Capítulo 09
↫─Capítulo 09
— ……
Em vez de responder, Yihyun apenas o encarou com um olhar que dizia que ele estava sendo irritante. Lau decidiu não provocá-lo mais. Com um sorriso suave, ele estendeu a mão e pegou a de Yihyun, que repousava relaxada sobre a mesa.
— O que eu sei?
— ……
— Você não sabe como eu vivia antes de te conhecer?
Eles haviam compartilhado inúmeras histórias um com o outro ao longo do tempo. Para um casal à distância, separados por 90.000 quilômetros, seus principais encontros eram chamadas telefônicas. Fosse por voz ou vídeo. Então, naturalmente, eles conversavam muito.
Era de bom tom não falar com Yihyun sobre seu passado. Era o que Lau pensava, por isso nunca havia trazido o assunto à tona por conta própria. Mas se Yihyun estivesse curioso, ele também estava preparado para revelar tudo honestamente. Lau, por sua vez, desejara ser o alvo do ciúme dele ao menos uma vez.
No entanto, Yihyun era mais maduro e menos propenso a desperdiçar emoções do que qualquer pessoa que Lau conhecia. Ele não parecia o tipo que se importaria com um passado que já se fora. Ele quase desistira de vê-lo com ciúmes.
— Quando foi o último relacionamento em que você esteve antes de me conhecer? —
Por isso, quando Yihyun lhe fez essa pergunta, ele saltou da posição em que estava deitado. Ele estava ficando sonolento ouvindo a voz de Yihyun, mas a pergunta o despertou na hora.
— Se for desconfortável responder… você não precisa me dizer. —
Yihyun acrescentou em um tom hesitante.
A ideia de Yihyun estar consciente de seus parceiros passados e sentindo ciúmes deles era loucamente adorável. Ele quis voar para Paris naquele exato momento, envolvê-lo firmemente em seus braços e enterrar os lábios em sua bochecha macia.
O fato de Yihyun estar com ciúmes de outra pessoa por causa dele era emocionante e picante. Se a consideração, os abraços e os beijos eram a doçura do amor, então o ciúme era a sua acidez. Através de Yihyun, Lau provara ambos.
Não era algo para se gabar na sua idade, mas ele nunca tivera um relacionamento que pudesse ser chamado de um romance propriamente dito. É claro que houvera pessoas com quem ele saíra em alguns encontros, fosse por afeto ou curiosidade. Mas, em cada uma das vezes, terminara de forma decepcionante, sem se transformar em um relacionamento sério. Lau confessara isso a Yihyun, de forma honesta e calma.
— Para evoluir para um relacionamento romântico, sempre há pontos em que você precisa se ajustar ao outro, mas eu sempre ficava travado ali. Eu não queria continuar um relacionamento a ponto de mudar a mim mesmo. —
Após alguns encontros, o contato esfriava, ou um deles tomava a iniciativa e dizia que achava que não precisavam mais se ver, e a relação terminava.
Como ele parecia incapaz de ficar com uma pessoa por muito tempo, circularam rumores na alta sociedade de Hong Kong de que Lau era um playboy. Também havia boatos de que ele era exigente e tinha padrões elevados. Lau não se importava.
— Eu apenas aceitei que não era do tipo que namora. E pensei que sempre seria assim. —
— Mas então eu apareci, é isso? —
Em momentos assim, Yihyun era direto. Lau sorriu, mas concordou com toda a seriedade.
— Isso mesmo. Meu Diamond Dust apareceu, contra o qual nem meu autocontrole nem meus supressores funcionam. —
E agora Yihyun estava dizendo que Lau WiKūn sabia tudo sobre amor e romance. Ele estava apenas fazendo beicinho. Lau fora tão pouco familiarizado com o amor quanto Yihyun era naquela época. Ele era um novato que nunca se sacrificara por alguém, nem sentira a dor da saudade.
— Foi o mesmo para mim.
Olhe para mim, Lau disse com os olhos, dando um leve puxão e um aperto na mão de Yihyun.
— É só você. Aquele por quem me apaixonei tanto que enlouqueci, aquele através de quem aprendi o que é o amor real, observando e esperando. Foi tudo através de você.
— Eu sei… eu não disse isso porque não sei o quanto você me ama, Kūn.
Murmurando enquanto evitava seu olhar, Yihyun parecia arrependido. Como se estivesse preocupado que suas palavras pudessem soar como se estivesse duvidando do amor de Lau.
— Sim. Eu sei que o Seo Yihyun sabe.
Só então Yihyun soltou uma risada baixa. Lau apertou a mão dele mais uma vez antes de soltá-la. Então ele serviu um pouco de salada no prato de Yihyun. Alface e rúcula, cobertas com tomates vermelhos e caquis alaranjados. Era uma salada com cores lindas e vibrantes.
O queijo suíço era famoso e tinha um sabor excelente, mas ele não o colocara na salada desta vez. Os dois tinham o plano de experimentar as famosas especialidades locais de cada região o máximo possível, e geralmente haviam seguido isso, mas alimentos com gostos e cheiros fortes, como queijo, não eram permitidos na mesa do jantar. O motivo, claro, era para o tempo íntimo como amantes que naturalmente seguiria o jantar.
