Extra 16
𑣲 Deflower Me If You Can – Extra 16
— …Hah.
Koi soltou um suspiro profundo que carregava exatamente o que sentia, e ficou em silêncio por um momento, organizando os pensamentos. A confiança fervorosa no pai era algo extremamente louvável e motivo de orgulho, mas acreditar que ele era onipotente era um problema. Como manter a confiança em Ashley e, ao mesmo tempo, mudar a direção do pensamento?
— Bi, entendo o que você quer dizer, mas não se deve tentar resolver tudo através do papai.
— Eu sei. Mas isso é uma coisa que eu não consigo resolver com as minhas próprias forças. O papai consegue.
Diante daquela fala inesperada, Koi hesitou. Em seguida, Bliss deu outra resposta surpreendente.
— Se por acaso isso for impossível, o papai vai apresentar outra solução. Seria um método que eu não consigo pensar, mas que é possível para o papai, certo? Por isso é certo pedir isso ao papai.
Diante da expressão decidida de Bliss, que falava com clareza, algo raro, e o fitava, Koi se surpreendeu mais uma vez. Que resposta dessas viria do caçula que ele considerava um desastrado? A ideia de ir para a faculdade era absurda, mas pelo menos ele parecia ter uma percepção clara da situação.
Talvez eu esteja vendo o Bi como jovem demais.
Koi olhou para o caçula com um sentimento renovado, refletindo sobre si mesmo. A criança que só lhe causava preocupação já estava pronta para se tornar adulto. Um filho imaturo que até teve um bebê — as preocupações eram uma montanha, mas…
Vamos confiar mais no meu filho.
Koi tomou essa decisão e abriu a boca.
— Bi, entendo o que você quer dizer. Mas eu penso diferente, quer ouvir?
— Sim, quero.
Depois de confirmar que Bliss, que assentiu prontamente, estava prestando atenção nele, Koi continuou:
— Fico muito feliz que você confie tanto no papai, mas não acha que agora deveria mudar as prioridades?
— Prioridades?
— Isso.
Koi assentiu.
— Você não vai se casar com o conde Herringer agora? Então, quando surgir uma preocupação, não seria certo discutir primeiro com o conde Herringer?
— Com o Cassian?
A expressão de Bliss, que repetiu as palavras de Koi, ficou estranha. Diante daquela reação inesperada, Koi perguntou, perplexo:
— Por que? Tem algo que te incomoda?
— Um pouco — respondeu Bliss, e em seguida soltou um suspiro profundo.
— Porque o Cassian é muito carente. Eu tenho muitas coisas para cuidar e zelar por ele. Outro dia também, eu disse que precisávamos praticar para quando o bebê chegasse, e ele só ficou fazendo outras coisas. Sério, não tem um ponto sequer em que ele não precise de ajuda, do começo ao fim.
Bliss deixou os lábios caídos enquanto despejava suas queixas acumuladas. Mas o motivo que surpreendeu Koi era outro.
O que será que o conde Herringer fez para ele pensar assim?
Diante da lembrança que passou por sua mente, Koi teve um “ah” de compreensão. Tendo presenciado o pai o espancando até a morte diante de seus olhos, era natural pensar assim…
Mas dizer que ele é “muito carente” a esse ponto — com certeza havia algo mais que Koi não sabia. Ora, o conde Herringer vai ter que se esforçar muito daqui para frente.
Talvez seja bom usar este assunto como ponto de virada.
Pensando assim, Koi firmou sua decisão e abriu a boca.
— Claro que pode haver partes em que ele não seja confiável. Mas é justamente discutindo essas partes juntos e se complementando que consiste o casamento. O papai e o daddy também foram assim.
— Hã? O papai?
Bliss gritou, com a voz aguda como um grito. Como se tivesse ouvido uma palavra impensável para se aplicar a Ashley Miller. Mas Koi respondeu com firmeza, dizendo que sim.
— Nós também passamos por esse processo. Você e o Greyson nos veem como algo grandioso, mas o Ash e eu somos apenas um casal comum. É claro que temos nossas carências e também brigamos… enfim, foi assim.
Antes que Bliss desviasse do ponto principal outra vez, Koi continuou:
— Recebi o aviso de que o exame terminou. O conde Herringer virá para cá em breve. Então converse com ele diretamente. Se ainda achar que não dá, aí você fala com o papai, está bem?
Bliss, que estava absorto em pensamentos com o rosto sério, por fim assentiu.
— Sim, entendi. Vou fazer assim.
