Capítulo 48
↫─Capítulo 48
— Viu só?
De repente, o tom de Yihyun pareceu brincalhão.
— Hein?
— Você está feliz por saber que teremos um bebê, não está?
— Do que você está falando? É claro que estou feliz. Eu nem sequer quero expressar isso apenas como “feliz”.
— É a prova de que o Lau, na verdade, queria um bebê.
Só então Lau percebeu do que Yihyun estava falando.
— Se eu realmente não quisesse um bebê, não teria reagido assim, certo?
Aquele dia em que o heat e o rut chegaram. Lau tinha dito brincando a Yihyun que ele havia tomado a pílula anticoncepcional de forma errada. Yihyun estava agora devolvendo as palavras de Lau daquela época.
Diante do contra-ataque astuto de seu parceiro, Lau, de boa vontade e com prazer, não teve escolha a não ser admitir seus verdadeiros sentimentos.
— É verdade. Na verdade, eu queria.
— …….
— O nosso bebê.
— Sim, o nosso bebê.
Yihyun repetiu as palavras de Lau do outro lado da linha. Aquelas palavras soaram como um novo tipo de amor que nunca existira no mundo antes. Desta vez, os olhos de Lau se encheram de lágrimas.
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Yihyun colocou o espeto vazio que antes tinha o satay de frango em seu prato. Era o último dos cinco satays que Lau já havia colocado no prato individual de Yihyun.
— Ouvi dizer que seus enjoos matinais passaram, fico feliz que o Yihyun-i parece estar comendo bem agora.
Im Morae, que estava sentada do outro lado da mesa observando Yihyun atentamente, disse em um tom caloroso. Ela parecia prestes a aplaudir Yihyun por terminar sua refeição.
Seo Yihyun também concordou com as palavras de Im Morae.
— Pois é, né? Quando estava ruim, você não conseguia comer nada.
— Não era a ponto de não conseguir comer nada.
— Não era?
— Eu ainda comia canja de ovo.
— Ah, a canja de ovo que seu marido fazia para você?
Diante do pequeno protesto de Yihyun, Seo Yihyun arqueou as sobrancelhas e disse em tom de brincadeira.
Nos estágios iniciais da gravidez, Yihyun sofreu com enjoos matinais bastante severos. Yihyun, que costumava comer de tudo, fosse comida coreana, tradicional de Bali, francesa ou italiana, tornara-se extremamente exigente.
Apenas a canja de ovo que Lau sempre fazia para Yihyun quando ele não estava se sentindo bem era o que ele conseguia malmente comer.
Por causa disso, Lau tentou várias coisas com a canja de ovo para torná-la mais nutritiva. Ele tentou adicionar trufas finamente picadas ou abalone da mais alta qualidade que seus pais enviaram de Hong Kong para Yihyun, e também tentou derreter queijo nela.
A cada vez, Yihyun corria para o banheiro assim que colocava uma colher na boca. O bebê só permitia a canja de ovo padrão e básica.
— Nosso didi é muito exigente, não é? Como você percebeu que eu coloquei só um pouquinho? Hein?
Lau dizia isso enquanto acariciava a barriga ainda plana de Yihyun para esconder sua frustração.
Os enjoos matinais que tinham sido tão severos desapareceram como uma mentira ao entrar no quarto mês de gravidez. Graças a isso, era um jantar com amigos que ele estava tendo depois de muito tempo.
Yuni e Michelle, Leo e os pais de Leo, Im Morae e Seo Yihyun também deixaram Parang com a babá e vieram até Ubud.
— Eu realmente pensei que os enjoos do Yihyun-i nunca iam passar. Fiquei com tanta pena dele.
Yuni, que observava Yihyun de perto ao ir à galeria todos os dias, olhava para ele com olhos piedosos. Era um olhar cheio de afeto.
— Ele ficou tão sensível a cheiros que nem conseguia sair de casa.
Lau, que ocupara o assento logo ao lado de Yihyun, disse enquanto acariciava cuidadosamente o cabelo de seu parceiro. Sua cadeira na ponta da mesa estava virada cerca de 30 graus em direção a Yihyun.
— O cara que não conseguia nem sentir o cheiro de comida daquele jeito acordou uma manhã e disse que queria comer bulgogi assim que abriu os olhos.
— O hyung deve ter ficado feliz.
Lau assentiu para Seo Yihyun.
— Senti como se fosse chorar.
Baek Yuni deu de ombros ao terminar sua refeição por último e limpar as mãos com um guardanapo.
— O Presidente deve ter algum tipo de mistério do corpo humano onde ele se sente automaticamente saciado apenas por ver algo entrando na boca do Yihyun-i.
Todos riram das palavras dela, mas ao mesmo tempo, todos concordaram.
— Fico feliz que o enjoo do Yihyun-i melhorou e posso ver seu rosto assim.
— É, nossa casa fica a 5 minutos daqui, mas esta é a primeira vez que vejo o rosto do Yihyun-i desde o ano novo.
Os pais de Leo, que se tornaram próximos por administrarem um restaurante nas proximidades, também estavam felizes por Yihyun ter se libertado dos enjoos matinais.
Im Morae sorriu para Yihyun e trouxe uma história como se tivesse acabado de lembrar.
— Ah, é mesmo, quando te vi mais cedo, sua barriga já estava aparecendo um pouquinho, não estava?
— Não imagina o quanto é fofa.
