↫─Capítulo 14
↫─Capítulo 14
— Não me importa para onde vou. Vou para algum lugar sem você, então me solte!
Cheongyeon gritou no beco como se estivesse em um surto de fúria. O Doheon que ele conhecia já teria recuado a essa altura, mas, por alguma razão, hoje ele estava tentando persuadir Cheongyeon com teimosia.
— Se você não gosta dos outros, não vou chamá-los a partir da próxima semana. Vou garantir que você não esbarre com eles de forma alguma.
Cheongyeon, que vinha caminhando com tanta pressa a ponto de ficar sem fôlego, parou abruptamente. E enfrentou Doheon.
— Por que você está pensando nisso agora? Você achou que eu ficaria feliz em ver os rostos daquelas pessoas e dançaria de alegria? Estou pedindo uma consideração tão grande assim? Por que você está tão ansioso para me atormentar?
— Eu não sabia que você odiaria tanto. Eu nem sabia que eles viriam hoje.
— Haa…
Cheongyeon abaixou a cabeça diante da desculpa que nem parecia uma. Lágrimas que se acumulavam na ponta de seu queixo caíram no chão de concreto.
Cheongyeon não conseguia controlar o tremor de seu corpo. Ele mordeu o lábio inferior, olhando para os dedos dos pés para acalmar a respiração, quando de repente notou a camisa alinhada que estava vestindo.
Uma camisa que ele não queria vestir hoje, mas que Doheon o havia forçado a colocar. Assim que a viu, seu estômago revirou novamente, sem qualquer chance de se acalmar.
Cheongyeon debateu-se como uma pessoa em chamas e a tirou.
— Nem pense em forçar esse tipo de roupa de merda em mim. Você não é mais nada para mim, então o que lhe dá o direito! Não me diga o que vestir ou o que fazer. Vou fazer o que eu quiser, dizer o que eu quiser e vestir o que eu quiser!
Cheongyeon, que havia jogado a camisa no chão como se tivesse um ataque, gritou com a voz chorosa. Ofegando pesadamente no tricô fino, ele encarou Doheon como se quisesse matá-lo, para só então perceber, um segundo depois, que havia falado de forma informal com ele.
Mas Doheon não pareceu se importar muito. Em vez de apontar a fala informal, ele se inclinou e pegou a camisa que Cheongyeon havia jogado. E chamou o secretário Shim para trazer o carro.
— Seu rosto está pálido. Vou para dentro dizer à avó que você precisa ir para casa. Deite-se no carro quando o secretário Shim chegar.
Doheon disse, colocando a mão no ombro de Cheongyeon e fazendo contato visual.
Cheongyeon, que estava gritando como um bastardo maluco até agora há pouco, perdeu o espírito de luta diante daquela atitude excessivamente calma.
Ao contrário de seu desejo de empurrá-lo e caminhar sozinho novamente, não havia mais energia restante em seu corpo. Em primeiro lugar, Doheon segurava seu ombro com bastante firmeza, como se não fosse soltá-lo.
— Responda-me, Yoo Cheongyeon.
— …Não quero.
Você não tem mais o direito de me segurar. Você não tem justificativa para me dizer o que fazer. Então por que está me atormentando de novo?
Várias palavras cheias de ressentimento flutuavam em sua cabeça. Mas suas cordas vocais pareciam ter endurecido como pedra, e parecia difícil espremer uma voz.
— Hoo…
Como se não estivesse gritando e causando um alvoroço há um momento, o corpo de Cheongyeon, que havia perdido a energia em um instante, cambaleou. Se Doheon não o estivesse segurando, ele poderia ter caído. Mas Cheongyeon o empurrou.
Estar perto dele deixava sua respiração instável, em vez de se acalmar com os feromônios dele. Era realmente a pior combinação.
— Diretor.
Naquele momento, um carro familiar parou na frente dos dois. E o secretário Shim saiu do banco do motorista.
— Entre.
Doheon ordenou a Cheongyeon. Cheongyeon recuou como se não tivesse ouvido as palavras.
Doheon, que soltou um breve suspiro, aproximou-se e pegou Cheongyeon no colo em vez de persuadi-lo. Assim que sentiu seu corpo flutuando no ar e braços fortes o envolvendo, Cheongyeon debateu seus membros.
— Não me toque. Apenas me deixe em paz, por favor. Solte…! Se você não me soltar agora, urgh… vou denunciar você à polícia.
Cheongyeon soluçou e empurrou Doheon desesperadamente. Estar ao lado dele o fazia se sentir patético e miserável.
Mas não era o suficiente para escapar completamente de Doheon com suas próprias forças. Mesmo quando Cheongyeon chorou e o ameaçou para que o soltasse, ele o abraçou com mais força, como se não pudesse ouvir nada, e o deitou no banco de trás do carro.
— Para onde devo levá-lo?
— Para o hospital.
— Entendido.
— Não quero! Não quero! Nunca vou. Vou descer aqui. Não quero ir para o hospital!
— ……
— Vou para casa. Deixe-me ir para casa… , por favor.
Cheongyeon soluçou e implorou. Doheon pausou por um momento e então abriu a boca.
— Casa de quem?
— Do Jihan, casa… do Kim Jihan.
— ……
— Qualquer outro lugar, urgh. Não quero ir a nenhum outro lugar.
Cheongyeon, que estava deitado no assento com os olhos cobertos pelos braços, mal emitiu som.
— …Tudo bem.
Doheon olhou para baixo, para Cheongyeon, que chorava e pedia para ser levado para a casa de Kim Jihan em vez de para a sua própria. Logo, sentindo-se sufocado, ele puxou a gravata firmemente amarrada e a afrouxou.
