Capítulo 104
—…?
Nathaniel ergueu a cabeça de repente e fixou o olhar em um ponto. Pensou ter ouvido algum som; ele franziu o cenho e ficou imóvel, atento, mas ao redor havia apenas silêncio. Confirmando mais uma vez a quietude profunda da noite, permaneceu sentado na cama, sem se mexer por um instante.
—Haa…
Mesmo sem ouvir mais nada, Nathaniel soltou um suspiro curto, colocou os documentos que estava lendo sobre a mesa de cabeceira e se levantou. Apoiado na bengala que deixava ao lado da cama, começou a caminhar. Seu destino já estava decidido: apenas verificar se Chrissy estava dormindo bem. Sabia que era um gesto sem sentido, mas, ainda assim, saiu do quarto e seguiu em direção ao quarto onde ele estava.
A casa estava assustadoramente silenciosa. Dentro daquela quietude, apenas o som monótono da bengala tocando o chão ecoava de forma regular. Após caminhar apenas alguns passos, ele chegou ao destino e, por hábito, tentou bater à porta — mas hesitou. De qualquer forma, ele estaria dormindo; não ia adiantar nada. Nathaniel baixou a mão que havia erguido e, em vez disso, girou a maçaneta. No silêncio, o som da porta se abrindo pareceu sinistro. Ele parou por um instante antes de entrar no quarto. Enquanto caminhava novamente apoiado na bengala em direção à cama, pensou que aquilo era uma tolice. Um lugar com segurança tão rigorosa não teria um invasor — que atitude ridícula.
E foi com um sorriso amargo, pensando isso, que…
O que é isso?
Diante da situação inesperada, Nathaniel franziu a testa. No momento em que viu a cama vazia, ele negou a realidade por um breve segundo. Fechou os olhos e os abriu novamente, mas nada mudou. Só então, um instante depois, aceitou que não estava sonhando. Confirmou mais uma vez que não havia ninguém na cama e virou a cabeça. No escuro, não havia qualquer sinal de presença.
Seu olhar percorreu lentamente o quarto, captando, um a um dos objetos sem significado: a mesinha de chá, a cadeira, o sofá, o móvel decorativo, a cômoda e então… o armário embutido.
Nathaniel encarou fixamente o armário embutido, firmemente fechado. Ainda assim, não se ouvia som algum — como se ele fosse a única pessoa naquele espaço.
Mas ele tinha certeza. Era ali. O lugar onde a presa, tomada pelo medo, se esconderia.
Nathaniel deu um passo à frente. A cada movimento, o som seco da bengala batendo no chão ecoava pelo ambiente. Como o ponteiro de segundos de um relógio, o som rompia o silêncio em intervalos precisos. Um passo… mais um passo…
Por fim, parando diante do armário, ele estendeu a mão. Seus dedos seguraram a maçaneta com leveza e, um instante depois, ganharam força. Sem hesitar, ele abriu a porta de uma vez.
—“Hii…!”
Um som sufocado, quase um grito, escapou. Como esperado, Chrissy estava ali. Com o rosto pálido, o corpo inteiro tremendo, encolhido o máximo possível dentro do armário.
—Chrissy.
O nome saiu dos lábios de Nathaniel como um suspiro contido. O fato de tê-lo encontrado, a dúvida sobre por que ele estava ali e a impossibilidade de compreender aquela situação se misturaram, deixando sua mente confusa.
—“…Haa…”
Depois de soltar um breve suspiro, ele voltou a fixar o olhar em Chrissy. Já passava da meia-noite havia muito tempo. Era tarde demais para brincar de esconde-esconde — e ele já não tinha mais idade para isso.
—O que você está fazendo aqui? Vamos, saia.
Nathaniel disse isso enquanto se abaixava. Estendeu a mão para Crissy, como quem diz “venha, vou te tirar daí”. Mas, inesperadamente, ele não se mexeu nem um centímetro. Nathaniel franziu a testa involuntariamente. A expressão dele refletida na escuridão parecia estranha.
—Chrissy.
Nathaniel estava prestes a insistir novamente, perguntando por que ele não saía. Foi quando Chrissy começou a tremer visivelmente, o corpo inteiro sacudindo, e se encolheu ainda mais para dentro do armário. Como não havia mais para onde ir, era mais correto dizer que ele se esfregou contra a parede. Com os olhos bem abertos, balançou a cabeça desesperadamente.
