↫─Capítulo 46
Capítulo 46
— Mas parece que você nem assistiu. Achei que tivesse ido com Doheon.
— O Doheon-ssi estava ocupado com o trabalho naquele dia, então não pôde ir.
Cheongyeon mentiu calmamente.
Embora o último aniversário de Cheongyeon tivesse sido em um fim de semana, Doheon não saiu do quarto o dia todo. Cheongyeon, que ficou esperando por ele na sala de estar, acabou dormindo, então eles não conseguiram nem assistir a um filme, muito menos fazer qualquer outra coisa. Não havia como ele se lembrar do título do filme naquela situação.
Não era possível ao menos ir dar um oi de manhã no dia do meu aniversário? Olhando para trás, Cheongyeon se sentiu vazio, percebendo que Doheon não era apenas indiferente de várias maneiras, mas também completamente desinteressado nele. E, ainda assim, ele gostava dele há três anos.
— Eu nunca soube disso.
Cheongyeon teve vontade de dar uma cabeçada em Doheon por causa de seu tom questionador, cheio de dúvidas.
Você não sabia porque não estava interessado. Por que está perguntando?
— Eu não te contei porque você parecia ocupado, Doheon-ssi.
— É aquele maldito trabalho de novo? A quem esse bastardo puxou para ser tão desalmado? Tsc, tsc.
A avó estalou a língua como se já esperasse por isso. Se Doheon estivesse mais perto, teria levado um tapa nas costas.
— Tudo bem. Podemos ir ver na próxima vez.
Cheongyeon a acalmou com um sorriso de Buda. De qualquer forma, tudo aquilo já estava no passado. Foi tão perturbador que ele nem conseguiu comer direito por dias, mas todos esses sentimentos haviam sumido, e ele não sentia nada mesmo ouvindo sobre isso agora. Ele apenas sentia pena de seu eu do passado.
Bem naquela hora, a comida chegou, e a conversa sobre o filme terminou ali. Assim que Cheongyeon viu a massa e o bife na mesa, ele rapidamente se concentrou em comer.
Ele vinha se alimentando mal ultimamente por estar ocupado com trabalhos de meio período por alguns dias, e agora suas mãos e pés tremiam quando sentia fome. Cheongyeon pensou que deveria encher o estômago enquanto estivesse comendo fora.
— Cheongyeon está comendo rápido hoje. Vai se engasgar. Vocês dois não tomaram café da manhã?
— Não, não tomamos.
— Eu tomei.
Cheongyeon e Doheon responderam quase simultaneamente à pergunta da avó. Eles moravam na mesma casa e deveriam estar tendo uma boa vida de casados, mas quando suas afirmações colidiram, a avó franziu a testa.
Cheongyeon engoliu rapidamente a comida na boca e se corrigiu.
— Pensando bem, eu comi algo simples…
— Na verdade, eu estava ocupado demais para comer.
No entanto, Doheon também falou ao mesmo tempo, os dois se desencontrando até nisso. Cheongyeon olhou de soslaio para Doheon, que estava sentado ao seu lado. Por que ele estava respondendo de forma tão diligente hoje, quando geralmente ficava de boca fechada e sentado quieto?
— Vocês dois estão zombando de uma velha? Do que estão falando?
— Na verdade, eu dormi demais e não comi, mas o Doheon-ssi deve ter comido nesse meio-tempo. Ele nem me acordou e comeu sozinho… hahaha.
— Antes de ir para a América, preciso dizer para a senhora da cozinha cuidar bem do Cheongyeon. Não consigo confiar nesse bastardo do Moon Doheon.
— América?
Cheongyeon inclinou a cabeça e perguntou de volta, ouvindo aquilo pela primeira vez. Então a avó encarou Doheon e franziu a testa.
— Você ainda não contou para o Cheongyeon?
— Eu ia fazer isso hoje.
— Droga, ele não faz nada direito.
— Vovó, América? O que está acontecendo?
Cheongyeon olhou de um lado para o outro entre Doheon e a avó, instando-os a responder. Doheon manteve a boca fechada como se a tivesse colado.
A avó acenou com a mão, dizendo que estava cansada de falar sobre aquilo de novo, já que já tinha contado para as pessoas várias vezes, e o assistente ao lado dela explicou a situação em seu lugar.
Em resumo, a doença crônica da avó era difícil de tratar na Coreia, o que era uma grande preocupação, mas felizmente resultados positivos de pesquisas surgiram nos Estados Unidos no mês passado, então ela iria para os Estados Unidos para tratamento em caráter de urgência.
— Então, quando a senhora vai?
— Vou na próxima semana, então você não precisa vir em casa aos sábados por um tempo.
— Ah…
Então era por isso que ela queria comer fora hoje. Cheongyeon parou suas mãos ocupadas e largou o garfo que segurava.
Mesmo considerando a idade da avó, o fato de ela ter tomado uma decisão tão repentina significava que sua saúde não estava melhorando.
Cheongyeon se ressentiu com Doheon por não ter lhe contado sobre esse assunto importante com antecedência. Mas, estritamente falando, ele não era mais um membro de sua família, então talvez Doheon não tivesse sentido necessidade de lhe contar.
