↫─Capítulo 36
Capítulo 36
Cheongyeon mordeu o lábio inferior com a cabeça bem abaixada pela dor de cabeça latejante.
Como se toda aquela energia de antes tivesse sido uma mentira, suas forças se esvaíram em um instante, deixando-o sentindo-se vazio.
— É verdade. Não é mais o seu trabalho.
— Se você sabia, deveria ter dito antes.
— Mas você gostava, não gostava?
— Gostava, mas…
Cheongyeon passou a mão pela testa, refazendo os próprios pensamentos.
Tinha que admitir, era bom quando Doheon acrescentava até uma única palavra ou quando sentia que estava influenciando-o, mesmo que fosse da maneira mais ínfima.
É claro que não mais.
— Já cansei faz tempo.
— Já cansou faz tempo.
Como um papagaio, Doheon repetiu as palavras de Cheongyeon ao pé da letra. Era quase um solilóquio.
Depois de um momento de silêncio, Doheon falou primeiro.
— Vou descer e buscar um remédio para ressaca. Espere um pouco aqui.
— Tudo bem. Na verdade, estava prestes a ir para casa. Estou com tanto sono… e minha cabeça continua doendo…
— Onde fica sua casa?
— Minha casa. Eu… me mudei recentemente, minha casa…
Doheon não disse mais nada, mas pegou Cheongyeon no colo e o carregou de volta para o quarto. Cheongyeon não acordou até ser deitado na cama e aconchegado. A julgar pela respiração regular, parecia ter caído em um sono profundo em pouco tempo.
…E dormiu tranquilamente assim até de manhã. Quando os acontecimentos do dia anterior vieram à tona de repente, Cheongyeon rodou os olhos, tentando esconder o constrangimento.
— Quando você acordou?
— …Há pouco tempo.
— Como está se sentindo?
— Acho que estou… mais ou menos bem.
Sua cabeça ainda latejava e seu estômago estava embrulhado, mas era suportável. Mais do que qualquer coisa, estava feliz que o ciclo de calor havia terminado completamente.
Se suportasse sem tomar remédio, os sintomas durariam de quatro a sete dias, mas havia voltado ao normal em menos de dois. Parecia que o sexo com um Alfa era realmente a forma mais eficaz de lidar com isso.
Já que não podia engravidar de qualquer forma, não havia necessidade de se preocupar com contracepção agora. Cheongyeon decidiu descartar sua noite com Doheon como um erro e seguir em frente.
— E suas costas?
Cheongyeon, que estava prestes a perguntar se ele sabia onde estava o celular, pausou com as palavras de Doheon.
— Minhas costas ainda estão… um pouco doloridas.
— Dei a você um analgésico quando você adormeceu ontem à noite. Tome outro.
— Não está tão ruim a ponto de precisar de remédio. Mas você viu meu celular? Estava tão fora de mim ontem que não me lembro onde o coloquei.
Queria encontrar o celular rapidamente e escapar desta casa. Havia se ridicularizado tanto por causa do ciclo de calor, e se sentia constrangido em falar com ele.
Que tipo de audácia o havia possuído para beber uma garrafa inteira de vinho sozinho? Se ao menos aquela coisa cara não tivesse um sabor tão bom para o preço…
— Se não se importar, entre aqui por um momento.
Doheon indicou com o queixo enquanto fechava os botões do punho da camisa. Cheongyeon o observou com desconfiança e entrou no quarto com cautela.
— Seu celular.
— Ah, obrigado.
— Leve isso também.
Junto com o celular, Doheon lhe entregou uma sacola de compras que já era familiar.
— Isso é…
Era o conjunto de joias que havia visto no dia em que exigiu o divórcio. Fosse verdade ou não, havia ouvido dizer que Doheon o havia comprado para outro Ômega.
— Por que está me dando isso?
Cheongyeon pegou apenas o celular, colocou-o no bolso e recuou, encarando Doheon. Doheon colocou a sacola de compras no console bem ao lado dele.
— Porque comprei para você.
— Quando você comprou?
— Dois dias antes de você dizer que queria o divórcio.
— ……
A expressão de Cheongyeon ficou mais fria. Era difícil acreditar nas palavras de Doheon.
Comprou para mim? Não fazia sentido que ele tentasse dar algo assim de presente para alguém que tinha acabado de receber alta do hospital e não conseguia sair da cama.
— Por que comprou uma aliança de todas as coisas? Não era o meu aniversário nem aniversário de casamento.
— A razão importa?
Doheon deu de ombros e perguntou de volta. Era como se estivesse dizendo “por que não?”, o que deixou Cheongyeon sem palavras.
O Doheon que Cheongyeon conhecia não teria razão para mentir para ele. Era um homem terrivelmente seco e distante, mas não era mentiroso.
— Então, você simplesmente comprou sem pensar?
— Você tinha recebido alta do hospital e continuava se sentindo fraco. Pensei que talvez você se sentisse melhor se recebesse algo.
— …Sério, você comprou isso por uma razão tão simples?
Não era algo que tinha intenção de dar a outro Ômega, mas algo que havia realmente comprado para ele?
Cheongyeon fixou o olhar intensamente no rosto de Doheon. Ele era incapaz de se conectar com outras pessoas? Ele ao menos sabia o que era conforto? Naquela época, ele não estava em um estado em que poderia ficar feliz em receber algo assim.
