↫─Capítulo 99
Capítulo 99
Cheong-yeon mordeu o lábio inferior, sentindo os lobos das orelhas corarem. Antes que pudesse encontrar uma resposta, a máquina apitou. Era o aviso de que o lámen estava pronto.
Ele olhou para Do-heon, e o dele também estava quase terminando de cozinhar. A maneira como ele mexia o macarrão com os hashis não era tão desajeitada quanto ele esperava. Talvez fosse por causa de sua expressão única e indiferente, que não mostrava nenhum sinal de desconforto. Como a sua aparência externa era muito impressionante, ele até parecia bastante habilidoso. Embora soubesse que esse não era o caso.
Logo, a máquina de Do-heon também tocou para sinalizar a conclusão, e os dois se mudaram para uma mesa de banco do lado de fora.
Como era baixa temporada, a área ao redor do acampamento estava deserta, mas na verdade ele gostou da sensação de quietude. O pôr do sol estava muito vívido e bonito.
Depois de arrumar tudo, Do-heon trocou as posições do lámen que ele havia cozinhado e do lámen que Cheong-yeon havia cozinhado.
— Por que você está pegando esse, Diretor?
— Nós não deveríamos trocar? O casal ao nosso lado estava cozinhando um para o outro.
— Você deve ter observado os outros casais bem de perto.
Cheong-yeon olhou para o lámen à sua frente. Do-heon o havia cozinhado pessoalmente. Claro, a máquina fazia tudo, então não seria muito diferente do dele, mas estranhamente, o interior de sua garganta coçou.
Quanto mais gentil Do-heon era com ele, mais enjoado ele se sentia, e mais difícil era descobrir como reagir e se comportar.
— Hum. Está gostoso.
Cheong-yeon disse depois de dar uma mordida no macarrão firme. Do-heon comia em um ritmo muito mais lento do que Cheong-yeon, como se fosse verdade que ele não tinha apetite.
Ele queria provar a comida de Do-heon há algum tempo. Ele havia realizado um dos itens infantis da lista de desejos que fizera quando eram recém-casados.
— Está melhor do que o lamen que outro desgraçado cozinhou para você?
Do-heon enfatizou as palavras “outro desgraçado”.
— Mais cedo, você perguntou como eu sabia que havia um acampamento aqui. Eu nunca estive aqui antes de hoje.
Em vez de comparar o lámen de Do-heon ao que algum outro desgraçado que ele nem sequer conhecia havia cozinhado, Cheong-yeon limpou a boca com um guardanapo e disse a verdade.
— Eu queria vir a um acampamento com você, por isso procurei por lugares. Eu queria ir a um piquenique ou acampar com você antes de nos divorciarmos, então parece um pouco… estranho vir agora.
Era uma situação engraçada agora que tudo havia terminado.
Do-heon estava sempre ocupado. Vir a um lugar como este consumiria um dia inteiro, e ele não tinha certeza se ele realmente lhe daria um dia do seu tempo. Ele tinha medo de ser rejeitado, por isso continuou adiando e, no final, o seu casamento terminou sem que ele jamais dissesse nada.
Na época, ele achava que era mais do que merecia poder tomar o café da manhã juntos todas as manhãs e sentar-se frente a frente por um curto período.
— Diga-me — disse Do-heon, depois de pensar em algo por um momento. — O que mais você queria fazer?
O que mais ele queria fazer? A pergunta parecia estranha.
Cheong-yeon, na verdade, queria fazer tudo com Do-heon. Desde pequenas coisas, como dar uma caminhada de manhã, cozinhar juntos em uma casa sem funcionários, sentar-se na sala de estar toda semana assistindo a dramas e comendo petiscos, até deitar-se na mesma cama à noite e dormir juntos.
Eles pareciam tão triviais que ele tinha vergonha de dizê-los, mas eram desejos difíceis com os quais ele não podia sonhar com Moon Do-heon.
Era patético e tolo demais listá-los um por um agora.
— Não me lembro agora.
Cheong-yeon não conseguiu encontrar os seus olhos e murmurou uma resposta.
— Você terminou de comer?
Então ele olhou para o recipiente de Do-heon, que ainda tinha um pouco de macarrão, e mudou de assunto.
— Sim. E você?
— Eu também.
Do-heon encarou Cheong-yeon como se perguntasse como limpar a sujeira. Cheong-yeon abaixou a cabeça como se estivesse se escondendo no chapéu, não querendo revelar a sua expressão vacilante.
— Dê para mim. Eu vou apenas jogar fora na lixeira ali.
— Eu faço isso.
— Vai parecer muito sujo para você.
— Então eu não posso deixar você fazer isso ainda mais.
Do-heon pegou obstinadamente o recipiente com o caldo do lámen e o lixo e caminhou na direção que Cheong-yeon apontou.
“Será que ele não vai ter ânsia de vômito?”
Cheong-yeon sabia o quão limpo Do-heon era, por isso olhou para as suas costas com preocupação.
Pensando bem, Do-heon era quem fazia todo o trabalho sujo quando estavam sozinhos. Em primeiro lugar, ele não era do tipo que fazia Cheong-yeon fazer trabalhos duros. O problema era que eles quase não tinham tempo juntos.
De longe, ficou claro que o corpo de Do-heon enrigidilhou quando ele chegou ao local para jogar fora os restos de comida. Ele se perguntou que tipo de expressão ele estava fazendo.
Ele não era de mostrar as suas emoções no rosto, então ele ainda poderia estar inexpressivo, mas por dentro, estaria surpreso com o quão sujo aquilo era. Ele nunca tinha jogado fora restos de lámen que havia comido em uma loja de conveniência, tendo trabalhado em uma empresa com o apoio de pessoas excelentes como o Secretário Shim.
