Capítulo 06
↫─Capítulo 06
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Fosse no Coop ou no Migros, a maioria dos balcões de caixa funcionava como autoatendimento. Era uma tendência crescente que os caixas de supermercado se tornassem autoatendimento em qualquer lugar da Europa, inclusive em Paris.
Lau e Yihyun também empurraram o carrinho e seguiram para a área de autoatendimento.
Era um horário de pouco movimento, então a maioria das máquinas estava vazia. Por haver tão pouca gente, uma senhora idosa que lutava em frente a uma tela sensível ao toque com um cartão de crédito na mão destacava-se ainda mais.
Percebendo Yihyun olhando continuamente para ela, Lau sorriu silenciosamente.
— Devemos ajudá-la primeiro e depois fazemos o nosso?
Yihyun, que assentiu, aproximou-se cautelosamente e falou com ela.
— Olá. Precisa de ajuda?
— Hm? Oh, você faria isso? Que gentileza a sua… Acho que estou confusa porque este não é o que costumo frequentar.
Felizmente, ela aceitou prontamente a gentileza. Percebendo um sotaque francês no inglês dela, Yihyun naturalmente respondeu em francês.
— Eu também me perco quando não é o meu lugar de costume.
— Você fala francês?
— Não muito bem.
Enquanto isso, Lau também se aproximou e trocou um aceno com a senhora. Enquanto Yihyun passava os códigos de barras, Lau colocava os itens na sacola de compras dela. A idosa, que observava a dupla bem coordenada com uma expressão calorosa, olhou atentamente para as mãos deles.
— Os anéis de vocês são muito bonitos. Vocês são um casal em viagem?
— …Sim.
Yihyun respondeu após uma pequena e tímida pausa. Olhando para Yihyun, Lau deu uma risadinha, tentando não ser pego. Desta vez, a senhora gesticulou para Lau com os olhos e perguntou a Yihyun em voz baixa.
— Marido? Namorado?
— Ah… bem…
Yihyun hesitou, incapaz de responder de imediato. Em um instante, seu rosto ficou vermelho até a testa. Ele parecia estranhamente mais desconcertado do que o normal. No lugar do atribulado Yihyun, Lau interveio rapidamente e respondeu com alegria.
— Namorado.
— Vocês dois são muito bonitos. Combinam muito bem.
— Obrigado. Mas eu sou um pouco menos que o meu namorado.
Diante da resposta bem-humorada de Lau, ela riu com vontade. Yihyun, com o rosto avermelhado, continuou silenciosamente a passar os códigos de barras dos produtos. Ele estava tão intensamente vermelho que parecia que poderia explodir em lágrimas a qualquer momento.
Quando lhe entregaram a sacola de compras, agora cheia com todas as suas coisas, ela agradeceu profusamente.
— Obrigada. Teria levado várias vezes mais tempo se eu tivesse feito sozinha.
— De forma alguma. Não foi nada.
— Geralmente há um funcionário para ajudar, mas não vejo nenhum hoje.
Olhando ao redor com uma expressão insatisfeita, ela subitamente pareceu ter uma ideia e puxou o braço de Lau. Não era para fazê-lo segui-la a algum lugar, mas um gesto para que ele se inclinasse. Lau abaixou-se, baixando sua estrutura alta.
— Tente se tornar o marido dele. Não deixe um jovem tão bom como esse escapar.
Lau sorriu sem jeito e olhou para o rosto de Yihyun. No caixa, agora passando suas próprias compras, o rosto dele estava ficando vermelho tudo de novo. Parecia que ele a tinha ouvido.
— Sim, já estou fazendo o meu melhor para conquistar o coração dele.
— Mesmo que vocês sejam um Alfa e um Ômega, há muitos Betas que discriminam se vocês parecerem um casal do mesmo sexo. Mas não ligue para eles. Minha esposa e eu vivemos bem há 40 anos. Criamos dois filhos e uma filha tão bem, nós duas.
Lau havia adivinhado desde o início que ela era uma Alfa. Mesmo que seus feromônios tivessem enfraquecido com a idade, ele ainda conseguia detectar isso. Parecia que ela fora casada com uma Ômega fêmea. E ela estava vendo Lau e Yihyun como um casal de Alfa e Ômega.
Hoje em dia, a união de Alfas fêmeas e Ômegas fêmeas, e Alfas machos e Ômegas machos, era reconhecida em muitos países, mas há 40 anos, quando ela teria se casado, era uma época em que o preconceito ainda era desenfreado.
Os Betas, que constituíam a maioria absoluta da população mundial, foram por muito tempo o padrão de normalidade. Casais em combinações que não fossem um Alfa macho e uma Ômega fêmea eram considerados anormais. Era especialmente cruel para Alfas fêmeas e Ômegas machos. Uma mulher que pudesse engravidar alguém ou um homem que pudesse engravidar era, pelos padrões Beta, uma mutação grotesca.
— Criamos nossos filhos e vivemos nossas vidas, mas não fomos reconhecidas como um casal casado até 30 anos atrás, quando finalmente nos tornamos um casal legal.
Ao dizer isso, seus olhos brilharam com emoção, como se aquele dia fosse hoje.