E tirou um lenço do bolso e limpou o rosto de Cheongyeon, que estava deitado com a cabeça em seu colo.
— ……
Cheongyeon, que estivera de olhos fechados e recuperando o fôlego, abriu lentamente os olhos ao toque suave em sua bochecha. Um lenço branco surgiu em sua visão embaçada. Era o mesmo que ele havia colocado na mala quando saiu de casa.
Assim que o viu, as emoções que haviam se acalmado agitaram-se novamente. Seu estômago revirou como se estivesse enjoado pelo movimento do carro.
Cheongyeon fechou os olhos com força novamente e empurrou a mão dele. Era porque sentia que iria se apegar a ele sem perceber se não o fizesse.
Assim que o carro parou em frente ao beco, Cheongyeon abriu a porta e correu para a casa de Kim Jihan como se estivesse fugindo. Mesmo depois de entrar em casa, demorou muito para acalmar seu coração agitado.
Kim Jihan havia deixado um bilhete dizendo que tinha uma consulta dermatológica e havia saído, e Cheongyeon ficou sozinho no quarto, cobrindo-se com um cobertor e gemendo por horas como se estivesse sofrendo de febre.
Ele se perguntou se estava pegando um resfriado forte, então pegou um cobertor mais grosso e esperou os calafrios passarem.
Talvez porque tivesse consumido muitas emoções e estivesse cansado, sentiu sono. Quando acordou após tirar uma soneca naquele estado, felizmente seu corpo parecia muito mais leve.
Quando saiu da casa da avó, parecia que o mundo estava desabando, mas agora ele não tinha sintomas de hiperventilação e seu corpo não tremia mais como uma folha.
— Haa…. Qual é o objetivo, afinal. É tão vergonhoso.
Foi uma sorte que sua condição tenha se recuperado rapidamente, mas Cheongyeon estava envergonhado com o que havia acontecido hoje.
Ele nem sequer conseguira dar um golpe nas pessoas que o olhavam, mal conseguindo esconder os sorrisos de escárnio, e não deveria ter fugido daquela forma.
Além disso, o fato de ter sido carregado por Doheon enquanto chorava e ter vindo para cá no carro deixou Cheongyeon ainda mais envergonhado. Ele deveria apenas tê-lo empurrado e vindo sozinho. Por que ele chorou, em primeiro lugar? Não era algo para se chorar tanto.
Pensando no quão patético ele deve ter parecido hoje, ele queria chutar o cobertor e correr pelo bairro, gritando.
— Tão patético, tão patético. Merda.
Eu não deveria ter ido. Cheongyeon murmurou com o coração de um soldado derrotado na guerra.
Mas ele não se arrependia sinceramente. Porque ele pôde ver a avó. Embora não pudesse se despedir direito no final, não era um grande problema, já que iria novamente na próxima semana de qualquer maneira. O problema era seu orgulho despedaçado.
À medida que sua mente turva clareava gradualmente, Cheongyeon percebeu que havia caído no sono sem trocar de roupa. Era algo pelo qual Kim Jihan, que era tão implicante, o repreenderia.
Enquanto Cheongyeon revirava as pressas sua mala para trocar por roupas confortáveis, ele pausou, lembrando-se de algo. Pensando bem, as calças que estava vestindo agora não eram as que ele queria originalmente, mas as que Doheon o havia forçado a usar.
— Ah, eu deveria ter apenas tirado e entregado a ele na hora.
Ele se sentia de certa forma injustiçado por ter usado as calças daquele jeito. Mas se ele realmente as tirasse, pareceria um bastardo maluco… Foi uma escolha irritante, mas inevitável.
Cheongyeon de repente tirou as calças de forma ríspida e as jogou no chão como alguém com transtorno explosivo intermitente. Imaginar que era Moon Doheon em vez das calças aliviou seu estresse e o fez se sentir muito bem.
Kim Jihan, que disse que estava tirando uma folga, parecia ter saído para se divertir e voltaria tarde, pois não houve notícias até a meia-noite. No final, Cheongyeon estendeu sua roupa de cama e deitou-se sozinho naquele dia.
Talvez porque tivesse tirado uma grande soneca durante o dia, não conseguiu dormir imediatamente. Enquanto encarava fixamente o teto escuro, sentiu-se inexplicavelmente deprimido.
Ele estava particularmente triste por não ter ninguém em quem confiar em dias como este. Ele se perguntou se deveria ligar para o tio mais novo, mas não teve coragem de contatá-lo porque tinha certeza de que ele ficaria chocado e o repreenderia se descobrisse que ele havia se divorciado de Doheon. O pai mais novo era do tipo que mandaria ele voltar para Doheon e implorar, não importa qual fosse o motivo.
Seu falecido pai mais velho e seu pai mais novo eram o típico casal alfa e ômega. O pai mais novo não tinha uma saúde boa para começo de conversa, e ficou ainda mais fraco depois de dar à luz ao hyung de Cheongyeon e a Cheongyeon.
Por essa razão, ele quase nunca havia trabalhado, por isso tinha a firme convicção de que os ômegas deveriam confiar no poder econômico do alfa, não importa o que acontecesse. Além disso, tanto o pai mais velho quanto o pai mais novo não entendiam que Cheongyeon era um ômega recessivo e estava sofrendo na indústria do entretenimento.
Cheongyeon mexeu em seu telefone por um longo tempo, hesitando entre entrar em contato com seu pai ou com seu hyung, mas no final, não conseguiu ligar para ninguém e caiu no sono.
↫─☫ Continua….
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✦ Tradução, revisão e Raws: Faby&Belladonna