↫─Capítulo 140
Depois de voltar para a empresa, a única coisa que ele efetivamente fez foi averiguar notícias de Cheongyeon e ligar para Cheongyeon.
— Droga.
Do-Heon murmurou reajustando o relógio de pulso torto.
De todo modo, não era coisa que se resolvesse só por ele se importar. Ainda assim, o fato de não saber onde Cheongyeon estava não lhe saía da mente.
Do-Heon , irritado, virava as páginas da ata e tentava de novo se concentrar no trabalho.
Mas não conseguiu se focar nem por cinco minutos e empurrou os documentos para o canto da mesa.
Ele logo estabeleceu ligação com a secretaria.
— Sim, diretor.
— Ainda não localizaram o paradeiro do Cheongyeon?
— Como as pessoas ao redor também dizem que não conseguem contato, estamos averiguando mais a fundo.
— E têm certeza de que tentaram contato com os amigos e os pais dele?
— Certeza, diretor.
No fim, Do-Heon , que encerrou a ligação sem nenhum resultado, encostou-se no espaldar da cadeira e cruzou os braços.
Pareceu por um tempo mergulhado em pensamentos e, não muito depois, Do-Heon tornou a ligar para Cheongyeon.
O celular de Cheongyeon continuava desligado.
— …
Nunca tinha ficado tanto tempo assim sem conseguir contato. Não vai me dizer que está por aí de novo, todo mole, tendo hemorragia nasal.
Pensamentos indesejados invadiram sua cabeça. Ao mesmo tempo, o rosto pálido de Cheongyeon, que sangrava diante dele, acabou lhe vindo à mente.
Então o interior do peito ficou desagradavelmente dolorido. Do-Heon, franzindo a expressão, inspirou fundo. E, para se livrar da emoção incômoda, levantou-se.
O que dá curiosidade, basta conferir pessoalmente. Não é caso de ficar sentado, quieto, esperando que o contato venha.
— Diretor. Aonde o senhor vai?
Quando Do-Heon saiu da sala de trabalho, os secretários que trabalhavam na mesa perto da entrada se levantaram todos de uma vez.
— Vou sair mais cedo, então terminem logo e vão embora.
Deixando o trabalho como estava, Do-Heon , que saiu da empresa, dirigiu ele mesmo o carro rumo ao apartamento onde Cheongyeon vivia.
Se houvesse repórteres ou sujeitos suspeitos rondando, pretendia chamar a equipe de segurança da empresa para tirá-los dali, mas os arredores do prédio estavam calmos. Por sorte, onde Cheongyeon se hospedava, pelo visto, não fora divulgado.
Do-Heon , que estacionou o carro, entrou no prédio. Como, para começar, era uma casa que ele mesmo providenciara, passar pela portaria comum e pela recepção do primeiro andar foi fácil.
Chegando rapidamente até a frente da casa de Cheongyeon, Do-Heon apertou a campainha.
Lá dentro, não se sentia nenhum sinal de presença.
— Yoo Cheongyeon.
Ele bateu à porta e chamou o nome de Cheongyeon. Mas desta vez também só o silêncio voltou como resposta.
Não me diga que é ciclo de cio?
Relembrando de quando fora atrás de Cheongyeon, que saíra de casa e vivia sozinho num quitinete, Do-Heon pôs a mão na cintura. E, com a outra mão, naturalmente, começou a digitar a senha para destravar a fechadura eletrônica.
Bip. Bip. Bip. A cada número digitado, um curto som mecânico ecoava pelo corredor. Mas a mão de Do-Heon não conseguiu apertar o último número e parou no ar.
E se for ciclo de cio, o que vou fazer?
Uma pergunta fundamental surgiu num relance.
Se ele entrasse assim, não sobraria outra conclusão senão se enroscar com Cheongyeon de novo. Aí Cheongyeon voltaria a tomar o anticoncepcional junto com o supressor e, como da última vez, ficaria cambaleando diante dele com um rosto de quem não comeu nem sopa.
Se desse azar, talvez até sangrasse.
