Extra 14
𑣲 Deflower Me If You Can – Extra 14
— Fuuuh.
Greyson soltou um suspiro profundo e entrou no saguão. As luzes se acenderam todas de uma vez pelos cantos do interior silencioso. Sem hesitar, ele atravessou a casa vazia e foi direto ao banheiro.
Enquanto a banheira se enchia de água quente, Greyson serviu-se de uma dose de bebida e a virou de uma vez. Mesmo tendo engolido de uma só vez um álcool de teor bastante alto, seu humor continuava um desastre. Com um copo recém-servido na mão, ele se encostou na parede do banheiro e, fitando além da janela panorâmica totalmente aberta, as últimas semanas agitadas passaram diante de seus olhos. Uma ruga profunda se formou na testa de Greyson.
Hoje também foi em vão.
Crac, ele rangeu os dentes sem perceber. Havia ido à festa de um sujeito cujo nome nunca tinha ouvido falar e ficado até o amanhecer, mas no fim voltou de mãos vazias assim. De tão incrédulo, nem conseguia rir.
Mas o problema maior era o fato de essa situação se repetir todas as vezes. Ele começou a não suportar mais a impaciência.
Já era hora de ele aparecer.
Resmungou como uma ameaça, mas como não havia ninguém para ouvir, era só uma bravata vazia. Greyson sabia disso, o que o deixou ainda mais furioso, e bebeu outra vez.
Ultimamente ele vinha procurando sua alma gêmea com mais ardor do que antes. O motivo, é claro, foi a declaração de casamento dos dois irmãos mais novos. Os outros irmãos, exceto ele, também não estavam em situação muito diferente, mas o motivo pelo qual aqueles dois em especial mexeram com o ânimo de Greyson era um só.
Eram Chase e Bliss.
Ele sempre pensou que, por serem irmãos tão carentes, precisaria cuidar deles a vida toda, e dedicou muito tempo a isso, mas eles se casaram antes de Greyson — o que era aquilo? A notícia do casamento dos dois lhe trouxe um choque como se o mundo tivesse virado de cabeça para baixo, e, surpreendentemente, Greyson chegou a ficar de cama.
Ele, que sofreu dores musculares intensas por um dia inteiro a ponto de ter que suspender temporariamente sua missão de vida, a “busca pelo par”, reuniu forças e voltou à carga. Se aqueles dois idiotas encontraram um par, não havia motivo algum para Greyson não conseguir.
Ir a festas para as quais não foi convidado, dormir com parceiros que não lhe agradavam, procurar uma cartomante com meses de espera e intimidá-la para arrancar pistas sobre seu par destinado — tudo isso fazia parte desse esforço atarefado. Chegou até a vagar por um parque enorme do amanhecer à noite, pensando que talvez ela estivesse correndo por lá.
Mas, droga, maldito, que merda!
Quando estava à beira de enlouquecer com dias sem nenhum resultado, apenas com dores musculares absurdas, Koi lhe disse uma palavra de consolo:
— Há muito tempo, Greyson. Que tal procurar com calma?
Era uma preocupação sincera, mas não havia como entrar nos ouvidos de Greyson. E não era à toa: Koi e Ashley eram os modelos de Greyson, e eles haviam encontrado o par para a vida toda no ensino médio.
É fácil falar quando é com os outros.
Greyson zombou o quanto quis, mas isso não mudava nada. O papai e o daddy, os outros irmãos e até os dois idiotas encontraram suas almas gêmeas. O único que sobrou foi Greyson.
Será que… não existe esse tipo de coisa para mim…?
Uma suposição assustadora ergueu a cabeça sorrateiramente, mas logo ele a negou. Não pode ser. As cartomantes diziam cada uma uma coisa diferente, mas havia um único ponto em comum. O par que passaria a vida toda com Greyson certamente existia no mundo e eles certamente se encontrariam. Só era preciso encontrá-lo.
Só encontrar.
Renovando a determinação, ele engoliu a bebida do copo. Com expressão séria, fitando algum lugar onde ela poderia estar, uma música familiar soou em seus ouvidos. Era o sinal de que a banheira estava cheia. Greyson largou o copo, tirou a roupa sem hesitar e entrou na água quente, fechando os olhos.
Quero logo entrar aqui com ela.
Com um pensamento doce carregado de anseio sincero, ele, acalmando com dificuldade seu íntimo dolorido, encerrou mais um dia sem nenhum resultado.
· · ·
♬♬♪♩♪♪♬…
Com o toque insistente da campainha, Greyson, que só conseguira dormir ao amanhecer, soltou um gemido de sofrimento. Se eu deixar, vai desistir sozinho. Pensou assim, mas a campainha, que parou por um instante, começou a tocar estrondosamente de novo, como se zombasse dele.
