Ato 2, 04
ִֶָ𓂃 ࣪˖ ִֶָ⏱️🐇 Ato 2, Sobrecarga Esper 04 ִֶָ་༘࿐
Nine estava bastante satisfeito com o seu trabalho. Não apenas o serviço não era difícil, mas ele também podia ver muitas máquinas interessantes, e ficava perto da porta giratória, um lugar de que ele gostava. Além disso, por ser um local frequentado por Despertados, ele tinha muitos pontos de contato com eles. Um lugar onde se pode conhecer muitas pessoas é bom para se adaptar a um ambiente não familiar.
Era uma alegria fazer amizade com os Espers que poderiam se tornar suas cobaias… não, não, amostras de pesquisa.
Havia alguns Espers que ele encontrava quase diariamente porque se machucavam com frequência. Um deles era Chad. Parecia que ele não cuidava do próprio corpo, alegando ter habilidades do tipo fortalecimento.
De alguma forma, Chad se tornou o Esper mais próximo de Nine no centro, e ele até apresentou Nine à sua irmã, que era uma Guia. Por meio da irmã de Chad, Leon, Nine também conheceu alguns outros Guias.
Nine se esforçava muito para ser simpático com as pessoas. Muitos ficavam surpresos com a rapidez com que Nine parecia estar se adaptando. No entanto, a verdade era que Nine não estava se adaptando rápido; ele apenas não se surpreendia mais tanto com novos estímulos.
Isso também trazia efeitos colaterais. Como ele sempre falava com gentileza e os dispensava, o pessoal do RH, voltava correndo no dia seguinte para importuná-lo sobre o registro como Guia, era realmente irritante.
— Ah.
Nine interrompeu seus pensamentos e fez contato visual com Chad assim que abriu a boca.
— Não sei se deveria pedir este favor.
— O que é?
— Nós somos amigos, não somos?
Sentindo um pressentimento ruim com aquelas palavras, Chad respondeu em um tom cauteloso.
— Vá direto ao ponto.
— Se não for incômodo, você poderia me emprestar um pouco de dinheiro?
— Ah, cai fora.
Chad franziu a testa com desgosto. Ele tinha como princípio nunca realizar transações financeiras entre amigos. Embora sua mentalidade admirável fosse certamente louvável, Nine estava genuinamente precisando desesperadamente de dinheiro. Ele nunca esteve tão liso em sua vida. É que ele ficava sem um tostão só de comprar comida e algumas necessidades básicas.
— Você sabe, eu não sou do tipo que pede dinheiro emprestado aos outros. Mas estou com muita fome… não tenho nada. Não tenho nem dinheiro para comprar os tíquetes de refeição para amanhã…
Nine começou a atuar o mais miserável que podia. Chad encarou-o com uma cara que dizia que aquilo não tinha jeito e estalou a língua.
— Seu desgraçado falido.
— …É só isso que você tem a dizer?
— Eu vou comprar dez tíquetes de refeição para você.
— Eu poderia ganhar algumas bebidas também”
— Caramba, tá bom…
Ele tirou um cartão do bolso e o jogou descuidadamente para Nine, parecendo exasperado. Nine pegou o cartão de primeira e perguntou mais uma vez.
—Posso pegar duas bebidas? Se eu conseguir dois carimbos no cupom, vai completar dez…
— …
— Eu não vou pegar nada caro.
Sua atitude de pedir esmola descaradamente era tão desprovida de vergonha que Chad nem conseguia ficar com raiva. Por algum motivo, sentiu que tinha sido feito de bobo. Chad mexeu a sobrancelha, parecendo querer bater no Nine que sorria.
— Me devolva o cartão amanhã.
— Tudo bem.
Mesmo sabendo que estava sendo passado para trás, Chad estranhamente não achava Nine detestável. Ah, é mesmo. Enquanto Nine guardava cuidadosamente o cartão que recebeu no bolso, exclamou de repente, como se tivesse se lembrado de algo.
— Aquela pessoa acordou?
— Quem?
