Extra 17
𑣲 Deflower Me If You Can – Extra 17
8.
Por onde e a partir de onde deveria começar a falar?
Foi exatamente esse o primeiro pensamento que veio à mente de Cassian quando, depois de um bom tempo, os neurônios que haviam declarado greve finalmente começaram a se mover. A imagem do amante sentado à sua frente, olhando-o com confiança, era adorável demais, mas, por outro lado, fazia sua espinha arrepiar.
— Kama Sutra… espero que não seja aquilo que eu estou pensando.
De tão perturbado, ele acabou dizendo em voz alta o que apenas pensava. Recuperou-se no instante seguinte, mas já era tarde: Bliss havia captado aquelas palavras.
— É a área de estudo que ensina como fazer sexo!
Diante da resposta imediata, Cassian não teve escolha senão soltar um suspiro que fervia lá no fundo da garganta. Por onde e como diabos deveria começar a apontar os problemas? Ele, que teve uma preocupação não muito diferente da de antes, abriu a boca com dificuldade.
— Kama Sutra… por que você quer estudar isso?
Bliss também tinha uma resposta preparada desta vez.
— Ora, porque é a área que mais me interessa! Originalmente, a faculdade é onde a gente estuda profissionalmente e a fundo a área que nos interessa, não é?
Diante do Cassian sem palavras, Bliss declarou com paixão, cerrando os dois punhos.
— Eu vou me esforçar. Vou tirar as melhores notas e me tornar especialista nessa área! Vou virar professor e ensinar aos alunos também. Todos vão me respeitar, né? Que legal, legal demais!
— Bliss, isso é…
Cassian chamou seu nome apressadamente e estendeu a mão, mas a imaginação de Bliss já havia corrido até um futuro distante. Imaginando a si mesmo caminhando pela universidade como professor e os alunos lançando-lhe olhares respeitosos, Bliss estava todo empolgado. E Cassian, vendo aquilo, engoliu o suspiro a custo e baixou a mão que havia erguido.
Os dois olhos brilhantes de Bliss eram mais sinceros do que nunca. Infelizmente, não havia nada de errado no que ele dizia. E ainda por cima, despertar o entusiasmo acadêmico, mesmo que tarde, era algo admirável. Numa situação normal, é claro que não hesitaria em elogiá-lo e encorajá-lo, mas o problema era a área.
— Bliss, entendo o que você quer dizer, mas há um problema sério.
Cassian, com cuidado e com o coração apertado, trouxe Bliss, todo inflado, de volta à realidade.
— Sinto muito, mas isso é impossível. Não existe faculdade que ensine Kama Sutra.
— Hã?
Bliss, que até então estava com as bochechas coradas, arregalou os olhos e se virou para ele. Piscou, piscou, abriu e fechou os olhos, mas a expressão séria de Cassian não mudou.
— Não dá, Bliss. Na faculdade não se aprende Kama Sutra.
Ao repetir as mesmas palavras, só então as de Cassian chegaram uma a uma aos ouvidos de Bliss. Enquanto observava em silêncio Bliss voltar à realidade, de repente ele franziu a testa e perguntou:
— Por quê?
— Por quê…
Cassian, que ia responder “é óbvio”, logo mudou de ideia. Com Bliss, o bom senso não funciona. Com uma capivara, é preciso usar a língua das capivaras. Depois de tossir de propósito, “ahem”, para ganhar tempo, Cassian falou com mais hesitação que o habitual.
— Porque é uma área já consolidada. Desenvolvê-la mais é uma questão pessoal… Isso, pense no budismo. Qualquer um que se dedicar pode se tornar um Buda… espera, dei um exemplo errado…
Vendo Bliss com um monte de pontos de interrogação nos olhos, Cassian balançou a cabeça e apressadamente procurou outro exemplo. Droga, o que diabos eu deveria dizer? Por mais que se esforce, uma pessoa não pode se tornar uma capivara. Tendo aceitado em pouco tempo essa verdade universal, Cassian mudou de estratégia e desviou o assunto.
— Deve ser porque até hoje não houve ninguém que quisesse estudar isso profissionalmente, não é? Então, que tal você pesquisar sozinho? Escrevendo artigos, publicando livros, as pessoas vão se interessar, e assim você se torna o primeiro especialista.
— O primeiro?
Quando Bliss captou de imediato a palavra que fez suas orelhas se erguerem, Cassian assentiu, dizendo que sim.
— Então, por enquanto, vamos estudar sozinho. Está bem? Então isso está resolvido. O que você fez enquanto esperava? Deve ter ficado muito entediado, né?
Antes que a conversa se alongasse mais, Cassian rapidamente desviou o interesse de Bliss. Se ele realmente resolvesse escrever um artigo, seria um problemão — e, sentindo um leve temor com esse pensamento, Bliss murmurou baixinho:
— Eu escrevi os convites do casamento, mas…
— Convites?
Quando Cassian repetiu, Bliss disse “só um instante”, levantou-se de um salto, saiu da sala de chá e logo voltou com alguns cartões nas mãos. Folheando um por um os convites escritos com caligrafia bonita, Cassian, sem conseguir olhar nos olhos de Bliss, falou com a cabeça baixa.
— Estão lindos. Foi tudo ideia sua?
— Sim.
Bliss, que respondeu obedientemente, continuou com a voz misturada a um suspiro.