Se Cheongyeon de fato não estava atendendo por causa do ciclo de cio, não era um problema que Do-Heon pudesse resolver.
— Yoo Cheongyeon. Só me diz se você está aí dentro.
No fim, Do-Heon, que não conseguiu digitar a senha inteira, tirou a mão da fechadura. Ele, com a testa encostada na porta, chamou Cheongyeon.
— Não vou entrar, então só me avisa se você está aí.
Ainda era a continuação do silêncio.
Sem ter encontrado uma solução melhor, Do-Heon resolveu, por ora, esperar.
Talvez Cheongyeon tivesse saído por um instante, quem sabe. De todo modo, pretendia só conferir o rosto dele e voltar logo.
— …
Assim, matando o tempo à toa, quando se deu conta o sol estava se pondo. Do-Heon , sem emoção, contemplava o céu que baixava sombrio para além da vidraça do corredor do apartamento.
Encostado na parede do corredor, sem se mexer, quanto tempo teria ficado. A paciência de Do-Heon aos poucos chegava ao limite. Como se fosse impossível não fazer alguma coisa, sentia as entranhas se retorcerem.
Era parecido com quando esperara por Cheongyeon no estacionamento havia pouco tempo.
Como um gosto amargo lhe subia na boca, dava-lhe vontade de ao menos pôr um cigarro na boca. Na verdade, cigarro ele só experimentara por um breve momento, por rebeldia, quando começara a aprender sobre gestão. Depois disso nunca mais tinha encostado, mas não sabia por que ficava vindo à cabeça.
Do-Heon, que hesitava sobre se esperaria fumando um cigarro até Cheongyeon chegar, como daquela vez, logo desistiu da ideia. Foi porque lhe veio à mente a expressão de Cheongyeon que encarara naquele dia no estacionamento. Era um rosto de quem tinha ficado enjoado de alguma coisa. Não sabia se era por causa dele ou do cigarro.
Do-Heon , no fim, deu meia-volta. De volta ao carro, ele tentou pensar nos lugares aonde Cheongyeon poderia ir. Mas não havia nenhum destino que lhe ocorresse em especial.
Com a família, de início, a relação era distante, e no amigo chamado Kim Jihan também tinham dito que ele não estava.
A situação atual, de não conseguir definir aonde ir, era bastante desconcertante para ele.
Sentado no carro, com as mãos no volante, ele ficou um bom tempo mergulhado em pensamentos.
Quando se deu conta, o sol tinha se posto e o céu ficara completamente escuro. Com o pensamento de que Cheongyeon talvez aparecesse, o olhar dele demorou-se longamente na ponta do beco.
Só depois que assim passou mais um bom tempo é que Do-Heon deu a partida no carro.
De volta à empresa, ele, na sala de trabalho, recolheu os documentos que não conseguira terminar durante o dia e depois rumou para casa.
— Ai. Diretor. O senhor chegou cedo, não?
Diante do sinal de presença ouvido na entrada, a empregada, surpresa, aproximou-se de Do-Heon .
— Um pouco antes, o motorista trouxe a bagagem que o senhor levou na viagem. Como disseram que o senhor provavelmente chegaria tarde, ainda nem preparei a refeição. Se esperar só um pouquinho…
— Deixa. Por hoje, já pode ir.
Do-Heon disse pousando a pilha de documentos na mesa da sala.
Como o humor dele não parecia bom, a empregada, que observava a reação, assentiu docilmente.
— Entendido. Vou guardar a comida na geladeira, então coma mais tarde.
Do-Heon , como quem não tem interesse em refeição, passou direto pela cozinha. Ao subir a escada rumo ao segundo andar, ele, como se algo lhe tivesse ocorrido, parou.
— Dona.
— Sim?
— Entre os lugares que o Cheongyeon costumava frequentar, tem algum que a senhora conheça?
— O Cheongyeon? Ele parecia ser próximo do rapaz Jihan. Fora a casa dessa pessoa…
Diante da pergunta repentina, a empregada inclinou a cabeça como quem vasculha a memória.
— Não haveria mais algum lugar aonde ele fosse. Por menor que seja.
