↫─Capítulo 82
Capítulo 82
O silêncio preencheu a casa. Como se estivesse cortando o silêncio, Moon Do-heon caminhou calmamente até a cozinha, pegou um copo e serviu água do purificador.
Não havia nada de antinatural em sua sequência de ações.
Que diabos há de errado com ele?
Cheongyeon olhou de relance de Do-heon para a funcionária e vice-versa com olhos desconfiados.
— Diretor, isso é…
— O que traz você aqui sem dar uma palavra? Não me lembro de ter convidado você separadamente.
Do-heon cortou a tentativa da funcionária de dar desculpas e olhou para Cheongyeon, fazendo a pergunta. Seu tom de voz, geralmente uniforme, estava baixo e rachado, diferente do normal. Parecia um pouco rouco.
— O senhor está realmente perguntando porque não sabe o motivo de eu ter vindo até aqui?
Ele havia explicado gentilmente em frente ao quarto há poucos instantes, mas não gostou do fato de Do-heon estar perguntando como se não soubesse de nada. Cheongyeon cruzou os braços e encarou Do-heon de baixo para cima.
— Você bebeu?
— Isso importa?
Mesmo que não tivesse se aproximado dele, Do-heon se afastou ainda mais de Cheongyeon e ergueu uma sobrancelha. Ele pareceu pensar em algo por um momento, então questionou a funcionária.
— Quem abriu a porta?
— Ele mesmo abriu e entrou.
Do-heon estalou a língua. No entanto, Cheongyeon também tinha algo a dizer em sua defesa.
— Pensei que o senhor não tivesse mudado a senha, então presumi que estivesse me convidando a entrar.
O que ele podia fazer se testou por hábito e a porta se abriu? Cheongyeon deu de ombros sem vergonha.
— Eu disse para você não me ver esta semana. Sentiu minha falta de repente ou algo assim?
— Tudo bem não se encontrar, mas todo mundo que me fala sobre o senhor diz uma coisa diferente. O senhor está descansando confortavelmente em casa, mas dizem que está em uma viagem de negócios distante, ou na empresa. Não acha que as desculpas são esfarrapadas demais?
Cheongyeon não escondeu o tom sarcástico ao retrucar.
— O senhor poderia simplesmente ter dito que não queria me ver. Por que está mentindo? É como se estivesse brincando comigo.
— Não tenho nenhuma obrigação de lhe contar tudo sinceramente, e não quero conversar longamente com alguém que não está em seu juízo perfeito. Eu agradeceria se você pudesse sair da minha casa assim que curar a bebedeira.
Cheongyeon ficou pasmo com a atitude confiante de Do-heon, mesmo depois de ser pego mentindo. O contrato não era uma piada. Ele não ia nem sequer dar desculpas?
— E você também já mentiu inúmeras vezes. Ao longo de todos os últimos três anos.
Além disso, Do-heon virou a seta da culpa de volta para Cheongyeon. Cheongyeon, sentindo uma onda de emoção, perdeu o fôlego por um instante.
— As mentiras que contei naquela época foram por sua causa, ou melhor, porque eu queria parecer bom para o senhor. Mas agora…!
— Agora?
Do-heon ergueu o queixo, como se dissesse para ele falar mais.
— …….
Cheongyeon percebeu um instante atrasado que havia dito algo desnecessário. Era constrangedor e antiquado falar sobre seus sentimentos patéticos do passado na frente dos funcionários.
— Agora não preciso parecer bom, então não pareço. Claro, também tem o contrato…
Cheongyeon hesitou e mordeu o lábio inferior.
— De qualquer forma. Explique direito por que está fazendo isso. Não pense em desconversar. O senhor está me evitando assim porque vai se casar com outra pessoa…
— Na próxima vez. Hoje não.
Do-heon o cortou, batendo o copo vazio na mesa. Então, com uma expressão de quem não queria ouvir mais nada, gesticulou para a funcionária que estava de pé como uma sombra atrás dele.
— Parece que o Yoo Cheongyeon vai ficar bêbado por mais algumas horas e depois vai cair no sono, então prepare um quarto para ele com antecedência.
— Sim, diretor.
Depois de dar as instruções, o olhar de Do-heon voltou para Cheongyeon.
— Não faça mais barulho aqui e fique quieto até de manhã, depois leve o carro de volta quando o motorista vier trabalhar.
— O senhor costumava me chamar de estranho, mas por que de repente está me dizendo para passar a noite? Por que o senhor está decidindo isso? Vou embora sozinho, mesmo que não cure a bebedeira.