— Eu ia escrever para as pessoas que viriam ao casamento e entregar pessoalmente, mas…
Cassian ficou imediatamente pálido e ergueu a cabeça num sobressalto sem perceber, mas Bliss não notou nada e continuou falando.
— A tia Al, que é amiga antiga do papai e do daddy e também minha amiga, disse que viriam convidados em quantidade enorme e que, se eu fosse escrever todos os convites, meu pulso ia acabar num estado lastimável, e que era melhor dar só para a família querida. Então vou fazer assim.
Só então a cor voltou ao rosto de Cassian, que soltou o ar e disse:
— É, é uma boa ideia.
Obrigado, tia Al. Cassian agradeceu sinceramente à pessoa que nem conhecia, mas por fora escondeu seus verdadeiros sentimentos e ofereceu palavras de consolo a Bliss.
— Não tem jeito, você também está ocupado com os preparativos do casamento. Deve ser uma pena, mas haverá outras oportunidades.
Consolando-o com voz carinhosa, Cassian sorriu. Pensando que com isso tudo estava resolvido.
— Tudo bem, de qualquer forma eu não tenho amigos para convidar para o casamento.
…Hã?
Ao ouvir a resposta de Bliss, Cassian hesitou. Tarde demais, ele percebeu o rosto de Bliss, todo abatido e amuado. Ora, eu estava tão focado no Kama Sutra que esqueci o problema essencial. Percebendo o erro com um passo de atraso, Cassian quebrou a cabeça às pressas. Como poderia resolver a preocupação de Bliss? Deve haver uma solução realista, que não seja um método absurdo como ir para a faculdade.
…É isso.
— Também há outro jeito.
Com o pensamento que passou pela mente como um raio, Cassian falou imediatamente. Como esperado, Bliss, surpreso, levantou a cabeça e olhou para ele.
— O quê? Como?
— É só encontrar outro curso, alguma outra área que você queira estudar… não tem, né.
Vendo Bliss, cujo foco dos olhos logo desapareceu e cuja alma parecia ter saído do corpo, Cassian corrigiu o rumo na hora.
— Então, que tal desistir da faculdade e fazer assim? Eu te apresento meus amigos.
— Amigos?
Os olhos de Bliss, que estavam parados como um peixe morto, recuperaram o vigor. Cassian assentiu prontamente e continuou:
— Isso, meus amigos. Caiu bem na hora: na festa de noivado, vou convidar todos os meus amigos. Lá você conversa e faz amizade com eles.
Pensou ser uma boa ideia, mas a reação de Bliss foi diferente. Logo ele franziu a testa e, com o rosto cheio de insatisfação, deixou os lábios caídos.
— O que eu ganho sendo apresentado aos seus amigos? Eu preciso dos meus amigos.
— Então é só você virar amigo dos meus amigos.
Cassian perguntou, olhando para o rosto de Bliss cheio de desconfiança.
— Meus amigos são logo seus amigos. Tudo o que é meu é seu. Não é?
Diante dessas palavras, a expressão de Bliss mudou. Estava visivelmente interessado, e Cassian o persuadiu com paixão.
— Então é só usar meus amigos como seus padrinhos. Chamar para a festa, os convites… esses não precisa mandar, enfim, tem muita coisa para fazer com amigos, não tem? Se você virar amigo desses sujeitos, não precisa ir para a faculdade nem estudar.
Não é? Ao ver o rosto dele sorrindo, a confiança também brotou no coração de Bliss. É isso, Cassian tem razão. Não há necessidade de quebrar a cabeça estudando.
— Entendi.
Diante da resposta de Bliss, o rosto de Cassian se iluminou ainda mais. Pensou que agora realmente tudo estava resolvido, mas ainda havia algo que incomodava Bliss.
— Tenho um pedido a fazer.
Vendo-o começar com bastante seriedade, Cassian se tensionou por dentro. O que ele vai falar agora? Que não seja Kama Sutra. Não, nem me fale de convites também. Para o Cassian, que esperava em silêncio, Bliss lançou uma advertência com expressão severa.
— Mesmo que seus amigos passem a gostar mais de mim do que de você, não fique decepcionado. Porque isso é algo muito óbvio.
Diante dessas palavras, a tensão nos ombros de Cassian se desfez e os cantos de sua boca se relaxaram sozinhos. Mas Bliss continuava com a expressão séria. Cassian segurou o riso que ameaçava escapar e respondeu com uma atitude bastante séria.
— Tá, entendi. Mas mesmo assim, a pessoa mais próxima de você sou eu, né?
Era uma pergunta importante, à sua maneira. Ele só estava apresentando os amigos porque Bliss disse que precisava; seja quem for que se aproxime de seu precioso amante, o íntimo de Cassian não ficará nada satisfeito.
Sem saber nada desses sentimentos, Bliss prometeu com toda a confiança.
— Claro, é óbvio.
Diante dessas palavras, Cassian sorriu abertamente, levantou-se, ergueu Bliss e o abraçou.
— Vamos voltar agora, para casa.
Bliss retribuiu o abraço prontamente e enterrou a cabeça em seu peito.
— Sim, vamos.
E antes de sair da sala de chá, Cassian fez o que não havia conseguido quando reencontrou Bliss mais cedo. Deixou um beijo profundo nos lábios doces de Bliss.
⊹₊˚ x ˚₊⊹
𖹭 Continua….
𖹭 Tradução, revisão e Raws: Belladonna&Othello