↫─Capítulo 127
127
— O banho… A gente tem que tomar banho. Agora, por favor, me deixa me lavar.
Com medo de que, se continuasse assim, Do-Heon perdesse de novo a razão e se lançasse sobre ele outra vez, Cheongyeon o persuadiu com a voz mais calma possível.
Meu Deus, um Moon Do-Heon que perdia a razão. Antes, era uma situação que ele nem poderia imaginar. Como foi que as coisas chegaram a esse ponto?
Cheongyeon, no momento em que ele afrouxou um pouco a mão, se esgueirou para fora e vestiu depressa o roupão de banho que estava pendurado na parede. Então o sêmen de Do-Heon acumulado dentro da barriga escorreu pelas coxas.
— Ngh.
Como, pela sensação de exaustão, a força não vinha direito, as pernas de Cheongyeon tremiam feito as de um bêbado.
— Vamos simplesmente tomar banho em separado. Eu uso este boxe, então você toma banho no boxe do quarto.
Cheongyeon falou apoiado na parede. Queria dizer que era para ele sair de uma vez.
Mas Do-Heon , longe de dar meia-volta, olhava alternadamente para Cheongyeon encharcado e para o sêmen que escorria da virilha e pingava, ponto a ponto, no chão.
— Você vai conseguir sozinho?
*
No fim, se lavaram juntos. Foi porque, mesmo com Cheongyeon dizendo que não precisava, Do-Heon insistiu de forma estranha em lavá-lo.
Cheongyeon queria puramente só tomar banho, mas, como ele previra, Do-Heon não o deixou em paz um instante sequer, então demorou um bom tempo até saírem do banheiro.
— Aah, que sono.
Cheongyeon, esfregado até ficar limpinho e sequinho, se deitou esparramado na cama. Quando o suor e o líquido que grudavam em seu corpo desapareceram e um aroma perfumado de sabonete líquido exalou, seu humor melhorou.
Parecia que, se fechasse os olhos assim, cairia imediatamente num sono profundo.
— Não vai deixar cicatriz?
Naquele instante, Do-Heon , vendo Cheongyeon se remexer de roupão, abriu a boca.
— Cicatriz?
Cheongyeon ergueu a cabeça, que enfiara no lençol, e perguntou de volta.
Logo percebeu que o olhar de Do-Heon estava fixo em suas pernas.
— Isso, em algumas horas some.
Cheongyeon esfregou as coxas com ar de quem não acreditava. Cicatriz. Que absurdo. Ainda que tivessem ficado marcas avermelhadas da cinta-liga em volta, era impossível que uma coisinha dessas deixasse cicatriz.
Mesmo com a resposta de Cheongyeon, parecia que aquilo o incomodava, porque Do-Heon ficou calado.
— É por isso, você devia segurar com mais delicadeza. Não, se a gente tivesse feito pelado desde o início, teria sido melhor. Foi meio desconfortável, viu.
Quando Cheongyeon reclamou, Do-Heon , que passou a mão pelo cabelo molhado, de repente saiu para a sala. E então se sentou no sofá e abriu a revista que estava sobre a mesa.
Cheongyeon, que observava em silêncio o trajeto dele, se assustou e se levantou. Ele correu depressa até onde Do-Heon estava sentado e arrancou o que ele tinha na mão.
— Que é isso, por que você vai ler revista de repente?
Ele viu tudo mesmo. Maldita entrevista. Por que eu fui soltar aquela besteira?
Cheongyeon, culpando o seu antigo eu, escondeu atrás do corpo a revista que arrancara de Do-Heon .
— Por quê. Tem algum conteúdo que eu não possa ver?
Já sabendo de tudo, Do-Heon perguntou com cara de pau.
— Ah, naquela hora! Eu já disse que falei sem significado nenhum. Eu já nem me lembro direito…
Espera. Mas por que eu tenho que explicar cada detalhe disso? A gente já se divorciou, não somos mais casados, então por que eu estou aqui me humilhando? Falando sério, o Moon Do-Heon é patrocinador, não namorado.
