Capítulo 42
↫─Capítulo 42
De frente para a cama, o lugar de Yihyun era à direita, mais perto da janela, enquanto o de Lau era à esquerda, mais perto do banheiro e da porta. Seo Yihyun ocupou seu lugar à direita, olhando para Lau com uma expressão preocupada.
— Kūn, você não mencionou nada sobre o heat ou o rut, mencionou?
— Não mencionei. Mas… elas estavam supondo que você não está se sentindo bem por minha causa?
Graças ao ar-condicionado, a temperatura do quarto era mantida de forma agradável, mas ele sentira um calor subindo pelo corpo enquanto percorria aquela curta distância da galeria até a casa. Lau, tendo colocado o bolo e o boné sobre o sofá, tirou imediatamente a camisa polo.
— Por minha causa?
— Que eu estou te incomodando demais, e por isso você está doente.
— Ah….
Yihyun, compreendendo tardiamente o significado das palavras, evitou o olhar dele sem jeito. E mexendo no cobertor sem motivo, mudou de assunto.
— Mas que boné é esse?
— Ah, aquele que eu encomendei. Disseram que uma amostra ficou pronta.
— Já? Achei que levaria mais alguns dias. Posso ver?
O cansaço e a sonolência pareceram sumir do rosto de Yihyun. Lau, tendo pendurado a camisa polo removida no encosto do sofá, pegou o boné e se aproximou de Yihyun.
— Eu estava preocupado se a cor sairia certa. É bonito, não é?
Yihyun sorriu, recebendo o boné azul-cobalto e virando-o de um lado para o outro.
No boné, abaixo do bordado de um fantasma fofo que parecia estar vestindo um grande pano branco, o nome da galeria “The Phantom Bali” estava bordado. O nome da nova galeria que estabeleceram aqui também era Phantom. Phantom Bali.
Lau sentou-se na beira da cama. Enquanto observava Yihyun examinando meticulosamente o boné, parecendo encantado, sua ansiedade se dissipou e um sorriso surgiu em seus lábios inchados. Ele estendeu a mão e arrumou o cabelo de seu parceiro. Foi um toque mais afetuoso do que o habitual.
— Você secou bem, ficou bem fofinho? Bom garoto.
— Você não deveria tratar seu cônjuge como um bebê desse jeito.
— Não é porque você é mais novo, mas porque você é a pessoa que eu amo.
— …….
— Eu pretendo te tratar assim mesmo quando eu for um avô, então Seo Yihyun deve apenas aceitar isso.
Em uma voz suave, ele declarou uma afirmação firme. Yihyun balançou a cabeça como se não pudesse evitar, mas o sorriso que se formou em seu rosto era terno.
Em poucos meses de mudança para cá, qualquer pessoa que frequentasse a galeria passou a saber disso. Que o proprietário, Lau WiKūn, era infinitamente fraco apenas para seu cônjuge, Seo Yihyun. Até o pequeno Leo, de seis anos, sabia disso.
Mas não importa o quanto Yihyun pedisse, Lau não conseguia ceder em cuidar de seu parceiro, preocupar-se com ele, priorizá-lo acima de tudo e ser superprotetor. Mesmo que esse parceiro já fosse uma pessoa suficientemente capaz e diligente, tornando tal cuidado desnecessário.
A mão de Lau moveu-se do cabelo de Yihyun para sua bochecha. Ele perguntou cuidadosamente a Yihyun:
— Acho que não podemos ir ao hospital agora, podemos?
— Eu não consigo me mexer de jeito nenhum. Sério….
— Sério?
— Não.
Yihyun balançou a cabeça algumas vezes, interrompendo a própria fala.
— Por que, o que foi?
— Não é algo para fazer uma cara tão preocupada.
— Se não é esse tipo de coisa, apenas me diga. Você sabe que eu vou me preocupar mais sem motivo se você não falar.
— Eu te conto se você prometer não fazer piadas estranhas.
— Piadas estranhas? Você quer dizer piadas obscenas, certo.
— Você vai fazer?
Lau fez um gesto de rendição para Yihyun, que o ameaçava com um olhar feroz.
— Não vou. Então, por favor, me conte.
Mesmo após receber a promessa de Lau, Yihyun parecia hesitante. Depois de morder o lábio inferior por um momento, Yihyun entrelaçou os braços na nuca de Lau e puxou o rosto dele para mais perto.
— É algo que temos que sussurrar, mesmo sendo apenas nós dois?
Lau perguntou com um toque de dúvida, mas Yihyun o ignorou e o puxou para mais perto. E ele pressionou os lábios junto à orelha perfumada de Lau, que acabara de ser lavada.
— Está tão dormente que me faz pensar se é assim que a gente se sente depois de dar à luz.
— …….
Lau não conseguiu dizer nada. Ele apenas encarou Yihyun intensamente. Yihyun, desviando o olhar sutilmente, deu de ombros e pegou o boné novamente. E olhou de soslaio para Lau, como se ele próprio estivesse envergonhado.
— Você lembra que prometeu não fazer piadas estranhas, certo?
— Eu já estou me arrependendo intensamente.