— Eu disse que faria isso.
Cheong-yeon murmurou para si mesmo e riu baixinho.
Cheong-yeon abriu os olhos quando sentiu o carro, que vinha correndo pela estrada, diminuir a velocidade. Parecia que haviam chegado a Seul, pois os arredores estavam cheios de luzes de letreiros e postes de iluminação.
Cheong-yeon se espreguiçou para afastar o sono depois de cair no sono assim que entrou no carro após comer o lámen.
— Hum.
Ele olhou de relance para Do-heon, que ainda segurava o volante, e virou a cabeça para olhar pela janela.
Ao ver um prédio familiar, Cheong-yeon abriu um pouco mais os olhos e verificou o letreiro na parede externa.
— Por que estamos no hospital…
O hospital universitário que havia aparecido no sistema de navegação antes de partirem para Seul estava bem na sua frente.
— Você acordou? Eu ia estacionar e acordar você.
— Por que você veio aqui?
Cheong-yeon perguntou, piscando os seus olhos surpresos, a sua voz ainda sonolenta. Ele pensou que estavam indo para o hotel, mas era um hospital. Ou talvez o hotel fosse por perto?
— Eu passei aqui porque há algo para verificar.
— No hospital? Que tipo de verificação você está querendo fazer… O Diretor está doente em algum lugar?
Será que a anormalidade causada pelo ciclo de rut ainda era um problema?
O seu sono sumiu em um instante. Cheong-yeon olhou para Do-heon com preocupação em seus olhos claros.
— Não eu, o seu exame.
Como sempre, ele não conseguiu compreender direito nada da resposta sucinta de Do-heon, entregue em um tom monótono.
— O meu? Por que o meu…
— Você chegou, Diretor. O exame está pronto.
Então, a voz de um homem de meia-idade foi ouvida do lado de fora. Cheong-yeon inadvertidamente olhou pela janela do carro e recuou ao ver o rosto familiar de um médico.
Era o médico do hospital universitário que fora o seu médico assistente até ele se divorciar de Do-heon. Ele também fora quem o diagnosticara com infertilidade.
Lembranças ruins vieram à mente, e os seus ombros se encolheram involuntariamente. Quando encontrou os olhos de Cheong-yeon, ele inclinou a cabeça em um cumprimento.
— Há quanto tempo.
— O meu…. um exame. Do que você está falando desde antes…
O médico tinha uma expressão complicada no rosto diante da reação de Cheong-yeon, que parecia não saber de nada.
— Deixe o estacionamento para a equipe do nosso hospital e vamos entrar para conversar. Há olhos curiosos por perto.
Diante da sugestão do médico, Do-heon saiu do carro imediatamente. Então ele veio para o lado onde Cheong-yeon estava sentado e abriu a porta.
— Saia.
Depois de hesitar, Cheong-yeon saiu relutantemente do carro, pressionado pela atmosfera. Mas ele tinha um mau pressentimento.
Era ainda mais porque ele não conseguia decifrar as expressões de Do-heon e do médico, que o encaravam. Talvez por causa da atmosfera desconhecida, uma ansiedade que ele mesmo não conseguia entender o dominou.
Sem dar nenhuma explicação, Do-heon segurou a mão de Cheong-yeon e o puxou em direção ao prédio do hospital.
Cheong-yeon olhou para a sua mão entrelaçada com a de Do-heon e moveu os pés mecanicamente, seguindo-o.
Guiados pelo médico, eles chegaram a uma sala de ultrassom preparada para pacientes VIP. Ao abrir a porta, surgiu uma área ampla com vários equipamentos médicos e uma mesa de consulta onde os resultados podiam ser verificados em tempo real.
— O senhor Yoo Cheong-yeon está agendado para um exame de ultrassom hoje. Está correto?
Uma enfermeira com quem haviam entrado em contato previamente e que havia chegado mais cedo aproximou-se, verificando o prontuário.
Cheong-yeon, que estava parado rigidamente na entrada como se estivesse desconfiado, olhou para Do-heon, para a enfermeira e para o médico, um por um, e depois balançou a cabeça.
— Eu não marquei uma consulta no hospital.
— Eu marquei.
A expressão de Cheong-yeon endureceu diante da resposta confiante de Do-heon.
— …Por quê, Diretor? Que autoridade você tem?
— Eu dormi com você durante o meu ciclo de rut, então você pode estar grávido do meu filho.
Do-heon colocou a mão no ombro de Cheong-yeon e o empurrou suavemente em direção à cadeira em frente à mesa. Como se tentasse impedi-lo de abrir a porta e fugir.
A mente de Cheong-yeon ficou em branco.
Um ultrassom. Gravidez? Ele não conseguia aceitar direito o que tudo isso significava. Ele era incapaz de ter um filho.
— Você acha que esta é uma situação razoável? Por que você está fazendo isso sem a minha permissão? Eu claramente…!
— Eu…me desculpe interromper, mas deixe-me explicar. Por favor, acalme-se, mesmo se estiver confuso.
— Explique, Doutor.
Ao contrário do agitado Cheong-yeon e do médico, Do-heon falou em uma voz estranhamente calma.
O seu olhar, inabalável, estivera na barriga de Cheong-yeon desde o momento em que entrara na sala de exame.
─── ✧・゚: * ✧・゚:* ───
Continua….
⌀ ⌀ ⌀
✦ Tradução, revisão e Raws: Faby& Belladonna