— Também não me ocorre nenhum lugar em especial. Por acaso aconteceu alguma coisa?
— Não é nada. O quarto do Cheongyeon foi limpo?
— Ah, sim! Hoje de manhã arrumei tudinho. As coisas, claro, não toquei em nenhuma.
— Entendido. Já pode ir para casa.
Do-Heon, fingindo não ver a empregada que o observava intrigada, foi até o quarto de Cheongyeon, no segundo andar.
Ao abrir a porta, a paisagem do quarto, arrumado e limpo sem uma partícula de poeira, entrou toda de uma vez no seu campo de visão.
Talvez porque tivessem trocado a capa da cama por uma nova, havia um leve aroma de amaciante.
O quarto não estava nem um pouco diferente de quando Cheongyeon vivia ali.
Do-Heon , com familiaridade, dirigiu os passos até a mesa que Cheongyeon usava.
Sentado à toa na cadeira, o celular começou a vibrar. Assim que confirmou que quem ligava era o secretário Shim, Do-Heon atendeu.
— Encontraram o Cheongyeon?
— O paradeiro ainda não. Só que liguei porque há outra questão sobre a qual gostaria de consultá-lo.
Diante das palavras de que não tinham conseguido descobrir onde Cheongyeon estava, a mão de Do-Heon que segurava o celular ganhou força.
— Fale.
Ele, mexendo na venda de olhos de Cheongyeon que estava sobre a mesa, respondeu mantendo a custo a serenidade.
— É um assunto relacionado ao Cheongyeon. O drama para o qual, tempos atrás, chegou a se concluir até a escalação, o que fazemos? Dizem que está suspenso, mas, pressionando a produtora, acho que seria possível chegar até a assinatura do contrato.
Do-Heon ia dizer para que providenciassem de todo jeito que ele fosse escalado de novo, mas o rosto sem cor de Cheongyeon lhe veio à mente e ele cerrou os lábios. Só de pensar naquele instante, o fundo da garganta ficava quente como se fosse arder.
Aproveitar para descansar um pouco não seria bom também? Ele andou ocupado por vários meses. Serviria também para se reorganizar.
Fosse por causa daquele maldito remédio ou do que fosse, o fato de que a aparência de Cheongyeon na última vez em que o vira estava escura demais ficava remoendo em seu coração.
— Por ora, deixe em estado de suspensão e controle primeiro a mídia.
— Entendido. Hoje repassei também a cada emissora, mas ao longo do dia de amanhã pretendo contatar diretamente os diretores das emissoras.
Depois de encerrar a ligação com o secretário Shim, Do-Heon tornou a ligar para Cheongyeon.
Como continuava desligado, nem o sinal de chamada chegava a seguir, e caía.
Do-Heon , que pousou o celular na mesa, percorreu com o olhar o quarto limpo e silencioso de Cheongyeon.
Como as coisas que ele usava estavam ali como antes, parecia até que Cheongyeon ainda vivia naquele lugar.
Mas, ainda que as coisas estivessem intactas, por ter ficado vazio por um bom tempo, no quarto já não se sentia o feromônio de Cheongyeon.
Hoje, mais do que nunca, esse fato deixava Do-Heon com raiva.
Do-Heon , que estava sentado quieto na cadeira, ergueu o corpo e caminhou até a cômoda. Ele borrifou sobre o próprio blazer o perfume que Cheongyeon deixara no dia em que saíra de casa.
O cheiro de Cheongyeon de que ele se lembrava espalhou-se por completo ao redor.
Mas com aquilo estava longe de bastar. Sempre faltava.
Como o aroma logo se dissipou, ele ficou hesitante sobre se deveria borrifar mais uma vez. Do-Heon , mexendo no frasco de perfume, no fim tornou a pousá-lo no lugar.
Achava que tinha usado com economia, mas agora já restava pouco.
De início, pretendia trazer Cheongyeon de volta para casa antes de terminar este perfume por completo. Confiara em que poderia fazê-lo.
No entanto, o perfume já mostrava o fundo.
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Continua….
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✦ Tradução, revisão e Raws: Faby&Belladonna