↫─Capítulo 35
Capítulo 35
Cheongyeon suspirou e esfregou as pálpebras pesadas. Esperava nunca mais ter que voltar a este quarto enquanto se levantava, mas de repente sua visão girou e sua vista ficou de cabeça para baixo.
— Ugh, minha cabeça!
Fosse ressaca ou não, sua cabeça parecia estar se partindo. Ficava bem se ficasse deitado, mas qualquer movimento leve do corpo era seguido por uma dor de cabeça terrível, como se alguém tivesse enfiado uma agulha em sua têmpora.
— Que loucura. Por que bebi todo aquele vinho…
Por que fiz isso? Cheongyeon se amaldiçoou e saiu da cama engatinhando. Ele se perguntou se o ditado de que as pessoas se tornam cachorros quando bebem foi feito para esse momento.
Cheongyeon, que mal conseguiu se levantar, verificou a hora. Era um pouco antes das sete da manhã. Ainda assim, tinha sorte de ter acordado cedo porque foi dormir em um horário razoável ontem.
Pensou em simplesmente ir embora, mas infelizmente não conseguia encontrar o celular. Parecia que teria que perguntar diretamente a Doheon, embora relutasse.
— Quando adormeceu? Ele poderia simplesmente ter me acordado. Haa.
Que constrangimento ficar bêbado por dois dias seguidos e dormir na casa do ex-marido divorciado. Cheongyeon saiu do quarto o mais silenciosamente possível para não sentir a dor de cabeça.
Doheon provavelmente estaria se vestindo no seu quarto a essa hora. Era uma pessoa muito pontual, então devia estar apenas colocando a camisa.
Cheongyeon ficou em frente à porta de Doheon e bateu brevemente.
— Entre.
Uma resposta veio de dentro imediatamente. Cheongyeon suportou o leve latejo nas têmporas e girou a maçaneta. Então, encontrou seus olhos no espelho enquanto ele estava ajustando a gravata.
Já estava usando uma camisa, mas não era muito diferente do que havia imaginado em frente à porta.
Cheongyeon hesitou sem entrar diretamente no quarto, depois ficou olhando fixamente para o terno que estava usando.
Sinto que já vi aquilo em algum lugar…
No momento em que Cheongyeon inclinou a cabeça, perdido em pensamentos, de repente se lembrou do que havia acontecido ontem.
Doheon estava assistindo a um filme no sofá da sala de estar quando pegou Cheongyeon, que havia adormecido, e o deitou no quarto do segundo andar. Ele estendeu a mão para cobri-lo com um cobertor, mas Cheongyeon, que havia desmaiado bêbado, de repente abriu os olhos.
Cheongyeon se sentou como se estivesse se perguntando quando havia adormecido.
— Você não estava dormindo?
— Não estava dormindo. Por que eu dormiria aqui?
Depois de responder tão claramente, Cheongyeon empurrou Doheon para o lado e saiu da cama.
— Yoo Cheongyeon?
Doheon ficou surpreso e o seguiu enquanto ele abria subitamente a porta e saía a passos largos. Sem responder, Cheongyeon foi em direção ao quarto de Doheon.
— Aquele é o meu quarto.
— Eu sei.
Cheongyeon entrou no quarto sem permissão e passou pela cama em direção ao closet de Doheon, que estava conectado ao quarto, com passos familiares.
Se não fosse pelos passos ligeiramente vacilantes, parecia tão normal que era difícil acreditar que estava bêbado. Doheon assistiu em silêncio, com a intenção de ver o que Cheongyeon estava fazendo.
Cheongyeon abriu com força o maior armário no centro do closet.
— Sabia.
Cheongyeon murmurou com uma voz arrastada enquanto olhava para o interior vazio.
— Por quê.
Doheon, que estava encostado na entrada do closet, perguntou. Então Cheongyeon apontou para o armário vazio e estalelou a língua.
— Não tem um único terno. Deveria estar lotado aqui.
Só então Doheon entendeu o que Cheongyeon estava dizendo. Nunca haviam prometido explicitamente um ao outro, mas implicitamente, Cheongyeon sempre havia preenchido aquele armário desde que eram recém-casados.
— Você costumava fazer isso.
Com as palavras de Doheon, o olhar de Cheongyeon se voltou para o armário vazio.
Uma vez por semana, Cheongyeon escolhia pessoalmente as partes de cima e de baixo que Doheon usaria para ir ao trabalho e as organizava no armário no centro do closet.
Doheon também usava as roupas que estavam penduradas ali para ir ao trabalho sem reclamar durante toda a vida de casados.
A razão pela qual Cheongyeon começou a interferir nas suas roupas era muito simples. No início do casamento, Cheongyeon estava insatisfeito por não conseguir ver o rosto de Doheon frequentemente devido às chegadas tardias e agenda agitada. Além disso, o fato de usarem quartos separados como questão de rotina.
Além disso, Doheon nunca ia ao quarto de Cheongyeon primeiro a não ser que tivesse um motivo específico, então Cheongyeon inventava desculpas para ir até ele.
Naquela época, gostava tanto de Doheon, e queria vê-lo o dia todo. Olhando para trás, era intenso, mas naqueles dias, a rotina diária de Cheongyeon era quebrar a cabeça para criar oportunidades de encontrar Doheon naturalmente.