— Certo, que bom.
Koi elogiou o filho e acariciou sua cabeça. Bom, agora só resta ver como o conde Herringer vai reagir.
Sentindo curiosidade por dentro, ele pensou. Que bom seria se o resultado fosse bom.
E cerca de uma hora depois, finalmente o homem que ele esperava chegou à mansão.
· · ·
Enquanto esperava a porta do carro se abrir, Cassian batia ansiosamente os dedos sobre a coxa. Se fosse Bliss, teria aberto a porta e saltado sozinho. Mas ele, que passara a vida sendo educado a reprimir os impulsos com frieza e manter a compostura, tinha limites que jamais cruzaria. No fim, Cassian não teve escolha senão permanecer sentado até que o empregado da mansão que aguardava abrisse a porta do carro e se afastasse.
— Bem-vindo, conde.
Quando o mordomo, de pé bem ereto, deu as boas-vindas primeiro, Cassian, reprimindo a vontade de sair correndo, desceu lentamente do carro fingindo naturalidade e se virou. E então.
— Cassiaaaan!
Ouviu-se um grito estrondoso, e seu rosto, que ergueu a cabeça sem querer, se iluminou.
— Bliss.
Quando abriu os dois braços, Bliss, que desceu as escadas correndo como se rolasse, pulou nos braços de Cassian. Ao abraçá-lo com força, o aroma de que sentia saudade exalou intensamente. Respirando fundo e apreciando à vontade o perfume de Bliss, Cassian soltou um suspiro satisfeito e abriu a boca.
— É perigoso, não pode correr.
Ao adverti-lo tarde demais, Bliss ficou com olhos de peixe morto e olhou de esguelha para Cassian.
— Hum, e mesmo assim gostou.
Será que eu revelo meus sentimentos tão facilmente assim? Entre a vergonha e o riso que brotou, Cassian acabou rindo em voz alta.
— Uaah!
Quando ele ergueu Bliss no colo, ele gritou e apressadamente enlaçou o pescoço de Cassian com os braços. Cassian, com o rosto todo tomado por um sorriso, deu passos lentos e abriu a boca.
— Você está bem? Aconteceu alguma coisa?
— Fiquei bem, mas aconteceu uma coisa.
Bliss, que logo ficou sério, falou com o rosto sério para Cassian, que ficou sério na hora.
— Nós temos algo importante para discutir.
· · ·
Depois de cumprimentar Koi primeiro, Cassian foi com Bliss para a sala de chá. Graças às providências que Koi havia tomado para que os dois pudessem conversar a sós, eles se sentaram frente a frente com a mesa de chá entre eles e desabafaram o que tinham no coração.
Enquanto Cassian, curioso e preocupado, prestava atenção no que teria acontecido, Bliss começou a despejar a história dos últimos dias.
— …Foi assim que aconteceu.
Depois que toda a história terminou, Bliss concluiu com gravidade. Cassian, que até então só escutava sem dizer nada, abriu a boca pela primeira vez.
— Então o que você quer dizer é que precisa de amigos, certo?
— Isso. Por isso quero ir para a faculdade, mas se você achar que com a sua capacidade não vai dar, me avise, está tudo bem.
Bliss, que falou sem cerimônia algo que poderia ferir os sentimentos de Cassian, apertou um botão ainda maior.
— Se você disser que não dá, é só pedir ao papai para resolver!
O botão anterior também tinha sido grande, mas este não podia de forma alguma ser ignorado.
— Bliss.
Cassian, sentindo a veia saltar em sua têmpora, forçou uma voz o mais suave possível e falou.
— Então o que você quer dizer é que precisa de amigos por causa do casamento, certo?
— Isso, muitos.
Ao Bliss, que assentiu com força, Cassian perguntou mais uma vez.
— Precisa mesmo ir para a faculdade só por causa disso? Na faculdade você vai ter que estudar muito, tudo bem? Ou por acaso tem alguma área de estudo que você queira aprender?
— Eu também sei que na faculdade a gente tem que fazer estudos profissionais.
Vendo-o com os lábios caídos de insatisfação, parecia que havia algo em mente. Olhando para Bliss, que declarou com toda a confiança diante do Cassian que esperava intrigado:
— Vou me especializar em Kama Sutra!
Cassian ficou paralisado por um bom tempo, sem dizer nada.
⊹₊˚ x ˚₊⊹
𖹭 Continua….
𖹭 Tradução, revisão e Raws: Belladonna&Othello