— A pessoa que me salvou. Acho que o nome dele era Ash?
Pelo que Nine tinha ouvido, aquele homem ainda estava inconsciente. Ele esteve tão fora de si na ocasião que nem conseguia lembrar direito do rosto do homem. Apenas a cena do sangue espirrando no ar permanecia viva em sua mente.
— …
A testa de Chad se franziu. Ele abriu e fechou a boca, depois soltou um suspiro profundo e respondeu com uma voz que sugeria dor de cabeça.
— Não se preocupe com isso. Quer você seja grato ou se prostre diante dele, aquele bastardo não vai dar a mínima para alguém como você de qualquer jeito.
— Por quê?
— Ele é assim mesmo. É melhor nem chegar perto dele.
— Por quê?
— Não vai te machucar me escutar, garoto.
— Mas por quê? Deve haver um motivo.
— …
O rosto de Chad se contorceu. Ele olhou para Nine com olhos irritados e aconselhou:
— Porra, quando eu digo para não chegar perto só escuta, ok? Se você perguntar “por quê” mais uma vez, eu te mato.
Só então os lábios de Nine se pressionaram em uma linha reta. Não que ele estivesse particularmente intimidado por tais palavras; ele apenas não queria entrar em um conflito desnecessário após ver Chad fechar o punho enquanto falava. Chad deu uma risadinha, dizendo para olhar o quão assustado ele estava.
— Enfim, chega disso. Pare de vagar pelo centro como se estivesse em um passeio escolar. Tem um boato rolando de que o centro tem um novo turista. Quase todo mundo já sabe o seu nome.
— O quê?
Ele não estava vagando tanto assim. Ele só estava passeando pelo prédio durante os intervalos, dando voltas perto da porta giratória e seguindo os Espers de quem tinha ficado amigo depois do trabalho. E a pessoa que dizia isso agora até tinha lhe dado um tour pelo salão de história do centro há poucos dias! Nine se sentiu injustiçado por ser subitamente rotulado como alguém que vagava sem consideração.
— Mas eu não fui a nenhum lugar onde disseram para não ir.
— Ouvi dizer que alguém apagou as luzes do saguão do prédio ao lado e saiu correndo ontem. Foi você, não foi?
— …
Aquilo foi porque ele ficou perturbado demais. Ele só tinha apertado um botão, mas tudo ficou na mais absoluta escuridão, e ele não tinha como consertar, então…
Nine não conseguiu inventar nenhuma desculpa e apenas fez uma expressão constrangida, desviando o olhar como um filhote de cachorro que tinha feito besteira.
— Esquece. Tudo bem se você só ficar brincando por aqui, mas nem pense em chegar perto da ala de treinamento. É perigoso. Aquele não é um lugar para civis como você. E não chegue perto de nenhum Esper com cara de perigoso na ala hospitalar também.
— Eu não veria pessoas assim aqui de qualquer forma. Eles vão para a sala de emergência…
— É, é. Estou dizendo para não ficar xeretando em lugares estranhos e se meter em encrenca. É melhor só ficar com pessoas legais como eu.
— Uau, que consciência. Você ao menos sabe o que significa “legal”?
As palavras murmuradas por Nine foram, felizmente, baixas demais para Chad ouvir.
— Apenas esqueça aquele bastardo do Ash e foque no seu próprio trabalho.
Ele queria perguntar por que ele o chamava de bastardo e se o conhecia bem, mas assim que abriu a boca, ela foi preenchida com algo. Chad tinha, por conta própria, partido seu próprio pão ao meio e enfiado na boca de Nine.
— Come aí. Só compre dez tíquetes de refeição. Eu te mato se comprar mais.
— Me devolva o cartão amanhã. – disse Chad. Quando Nine terminou de mastigar e engolir o pão com o qual fora forçadamente silenciado, Chad já tinha fugido da cena.
“Por que ele está assim? Que tipo de pessoa ele é, afinal?”
