↫─Capítulo 12
↫─Capítulo 12
Ainda assim, ser treinado por alguém era agradável. O jeito desajeitado foi passageiro e, conforme Cheongyeon participava das aulas e praticava repetidamente, sua expressão rígida e sua voz foram refinadas, tornando-se muito mais naturais.
Recuperando a confiança, Cheongyeon, energizado por essa oportunidade, buscou trabalhos como modelo incansavelmente em seu tempo livre e saiu por aí procurando um novo lugar para morar.
Felizmente, ele conseguiu encontrar um lugar de tamanho decente localizado na área central dentro de seu orçamento.
Tendo baixado suas expectativas significativamente desde o início, ele podia fechar os olhos para coisas como mofo nas paredes, tetos baixos e a perda de uma vista bonita.
Ele ficou levemente incomodado com as grades de ferro nas janelas, já que era no primeiro andar, mas pensou que era melhor do que nada e imediatamente marcou uma data para a mudança.
Vivendo tão distraído, o sábado, dia em que deveria visitar sua avó no hospital, chegou em um piscar de olhos. Lembrando-se de que Doheon tinha dito que o buscaria às onze, Cheongyeon se movimentou ocupado desde a manhã.
— Onde você vai?
Kim Jihan, que assistia TV vagarosamente, dizendo que tiraria um dia de folga, perguntou enquanto coçava o estômago. Cheongyeon estava em frente ao espelho de corpo inteiro na parede perto da entrada, checando sua aparência.
Uma blusa de tricô fina com decote em V profundo, uma jaqueta de couro preta, calças brancas tipo jogger, tênis Converse, piercings e brincos pendurados excessivamente em suas orelhas a ponto de distrair, e cabelo castanho estilizado naturalmente com uma pequena quantidade de cera, penteado para trás.
Era um visual que parecia adequadamente arrumado, mas não exagerado. Ele estava bastante satisfeito com ele.
— Tenho um compromisso. Ei, como estou?
— Como um delinquente do bairro indo a um karaokê.
— …Você quer morrer?
— Kyaa, é o Yoo Cheongyeon oppa do DEX. Por favor, faça o Cheong-ka-in!
Quando Cheongyeon baixou a voz e fingiu ameaçá-lo, Kim Jihan bateu os pés e fez um alvoroço. Cheongyeon fez uma pose, totalmente absorto em sua própria frieza, como se estivesse posando para um ensaio fotográfico, em direção a Kim Jihan, que estufava a barriga e se jogava no chão.
— Espere um minuto. Mas essas calças e sapatos são todos meus.
— Estão um pouco grandes, mas ainda dá para usar.
— Não. Por que você está deixando suas roupas caras e teimosamente vestindo roupas de plebeu compradas no Dongdaemun?
Kim Jihan, que estava gritando, de repente ficou sério. E ele apertou o travesseiro que usava como apoio de cabeça como se fosse jogá-lo.
— É um compromisso para o qual não posso ir vestindo minhas coisas. Apenas me empreste por um dia.
— Por favor, me empreste, hyung. Diga.
— Por favor, me empreste, hyung.
— Kim Jihan é o centro do DEX.
— …O do DEX… é… o Jihan.
Cheongyeon murmurou e repetiu sem sinceridade.
— Certo. Estou feliz que você saiba disso agora, mesmo que seja tarde. Use-as com cuidado.
— Ah, verdade. E eu marquei a data da mudança.
— Ooh. Parabéns? Mas por que você não responde quando te digo para usar as roupas com cuidado?
— Apenas aguente um pouco, mesmo que seja desconfortável, já que vou me mudar logo.
— Droga, mudança ou o que quer que seja, apenas use as roupas com cuidado! Essas calças são caras.
— De qualquer forma, obrigado por tudo.
— Ah! Esse cara, realmente!
Se Kim Jihan gritou a plenos pulmões ou não, Cheongyeon checou seu traje uma última vez e saiu de casa.
Como esperado, o carro de Doheon estava estacionado no final do beco. Cheongyeon pausou por um momento, respirou fundo e caminhou em frente.
O pensamento de ter que fingir ser um casal casado com ele o deixou desnecessariamente nervoso. Como os membros da família de Doheon eram sensíveis a feromônios, ele tinha tomado seu supressor de feromônios com antecedência hoje. Era a primeira vez que tomava um supressor de feromônios desde o divórcio.
— Partiremos imediatamente assim que você entrar.
Assim que Cheongyeon se aproximou do carro, o secretário Shim saiu do banco do motorista e abriu a porta. Doheon já estava sentado no banco de trás.
— ……
Era desconfortável sentar ao lado dele. Ele se perguntou se deveria trocar de lugar, mas seu orgulho não permitia que ele saísse do carro de repente e corresse para o banco da frente.
Doheon ainda estava vestido de forma impecavelmente perfeita. Até mesmo um olhar fugaz mostrava que ele era o epítome de um alfa dominante. Uma postura ereta, sem se curvar ou se inclinar, e traços faciais meticulosamente esculpidos como uma estátua, tão perfeitos que às vezes pareciam artificiais.
Se ele não estivesse tão tenso, poderia ter sido cativado por sua aparência e ficado encarando fixamente por um longo tempo.
Cheongyeon mal manteve a compostura e sentou-se afastado de Doheon.
— Eu disse que preto seria melhor.
Como primeira saudação, ele estava novamente batendo na tecla da cor do seu cabelo. Cheongyeon retrucou secamente sem nem virar a cabeça em direção a Doheon.
— Eu gosto assim agora.
