Capítulo 41
↫─Capítulo 41
O primeiro rut foi mais poderoso do que o que ele havia aprendido na teoria. Mesmo agora, a lembrança de Yihyun desejando-o tão implacavelmente a ponto de soluçar em agonia era o suficiente para fazer um calor latejante se acumular em sua virilha.
Aqueles feromônios que ele tanto desprezara.
O rut que ele tanto quisera evitar, e que de fato evitara.
Mas o rut com seu amado parceiro não foi repugnante ou animalesco como Lau temia.
Até parecia que ele e Yihyun haviam renascido como um verdadeiro casal casados. Como um casal de Alfa e Ômega, eles revelaram, compartilharam e aceitaram as partes mais primordiais um do outro — as partes que ninguém deveria querer mostrar, ou que fossem mostradas, a mais ninguém.
No entanto, ainda havia partes que não faziam sentido.
A probabilidade de um Ômega que tomara supressores todos os dias, sem falta, entrar no heat era próxima de zero. Os supressores que Yihyun tomava também não eram baratos. Ele também havia recebido um supressor forte que deveria funcionar após o início de um heat, mas aquilo também fora inútil. O mesmo valia para os supressores que o próprio Lau engolira.
Mais uma coisa.
Ele nunca ouvira falar de um rut que, uma vez iniciado, terminasse em uma única noite como aquela.
Desde que acordou, o corpo de Lau não parecia diferente do habitual. O mesmo valia para Yihyun. Ele estava exausto pela provação do sexo, mas seus sintomas de heat e feromônios haviam desaparecido completamente.
O que foi aquilo? O que diabos foi aquilo ontem à noite?
Poderia-se sequer chamar aquilo de heat e rut?
Por enquanto, era uma pergunta sem resposta clara. Lau, que estivera perdido em pensamentos enquanto observava o jardim pacífico, virou-se e desceu rapidamente as escadas.
Em vez de passar pelo portão principal, ele passou pelo ateliê de Yihyun e entrou na galeria pela porta dos fundos. A porta da frente estava fechada para o almoço, e Yuni e Michelle estavam comendo no lounge dos fundos.
Assim que avistou Lau entrando na sala, Yuni largou o sanduíche de bagel que estava comendo. Então ela se levantou de um salto e se aproximou dele com passos rápidos.
— Como está o Yihyun? Ele está melhor?
— Ainda não está bem.
— Ele não está bem de verdade? Ele nem costuma pegar resfria… do… Mas o quê, CEO, o que houve com o seu lábio?
O rosto de Yuni encheu-se de choque enquanto ela se aproximava de Lau. Ele tocou o lábio com a ponta dos dedos e virou o rosto para evitá-la.
— Não é nada.
— Como assim, não é nada! Seu lábio está todo estourado. Você se meteu em alguma briga ou algo assim? Michelle, olhe isso!
— Está tudo bem. Continue comendo, Michelle. Ei, ela só está surpresa porque não suporta me ver machucado.
Lau falou com Michelle em coreano. As habilidades dela no idioma haviam melhorado a passos largos, tornando esse nível de comunicação mais do que possível.
Mas, apesar dos esforços de Lau para tranquilizá-la, Michelle acabou se levantando também. Limpando as mãos em um lenço de papel, ela se aproximou e observou Lau por trás da agitada Yuni. Então, ela acrescentou um comentário próprio.
— Realmente está bem visível.
— Não é? Chefe, você entrou mesmo em uma briga de socos com alguém?
— Uma briga? Com quem? Eu sou o tipo de pessoa que usa os punhos?
— Se alguém comprasse briga com o Yihyun, você seria mais do que capaz disso.
— ……
Ele não podia argumentar contra aquilo. Lau expressou sua concordância erguendo uma sobrancelha e dando de ombros. Então, ele foi até o espelho na parede e conferiu seu reflexo.
— Está tão ruim assim?
— Só consigo ver o seu lábio agora.
— Parece pior porque está inchado. Mal dói.
— Como diabos seu lábio ficou assim?
Olhando para Yuni por cima do ombro através do espelho, Lau empurrou a parte interna da bochecha com a ponta da língua e respondeu.
— Foi uma mordida.
— Do Yihyun?
Yuni perguntou imediatamente. Como se fosse muito mais natural que seu parceiro, Yihyun, o tivesse mordido do que Lau ter mordido o próprio lábio. Lau soltou uma risada reflexiva. Ele gostou daquela dedução.
— Não está totalmente errado. Vamos ficar com essa versão.
Virando-se do espelho, Lau tentou voltar para o quarto onde Yihyun estava.
— Enfim, vou tirar o dia de folga. Não tem nada de especial acontecendo, certo?
— O Yihyun está tão mal assim?
A preocupação com Yihyun, que fora momentaneamente esquecida por causa do lábio de Lau, ressurgiu em Yuni.
— Não é que ele esteja doente de alguma forma específica. Mas ele está com um pouco de febre e não está em boas condições.
Michelle pegou uma garrafinha de suco de manga na geladeira e entregou a Lau. Enquanto abria a tampa, Lau teve que ouvir outra das deduções de Yuni.
— Ele ainda não apareceu no ateliê também. Então ele deve estar realmente mal. Você, mais do que ninguém… sabe muito bem… que ele não é do tipo que para de trabalhar só porque não está se sentindo bem.