— Que merda é essa!
Incapaz de aguentar, Greyson soltou um palavrão e gritou ao telefone. Então, do outro lado da linha, em contraste com sua voz rouca, ouviu-se uma voz alegre.
— Greyson, sou eu. Onde você está?
Greyson não conseguiu reagir por um instante. Piscando os olhos duas vezes rapidamente, ele franziu a testa e abriu a boca.
— …Bliss?
Perguntou com descrença, e o outro respondeu animado:
— Sim, sou eu. Claro que sou eu! Onde você está? O que está fazendo agora?
O que é isso, de repente, seu moleque?
Pego de surpresa, Greyson esqueceu por um instante a raiva de antes. Bliss deveria estar na Inglaterra, não? Ao lembrar em seguida por que ele havia ido para a Inglaterra, a raiva voltou na hora.
Que se dane.
Aquele idiota que, para irritá-lo, encontrou sua alma gêmea antes dele e foi para a Inglaterra como se quisesse se exibir não interessava nem um pouco a Greyson. Portanto, era natural desligar na hora, mas executar isso não era fácil. Porque o outro era Bliss.
Se eu desligar, ele vai ligar de novo.
Lembrando da campainha que tocava incansavelmente, não era uma suposição difícil. Havia também a opção de simplesmente desligar o celular, mas, se fizesse isso, talvez perdesse a chance de “um amor destinado surgido de uma ligação enganada”.
No fim, Greyson esfregou o rosto com irritação e resmungou de mau humor:
— O que você quer, por que está ligando? Fala logo, estou esperando uma ligação.
— Então você está à toa, sem fazer nada. Entendi.
— O que é que você quer?
Greyson explodiu de raiva com as palavras arbitrárias, mas é claro que isso não funcionava com Bliss.
— Vou até aí te contar.
Ao ouvir o risinho “hu hu hu”, a irritação transbordou e ele sentiu como se uma pedra tivesse se instalado no peito. Greyson rangeu os dentes e zombou:
— E você sabe onde eu estou?
Foi exatamente naquele momento. Um arrepio gelado percorreu a espinha de Greyson. E o fato de ele virar a cabeça por reflexo e a porta do quarto se abrir de repente aconteceram quase ao mesmo tempo.
— Aqui, ó!
Bliss, que gritou na direção de Greyson, que apenas olhava boquiaberto com o celular ainda no ouvido, correu direto para a cama e o abraçou de uma vez.
— Senti sua falta! Como você está?
Greyson empurrou brutalmente o irmão mais novo, que fazia menção de beijar sua bochecha e alternava “hummmwaa, hummmwaa”.
— Que chato, some.
— Uaah!
Bliss gritou e rolou pelo chão. No instante em que se lembrou de que ele estava grávido, o rosto de Greyson ficou imediatamente pálido.
— Será que se configura legítima defesa?
Preciso de um motivo razoável para ter empurrado Bliss. Repetindo mentalmente o que Ashley Miller dizia como um bordão, ele quebrava a cabeça às pressas, quando diante de seus olhos Bliss girou o corpo com um rodopio e rolou agilmente na cama.
— Ta-dá! Não caí.
Diante daquelas palavras ditas com as mãos na cintura, como quem se exibe, Greyson soltou um “fuu” de alívio. Havia passado em segurança pela crise momentânea, mas logo a irritação voltou.
— Como diabos você descobriu que eu estava aqui?
O apartamento que a família possuía desde as gerações anteriores podia ser usado por qualquer um da família. Até recentemente era o lugar onde Nathaniel morava, mas agora estava geralmente vazio — como Bliss sabia e veio? Diante da cobrança de Greyson, Bliss respondeu com confiança:
— Ora, é óbvio. Você tinha que estar aqui para eu te encontrar mais facilmente.
— O que você está dizendo, seu idiota.
Greyson falou asperamente, incrédulo. O erro foi meu, por tentar levar Bliss a sério. Como era barulhento, queria simplesmente expulsá-lo, mas, vendo que ele veio até aqui, devia ter algum assunto. Então não recuaria até resolver isso.
— Então o que é, o motivo de você ter vindo até aqui.
Ao perguntar com voz cansada, Bliss, como se tivesse se lembrado tarde, soltou um “ah” de exclamação, tirou a pequena bolsa que carregava nas costas e pegou algo de dentro.
— Aqui, Greyson. É o convite do meu casamento!
— Porra, some!
⊹₊˚ x ˚₊⊹
𖹭 Continua….
𖹭 Tradução, revisão e Raws: Belladonna&Othello