Cheongyeon suspirou e encarou Doheon. Graças a ele, tinha perdido o apetite. Havia muitas coisas que ele queria perguntar sobre a saúde da avó, mas ela não parecia gostar muito disso. Ele não teve escolha a não ser continuar a conversa sobre outro assunto, mas seu humor não melhorou.
— Vamos tirar uma foto juntos ali antes de ir para casa. As flores estão tão lindas.
Após a refeição, os três decidiram dar uma volta de carro por perto juntos, de acordo com o desejo da avó.
Antes que ele pudesse se sentir desconfortável, a avó disse para Doheon parar o carro.
— Vamos ver as flores naquele campo de flores.
Doheon imediatamente parou o carro no acostamento e pegou a cadeira de rodas.
Cheongyeon, que estivera preocupado com pensamentos sérios por um tempo, sentiu sua mente inquieta se acalmar um pouco ao ver o vasto campo de flores. Ele não seria capaz de vê-la enquanto ela estivesse nos Estados Unidos, mas era melhor passar um tempo assim agora.
— Este lado parece bonito. Doheon-ssi, podemos trazer a cadeira de rodas nesta direção?
Cheongyeon apontou para o lugar onde a foto ficaria melhor. Doheon empurrou silenciosamente a cadeira de rodas para o local indicado por Cheongyeon, e o assistente que vinha logo atrás pediu o celular de Cheongyeon, dizendo que tiraria a foto.
— Eu tiro. Um, dois, três.
Doheon e Cheongyeon ficaram de pé, um de cada lado da cadeira de rodas, e o assistente deu o sinal. Depois de tirar fotos de ângulos semelhantes algumas vezes, ele devolveu o telefone para Cheongyeon, dizendo para verificar as imagens.
— Hmm… está faltando alguma coisa.
Talvez esteja focada demais no fundo.
O cenário na foto estava muito bonito, mas as pessoas pareciam rígidas, então foi um pouco decepcionante. Em particular, Doheon ficou parado, ereto demais como uma estátua, criando uma atmosfera artificial. Será que esse humano não sabe que fazer kimchi é a regra ao tirar fotos?
Cheongyeon olhou de relance para Doheon, e este mexeu as sobrancelhas como se perguntasse o porquê. Ele parecia estar perguntando “Que regra?”, então Cheongyeon suspirou. Parecia que só gastaria saliva explicando, por isso Cheongyeon balançou a cabeça.
— Vovó, vamos tirar mais uma foto com esta flor atrás da sua orelha.
Cheongyeon pegou uma flor cujas pétalas mal se sustentavam, balançada pelo vento, e a colocou atrás da orelha da avó. Definitivamente parecia muito mais natural e cheio de vida.
— Vocês deveriam colocar uma também.
— Sim?
— Existe alguma lei que diz que só eu posso colocar? Só é justo se vocês fizerem isso juntos.
A avó insistiu para que Doheon e Cheongyeon colocassem uma flor cada, como se ele próprio não quisesse de verdade.
— Ah, claro. Vou colocar dos dois lados. Doheon-ssi, venha aqui também.
Cheongyeon colocou flores em ambas as orelhas e depois estendeu uma flor para Doheon. Ele pensou que Doheon iria pegá-la e colocá-la sozinho, mas ele inclinou o corpo para se alinhar ao nível dos olhos dele, como se estivesse pedindo para Cheongyeon fazer isso por ele.
— ……
Assustado com a ação inesperada, Cheongyeon hesitou por um momento, depois colocou a flor grande atrás da orelha de Doheon.
— Ficou bom?
— O quê?
Não parando por aí, Doheon até soltou uma piada boba que normalmente nunca faria. Mesmo depois de ver as pupilas assustadas de Cheongyeon tremerem, ele perguntou de volta com indiferença.
— Ficou bom?
— …Sim, bem. Não ficou ruim.
Gostando ou não da resposta de Cheongyeon, ele se posicionou ao lado da avó e instou o assistente a tirar a foto rapidamente.
Cheongyeon olhou de relance para Doheon diante daquela cena inacreditável. Ele estava encarando a câmera descaradamente com uma flor na orelha.
Para ser sincero, não ficou nada bom, parecia que ele estava louco. Ele estava tendo altos e baixos ultimamente? Por que estava agindo assim?
Cheongyeon caiu na gargalhada com uma expressão estupefata.
— Vou tirar a foto.
Às palavras do assistente, Cheongyeon reflexivamente se deu conta da lente da câmera e sorriu abertamente.
Naquele momento, a brisa suave soprou e varreu Cheongyeon, e ele se sentiu um pouco melhor com o toque de seu cabelo flutuando levemente com o vento.
Logo, Cheongyeon colocou a mão no ombro da avó e fez uma pose.
Talvez por ter comido demais, ele sentiu sono assim que entrou no carro de Doheon para ir para casa. Cheongyeon tirou a aliança de casamento, entregou-a a Doheon como de costume e afivelou o cinto de segurança.
No entanto, depois que o carro deu a partida e ele pensou nas coisas que tinha que fazer a partir de amanhã, o sono sumiu. A notícia de que a avó iria para a América na próxima semana também fora inesperada, e a realidade diante dele fluía de forma sombria demais.
Continua…
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✦ Tradução, revisão e Raws: Faby&Belladonna