Um sorriso de felicidade transbordou no rosto de Lau enquanto ele colocava cuidadosamente a mão na barriga de Yihyun.
— Sim, tenho certeza que sim.
— Olhem para esse rosto, como se tivesse toda a felicidade do mundo.
As provocações carinhosas dos amigos recaíram sobre Lau.
Seo Yihyun cerrou os olhos e olhou para o nada, tentando se lembrar. E inclinou a cabeça.
— O Yihyun-i tem apenas vinte e seis anos e não faz nem meio ano que se casou, então quem foi que disse que era cedo demais para ter um bebê… quem foi… quem foi mesmo?
Lau balançou a cabeça como se admitisse a culpa e levantou a mão esquerda.
— Sim, sou eu. Eu disse isso.
— E então, assim que descobriu a gravidez, ficou com um sorriso de orelha a orelha…
— E o fato de esconder a gravidez do Yihyun-i por um mês?
— Ele nem nos contou primeiro, nós o pegamos no flagra.
Lau, que voou direto de Hong Kong para Bali assim que soube da notícia da gravidez, não contou a Yuni ou aos outros funcionários nem mesmo depois de retornar a Hong Kong no dia seguinte. Eles apenas sabiam que Yihyun não estava se sentindo bem.
Sem contar a ninguém, nem aos pais em Hong Kong, nem à família de Yihyun em Donghae, nem aos amigos, Lau guardou aquela felicidade apenas para si por um mês.
Uma felicidade tão grande parecia que poderia atrair inveja.
Era uma felicidade tal que ele nem ousava colocar em palavras.
Era como uma felicidade que não devia ser carregada por aí e exibida, mas sim guardada no fundo de uma gaveta e retirada secretamente tarde da noite para ser observada com satisfação. Exatamente como Yihyun fazia com o colar de diamante que Lau lhe dera quando o pediu em casamento.
Mas porque era uma felicidade tão grande, estava fadada a ser descoberta no fim das contas.
Foi porque Lau reagiu de forma muito sensível quando encontrou Yihyun ajudando a mover as obras na galeria, antes de sua exposição individual.
— Eu nunca tinha visto o Presidente agir de forma tão assustadora antes. O Yihyun-i não é um funcionário da galeria, mas um artista, então por que você está fazendo ele fazer isso?
Yuni, que terminou o restante do vinho, pousou a taça e acrescentou:
— Ainda bem que eu soube que era porque o Yihyun-i estava grávido, caso contrário eu teria me demitido naquela hora, sério mesmo.
Os amigos acrescentaram uma palavra cada sobre o excesso de proteção de Lau, como se soubessem muito bem como era a situação mesmo sem tê-la visto.
Como se estivesse disposto a ser o bode expiatório, Lau se voluntariou com uma atitude generosa. Contanto que fosse uma história sobre Yihyun e o bebê, não importava o quanto fosse provocado, isso não poderia causar nem um pequeno arranhão em sua felicidade. Além disso, as provocações das pessoas ali reunidas eram baseadas em um forte afeto. Não havia razão para ser desagradável.
Parecia que a refeição estava completamente terminada.
Já fazia um tempo que todos haviam parado de comer, e quase todo o vinho fora esvaziado.
Yihyun e Lau, os donos da casa, trocaram olhares. Parecia que era hora de trazer a sobremesa.
Quando Yihyun se levantou primeiro e Lau o seguiu imediatamente, Seo Yihyun apontou para Lau como se estivesse esperando por isso.
— Olhem só, olhem só! Olhem ele seguindo o Yihyun-i assim que ele se levanta!
Lau virou-se e ameaçou de brincadeira em um tom pretensioso.
— Vou trazer a sobremesa. O bolo de cenoura favorito da sua esposa.
— Só a Morae gosta de bolo de cenoura? Não há ninguém aqui que não saiba que o Yihyun-i acordaria no meio da noite pelo bolo de cenoura da Omiah.
Era verdade. Lau deu de ombros e correu para a cozinha, seguindo Yihyun.
— Não há ninguém que combine menos com a onomatopeia “trotando” do que ele.
Com as palavras de alguém, uma risada agradável ecoou atrás dos dois. Era uma animação que se ouvia na casa pela primeira vez em muito tempo.
Havia uma pequena distância entre a sala de jantar, onde ficava a mesa para várias pessoas, e a cozinha. No entanto, as piadas e risadas dos convidados podiam ser ouvidas vividamente na cozinha. Graças a isso, Lau e Yihyun continuaram rindo baixinho enquanto preparavam a sobremesa.
Yihyun colocou o grande bolo inteiro no prato de bolo, e Lau tirou os pratos de sobremesa do armário para o número de convidados. Lau, que trouxe os pratos para o balcão, acariciou o ombro de Yihyun e perguntou carinhosamente:
— Está com sono? Não está cansado?
— Estou com um pouco de sono, mas ainda estou bem. É divertido porque todos estão aqui depois de muito tempo. Quero aproveitar um pouco mais.
— Que alívio, então.
Lau puxou o ombro de Yihyun levemente e beijou a têmpora de seu parceiro. E com uma expressão levemente corada, perguntou a Yihyun:
— Então, vamos tirar “aquilo” agora?
Um prato tradicional de espetinhos da região malaia. O tamanho por peça é relativamente pequeno.
Continua…
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✦ Tradução, revisão e Raws: Othello&Belladonna