Nine não esperava que até mesmo Chad esquivasse da pergunta daquele jeito. Todos reagem dessa forma quando perguntados sobre o homem que salvou sua vida. Nine estava curioso sobre o motivo.
“Ash?! Por que ele?”
“Nine, você não precisa saber. Sério, é melhor para a sua saúde mental se você simplesmente não souber.”
“’Apenas por garantia, deixe-me avisá-lo. Mesmo que você por acaso o encontre, não seja enganado pelo rosto daquele bastardo. Ha, eu poderia ser enganado por aquele rosto perfeito umas cento e quarenta vezes…”
“Por que você está falando daquele viciado?”
“’Aaaack! Meus ouvidos! Estou sendo contaminado!”
Todas as referências àquela pessoa eram assim.
— Será que ele não se dá bem com as pessoas?
Nine inclinou a cabeça. Isso era tudo o que ele conseguia adivinhar. Embora ninguém tivesse nada de bom a dizer sobre o homem…
— …Hmm.
Mesmo assim, aquela pessoa era o salvador de Nine. Isso não mudaria.
***
Naquela noite, Nine saiu com dois Espers folgados após obter permissão do centro. Os dois pagaram um jantar. A refeição grátis estava deliciosa. Ele também pôde ver músicos de rua tocando instrumentos e cantando.
Nine ficou tão fascinado pela paisagem ao ar livre desconhecida e deslumbrante que quase se perdeu na multidão, e até teve a rara experiência de ouvir seu nome ser anunciado em um aviso de criança perdida. Os Espers que o trouxeram finalmente encontraram Nine e suspiraram fundo, parecendo ter envelhecido dez anos.
Depois de perder tempo não intencionalmente em lugares inesperados, Nine quase se esqueceu, mas graças a ter avistado uma floricultura no caminho de volta, conseguiu se lembrar do propósito original da saída.
Nine entrou na floricultura e gastou metade do salário de sua primeira semana em um lindo buquê. Os Espers ficaram chocados, perguntando se ele estava louco ao verem Nine recebendo um buquê tão grande que quase cobria seu rosto.
— Você está planejando pedir alguém em casamento ou algo do tipo? É demais!
— Por quê? É do tamanho do meu coração.
— Esse cara, quando nem tem dinheiro! Ei, nós te compramos comida porque você disse que estava pobre!
— Nine, quanto dinheiro sobrou com você? Me mostra tudo.
— Ahn? Eu acabei de gastar tudo.
— O quê?
Ao ouvir o preço do buquê, eles envelheceram mais dez anos, somando um total de vinte anos mais velhos, enquanto levavam as mãos à nuca. E embora eles tivessem o repreendido pela falta de noção financeira quando já estava passando fome, Nine não se importava, mesmo que tivesse que passar fome por alguns dias a partir de amanhã.
Expressões de gratidão nunca são demais. Isso era pelo seu salvador. Normalmente, ele deveria ter convidado seu benfeitor para o palácio imperial e o tratado com a maior hospitalidade.
Nine achou ridículo chamar algumas flores de excessivo, então permaneceu indiferente apesar da aflição dos Espers.
— Senhor, o que gostaria que estivesse escrito no cartão?
O dono da floricultura ignorou os Espers que clamavam por um reembolso imediato e perguntou gentilmente a Nine, a fonte do dinheiro. Nine pensou por um momento e decidiu deixar de lado os pensamentos prolixos que flutuavam em sua cabeça. É melhor manter o cartão breve e expressar a gratidão pessoalmente.
— Por favor, escreva apenas “Melhoras!”.
— Obrigado, senhor.
— Nós te dissemos para pedir o reembolso agora mesmo! – Os Espers espumavam pela boca. Nine fez com que o cartão, que ele pedira para o dono da floricultura escrever, fosse inserido devidamente e solicitou que as flores, nas quais gastou toda a sua fortuna, fossem entregues no quarto de hospital do homem.
↫ ࣭ ⭑๋ ࣭ ⭑Fim do Ato 2.
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✦ Tradução, revisão e Raws: Belladonna&Yuki