importava nem um pouco para Nine. O que importava era que, se não fizesse nada e apenas ficasse sentado durante essa conversa, poderia perder completamente a vantagem.
— Eu entendo que você precisa de mim de muitas maneiras. Na verdade, eu também preciso da sua ajuda para voltar para casa. É uma situação de merda em todos os sentidos.
— Você entende bem.
Ash, que finalmente tinha voltado a si, acenou com a cabeça e disse. Seus olhos, matizados de diversão, pareciam apenas gentis, mas agora Nine sabia que por trás daquele sorriso havia alguém capaz de articular esquemas a qualquer momento.
Se baixasse a guarda, poderia ser completamente enganado por aquele rosto. O homem não era de forma alguma um oponente fácil. Nine resolveu se manter alerta mais uma vez.
— Mas se sou uma existência tão necessária para você, quando chegar a hora de eu voltar… há a possibilidade de você não me deixar ir, certo?
— Há algo que você está deixando passar, Nine. Eu estava vivendo muito bem antes de salvar você. Ao contrário das suas expectativas, não vou morrer imediatamente sem você.
Será mesmo? Nine se perguntou se o homem poderia dizer tais coisas depois de se ver nesse estado. Nine olhou para a névoa semelhante a uma sombra e manteve a boca fechada.
— Eu já lhe disse, Nine. Se você não quiser, não precisa Guiar.
— E se isso for mentira?
— Depende de você acreditar em mim ou não.
Confiança. Nine murmurou a palavra para si mesmo. Apenas a confiança não resolveria tudo. Às vezes, uma pequena dúvida em relação aos outros poderia salvar uma pessoa. Acreditar cegamente em qualquer coisa era o atalho mais fácil para cair no poço do mal. Afinal, ninguém além de si mesmo poderia saber com certeza as reais intenções de outra pessoa.
A única coisa em que se podia confiar era em si mesmo. Era por isso que Nine precisava de pelo menos uma garantia mínima.
“Uma garantia.”
A única coisa que veio à mente de imediato foi uma.
A vida do homem. Ele olhou para a névoa negra presa às costas de Ash e disse.
— Seu corpo está em cacos agora. Mesmo que você morresse amanhã, ninguém suspeitaria de mim.
Era uma declaração que poderia ser interpretada como provocativa, mas Ash riu baixinho e retrucou.
— Por que a conversa mudou de repente para uma previsão do meu assassinato?
— Mesmo sem eu tentar matar você, nesse ritmo, você não durará um ano.
Novamente, Ash não pareceu particularmente comovido.
— Obrigado pela praga. Vou viver mais por causa disso.
Nine não tinha trazido isso à tona apenas para rogar uma praga. Ele estava jogando seu próprio trunfo à sua maneira.
— Eu vou ajudar você.
— Com o quê?
— Aquilo vai desaparecer se o seu estado de saúde voltar ao nível mais saudável.
— …?
Ash seguiu o olhar de Nine e olhou para trás de si mesmo. Mas, claro, ele não conseguia ver nada.
— Mesmo se eu lhe disser, você não vai entender de qualquer maneira. Só eu consigo ver.
Ash inclinou a cabeça, aparentando sem entender.
— Estou possuído por um fantasma ou algo assim?
— Não é nada disso.
Nine hesitou por um momento. Ele podia prever, mas não tinha certeza. A névoa negra que apenas Nine conseguia ver era um fenômeno que indicava alguma anormalidade no corpo de uma pessoa, mas… isso era tudo o que Nine sabia sobre a névoa. Ele não sabia por que conseguia vê-la.
— Estou dizendo que vou pesquisar como melhorar seu estado de saúde.
— Pesquisar?
Havia um tom de interesse em sua voz.
— Você vai pesquisar usando o meu corpo? Posso perguntar o que planeja fazer?
— …
Poderia soar um pouco imprudente, mas Nine ainda não tinha pensamentos ou planos definidos. É só que, nesta situação, a vida do homem era a única coisa que ele conseguia ver para usar como garantia.
— Ah, de qualquer forma, se eu intervier e pesquisar gradualmente, a situação deve melhorar a partir de agora. Eu vou fazer acontecer.
Nine começou seu apelo, prefaciando com “Sem querer me gabar, mas” para persuadi-lo.
— Apesar da minha aparência, obtenho certificações em herbologia e misturas de poções mágicas, e tenho bastante experiência prática em hospitais. Nas últimas férias de verão, até participei de pesquisas sobre as características infecciosas da doença de Pulronin e seus efeitos no corpo humano. Pode parecer exibição, mas acho que minhas habilidades não deixariam a desejar nem se eu me candidatasse ao departamento farmacêutico de qualquer hospital. Meu talento é bastante intuitivo, então tenho a vantagem de obter resultados imediatamente sem ter que observar o progresso dos remédios nas doenças por muito tempo. Você poderia dizer que sou um pesquisador nato.
— Hum, entendo.
— Então posso prometer que pelo menos você não morrerá imediatamente antes que eu vá embora.
Observando Nine declarar isso com um rosto solene, Ash sorriu em silêncio. Mesmo que não entendesse uma palavra… Não importava para ele de qualquer forma.
— Bem… tudo bem. Já estou acostumado a ser cobaia mesmo. Vou emprestar meu corpo a você, então faça o que quiser.
Essa declaração também pareceu um pouco perversa. Mas Nine decidiu refletir sobre isso sem dizer nada. Se ele fizesse um comentário, era óbvio que o homem o provocaria novamente.
— O que vem a seguir? Parece que você quer algo de mim.
— Em troca, coloque isso na boca e engula.
Nine tirou um pingente do bolso e estendeu a pequena conta que mantinha dentro dele. A conta, que brilhava vividamente em várias cores dependendo do ângulo, claramente não era um objeto comum aos olhos de ninguém.
— O que é isso?
— É uma ferramenta mágica.
Às palavras de Nine, Ash acenou com a cabeça uma vez sem demonstrar surpresa, dizendo.
— Ah. Você era um garoto mágico, não era?
Nine não tinha energia para corrigir suas palavras, então apenas deixou passar.
— Assim que engolir isso, você ficará subordinado a mim e nunca poderá fazer nada que vá fortemente contra a minha vontade pelo resto da sua vida.
— Subordinado… Você vai me fazer uma lavagem cerebral?
Ele disse em um tom alegre. Nine balançou a cabeça firmemente.
— Você só não poderá me machucar, mas seu livre-arbítrio permanece intacto. Você ainda pode mentir e pensar livremente. Mas apenas uma coisa: todas as ações destinadas a me prejudicar deliberadamente serão restritas. Sinceramente, isso nem pode ser chamado de lavagem cerebral. Quem explicaria e ordenaria uma lavagem cerebral tão honestamente?
Enquanto Nine resmungava com uma voz irritada, Ash manteve sua expressão surpresa e respondeu.
— Uau, Nine… A vida de quem você estava planejando arruinar carregando algo tão aterrorizante por aí?
— Não é nada disso. Eu só estava planejando dar isso ao meu cavaleiro, se algum dia eu tivesse um.
Era um procedimento tipicamente seguido após prestar um juramento de lealdade. Afinal, não se podia manter um cavaleiro nutrindo ressentimento em relação ao seu senhor na posição mais próxima.
↫ ࣭ ⭑๋ ࣭ ⭑Continua….
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✦ Tradução, revisão e Raws: Belladonna&Yuki