Extra 13
𑣲 Deflower Me If You Can – Extra 13
— Sim, mas agora há pouco você só disse que o pulso estava inchando.
— Dá no mesmo.
Diante da resposta de Ariel, que passou pelo assunto com leveza, Koi finalmente soltou um suspiro de alívio e falou com sinceridade:
— Obrigado, Al. Você é minha salvadora para o resto da vida.
Então Ariel deu aquele sorriso confiante que lhe era característico e deu de ombros.
— Imagina. Entre irmãs.
Quando Koi também sorriu tranquilamente de volta, Bliss olhou alternadamente para os dois com o rosto perplexo e logo entendeu.
Ah, ele está agradecendo por ela ter evitado que eu me machucasse.
Realmente, amizades de 10 anos, não, 20? 30? Enfim, amizades antigas são realmente lindas, pensou Bliss, levemente comovido, quando de repente se lembrou.
— A tia Al também veio ao casamento do papai e do daddy, né?
— Claro, é óbvio.
Diante de Ariel, que respondeu prontamente a ele, que arregalava os olhos como se tivesse feito uma descoberta incrível, Koi também assentiu. Logo os olhares dos dois se encontraram no ar e, ao mesmo tempo, trouxeram à memória lembranças saudosas.
— Foi tão divertido naquela época, não foi?
À pergunta de Ariel, que falou primeiro, Koi concordou, dizendo que sim.
— Fiquei tão feliz e grato por todos terem vindo até o Leste. Durante a estadia, até parecia que eu tinha voltado aos tempos de escola.
— Pois é. Búfalo! Búfalo!
— Búfalooo!
Os dois agitaram um dos braços, gritaram o lema e caíram na gargalhada. Depois que a risada gostosa passou, Koi murmurou com expressão nostálgica:
— Queria ver todo mundo.
— É verdade, faz tanto tempo que não nos vemos.
Ariel também concordou com amargura. No ar doce e saudoso, Bliss, que estava ali sozinho sem entender nada, se intrometeu discretamente.
— O que é Búfalo? Como foi o casamento?
— Hã? Ah.
Koi hesitou por um instante e logo respondeu sorrindo:
— É o nome da escola onde estudamos. A gente era do mesmo clube.
— Sério? Hã?
Bliss se animou por um momento, mas logo inclinou a cabeça.
— A tia Al não era chefe das líderes de torcida? Ou ela participava de vários clubes?
Enquanto ele olhava alternadamente para Ariel e Koi, intrigado, de repente Koi ficou visivelmente perturbado. Ariel, que o observou de esguelha, assentiu como se não fosse nada demais.
— Isso, a gente era do mesmo clube de torcida.
— A-A-Al!
Koi se assustou, mas Ariel não deu atenção e continuou:
— Ele era um membro muito especial. O clube de torcida da escola Búfalo só aceitava mulheres. Ele era um caso peculiar que passou por testes difíceis e teve permissão especial para entrar.
— Al, espera, Bi, é que, então, isso é…
Koi tentou desesperadamente contornar a situação, mas antes disso Bliss soltou um grito de alegria.
— Uau, que incrível!
Quando Koi hesitou por um instante, Bliss logo ficou com as bochechas coradas, os olhos brilhando, e exclamou com entusiasmo:
— Ser o único membro masculino é demais! Não sabia que o daddy era tão ágil! Que legal! Então o daddy pegava a tia Al no colo e tal? Girando assim, assim?
Vendo o filho gritar empolgado sem parar, Koi piscou os olhos atordoado e se virou para Ariel. Pois é. Ariel riu de leve como se fosse óbvio.
Normalmente, se é um membro masculino, a pessoa pensa que ele atuava como homem, quem ia imaginar que ele se vestia de mulher?
Era como se a voz de Ariel soasse diretamente na cabeça dele. Koi ficou sem motivo envergonhado, corou e riu sem graça.
— N-não fizemos esse tipo de coisa, a gente só seguia os movimentos. Também não fiquei por muito tempo, naquela época foi mais como uma entrada de emergência porque faltavam membros…
Ao terminar de falar, as lembranças daquela época ressurgiram vívidas. Com a expressão se desfazendo sozinha, Koi murmurou como se falasse consigo mesmo:
— Graças a isso, acabei fazendo um monte de amigos.
— Amigos? Um monte?
Os dois olhos de Bliss se arregalaram. Os tempos de escola do daddy e da tia Al, algo que ele nunca imaginou — era empolgante, mas primeiro ele decidiu ouvir essa história depois. O importante agora é o meu casamento!
— Esses amigos vieram ao casamento que você mencionou?
Diante da pergunta de Bliss, desta vez foi Ariel quem respondeu.
— Sim, os amigos que eram líderes de torcida comigo. Também colegas de ensino médio…
— Então os amigos do papai também? Vieram os amigos que eram colegas de ensino médio dele?