Enquanto falava, de algum jeito seu orgulho se feriu. Cheongyeon, fazendo bico, mudou de assunto.
— …Aliás, o que é essa cicatriz no seu ombro, diretor?
A cicatriz que ele tinha sentido no ombro direito de Do-Heon quando o segurava para se agarrar a ele no banheiro continuava incomodando. Já estava toda cicatrizada e não dava para notar, mas parecia ter um tamanho e tanto, uns dois dedos.
— Caí jogando futebol.
— Hé, você? Quando?
Por sorte, talvez tivesse desistido da revista, porque Do-Heon num instante abriu a geladeira e pegou uma bebida lá de dentro. Ele estendeu uma a Cheongyeon também, perguntando se ele queria, mas Cheongyeon balançou a cabeça e recusou.
— No ginásio.
A resposta foi bastante inesperada. Ele não explicou muito a situação, mas Cheongyeon naturalmente se lembrou dos colegas de escola que, a cada intervalo nos tempos de estudante, saíam para jogar futebol e corriam se esbarrando.
Assim que enfiou o Do-Heon ginasial no meio daqueles alunos, o riso irrompeu.
— Haha.
— O quê?
— Não combina nada. Você também ficava se esbarrando e brigando por bola no futebol?
— Existe gente que cresce sem fazer esse tipo de coisa?
Como se fosse algo sem importância, Do-Heon deu de ombros. Foi uma reação sem graça.
Bem, especialmente alguns alfas grandalhões costumavam se obcecar por partidas entre turmas para exibir a força. Ele, ao contrário da vontade que transbordava, não tinha jeito para esporte, então correr de vez em quando era tudo o que fazia.
Que Do-Heon também tivesse participado com afinco de um jogo desses, coisa de gente assim, era inesperado.
Não sabia por quê, mas a imagem dele de uniforme de colégio particular se desenhava bastante nítida em sua cabeça. A região do ombro da camisa tingida de sangue por ter rolado no campo…
Espera, por que eu estou imaginando de forma tão concreta assim? Como se eu já tivesse visto.
Cheongyeon, que ria “hehe” com os olhos franzidos, parou de rir de repente e mexeu os lábios, perturbado.
— Mas… se ficou cicatriz desse jeito, você deve ter caído bem feio.
— Só levei uns pontos. Foi uma cena que, se você tivesse visto, teria irrompido num choro dizendo que era assustador.
Do-Heon deu uma risadinha e disse algo um tanto desconexo. Pousando na mesa a bebida que tomava, ele fixou o olhar em Cheongyeon.
Cheongyeon, que observava Do-Heon atônito, não deixou passar que um dos cantos da boca dele estava ligeiramente erguido.
Por que ele está sorrindo? Cheongyeon inclinou a cabeça, intrigado.
— Vem cá.
— Ah! Por que você está fazendo isso?
Num momento de descuido, Do-Heon estendeu a mão e puxou Cheongyeon para o sofá onde ele estava sentado. Com isso, a revista que ele segurava caiu no chão.
— Não tinha acabado? A gente fez até agora mesmo…
— Sei lá. Eu não disse que tinha acabado.
— Ah, sem escrúpulos.
Do-Heon sentou Cheongyeon no colo e segurou sua cintura com força.
— Pois é. É uma pena estar longe do seu tipo ideal, mas, mesmo que eu me esforce e fique carinhoso, a idade eu não consigo ajustar pra dar a sua faixa.
— Aquele assunto de novo? Esquece aquela entrevista, por favor. Tá?
— Então eu estou pensando em continuar sem escrúpulos.
Estou ferrado. Fingiu que não, mas parece que ficou bem magoado.
Cheongyeon, que encolhia o tronco diante do toque que abria o roupão, foi tomado por um mau pressentimento.
*
Na manhã seguinte.
Naquele dia, algo raro, Cheongyeon terminou de se arrumar primeiro. Enquanto vestia o casaco e, por último, ajeitava o cabelo desalinhado, ouviu-se uma batida do lado de fora.
—Diretor. Há algo que preciso reportar com urgência.