Observando Lau, que murmurava vagamente com uma expressão séria, Yihyun caiu na gargalhada. Então ele colocou casualmente o boné com o qual estava mexendo na cabeça de Lau. Foi um ato impensado, sem nenhum significado especial.
No entanto, o olhar de Yihyun mudou ligeiramente ao ver Lau usando o boné. O riso desapareceu e uma curiosidade séria permaneceu. Era como se ele estivesse observando atentamente um homem que via pela primeira vez, deixando Lau nervoso.
— Por quê? Está estranho?
— Estamos juntos há um bom tempo, mas é a primeira vez que vejo o Kūn usando um boné assim.
— Eu não usava bonés assim nem quando era adolescente.
Eles já eram casados, mas o fato de estar mostrando a Yihyun um novo lado de si mesmo fez Lau se sentir sem jeito.
Mas, por esse exato motivo, Yihyun achou esse lado de Lau revigorante.
Lau, vestindo jeans, sem camisa e usando um boné, era uma figura que desviava da categoria de Lau WiKūn que Yihyun conhecia bem.
O pescoço grosso e longo, os deltoides ao fim dos ombros arredondados, os músculos do peito amplamente espalhados, o cabelo saindo desordenadamente por baixo do boné e os olhos cinza-azulados sob a aba profunda, a ponte alta e firme do nariz projetando uma sombra profunda.
Mesmo quando se tratava de roupas casuais, Lau preferia designs elegantes e simples em materiais de alta qualidade. Sua criação e profissão moldaram seus gostos atuais. Ele às vezes usava jeans e uma jaqueta de couro, mas mesmo assim, não usava boné.
Mas agora ele parecia um jovem surfista passeando sem camisa na praia de Kuta, em Bali.
Yihyun examinou cuidadosamente seu parceiro.
— Não use isso na frente de outras pessoas no futuro.
— Acho que esse tipo de roupa casual realmente não combina comigo.
Lau tentou tirar o boné, levantando a aba, mas Yihyun o impediu. Ele estava completamente errado. Agarrando o pulso de Lau e puxando-o para baixo, Yihyun não conseguia tirar os olhos dele usando o acessório.
— Você não está falando sério, não é?
— Eu não te disse para não usar porque não combina comigo?
— É o contrário.
— Não deve combinar comigo.
— É legal. Tanto que eu… só quero ver isso sozinho.
Foi algo corajoso de se dizer, mas Lau riu como se não acreditasse, como se Yihyun estivesse apenas sendo gentil.
Desde a infância, Lau já atraía a atenção e o afeto das pessoas apenas com sua aparência. Yihyun sabia bem porque ouvira de Marcus e Ellen sobre como ele era popular quando garoto. E isso ainda era o caso. Yihyun sabia que Lau atraía a atenção e a admiração das pessoas apenas ao entrar em algum lugar. A única diferença era se o olhar era descarado ou indireto, mas não havia ninguém que conseguisse passar por ele com indiferença.
Ainda assim, ele duvidava do elogio de Yihyun de que ele estava legal.
Yihyun agarrou gentilmente o queixo dele e o fez olhar para si. O lábio inferior, que estava particularmente machucado e inchado, foi a primeira coisa que chamou sua atenção.
Os vestígios da noite passada, quando ele havia perdido a consciência devido ao rut e se contido para “não violar” Yihyun. Sabendo disso, ferida era especial para Yihyun. Ele sabia teoricamente, até certo ponto, o quão perto do impossível era resistir a um rut que já havia eclodido. Então, esse lábio parecia o próprio amor de Lau por ele.
O polegar de Yihyun, segurando a ponta do queixo dele, acariciou cuidadosamente sob os lábios.
— Você é bonito mesmo com os lábios inchados assim.
— Não pareço um lutador?
— Você também poderia chamar de selvagem.
— A Yuni me perguntou se eu tinha brigado assim que me viu.
Yihyun sentiu-se responsável por Lau, que tinha uma aparência tão formidável que a palavra “legal” não era apenas um elogio, mas simplesmente um fato, e ainda assim ele não aceitava essa palavra.
— Eu não sou expressivo o suficiente?
— Que expressão?
— Eu sempre penso no meu coração. Que eu realmente consegui um cônjuge maravilhoso.
Lau, inclinando a cabeça de lado em direção ao ombro enquanto se apoiava no colchão, deu uma risadinha.
— Você está muito generoso com elogios sobre a minha aparência hoje?
— Eu direi com mais frequência no futuro. O quão legal, bonito e sexy o Kūn é.
Desta vez, Lau estendeu a mão e tocou a orelha de Yihyun.
— Você não imagina.
— Imagina o quê?
— O quão frequentemente os seus olhos me dizem isso.
— Isso é um alívio.
O rosto de Lau, usando o boné, aproximou-se. Inclinando a cabeça para que a aba do boné não atrapalhasse, ele tomou gentilmente o lábio superior de Yihyun como se fosse creme e o soltou. E ele sussurrou, massageando suavemente a nuca dele com sua mão grande:
— Seus olhos estão cheios de sono. Vá dormir.
Continua…
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✦ Tradução, revisão e Raws: Othello&Belladonna