O método que havia pensado era visitá-lo sob o pretexto de organizar o visual de trabalho de Doheon. É claro que era difícil controlar seus feromônios se estivesse muito próximo de Doheon, então ia principalmente e organizava quando Doheon não estava no quarto.
Como resultado do seu esforço em escolher roupas, Doheon usava os ternos que Cheongyeon pendurava no armário sem reclamar.
Cheongyeon dizia que as roupas ficavam bem nele, e explicava em detalhes que roupas pediria na semana seguinte sempre que tinha oportunidade. Doheon não reagia bem a tópicos de conversa tão triviais, mas pelo menos não os ignorava.
Naquela época, até uma rotina diária tão pequena era tão empolgante e boa. Era uma época em que seu coração ficava flutuando o dia todo só porque ele usava as roupas que havia escolhido para ir ao trabalho.
Tudo é inútil agora, mas era assim naquela época.
— É verdade. É meu trabalho, certo.
Cheongyeon, que havia se lembrado das memórias antigas, concordou tardiamente em um tom lento.
— Fico feliz que saiba.
— Devo pendurar algumas roupas agora?
— Boa ideia.
Doheon não impediu Cheongyeon de vasculhar o closet no meio da noite para escolher um visual de trabalho. Em vez disso, até abriu outros armários ele mesmo como se estivesse dando as boas-vindas.
Cheongyeon ficou animado com o fato de que ele, que sempre o ouvia ou não, estava dando margem para ele.
Cheongyeon vasculhou o closet dele um por um pela primeira vez em muito tempo e escolheu as roupas que usaria por uma semana. Ocasionalmente, quando cambaleava pela embriaguez e perdia o equilíbrio, Doheon vinha e o endireitava para que não caísse.
Como não havia comprado novas, não havia roupas novas no closet. Todas foram compradas antes do divórcio.
Cheongyeon tirou algumas camisas que pareciam as melhores entre elas e as segurou na frente de Doheon.
Doheon esperou quietamente como se fosse combinar.
— Qual você acha que fica melhor?
— Não sei.
— Sabia que você diria isso.
Ele tinha um pouco mais de iniciativa, mas a reação de Doheon ainda era fraca. Cheongyeon fez beicinho, resmungando. Sua cabeça estava muito tonta e sua visão não estava muito clara devido à influência do vinho, mas Cheongyeon não ligava.
— Seria bom se você mantivesse o cabelo solto assim…
Cheongyeon disse com pesar enquanto olhava para o cabelo de Doheon.
— Fica melhor solto?
— Com essas roupas.
— Então vou ter que soltar o cabelo no dia em que usar essas roupas.
Doheon varreu o próprio cabelo caído e acrescentou.
Por que está ouvindo tão bem hoje? Cheongyeon, de bom humor, sorriu abertamente e acenou com a cabeça. Então foi para o lado dele e tagarelou.
— Bom. Então que tal ir ao trabalho por volta das oito da manhã?
— Por quê?
— Porque Doheon-ssi sempre vai ao trabalho às sete e meia, então se eu quiser comer juntos, tenho que acordar cedo demais. E não conseguimos nos ver por muito tempo.
Cheongyeon era um dorminhoco pesado, então não era fácil viver de acordo com o horário matinal de Doheon toda vez.
— Também fico com indigestão porque como o café da manhã muito rápido assim que acordo, e meu estômago fica cheio até o começo da tarde…
— Você tinha indigestão? Quando foi isso?
Cheongyeon inclinou a cabeça e tentou com dificuldade puxar as memórias que estavam submersas no álcool.
— Hm, quase todo dia.
— ……
Doheon não respondeu por um tempo. Fico me perguntando se ele não gostou das roupas. Quando estava prestes a ficar cabisbaixo, pensou, mas agora vou fazer o que quiser, então qual é a importância da opinião dele?
Cheongyeon tirou outra peça de roupa e a segurou na frente de Doheon. Doheon, que havia sido combinado bem como um boneco, não reagiu nada quando ele mostrou algo novo. Não se movia nem um centímetro, ficando imóvel, se perguntando o que estava pensando.
— No que está pensando?
— Estou pensando que devo ir ao trabalho às oito horas daqui para frente.
— Bom. A pessoa com quem você se casar depois ficará feliz.
— O quê?
— Haa, devo escolher sapatos também…
Cheongyeon, que não viu a sobrancelha franzida de Doheon, cruzou os braços e murmurou para si mesmo. No entanto, sentiu seu rosto ficando quente como se estivesse bêbado. Sua visão também estava ficando cada vez mais turva.
Era difícil até mesmo ficar parado. Queria deixar essas roupas para ele e voltar para o quarto para dormir.
Logo antes de pendurar as roupas que havia escolhido por tanto tempo no armário, Cheongyeon tocou a própria testa e sentou no chão.
— Sua cabeça dói?
— Acho que estou bêbado demais…. Ah. Espera.
Como se tivesse percebido algo, Cheongyeon ficou encarando para cima para Doheon, que estava tentando levantá-lo.
— Mas. Isso não é mais o meu trabalho.
— ……
— Por que mentiu dizendo que era meu trabalho?
Sem perceber, sua voz estava cheia de aborrecimento. Não sei por que estou fazendo isso. Não é da minha conta que roupas Moon Doheon usa ou que horas vai ao trabalho.
É por isso que o hábito é tão assustador.
Continua…
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✦ Tradução, revisão e Raws: Faby&Belladonna