Cheongyeon zombou de sua inconstância.
— A casa é minha, então eu decido. Não pense em dar um único passo para fora desta casa até curar a bebedeira.
Talvez porque sua voz estivesse mais baixa do que o normal, suas palavras soaram ameaçadoras. Cheongyeon contraiu os lábios, pego de surpresa por suas palavras ditatoriais.
— Não, o que…. O que lhe dá o direito de me impedir de dar um único passo? O senhor vai me amarrar ou algo assim?
— Você acha que eu não consigo?
Do-heon retrucou como se o estivesse alertando. Sua expressão estava mais intimidadora e afiada do que nunca. À primeira vista, parecia que ele estava com raiva.
— …….
Foi a primeira vez que ele o ameaçou assim, e Cheongyeon congelou no lugar, de frente para ele. Ele podia sentir claramente que ele não estava apenas brincando.
Os funcionários, que vinham ouvindo a conversa deles com a respiração presa, também ficaram surpresos, e um suspiro pôde ser ouvido ao redor deles.
Enquanto Cheongyeon estava congelado, Do-heon varreu as pessoas que estavam ali paradas com olhos frios, depois subiu de volta para o seu quarto.
Cheongyeon, sentindo uma sensação de alienação diante do silêncio pesado na sala de estar, tardiamente recuperou os sentidos e engoliu em seco.
As palavras que acabara de ouvir eram chocantes, mas ele também estava preocupado porque sentia que o estado de Do-heon não era bom. Enquanto olhava fixamente para o segundo andar com preocupação, a funcionária se aproximou dele.
— Vou arrumar o quarto de hóspedes no primeiro andar para que o senhor possa dormir confortavelmente. O diretor me disse para não ir ao segundo andar, então acho que o senhor não deveria entrar no quarto que costumava usar hoje.
Ela falou calmamente, como se estivesse tentando acalmar Cheongyeon. Cheongyeon, que estivera avoado por um momento, logo recuperou os sentidos e segurou o braço da funcionária.
— Senhora. Venha aqui um segundo.
— Sim?
Cheongyeon levou a funcionária para a área de serviço sem explicar nada. Então, olhou fixamente para ela, a ponto de deixá-la desconfortável.
— Me diga a verdade. O Moon Do-heon está se encontrando com outra pessoa agora? Ele está se preparando para um casamento recentemente…
— Como? Não! Do que o senhor está falando? Absolutamente não.
Antes mesmo que a pergunta fosse concluída, ela deu um pulo e negou veementemente. Como se Cheongyeon tivesse dito algo que não deveria. Mas ela permaneceu em silêncio sobre o que exatamente estava acontecendo com Do-heon.
— …….
Como sempre, Moon Do-heon e as pessoas que trabalhavam nesta casa não lhe contavam nada. Por isso, quando Cheongyeon estava entre eles, sentia-se como se tivesse se tornado uma existência isolada, como uma ilha.
Era um lugar que consistentemente despertava sentimentos desagradáveis.
— Então vou lhe perguntar mais uma coisa. O Moon Do-heon está doente?
— Não posso simplesmente dizer nada sobre o diretor.
— Encontrei isso enquanto revirava a área de serviço mais cedo.
Cheongyeon tirou uma receita médica que havia encontrado por acaso enquanto descia para procurar um saco de lixo. O papel listava vários tipos de medicamentos receitados para Do-heon.
— Ah, não, por que isso está aqui…
Ele pensou em perguntar diretamente a Do-heon, mas Cheongyeon julgou que seria mais fácil persuadir a funcionária e descobrir o que estava acontecendo do que questioná-lo.
No entanto, a funcionária abaixou a voz e balançou a cabeça com firmeza.
— Isso é algo sobre o qual não posso lhe falar. O senhor sabe que são informações pessoais do diretor.
— A senhora não pode falar sobre isso porque são informações pessoais? Mas por que falou sobre isso de forma tão descuidada antes?
— Do que o senhor está falando com esse “antes”…
— Quando recebi alta do hospital e fiquei trancado no meu quarto.
Cheongyeon trouxe à tona um passado que nem queria lembrar para pressionar a funcionária.
— Vocês estavam todos conversando alegremente aqui com outras pessoas. Dizendo que o Moon Do-heon teve uma refeição com outro Omega, que eu seria expulso porque era infértil.
— Cheongyeon, isso é…
— A senhora sabe que fui diagnosticado com infertilidade na época e fiquei deitado por dez dias, certo? Vocês estavam todos reunidos na sala de estar e conversando tão bem naquela época, então por que não podem falar agora? Acha que sou fácil de passar para trás?
