Ato 1, 01
ִֶָ𓂃 ࣪˖ ִֶָ⏱️🐇 Ato 1: Criança Perdida no Espaço ་༘࿐
Dizem que os humanos têm um sexto sentido. Às vezes ele pode salvar a vida de alguém ou impedir que caia em perigo. Alguns argumentam que isso vem do instinto de autopreservação dos humanos.
— Vossa Alteza, já vai sair?
— Sim.
— …Vestido desse jeito?
— Por quê? Está ruim?
Nine abaixou a cabeça para examinar sua roupa. Não parecia particularmente estranha. Diante do resmungo de Nine, Grace o encarou por um momento antes de abrir o guarda-roupa e tirar um casaco.
— Vai morrer congelado se sair vestido assim com esse tempo.
— Ah…
— Mesmo que a primavera tenha chegado, ainda está frio porque o tempo ainda não esquentou de vez.
Dizendo isso, Grace pousou um casaco branco sobre os ombros de Nine. Ele virou-se para ela com um leve sorriso.
— Obrigado, Babá.
— E não há necessidade de sair com tanta pressa.
— Hmm… Estou sendo apressado demais?
— Você deve estar cansado da viagem. Por que não descansa pelo menos um dia e parte amanhã? Não é como se fosse urgente, afinal.
Será mesmo? Nine ponderou por um momento antes de balançar a cabeça.
— Não, ainda assim devo ir logo. Todos pareciam tão aflitos por causa da Chae Chae.
— …
Grace observou Nine se atrapalhar para enfiar os braços nas mangas do casaco, então suspirou e ajeitou suas roupas. Ela não conseguia esconder a expressão preocupada. Parecia cedo demais para mandar Nine embora tão rápido logo depois que ele tinha acabado de voltar da academia.
Nine, que havia acabado de fazer vinte anos naquele ano, tinha crescido admiravelmente e agora tinha uma aparência mais próxima de um jovem do que de um menino. Mas de perto, ele ainda era seu bebê príncipe com uma penugem macia nas bochechas. O crescimento do pequeno chorão que estava sempre curioso e agitado, tagarelando de um lado para o outro, era particularmente comovente.
Mas Grace ainda sentia uma inquietação estranha quando via Nine, como se tivesse deixado uma criança pequena à beira da água.
— Você levou tudo o que precisa?
— Sim.
— E a sua bagagem?
— Está lá fora. Ainda não desfiz as malas, então posso levar tudo do jeito que está.
— …Você nem desfez as malas ainda?
Então você já planejava partir desde o começo. Grace resmungou em tom decepcionado. Nine deu um sorriso envergonhado e respondeu:
— Me desculpe.
Tudo bem sentir tanto apego por uma criança que nem é minha? Bem, ela não podia tratar Nine como uma criancinha para sempre. Grace conteve sua relutância e despediu-se dele.
— Cuidado com as carruagens no caminho.
— Certo.
— Não fique distraído e tropece, olhe por onde anda. Não saia por aí olhando ingredientes estranhos vendidos na rua. Tudo que vendem na rua pode ser encontrado no boticário de qualquer forma. Não é tarde demais para olhar depois.
— Certo…
— Se o trem atrasar, apenas espere. Não saia correndo para pegar uma carruagem como da última vez e volte com a perna quebrada. Por favor, volte em segurança. Por favor.
— …
— Você tem que voltar logo. Entendeu?
— Ah, entendi…
Nine assentiu repetidamente com o rosto envergonhado diante das incontáveis palavras de preocupação. Ainda assim, Grace não conseguia tirar a preocupação do rosto.
Nine não era mais a criança ingênua que ficaria envergonhada ao ouvir tais preocupações. Ele se orgulhava de ser capaz o bastante para se virar sozinho, e era considerado um dos melhores alunos da academia. Estranhamente, as pessoas ao seu redor frequentemente tratavam Nine como uma criança imatura.
Sua babá Grace era uma dessas pessoas. Incluindo ela, quase todos tendiam a se preocupar excessivamente com ele. Isso porque Nine tinha a tendência de focar unicamente em suas áreas de interesse, ignorando completamente o que estava ao seu redor como se nada mais existisse. Isso levou a inúmeros acidentes e quase acidentes.
E quanto ao seu julgamento das pessoas? Nine tinha o hábito de atrair personagens particularmente estranhos. Pensar em Nine sorrindo inocentemente em meio a um grupo de amigos vestidos como arruaceiros de becos fazia a cabeça de Grace latejar de novo.
Dizem que os gênios costumam ser deficientes em algumas áreas, e Grace se perguntava se Deus havia dado a Nine inteligência e concentração, mas tirado todos os instintos de sobrevivência necessários para a vida cotidiana. Do contrário, não havia como ele escolher consistentemente pessoas tão obtusas para o convívio social.
— …Você não poderia levar pelo menos um guarda com você?
Parecia arriscado demais mandá-lo sozinho. Nine balançou a cabeça com firmeza diante da sugestão de Grace.
— Não. A dragoa não gosta disso.
— Suspiro… Qual é a grande questão sobre a dragoa?
— Não diga isso por aí. A Chae Chae vai ficar brava se ouvir.
— Sim, sim. Tenho certeza que ficaria.