Mais uma vez, a voz de Yuni foi sumindo. Então, com os olhos semi-cerrados e um sorriso enigmático, ela olhou para Lau e assentiu.
— Ah…
— O que foi esse “ah”? Estou sentindo um tom de acusação.
— Não é uma acusação. É que agora eu entendi.
— Entendeu o quê.
— Por que o Yihyun “não está se sentindo bem” hoje.
Com um olhar que dizia que ela havia se preocupado à toa, Yuni voltou para a mesa de almoço e sentou-se no sofá. Nesse tempo, Lau já havia bebido metade do suco de manga.
— Se o Yihyun estivesse tão mal que nem pudesse vir ao ateliê, não teria como você estar mais tranquilo do que eu, CEO. Eu não costumo ser assim, mas demorei um pouco para perceber.
— Seria ainda melhor se você às vezes tivesse o bom senso de apenas deixar as coisas passarem.
— Por quê? Estou fazendo de propósito para te provocar. É divertido.
Yuni disse alegremente enquanto pegava o sanduíche de bagel que havia jogado no prato.
— Vou provocar o Seo Yihyun amanhã também.
Lau quase podia ver dois chifres pequenos brotando do topo da cabeça dela.
— Não faça isso.
— Isso é ser superprotetor. Você sabe disso, né?
— Se você continuar provocando ele com coisas desse tipo, o Yihyun vai ficar cada vez mais retraído na cama.
Após dizer isso, ele levou a garrafa de suco aos lábios.
Franzindo a testa profundamente, Yuni jogou o sanduíche de volta no prato mais uma vez. Então, ela cobriu as orelhas com as duas mãos e balançou a cabeça.
— Aaaargh! Não diga coisas assim! Para mim, o Seo Yihyun ainda é apenas um pequeno Honeybee. Não o corrompa!
Então, ela parou subitamente de balançar a cabeça e olhou para Lau com uma expressão desconfiada.
— Mas, o Yihyun é quem está exausto, então por que você também vai tirar o dia de folga, CEO? Não viu minha mensagem?
— Eu tenho que ficar ao lado dele.
— Então pelo menos esteja aqui quando o Sr. Carty chegar. Ele não demonstra muito interesse nas pinturas se você não estiver presente, CEO.
— Não precisamos vender a esse ponto. O trabalho de todos os nossos artistas será reconhecido em breve, e então ele apenas se ressentirá da própria falta de visão.
— É, bem. Se essa é a sua política de gestão, Presidente… então eu também serei arrogante no meu atendimento ao cliente.
Yuni era naturalmente competitiva e tinha sede de vendas desde seus dias na Seoul Phantom. Mas parecia que ela mudara muito após seu tempo na organização sem fins lucrativos, The Hands. Sua longa associação com pintores que valorizavam uma abordagem séria em relação à própria obra de arte em vez da fama deve ter tido influência.
Vendo Yuni desistir prontamente da venda, Lau sorriu silenciosamente. Ele então colocou a garrafa de vidro agora vazia sobre a mesa.
— Então, posso ir agora? Vou manter meu celular ligado, então me ligue se for realmente urgente.
— Ah, CEO! As amostras dos bonés chegaram.
— Já? Disseram que levaria mais alguns dias.
Lau, que estava prestes a sair do lounge, virou-se. Michelle saiu do escritório na sala ao lado com um boné.
Era um acessório produzido para ser dado de presente aos amigos que ajudavam a galeria e aos seus artistas afiliados, e também para ser usado na promoção na Art Fair de Hong Kong, da qual participariam no próximo mês.
— Ficou melhor do que eu temia. Leve e mostre ao Yihyun. Ele vai ficar curioso.
— Vou levar.
Ao pegar o boné de Michelle, Yuni se aproximou desta vez e estendeu uma pequena caixa de papel.
— E isto.
Visível através do plástico transparente no topo da caixa estava um bolo de cenoura da Omia.
— Comprei os sanduíches de bagel na Omia. Já que eu estava lá… o Yihyun gosta.
— Obrigado. Ele vai adorar.
— Embora o jeito que você diz isso, tipo “vou agradecer em nome do meu marido por cuidarem dele, porque somos um só”, faz você parecer um pouco detestável, CEO.
A sempre ranzinza Baek Yooni e a confiável Michelle, que agora se tornaram uma equipe completa. Deixando a galeria para as duas, Lau virou-se e saiu do lounge.
Seus passos de volta para a residência continuavam acelerando. Ele estava ansioso para que algum outro sintoma pudesse ter aparecido em Yihyun enquanto ele estava sozinho. Parecia que o trauma fora infligido ao próprio Lau, não a Yihyun.
Assim que entrou pela porta da frente, ele foi direto para o quarto.
Yihyun, que terminara de secar o cabelo e vestira o pijama, estava acabando de se enfiar na cama. Lau, parado com a mão na maçaneta, soltou um suspiro de alívio, cuidadoso para não deixar Yihyun perceber.
— A noona estava preocupada, não estava?
— Ela estava preocupada que, se você nem estava vindo ao ateliê, devia estar realmente doente.
Continua…
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✦ Tradução, revisão e Raws: Othello&Belladonna