A funcionária, entendendo o que Cheongyeon estava dizendo, não conseguiu encontrar as palavras para responder e abriu e fechou os lábios.
Depois de organizar seus pensamentos por um momento, ela limpou a garganta e mal conseguiu abrir a boca.
— Aquele dia… aquilo foi claramente um erro meu. Se eu soubesse que o senhor estava ouvindo, nunca teria falado daquela forma. Sinto muito de verdade.
— A senhora sabe que me divorciei por causa do que disse naquela época?
— …….
— Acha que o Moon Do-heon vai deixar passar se eu contar isso a ele?
Ele se sentia desconfortável tentando encurralar alguém muito mais velho que ele como se a estivesse ameaçando, mas não havia outra forma agora.
— Vou fingir que não sei sobre isso pelo resto da minha vida, então vamos trocar uma coisa por outra e considerar que estamos quites. Apenas me diga o que há de errado com o Moon Do-heon, o tanto que a senhora souber. Ele está doente de tanto trabalhar? Ou é a sequela do acidente? Insônia?
A funcionária pareceu profundamente abalada com as palavras de que ele havia se divorciado por causa dela, mas não respondeu prontamente às perguntas de Cheongyeon.
— Ou será que devo subir para o segundo andar agora mesmo e contar a verdade a ele?
— É um desequilíbrio no ciclo do rut.
Naquele momento, a mulher chamada Juseyoung, que estava de pé ao longe ouvindo a conversa dos dois, de repente se intrometeu.
Cheongyeon inclinou a cabeça diante do termo desconhecido que nunca havia considerado.
— Desequilíbrio no ciclo do rut?
— Juseyoung!
A funcionária a repreendeu com urgência, levando o dedo à boca e fazendo um gesto para ela ficar quieta. No entanto, Juseyoung protestou como se estivesse sendo injustiçada.
— O que eu deveria fazer se estamos prestes a ser demitidas se não dissermos isso agora?
— Me conte mais sobre isso. É grave?
— Bem, somos Betas, então não sabemos muito, mas… de acordo com o médico que fez uma visita recentemente, o diretor vem suprimindo o seu rut há três anos, então há uma anormalidade na função dos seus feromônios.
— …….
— As outras dizem que não há necessidade de contar ao Cheongyeon, mas, honestamente, acho que o Cheongyeon deveria saber sobre isso, mesmo que ninguém mais saiba.
— Juseyoung! Já chega dessa conversa presunçosa. Não vou deixar isso passar.
— Senhora, sinto muito de verdade, mas a senhora sabe que não tem o direito de dizer isso agora, certo?
Quando Cheongyeon a repreendeu em voz baixa, a funcionária fechou a boca e evitou o olhar dele.
Enquanto isso, Cheongyeon pensou seriamente sobre o ciclo do rut de Do-heon.
Pensando bem, ele alguma vez já vira o rut de Do-heon? Ele sempre se preocupara apenas com os seus próprios feromônios e ciclos de calor, mas unca considetou o ciclo de Do-heon. Nem uma única vez.
Ele havia acreditado firmemente, de forma inconsciente, que Do-heon era um dominante, ao contrário dele, então não haveria problemas.
Mas o Do-heon ter um desequilíbrio de feromônios? Foi por isso que ele inventou mentiras ridículas e adiou os encontros deles?
Cheongyeon relembrou o rosto de Do-heon que vira há pouco. Sua voz estava rouca e ele parecia um tanto sensível, mas não parecia estar com muita dor…
Por que ele nunca havia perguntado a Do-heon sobre o seu rut?
Ao tomar conhecimento da notícia inesperada, seu coração afundou pesadamente. Quando pensava sobre isso, Cheongyeon sempre se considerara a vítima em sua relação com ele. Ele nunca imaginara que seu casamento com ele causaria problemas para Do-heon, então o choque foi ainda maior.
Cheongyeon olhou silenciosamente para a receita, depois subiu de volta para o segundo andar. Ouviu a funcionária chamando por trás, mas não tinha energia para responder a cada uma.
Cheongyeon, que correu para a frente do quarto de Do-heon em um fôlego só, bateu na porta de forma imprudente.
Toc toc toc toc.
— Diretor. Vamos conversar.
No entanto, desta vez também, não houve resposta do lado de dentro. Cheongyeon chamou urgentemente o nome de Do-heon mais algumas vezes. O pensamento de que tinha que checar diretamente se ele estava bem vinha primeiro.