A voz nem alta nem baixa era do secretário Shim. Ao contrário do tom sempre profissional, dessa vez soava de algum jeito apressada.
— Parece o secretário Shim, quer que eu abra?
Cheongyeon, que justamente estava perto da porta, segurou a maçaneta e perguntou a Do-Heon .
Do-Heon, que estava diante do espelho justamente amarrando a gravata, confirmou que Cheongyeon estava todo vestido e assentiu.
— Olá, secretário…
Cheongyeon abriu a porta e cumprimentou o secretário Shim sem jeito. O secretário Shim, mesmo vendo Cheongyeon no quarto de hotel de Do-Heon, não se surpreendeu nem um pouco e fez uma reverência.
— Olá, senhor Cheongyeon. Bom dia. Com licença um instante.
— Por acaso é um conteúdo que eu não possa ouvir? Então eu saio logo.
— Ah. Acho que o senhor pode ficar, mas primeiro o diretor precisa ver e decidir…
— Secretário Shim. O Yoo Cheongyeon disse que gosta de um cara jovem e carinhoso, então não fique fazendo de amigo e puxando conversa longa. E daqui em diante não seja carinhoso com ele.
— …
Que história é essa? Ele ficou louco? Cheongyeon, perturbado, encarou Do-Heon .
Do-Heon, com aquela expressão seca característica que não dava para saber se era brincadeira ou sério, ergueu uma sobrancelha. Queria dizer para ele parar de tagarelar e vir logo.
— Desculpe. Há algo que o senhor precisa conferir imediatamente.
O olhar do secretário Shim, ao passar por Cheongyeon, permaneceu por um breve instante na região do pescoço de Do-Heon. Logo, como se não tivesse visto nada, ele estendeu a Do-Heon o tablet que trouxera.
Será que eu não devia ter deixado aquela marca de beijo? Do-Heon não parecia ter nem a intenção de esconder a marca de beijo avermelhada. Com ela ali, à vista de todos, no pescoço.
Mesmo sem ninguém dizer nada, Cheongyeon, com a consciência pesada, deu um pigarro baixinho sozinho.
Enquanto eles conversavam sobre a empresa, Cheongyeon terminou de passar a mão pelo cabelo e pôs o boné.
Ele não se lembrava nem de quando nem como tinha adormecido na noite anterior. Ao abrir os olhos, já era de manhã, e Do-Heon estava sentado na cadeira à vontade, tomando chá.
Como o feromônio de Do-Heon estava impregnado de forma densa demais em todo o seu corpo, Cheongyeon, assim que acordou, teve que tomar banho e ainda aplicar um perfume removedor de feromônios.
— E esta é a matéria que saiu hoje de manhã no Gyuseong Ilbo. Foi divulgada por iniciais, mas, como julgamos que há margem suficiente para associá-la ao senhor, por ora já a transmitimos como sendo falsa e tomamos as medidas de contenção.
Terminado o assunto de negócios, o secretário Shim logo mudou de tema e, do nada, trouxe a história de uma matéria.
Cheongyeon, que ia sair após receber a mensagem do empresário dizendo que tinha chegado ao estacionamento do hotel, virou o olhar, intrigado, na direção onde os dois estavam.
Uma matéria sobre Do-Heon saiu por iniciais? Deixando de lado a capacidade de gestão, ele era um empresário que, por causa da aparência chamativa em excesso, recebia da imprensa mais atenção do que o necessário. Por isso, embora não com frequência, havia casos em que saíam matérias por iniciais, como aquela que Kim Jihan tinha mostrado da última vez.
— Eu vou indo. O empresário disse que já está lá embaixo…
— Vá com cuidado.
Do-Heon, que examinava seriamente o material de imprensa que o secretário Shim lhe estendera, ergueu por um instante os olhos e assentiu, e o secretário Shim, também dessa vez, cumprimentou Cheongyeon com toda a cortesia.
Cheongyeon retribuiu o cumprimento sem jeito e saiu do quarto.
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Continua….
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✦ Tradução, revisão e Raws: Faby&Belladonna