Capítulo 62
↫─Capítulo 62
A busca por uma casa começou para valer no dia seguinte. Parecia que Ash falava sério quando sugeriu que procurassem imóveis juntos, pois questionou Karlyle sobre as propriedades com um nível surpreendente de detalhes. Quando perguntou quais casas Karlyle gostaria de visitar, Karlyle escolheu quatro aleatoriamente, sem muito entusiasmo. Como nenhuma daquelas casas teria Ash nelas, a escolha não fazia a menor diferença.
Eles visitaram a primeira residência às sete horas do dia onze de fevereiro, em uma noite de dia útil. Situada em uma área residencial a dez minutos a pé da estação Notting Hill Gate, a casa tinha sido pintada de um branco brilhante, lembrando vilas mediterrâneas, com roseiras se espalhando pelo jardim. A cena seria bastante bonita quando a primavera chegasse.
O interior não era nem particularmente impressionante nem inadequado, com uma garagem grande e um estilo semivitoriano semelhante ao da casa de Natalie. Se alguém tivesse que apontar seu recurso notável, seria o lago que animava o jardim dos fundos.
A residência era, no entanto, consideravelmente menor do que a mansão em Hampstead Heath onde Karlyle originalmente morava. Enquanto Karlyle, que moraria sozinho, considerava o tamanho algo de pouca importância…
— É pequena demais — Ash comentou assim que eles entraram.
Karlyle piscou, olhando para a frente. — É?
— Sim. Considerando as casas em que você viveu, esta aqui não é pequena demais?
Mesmo comparada à própria casa de Ash, tinha cerca da metade do tamanho. Karlyle foi rapidamente convencido. — Realmente parece pequena.
— Você está acostumado com um certo ambiente, então não acho que esta seria adequada para você, Lyle. — Ash parou de repente. — Ah, me perdoe. — Inclinando a cabeça com as sobrancelhas relaxadas, ele adicionou: — É apenas a minha opinião. Se você gosta, é tudo o que importa. Claro que eu vou ajudar você com a mudança também.
Mudança. Karlyle congelou por um momento antes de balançar a cabeça com uma postura ensaiada. Assumindo um tom profissional, ele explicou por que a casa não era adequada e concluiu: — Você tem razão, Ash.
Claro, se Ash dizia, aquilo era sempre suficientemente correto para Karlyle.
— Você realmente acha?
— Sim.
Karlyle olhou para trás para seu assistente, que os seguia vestindo uma expressão ligeiramente constrangida, e balançou a cabeça para que a casa fosse riscada da lista.
— Fico feliz que você concorde comigo. — O sorriso de Ash floresceu, com os cantos de seus olhos se franzindo calorosamente. A visão daquele sorriso lindo apertou o peito de Karlyle.
A decisão de Karlyle tinha sido completamente racional. Afinal, Ash era muito mais conhecedor de espaços residenciais do que ele. Enquanto o trabalho de Karlyle envolvia investir em imóveis, sua especialidade residia no valor das propriedades, não em julgar casas individuais por seu potencial de moradia. Em questões sobre a casa em si, as opiniões de Ash eram inegavelmente mais confiáveis.
No dia doze de fevereiro, eles visitaram duas propriedades. Uma ficava a aproximadamente quinze minutos de caminhada da casa de Ash, o que não era tão ruim, mesmo para o critério rigoroso de distância de Karlyle.
A casa, cercada por um muro de tijolos, tinha uma aparência limpa. Seus tons em preto e branco e a remodelação em estilo apartamento pareciam tomar emprestados elementos de design de mansões com projeto semelhante em Mayfair.
— Não tenho certeza sobre o posicionamento das janelas. Mas, claro, é apenas a minha opinião — Ash disse quando Karlyle pediu seus pensamentos enquanto subiam a escada. Esta casa tinha cerca do mesmo tamanho da de Ash. Apoiando o queixo com a mão pensativamente, Ash examinou o interior com cuidado antes de continuar. — Karlyle, como a sua temperatura corporal costuma ser baixa, acho que seria melhor você morar em uma casa mais quente. Esta aqui não parece receber muita luz do sol no inverno. Um bom aquecimento e a luz do sol não são a mesma coisa, sabe?
A luz do sol era essencial para manter a saúde de alguém. Assim, a observação de Ash era extremamente válida.
Além disso, o clima sombrio e persistente de Londres, que durava mais da metade do ano, desempenhava um papel substancial no temperamento daqueles que moravam lá. A inclinação profundamente enraizada de se aglomerar em pedaços de grama ensolarados quando o verão chegava para se despir e se bronzear ao sol não era sem motivo.
— Suponho que pareceria bastante depressivo.