— Obrigado. Vou aproveitar.
Depois que Lau lhe serviu a salada, Yihyun agradeceu antes de pegar o garfo.
Os dois já haviam tido um debate sobre servir a comida no início da viagem. Yihyun, que insistia que podia servir a si mesmo, e Lau, que insistia em ter permissão para fazê-lo porque queria, haviam se enfrentado tensamente. E a vitória fora de Lau.
Mesmo esperando pacientemente enquanto a comida era servida, a expressão de Yihyun sempre parecia que ele queria resmungar.
Eu posso fazer sozinho….
Observar esse Yihyun era outra fonte de alegria para Lau.
Toda a comida estava fresca e deliciosa. Quando os ingredientes são excelentes, mesmo pratos simples podem produzir o melhor sabor. O vinho, escolhido deliberadamente por sua textura leve, combinava bem não apenas com o bife, mas também com a salada e o pesto de manjericão, apesar de ser um tinto.
— Acho que você escolheu bem o vinho.
— Você acha?
— Combina tanto com o pesto de manjericão quanto com o bife.
Lau soltou uma risada alegre.
— Eu estava pensando exatamente a mesma coisa. Somos um par perfeito.
Observando Lau encontrar significado até nas menores coisas, Yihyun riu também.
Fora da janela, estava escurecendo lenta e quase imperceptivelmente. A vela sobre a mesa parecia muito mais brilhante por causa disso. Contemplando o rosto um do outro, oscilando na luz quente e alaranjada, suas histórias e risadas naquela noite de outono eram intermináveis.
Quando o bife e o nhoque estavam quase terminando, Lau descansou o braço, ainda segurando sua taça de vinho, relaxado sobre a mesa.
— Pensando bem, você pareceu ficar parado na frente daquela obra do Egon Schiele por muito tempo mais cedo.
— Ah…
Como um menino cujo segredinho fora descoberto, Yihyun sorriu sem jeito. Então ele assentiu seriamente.
— Acho que ainda me sinto mais atraído por temas mais pesados. Não sei como isso pode mudar depois, no entanto.
Vida, morte, significado, relacionamentos, ansiedade. E apesar de tudo isso, esperança, amor.
Yihyun aprofundava-se em temas mais difíceis, e as opiniões no mundo da arte dividiam-se nitidamente sobre ele por causa disso.
— Pessoalmente, há muitas partes da vida privada de Schiele com as quais não consigo concordar. Mas sua audácia em escolher temas que podem ser desconfortáveis, ou…
— ……
— A maneira como ele os expressa, ou…
— ……
Mesmo falando, Yihyun era do tipo que constantemente organizava seus pensamentos e escolhia suas palavras com cuidado. Após um momento coçando a haste de sua taça de vinho, absorto em pensamentos sobre o que dizer a seguir, os lábios de Yihyun fecharam-se completamente. Então ele apenas fitou Lau à sua frente.
— O que foi?
— Nada. Só que você é bonito, Kūn.
— De repente, no meio da conversa sobre Schiele?
— Você poderia estar ficando frustrado, mas você sempre espera pacientemente que eu termine meus pensamentos. Esse seu lado… pareceu bonito para mim.
— Isso é porque, para mim, até os silêncios no meio são a linguagem do Seo Yihyun.
Como se fosse óbvio, como se não fosse nada especial. Lau, que disse isso com um dar de ombros, inclinou a taça que estivera girando na mão e engoliu um pouco de vinho. Depois, comeu mais um pouco de salada.
— Este era importado da Itália, certo? Eu não sabia que caquis italianos eram tão deliciosos.
— Eu sei, não é? São deliciosos.
Yihyun, que estivera observando Lau intensamente, pousou sua taça e inclinou-se um pouco mais para a frente. Como se ele absolutamente tivesse que dizer esta única coisa.
— Kūn, como você consegue continuar pensando em coisas assim para dizer?
— Hm? Que coisas?
— Essas… coisas doces.
— Que caquis italianos são deliciosos?
Pfft. Pego desprevenido, Yihyun caiu na risada. A vela à sua frente oscilou violentamente por um momento antes de se estabilizar.
— Não. Coisas como… “até os silêncios no meio são a linguagem do Seo Yihyun”.
— Eu pareço um playboy?
— É diferente disso. Se eu achasse que era uma cantada de playboy, eu não teria reagido de forma alguma.
— Então qual é o problema?
— Não é um problema. É só que eu não sou bom em dizer coisas assim para você, Kūn…
— Você sabe que eu falo sério. Isso é o suficiente.
Lau falou levemente de novo, como se não fosse grande coisa, e deu um sorriso leve. Mas Yihyun ainda não estava tranquilizado. Ele estava preocupado se seu amor estava sendo totalmente transmitido a Lau, se ele estava apenas confiando na compreensão de seu amante mais velho. Até mesmo confessar essa ansiedade seria um ato infantil de dependência dele, mas…
— Estou recebendo afeto de sobra, então não se preocupe com isso.
Lau encheu a taça de Yihyun com mais vinho, um sorriso significativo e sensual brincando em seus lábios.
— Seo Yihyun é mais expressivo com seu afeto do que imagina.
Continua…
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✦ Tradução, revisão e Raws: Othello&Belladonna