Vendo-o interromper a fala dos outros para perguntar sem modos, Koi ia dizer algo, mas Ariel não se importou e deu a resposta que ele queria.
— Sim, o Ash estava no time de hóquei no gelo, então aqueles gorilas com quem ele jogava vieram e foram padrinhos. Fizeram a despedida de solteiro juntos também.
— Despedida de solteiro!
As orelhas de Bliss se ergueram. É mesmo, por que eu esqueci disso? Também preciso de padrinhos. Muitos, muitos! E não era só isso. Ao ouvir de lado a conversa que os dois naturalmente trocavam, havia vários momentos em que se precisava de gente. Tinha que fazer a festa de revelação do sexo do bebê, precisava de alguém para pegar o buquê, e também de alguém para guardar as alianças e entregá-las.
Em resumo, ele precisava de muitos amigos.
No momento em que chegou a essa conclusão, a mente de Bliss ficou em branco. O que eu faço! Cobrindo o rosto com as duas mãos, Bliss escancarou a boca.
— Eu, eu não tenho nem um amigo!
Diante do grito que ele soltou levantando-se de repente, Ariel e Koi, que conversavam sorrindo, se assustaram e olharam para ele de baixo para cima. Logo em seguida, um silêncio constrangedor se instalou.
· · ·
— Uaaaaah, uaaaaah.
Bliss, sofrendo, batia no colchão da cama, rolava algumas vezes e voltava a bater, repetidamente. Idiota, idiota, idiota! Como eu pude esquecer algo tão importante. O que eu faço, meu precioso casamento vai virar uma bagunça.
— O evento da minha vida!
Enquanto ele se debatia na cama, gemendo “aaaah” e sofrendo outra vez, ouviu-se uma batida na porta e, pouco depois, Koi enfiou a cabeça pela porta.
— Bi, você está bem?
— Não estou nem um pouco bem!
Uuugh, gritando e rolando de um lado para o outro, Bliss acabou chegando à beira da cama.
— Bi!
No momento em que Koi, pálido, ia correr, Bliss parou de repente à beira, por um triz, e rolou naturalmente na direção oposta. Fuu, soltando um suspiro de alívio e limpando o peito, Koi voltou a andar e se aproximou de Bliss.
— O que está acontecendo, afinal? Que história é essa de amigos?
Sentando-se à beira da cama e acariciando as costas de Bliss, perguntou, e Bliss, que até então estava com o rosto enterrado no colchão, murmurou em resposta:
— No casamento do papai e do daddy, um monte de amigos incríveis veio parabenizá-los.
— Vieram.
Koi, que respondeu obedientemente, fechou a boca e esperou a reação do filho. Bliss, que ficou um tempo em silêncio, soltou um suspiro abafado e murmurou com a voz sumida:
— Mas eu não tenho amigos…
Só então Koi entendeu o comportamento de Bliss. É claro que era verdade que os amigos dos tempos de escola iluminaram o casamento dele como um momento único na vida, mas isso não significava que Bliss precisava se desesperar desse jeito. Cada um tem seu próprio jeito.
— Está tudo bem, Bi. Amigos você pode fazer aos poucos a partir de agora…
Koi consolou o filho com voz carinhosa. Ele ia acrescentar que o duque e a duquesa cuidariam das pessoas necessárias para o casamento e que, se precisasse, ele mesmo ajudaria, então não precisava se preocupar, quando.
— É isso!
De repente, Bliss ergueu a cabeça num pulo e gritou. Koi, assustado, hesitou e encolheu a mão, e Bliss, como se esperasse por aquilo, sentou-se de um salto e continuou com o rosto animado:
— Se não tenho amigos, é só fazer amigos, é isso!
Não havia tempo para pensar “não é?” e relaxar. Em seguida, Bliss fez uma declaração bombástica.
— Eu quero ir para a faculdade! Para fazer amigos!
6.
Um silêncio constrangedor nada estranho se instalou. Koi apenas olhou para o filho sem entender de imediato o que acabara de ouvir. Mas Bliss não lhe deu tempo para assimilar.
— É isso, era só fazer isso! Vamos fazer amigos! Amigos! Iuuu!
Vendo o filho que se levantou de um salto, esticou os dois braços para o alto e começou a pular na cama, Koi nem sequer pensou em impedi-lo.
— Bli, quer dizer, Bi, espera, é que, não, o quê…
Ele tentou mover a cabeça de algum jeito, mas com o colchão balançando, sua visão tremia e ele não conseguia pensar direito. Engolindo um gemido e fechando os olhos, Koi ouviu o grito animado do filho caçula:
— Daddy, eu quero ir para a faculdade a partir de amanhã mesmo. Me manda para a Universidade de Nova York!
E Koi desistiu de pensar.
⊹₊˚ x ˚₊⊹
𖹭 Continua….
𖹭 Tradução, revisão e Raws: Belladonna&Othello