—N-não…
Era um jeito de falar quase infantil. Nathaniel franziu o cenho, mas ele pareceu não se importar e continuou, como se estivesse em pânico, repetindo sem parar:
—Não… não faça isso… papai, não…
—Chrissy, volte a si. Primeiro, saia daí.
Nathaniel tentou acalmá-lo, mas teve o efeito oposto. Como se nem estivesse ouvindo, Chrissy apenas ofegava, repetindo as mesmas palavras. Nathaniel mudou de abordagem. Tentou puxá-lo à força, segurando seu braço — mas aquilo foi um grande erro.
—N-não, não faz issoooo…!
Um grito agudo irrompeu. Diante da reação violenta, Nathaniel hesitou. Percebeu que, em vez de acalmá-lo, só o havia provocado mais e tentou soltar sua mão — mas já era tarde. Chrissy parecia completamente em pânico, gritando sem parar:
—Não, não! Não encosta em mim! Eu disse pra parar! Mamãe, mamãe… eu errei, eu errei… por favor, não faz isso… tô com medo, tô com medo…
Pela primeira vez na vida, Nathaniel ficou desconcertado. Não só era a primeira vez que enfrentava uma situação assim, como também era a primeira vez que ele simplesmente não sabia como agir.
—Chrissy.
Chamou seu nome mais uma vez, mas foi só isso que conseguiu. Com a mão erguida de forma incerta, sem conseguir agir, ele assistia enquanto Chrissy gritava e se debatia como se estivesse tendo um ataque.
—Aaaahhhhh! Vai embora, eu não quero! Não encosta em mim! Eu disse que não quero! Mamãe, mamãããe!
—Chrissy.
—Nããão… me ajuda… mamãe…
Por fim, Chrissy começou a chorar.
O ambiente estava silencioso. À primeira vista, parecia que a paz havia retornado, mas não era verdade. Nathaniel sentiu uma fadiga extrema, algo raro para ele. Nem mesmo quando passava noites em claro preparando um julgamento se sentia assim.
—Huu…
Soltando um suspiro, ele olhou para baixo. Na cama, Chrissy agora dormia. As marcas de lágrimas secas grudadas em suas bochechas insistiam em chamar sua atenção. Nathaniel passou a mão pelos cabelos, exausto. Por um instante, pensou em beber uísque, mas para isso, teria que sair do quarto. E deixá-lo sozinho não lhe parecia uma boa ideia. Depois de hesitar por um momento, acabou desistindo e se sentou pesadamente ao lado da cama.
Chrissy continuava dormindo. Talvez tivesse até perdido a consciência. Nathaniel o observava com uma expressão séria.
…Será que…?
É melhor assim do que ter outro ataque como o de antes.
Era um julgamento extremamente racional, mas, por algum motivo, não o agradava. Algo estava faltando. Por quê…
Enquanto o observava com o cenho franzido, outro pensamento lhe veio à mente.
Será que foi por causa daquele incidente…?
Ao relembrar a situação em que o havia resgatado, era evidente que ele tinha sofrido um choque imenso. Depois de algo assim, era natural desenvolver um trauma. Durante o dia, ele talvez nem percebesse, mas à noite, sozinho, a ferida vinha à tona. Até aí, tudo fazia sentido. O que o incomodava, no entanto…
Aquilo de antes… foi mesmo por causa da lembrança daquele dia?
Ele só podia concluir que o choque havia reacendido memórias de seus dias mais vulneráveis. Nesse caso, naturalmente, seria da época em que seu pai atirou em sua mãe. Ele já havia tido outra crise uma vez…
Tudo se encaixava perfeitamente. Não havia mais o que questionar. Sim, era isso. Tinha que ser isso. Com certeza era.
Mas então… por quê?
Nathaniel olhou para Chrissy com uma expressão desconfiada.
Por que tinha a sensação de que ainda havia algo diferente ali?
De repente, uma ardência leve surgiu em sua bochecha. Chrissy o havia arranhado enquanto se debatia. Nathaniel pensou no kit de primeiros socorros no banheiro, mas logo descartou a ideia. Mesmo que levasse apenas alguns minutos, ele desistiu de tratar o ferimento e escolheu permanecer ali ao lado de Chrissy.
…Que situação é essa, afinal?
Incapaz de entender a si mesmo, ele continuou sentado ali, no mesmo lugar. Observando o rosto de Crissy, que ainda dormia. E assim, permaneceu imóvel até o amanhecer.
°
°
Continua…