…Certamente ele não tiraria seu cartão por não ter pintado o cabelo, tiraria? Mesmo sabendo que Doheon não era mesquinho, ele se sentiu um pouco apreensivo por conta própria.
Mas ele tinha concordado em visitar sua avó naquele dia, não em mudar sua aparência. Seu dever era apenas fingir ser casado com Doheon e ver sua avó.
— Secretário Shim.
— Só um momento. Aqui está.
Quando Doheon chamou o secretário Shim com voz baixa, ele, sentado no banco do motorista, tirou uma sacola de compras grande do banco da frente e passou para o banco de trás.
— O que é isso?
Cheongyeon conferiu o interior da sacola de compras colocada à sua frente. Havia uma camisa azul-marinho para vestir por cima e calças de sarja bege.
— Troque-as.
Foi um tom decididamente autoritário. Cheongyeon agarrou a sacola de compras e encarou Doheon.
Encontrando seu olhar frio, preenchido apenas pela razão, a bravata anterior desapareceu e ele logo se sentiu intimidado. Exatamente como tinha se sentido nos últimos três anos.
Ele pensou que nunca mais seria intimidado por aquele olhar. Foi um momento em que a ilusão de Cheongyeon se despedaçou.
— Não tenho tempo para entrar no seu jogo.
— ……
O secretário Shim olhou para Cheongyeon pelo retrovisor. Um silêncio pesado fluiu pelo carro.
Era sufocante. Cheongyeon queria fugir daquele carro imediatamente.
Depois de um tempo, Cheongyeon pegou a camisa e as calças. Era uma marca de luxo que ele costumava usar quando morava com Doheon. A julgar pelas etiquetas, pareciam recém-compradas, mas era tão perfeito que ele poderia ter acreditado que foram tiradas diretamente do closet de Cheongyeon na mansão.
A imagem que Doheon queria de Cheongyeon era sempre consistente. Um ômega que não fosse chamativo, calmo e moderadamente intelectual.
— Secretário Shim, por favor, saia por um momento.
Doheon mandou o secretário Shim sair do carro. Deve ter significado que ele queria que ele trocasse de roupa nesse meio tempo. Era uma voz firme que não permitia qualquer compromisso.
Cheongyeon relutantemente removeu as etiquetas, tirou sua jaqueta de couro e vestiu a camisa por cima. Ele também tirou as calças que tinha vestido de casa e trocou pelas novas calças que Doheon tinha lhe dado.
Estava dentro do carro, e ele não estava com vontade de trocar as calças na frente dele, mas inconscientemente obedeceu ao comando como se estivesse sendo empurrado.
Ele pensou que hábitos são realmente assustadores, mas se moveu o mais mecanicamente possível, tentando não mostrar que estava consciente dele. Ele não queria mostrar que estava ciente de sua presença.
— Tire os piercings também.
Cheongyeon suspirou e removeu todos os piercings e brincos de suas orelhas. Doheon os colocou em um pequeno estojo de veludo para acessórios.
Somente após tudo ser feito conforme Doheon queria, ele abaixou a janela e assentiu para o secretário Shim. O secretário Shim, que esperava do lado de fora, finalmente voltou para o banco do motorista.
Enquanto o carro dava partida e começava a se mover, Doheon tirou um estojo ainda menor do bolso de seu paletó do que o que ele tinha mostrado anteriormente.
Cheongyeon aceitou silenciosamente e o abriu.
— …Eu tenho que fazer isso também?
Eram suas alianças de casamento. Cheongyeon não conseguiu esconder sua expressão carrancuda e mexeu no anel depois de tirá-lo.
Ele parecia se lembrar de tê-lo tirado do dedo e jogado em algum lugar da casa no dia em que anunciou o divórcio. Ele nem conseguia se lembrar claramente, mas se perguntou onde ele o tinha encontrado.
— Eu disse a você, temos que agir como um casal casado.
Pensando bem, Doheon também estava usando o mesmo anel em seu dedo anelar. Como era algo com o qual ele tinha concordado, Cheongyeon relutantemente colocou o anel. Estava ligeiramente folgado porque ele tinha perdido peso desde o casamento, mas ele teve a ilusão de que o metal frio estava apertando firmemente seu dedo.
Como algemas.
Toda a empolgação e felicidade do dia em que ele a colocou no dedo pela primeira vez tinham evaporado.
— Hoo…
Seu coração começou a bater violentamente como se ele tivesse retornado aos meses infelizes de antes. Cheongyeon estava desconfortável com toda aquela situação.
Ele queria expressar alguma insatisfação para Doheon ao seu lado, mas Cheongyeon moveu os lábios e finalmente escolheu o silêncio.
— Avó. Chegamos.
Assim que entrou na casa com um enorme jardim nos arredores de Seul, Cheongyeon a cumprimentou com uma voz alegre. Sua avó estava bordando no sofá da sala de estar.
Sua tez parecia um pouco mais pálida do que da última vez que ele a viu. Ainda assim, ele estava preocupado que ela pudesse estar confinada à cama porque não conseguia se mover sozinha, mas sentiu-se aliviado ao vê-la sentada confortavelmente.
— Faz tempo. Você nem veio visitar quando esta velha estava prestes a desmaiar.
Sua avó levantou a cabeça e encontrou os olhos de Cheongyeon enquanto ele entrava na sala de estar. Sua expressão era gentil, considerando que ela tinha dito algo com uma ponta de sarcasmo.
— Eu deliberadamente não contei ao Cheongyeon-nim. Tive medo de que ele ficasse surpreso.
↫─☫ Continua….
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✦ Tradução, revisão e Raws: Faby&Belladonna