Isso também era inteiramente verdade, já que Karlyle de fato ficaria deprimido quando Ash não estivesse ao seu lado.
Ash esfregou o queixo pensativamente. — Se o meu Lyle ficasse triste, eu ficaria com o coração partido também. Eu poderia até ficar abatido demais e perder completamente o apetite.
Fazer a pessoa amada ficar de luto a ponto de afetar seu apetite era apenas o comportamento de um canalha. Karlyle, tendo sido criado como um cavalheiro, não podia tolerar tal pensamento. Ele até carregava sangue nobre, não carregava?
— Vamos riscar esta da lista.
— Boa decisão.
Ash, que estava olhando para ele com olhos tristes, agora sorria abertamente, seu sorriso tão adorável que Karlyle sentiu seu coração derreter em seu brilho. Ele hesitou por um momento, mas logo estendeu a mão para pegar a de Ash, incapaz de resistir. Ash segurou a mão de Karlyle com firmeza em resposta e beijou as costas dela com um estalado audível.
Eles rapidamente passaram para a próxima casa. Como tinham passado menos de dez minutos na propriedade anterior, o assistente se desdobrou para ajustar a agenda deles. Desta vez, a casa ficava na direção oposta.
Ash examinou o interior com um olhar neutro, enquanto Karlyle nem se deu ao trabalho de fingir inspecionar a casa, optando em vez disso por esperar silenciosamente pela avaliação de Ash. O assistente observava com olhos perplexos.
— A cozinha não é muito impressionante. Você gosta de cozinhar, Lyle.
Karlyle, em seus vinte e três anos de vida, tinha passado não mais do que vinte dias se aventurando em qualquer coisa relacionada a cozinhar — até conhecer Ash. Desde então, ele tinha passado três dias no ano passado e quarenta e três dias este ano cozinhando ao lado dele. Isso trazia seu grande total de experiência culinária para sessenta e seis dias. Dizer que ele “gostava de cozinhar” parecia um exagero, considerando o quão pouco tempo Karlyle realmente tinha passado fazendo isso.
— Os cooktops de indução também não são dos melhores — adicionou Ash.
Embora os eletrodomésticos pudessem ser substituídos, o julgamento de Ash permaneceu firme. Karlyle, como sempre, concordou sem hesitação. — Você tem um olho tão apurado, Ash.
— Você acha? Suponho que me aventurar no design de interiores deve ter ajudado um pouco. Ouvir você me elogiar é um pouco vergonhoso, no entanto. — A voz segura de Ash não carregava nenhum traço de vergonha. Ainda assim, seus lábios se curvaram em um sorriso suave, covinhas se formando em suas bochechas esculpidas para combinar com as dobras finamente cinzeladas que emolduravam seus olhos. O arco delicado de seus lábios espelhava mais de uma pintura.
O olhar de Karlyle inadvertidamente se demorou nos lábios de Ash. Percebendo, Ash se inclinou e o encontrou em um beijo leve como uma pena. O assistente, perceptivo como sempre, com tato escorregou para fora da vista deles.
A tão aguardada visita à última casa ocorreu no dia treze de fevereiro. Ash não pôde se juntar desta vez. Desde o momento em que acordou, ele parecia um pouco fadigado, e Karlyle notou isso imediatamente.
— Você está bem, Ash?
Karlyle estendeu a mão para tocar seu ombro. Ao longo dos últimos dias, os feromônios de Ash tinham ficado excessivamente fortes, ao ponto de se sentirem quase tangíveis contra a pele de Karlyle.
Ash, tendo acabado de acordar, olhou para Karlyle com um rosto inexpressivo. Karlyle estava bem ciente de que Ash frequentemente usava uma expressão vazia pelas manhãs, mas hoje parecia especialmente pronunciada.
O olhar letárgico de Ash pousou na mão de Karlyle, ainda apoiada em seu ombro. Ele piscou lentamente, deliberadamente, antes de erguer a mão para segurar o pulso de Karlyle. Ainda mal consciente, ele guiou a mão para os seus próprios lábios. As almofadas rosa-pálidas se abriram, revelando dentes brancos. E sem hesitação, Ash mordeu os dedos de Karlyle, com força.
— …Ugh.
Ash mastigou os dedos longos de Karlyle, depois os lambeu sugestivamente. Sua língua passou sobre as pontas dos dedos de Karlyle com uma minúcia indecente.
A visão de Karlyle girou, e ele se viu deitado, tendo sido empurrado para a cama. Ash, ainda fixamente lambendo e sugando os dedos de Karlyle, roçou a parte inferior de seu corpo contra ele, esfregando o quadril insistentemente. Através de seus pijamas finos, o pau ereto matinal duro se roçava.