É claro que o antigo Yoo Cheongyeon… teria ficado feliz em receber qualquer coisa e teria sido sinceramente grato, mesmo que Doheon lhe tivesse dado uma folha que catou da rua como presente.
Mas ainda assim, dar joias a um cônjuge que havia sido diagnosticado com infertilidade sem uma palavra de conforto era muito equivocado.
Mesmo depois de ouvir a razão da própria pessoa, Cheongyeon não conseguia entender a forma de pensar de Moon Doheon. Nenhuma parte dela.
Em vez de sair para comprar algo assim, deveria ter ido ao quarto dele e perguntado se estava bem. Ainda estava chateado por ele não ter ido procurá-lo nem uma única vez em dez dias porque havia dito a todos para não entrarem.
Ao mesmo tempo, ficou reafirmado de que Moon Doheon e Yoo Cheongyeon não eram uma boa combinação.
— Não preciso disso.
— Leve. Comprei para você, então é inútil para mim se você não levar.
— Então peça o reembolso.
— Se não vai levar, jogue fora.
— Como posso jogar fora algo tão caro?
— Então não pode simplesmente aceitar quieto?
— Fico inquieto. Se quer jogar fora tanto assim, jogue você mesmo. Junto com as minhas coisas no meu quarto.
Cheongyeon aproveitou a oportunidade para mencionar os pertences que havia deixado nesta casa.
— Por que você colocou minhas coisas de volta lá afinal? Achei que você ia jogar tudo fora naquele dia.
Doheon verificou a hora, pegou o paletó que estava pendurado no encosto da cadeira e o vestiu.
— Não é mais seu, é? Vou cuidar disso.
E essa era a afirmação absurda que ele fez. Já que Cheongyeon mesmo havia deixado todas as suas coisas para trás, significava que ele não deveria mais interferir.
— Por quê? Você está relutante em jogar fora quando chega a hora?
— Digamos que seja isso.
— Haa…
Cheongyeon ficou tão perplexo que não pôde deixar de suspirar. E encarou as roupas que estava usando com uma expressão sufocada.
Para ser mais preciso, as roupas que ele mesmo havia escolhido na noite passada em um estado de embriaguez.
— ……
Os dois estavam divorciados. Isso significava que eram completos estranhos. Essa situação de se encararem assim e esse tipo de relacionamento não era normal. Onde diabos as coisas foram dando errado?
Como deveria aceitar o comportamento irracional de Doheon, tão diferente do seu habitual eu distante e racional? Ele simplesmente queria atormentá-lo?
— Honestamente, fico desconfortável e é difícil para mim quando o Diretor-nim age assim. O fato de que meus rastros ainda estão aqui… Não moro mais nesta casa.
— Volte. Então será onde você mora, então não haverá problema com suas coisas estando aqui.
Doheon, que estava colocando o relógio, olhou para baixo para Cheongyeon e disse. Com uma arrogância que ia até os ossos.
Os punhos de Cheongyeon se fecharam com o tom de comando de Doheon, que o tratava como um subordinado, como o antigo Yoo Cheongyeon.
— Por que eu faria isso? Foi o Diretor-nim quem se divorciou de mim. Você mesmo carimbou os documentos. Está fazendo um protesto ou algo assim? Por que de repente quer morar junto de novo?
Conforme falava, foi se lembrando daquele dia novamente. E da miséria que havia sentido então.
Havia se sentido terrivelmente vazio, mas a lição que aprendera naquele dia foi muito valiosa para Cheongyeon. Não podia ser o cônjuge certo para Doheon. Desde o início, os dois não eram destinados a ficar juntos.
Só havia percebido isso três anos depois.
— Você foi quem ligou para o agente e carimbou os documentos sem hesitar naquele dia. Sem pedir nem uma razão, sem nem fazer contato visual adequado… como se fosse tudo bem alguém como eu desaparecer imediatamente. Você se divorciou de mim assim!
A voz de Cheongyeon foi gradualmente se elevando.
— Me diga. Por que está fazendo isso comigo agora!
— No hospital.
Doheon deu um passo mais perto de Cheongyeon, que estava gritando. A distância entre eles, que havia sido bastante grande, se estreitou em um instante.
— Você saiu do seu quarto dez dias depois de receber alta do hospital. A primeira coisa que disse com um rosto que parecia que estava morrendo foi que queria o divórcio.
— ……
— Diante de um rosto tão mirrado e prestes a desmaiar, eu. Deveria ter te ameaçado, dizendo que você não pode sair desta casa e nem sonhe com o divórcio?
A voz monótona e baixa de Doheon ecoou ominosamente no quarto.
— Deveria ter feito algo assim?
Doheon inclinou a cabeça e deu mais um passo, como se estivesse ameaçando Cheongyeon. Agora os dois estavam tão próximos que seus rostos se tocariam se se inclinassem mesmo que levemente.
— Há algo que também quero lhe perguntar.
À medida que a distância entre eles ficou mais próxima, um olhar inquieto apareceu no rosto de Cheongyeon. Como uma presa sendo caçada, seus olhos castanhos tremiam incessantemente.
— Se eu tivesse pedido a razão do divórcio naquele dia, você teria considerado desfazê-lo? Me diga.
Continua…
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✦ Tradução, revisão e Raws: Faby&Belladonna