— Foi o melhor dia da minha vida.
— Tenho certeza que sim. Posso imaginar perfeitamente o quão feliz você deve ter se sentido.
Lau assentiu com um sorriso caloroso, empatizando com ela.
O momento em que você é oficialmente reconhecido como um casal casado com a pessoa que ama. Como poderia não ser o melhor dia da vida de alguém? Se você tivesse passado décadas sem reconhecimento, vivendo cada dia como uma luta, a emoção avassaladora seria ainda mais indescritível.
Os olhos de Lau e Yihyun se encontraram.
Embora nenhuma palavra fosse dita, eles podiam sentir que estavam pensando a mesma coisa.
Dizendo que sentia muito por detê-los, ela comprou para eles um buquê de crisântemos roxos na floricultura perto da saída. Os dois não recusaram e aceitaram a gentileza com gratidão.
Quando se despediram dela e saíram do supermercado, a entrada começara a ficar bastante cheia de pessoas que chegavam para fazer as compras da noite.
— Timing perfeito. Estou começando a ficar com fome. Yihyun-i, você está com fome também, certo?
— Um pouco. Mas me deixe carregar um pouco disso.
— Apenas segure o buquê com cuidado. Para não amassar. Não há nada para dividir com algo tão leve.
Para provar que não era nada, Lau ergueu a sacola de compras ao nível dos olhos.
— Não finja ser forte. Os potes de molho são de vidro, e há duas garrafas de vinho aí dentro.
— Não estou fingindo ser forte, eu sou forte. Você tem que fazer uso do seu namorado robusto em momentos como estes.
— Você sempre carrega tudo, Ah Wi, usando a desculpa de que só tem uma sacola.
— Quando há duas sacolas, eu as divido com você, Yihyun.
— Eu carrego a mais leve.
— Você está reclamando?
— Não é uma reclamação, mas…
— É simples. Eu sou maior, então carrego a coisa maior. Se você ficar maior que eu, Yihyun-i, então eu te peço para carregar as coisas grandes.
Como se achasse aquilo absurdo, Yihyun soltou algumas risadas suaves. Lau estendeu a palma da mão direita vazia.
— Segure minha mão, em vez disso.
— Tudo bem. Eu farei ao menos isso por você.
Yihyun agarrou firmemente a palma grande e larga, e Lau balançou as mãos dadas para frente e para trás.
— ‘Ao menos isso’? É por isso que eu gosto de ir ao supermercado com você.
— Se ficar pesado, você tem que me dizer. Tenho outra sacola de compras na minha mochila.
— Tudo bem.
Eles caminharam juntos pela rua tranquila, trocando conversas bobas assim. E retornaram para o mesmo destino. Lau relembrou o que a idosa havia dito. Não, em vez de relembrar, as palavras não saíam de sua mente.
— Tente se tornar o marido dele. Não deixe um jovem tão bom como esse escapar.
Casamento com Yihyun.
Não passava um dia sem que ele pensasse nisso. Durante esta viagem, ele pensou nisso com tanta frequência que era quase obsessivo.
Dizem que mesmo os casais mais compatíveis brigam quando viajam por longo prazo ou moram juntos. Mas em 40 dias, os dois não tiveram sequer um único momento de sentimentos levemente feridos. Exceto, claro, por picuinhas de amantes, como ciúmes leves.
Claro, ele não nutria a fantasia de que nunca discutiriam, mesmo que passassem a vida inteira juntos. Mas ele tinha a forte convicção de que, com Yihyun, ele poderia superar sabiamente os momentos de crise. E se eles brigassem por algo, certamente seria culpa dele.
Ele queria tornar-se oficialmente o homem de Seo Yihyun neste exato instante.
Este anel que usavam juntos, o anel que Yihyun escolhera e colocara em seu próprio dedo, guardava um significado profundo para Lau. Além disso, um anel de compromisso também era algo que até um casal do ensino fundamental que tivesse acabado de começar a namorar poderia ter. Ele queria estar emaranhado com Yihyun de uma forma que fosse mais complexa, mais intensa, mais completa — socialmente, legalmente e administrativamente.
Mas ele tinha lhe prometido.
Que ele não precisava sentir nenhum senso de obrigação sobre este anel.
— Vá para onde quiser, faça o que quiser e tenha as experiências que desejar. E algum dia, quando o pensamento de querer usar este anel surgir naturalmente dentro de você… nos casaremos então.
Yihyun tinha apenas vinte e cinco anos.
Mesmo se casassem, Lau pretendia apoiar totalmente o trabalho dele, mas não podia ignorar a responsabilidade psicológica que a estrutura institucional do casamento trazia.
Ele esperaria. Ele tinha que esperar.
Não podia deixar que seu desejo por ele o consumisse e arruinasse tudo mais uma vez.
— As flores cheiram tão bem. Não cheiram?
Yihyun, que estivera enterrando o nariz nos crisântemos para cheirá-los, ergueu o buquê até o queixo de Lau. Inclinando a cabeça para inalar o perfume, Lau estreitou os olhos.
— Não tão bem quanto os feromônios do Seo Yihyun, no entanto.
Continua…
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✦ Tradução, revisão e Raws: Othello&Belladonna