Ele não sabia por que ele estava bem ao sair do quarto há pouco, mas ficou quieto assim que entrou.
A sensação de suas entranhas queimando ficou mais forte, e sua boca parecia seca. Depois de chamá-lo ansiosamente, Cheongyeon parou um momento para recuperar o fôlego e encarou a porta.
— Se o senhor não abrir a porta agora, vou sair sozinho assim e caminhar todo o caminho até em casa.
Mesmo que não houvesse garantia de que Do-heon se importaria com isso, Cheongyeon gritou com confiança. Era puramente uma ameaça próxima da audácia.
— …….
O outro lado da porta continuava em silêncio. Repentinamente envergonhado, Cheongyeon suspirou. Ele tinha que aceitar que ele não tinha a intenção de conversar com ele até o fim.
Depois de hesitar por mais alguns segundos, ele estava prestes a recuar contra a vontade. Foi quando a porta firmemente fechada se abriu de repente.
Ao mesmo tempo, um feromônio espesso que ele nunca havia experimentado antes penetrou em seu corpo.
Cheongyeon olhou para Do-heon, que estava parado em frente à porta, com uma expressão surpresa. Ele definitivamente não sentira nada até um momento atrás, mas agora os feromônios ricos estavam cobrindo os arredores a ponto de ser difícil respirar.
— Uh…
Assim que Cheongyeon abriu os lábios para dizer algo, Do-heon envolveu a cintura de Cheongyeon com a mão e o puxou para dentro do quarto.
— Ugh!
Antes que pudesse se ajustar à sensação de seu corpo cambaleando por causa do braço firme, ele ouviu o som da porta se fechando com força!
Cheongyeon olhou para Do-heon, que o puxara para dentro do quarto e o empurrara contra a parede, com uma expressão atordoada.
— Diretor…?
— Eu lhe disse. Fique quieto até curar a bebedeira e depois vá embora.
Do-heon murmurou com uma voz assustadoramente baixa.
No entanto, Cheongyeon não conseguiu entender suas palavras imediatamente. Os feromônios avassaladores de Alfa, que não apenas cobriam sua pele, mas também penetravam em seus órgãos sensoriais, o deixaram nauseado. Ele não conseguia se mover um centímetro, como se estivesse amarrado.
— Hah, espere um minuto. Diretor, os seus feromônios estão muito…
— É tarde demais.
Do-heon olhou diretamente para Cheongyeon com olhos que eram claramente diferentes do que ele vira na sala de estar. Nos olhos que ele enfrentava, a luxúria não liberada rodopiava perigosamente. Era como se ele não fosse o Do-heon que costumava conhecer.
Enquanto ele jogava o cabelo para trás de forma rude, Cheongyeon deu um passo em direção ao espaço vazio para se afastar de Do-heon.
No entanto, Do-heon alcançou o confuso Cheongyeon e pressionou seu corpo para perto. Mesmo sabendo que Cheongyeon estava muito assustado, ele não interrompeu suas ações rudes de empurrá-lo.
Cheongyeon, que estava recuando por instinto, tropeçou em algo e desabou.
— Ah!
Felizmente, havia uma cama atrás dele, então ele caiu no colchão macio.
Do-heon soltou um suspiro curto e olhou para baixo para Cheongyeon, que havia se sentado impotente na cama por conta própria.
— Diretor, espere um minuto. Vamos conversar…. O senhor pode pelo menos controlar os seus feromônios? Por favor?
— Você deveria ter ido embora calmamente quando eu disse que mandaria você de volta.
— Não consigo, não consigo respirar agora. O que, isso é estranho…
— Aguente. A culpa é sua.
Do-heon empurrou o ombro de Cheongyeon com a ponta dos dedos. Então seu corpo virou como um pedaço de papel esvoaçante.
Cheongyeon não conseguia dar nenhuma força ao seu corpo. Estava mole como se ele não fosse seu. Os feromônios haviam tirado completamente sua energia para se submeter diante do Alfa.
— Ugh… ah…
Do-heon subiu em cima de Cheongyeon, que havia caído na cama sem conseguir reunir forças. E ele olhou para baixo para o corpo trêmulo sob ele como se o devorasse.
— Eu avisei você com antecedência. Você não consegue lidar com o meu rut.
Do-heon, que estava sempre densamente coberto de razão, não estava em lugar nenhum, e apenas uma voz imersa em desejo ecoou no quarto.
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Continua….
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✦ Tradução, revisão e Raws: Faby&Belladonna