Grace ignorou as palavras de Nine. Aquela dragoa não ligava muito para o que os humanos diziam sobre ela, a menos que fossem humanos nos quais tinha interesse.
— Mais importante, Babá, você deveria tratar seu ombro antes que piore.
— Como?
— Você o distendeu de novo, não foi? Levantou algo pesado?
— …Como você soube disso?
Grace ficou espantada. Ela inclinou a cabeça, esfregando o ombro dolorido que vinha a incomodando nos últimos dias. Nine apenas sorriu e desviou da pergunta.
— Só um palpite. Você sempre aguenta a dor até piorar. Não é seu hobby arrastar por um mês inteiro algo que poderia sarar rápido?
— É impressionante como você sempre parece notar essas coisas, Vossa Alteza.
— Chega. Não aguente a dor, cuide de examinar isso hoje. Entendido? Vou perguntar sobre isso quando voltar.
— Criei um vidente, um vidente…
Grace balançou a cabeça para Nine, que sempre parecia saber seu estado com uma precisão assustadora.
É claro que Nine tinha seu próprio segredo. Desde a infância, ele conseguia ver pontos pretos ou uma espécie de névoa sobreposta em partes do corpo das pessoas que desviavam de um estado saudável.
Por causa disso, Nine certa vez pensou que talvez fosse um mágico também, mas os mágicos diziam que não existia tal magia no mundo ainda. Eles descartaram a ideia como imaginação de criança.
Então Nine decidiu pensar nisso apenas como um talento ou um dom seu. Era melhor do que não ter habilidade nenhuma. Na verdade, aquilo havia sido muito útil durante seu estágio médico no hospital…
— Vossa Alteza, você realmente precisa tomar cuidado.
— Já entendi. Quantas vezes você vai dizer isso?
— Porque você sempre volta machucado.
— Não mais. Eu sou uma criança?
Nine resmungou. Sim, você é… Grace murmurou apenas em sua mente as palavras que queria dizer.
— Estou indo!
Nine partiu sozinho, dando as costas para o palácio imperial. Seus passos enérgicos pareciam um tanto animados. Grace, que o despedia, hesitou por um momento antes de murmurar em voz baixa como se falasse consigo mesma.
— Tive um sonho estranho ontem à noite…
Ela tinha boa intuição. Naquele dia, sentia-se inquieta sem nenhum motivo em particular. Em dias como aquele, algo sempre parecia acontecer. Se ao menos Nine ainda fosse uma criança, ela poderia segurá-lo à força e impedi-lo de partir. Mas agora, ele estava numa idade em que Grace não podia detê-lo pela força.
Ironicamente, em contraste com as preocupações de Grace, Nine se sentia particularmente animado naquele dia, longe de ter qualquer pressentimento sombrio. Uma brisa agradável carregava a luz quente do sol que fazia cócegas em suas bochechas. O céu estava azul, e um leve perfume floral vinha das árvores em flor no jardim. Era o auge da primavera.
Naquele dia, Nine havia decidido ir ver a dragoa depois de muito tempo.
O verdadeiro nome da dragoa era desconhecido, mas a dragoa guardiã do Continente Oriental tinha escolhido “Chae Chae” como o nome pelo qual os humanos a chamariam. A maioria dos dragões que guardavam cada continente havia adormecido durante a era das guerras, e ela era a única desperta na era atual.
Dada sua longa expectativa de vida, havia incontáveis histórias sobre a dragoa do continente. Elas eram registradas na história e também viviam em histórias fictícias criadas pelos humanos. Às vezes vilãs, às vezes heroínas. Os dragões buscavam uma vida livre, não presos aos padrões estabelecidos pelos humanos.
“Para um ser tão grandioso, por que ela é tão irritante?”
Nine murmurou por dentro palavras que não podia dizer a mais ninguém enquanto passeava pelas ruas silenciosas. A dragoa era chamada de fonte da magia e história viva, mas para um ser tão grandioso, ela era incômoda e problemática demais na realidade.
A guardiã do Continente Oriental era uma excêntrica que ocasionalmente, não, frequentemente gostava de surpreender os humanos enviando mensagens telepáticas às suas mentes.
― Dizem que a única forma de matar um ser transcendente é através do tédio. Como a dragoa guardiã do Continente Oriental e uma transcendente do mundo, declaro sinceramente que darei minha vida de bom grado à sua família caçadora de dragões, Elrowin.
Soa grandioso e elaborado, mas é só ela dizendo que está entediada de morte.
Chae Chae vinha sendo obcecada por bancar a profetisa desde as primeiras memórias de Nine. Ela usava telepatia para enviar arbitrariamente mensagens em estilo profético à família imperial. Poucas pessoas não se assustariam quando uma voz alta de repente ressoa dentro de suas cabeças.
O Imperador havia expelido vinho de uva pelo nariz quando uma voz estrondosa soou em sua cabeça durante uma refeição, e o Príncipe Herdeiro, o irmão mais velho de Nine, chegou a xingar em voz alta ao ser assustado durante deveres oficiais. Todos estavam incrivelmente estressados por causa de seu comportamento errático, independentemente de ser dia ou noite.
↫๋ ࣭ ⭑๋ ࣭ ⭑Continua….
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✦ Tradução, revisão e Raws: Belladonna&Yuki