O peso de Ash pressionava contra ele, seu comprimento rígido raspando contra o de Karlyle. A fricção rapidamente acendeu a excitação de Karlyle, enviando um fluxo de calor queimando por seu corpo. Enquanto Ash geralmente não se detinha em querê-lo, ele tendia a se conter durante as manhãs de dias úteis. Aquele ardor repentino era atípico dele. Ash nunca tinha mordido assim antes também.
Ash soltou os dedos lambuzados de saliva de Karlyle e mudou seu foco para o pescoço de Karlyle. Alfas não podiam marcar uns aos outros através de mordidas, mas eles ainda se mordiam, então o corpo de Karlyle estava perpetuamente coberto com as evidências. Os lábios de Ash pousaram em um dos hematomas roxos que desbotavam.
— Ash…?
Isso também era incomum para a manhã. Karlyle hesitou, pego de surpresa. Ash, parecendo surdo às suas palavras, sugou avidamente seu pescoço, afundando os dentes na pele macia. Suas mandíbulas vigorosas seguiram uma trilha de mordidas do pescoço de Karlyle até sua clavícula e peito.
Abrindo o roupão de Karlyle, Ash enterrou o rosto contra seus peitorais. Seus mamilos expostos, meio eretos pelo ar frio, destacavam-se apontados enquanto eram desnudados. Ash gentilmente tomou um na boca, sugando como um bebê. O rosto de Karlyle ficou ruborizado em um vermelho profundo de vergonha, o rubor logo acendendo não apenas as bochechas, mas seu corpo inteiro.
— Ash, talvez devêssemos… mais tarde…
Karlyle tentou empurrar os ombros de Ash para trás com pouca força por trás da ação. Ash não se mexeu, como se não tivesse ouvido Karlyle de forma alguma. Balançando a cabeça com insatisfação, Ash, em vez disso, agarrou-se a Karlyle ainda mais. O apego birrento de Ash fez o coração de Karlyle pular várias batidas, seu pulso acelerando fora de ritmo.
“Quão adorável.”
No entanto, o que se seguiu esteve longe de ser adorável. Ash achatou a língua e a arrastou pela aréola e mamilo de Karlyle, deixando um rastro pegajoso. A saliva se espalhando por uma área tão sensível fez o quadril de Karlyle se torcer.
— Haa… — Sentir qualquer coisa em seu peito ainda era profundamente humilhante. Karlyle apertou mais o abraço nos ombros de Ash. Aquilo era ousado demais para a manhã.
— Ash, espere… pare…
A esta altura, seus mamilos tinham enrubescido pela estimulação e formigavam ao menor toque. Ash começou a mordiscar um gentilmente com as pontas afiadas de seus dentes. Uma sensação elétrica disparou do peito de Karlyle, correndo por seu corpo como uma corrente. Seus dedos dos pés se curvaram involuntariamente.
— Ah, Ash… aí não…
A sensação enlouquecedora de formigamento o perturbava como uma coceira. Seus dedos dos pés se flexionaram em tensão e se abriram como um leque. Karlyle instintivamente tentou se encolher, mas Ash o prendeu, esfregando-se ainda mais forte contra ele.
Lá embaixo, seus paus ansiosos se chocavam em ritmo, enquanto acima, Ash alternava entre morder e sugar seus mamilos. Os pensamentos de Karlyle evaporavam sob a dupla estimulação.
— Ah, hngh, por favor, pare…!
Karlyle continuou a implorar, seus olhos lacrimejantes se franzindo em desespero. Ele temia que, se Ash continuasse assim por mais tempo, qualquer coisa mais rápido, ele poderia se perder completamente.
Mas então a salvação chegou na forma de um telefone tocando, seu assistente estava ligando. A visita ao imóvel estava agendada para as 10h, já que tanto Ash quanto Karlyle deveriam começar seus dias de trabalho mais tarde do que o habitual.
— Ash, hngh… o telefone… eu preciso… atender… ahh…
Ash pareceu ouvi-lo, pois ergueu a cabeça, cessando a sucção insistente dos brotos sensíveis. Feromônios preencheram o ar, bombardeando os sentidos de Karlyle e fazendo-o arfar enquanto lutava pelo ar. Ash se sentou, parecendo como se estivesse prestes a recuar.
Um alívio conflitante tingido de decepção tomou conta de Karlyle. Uma mancha úmida tinha se formado em seu roupão onde sua excitação tinha vazado fluido pré-seminal. Forçando suas respirações entrecortadas à uniformidade, Karlyle tateou em busca do telefone.
— Karlyle Frost falando.
Mas Ash não estava recuando, afinal.
[ Bom dia, senhor. Estou ligando para confirmar sua consulta de visita à casa em uma hora. Devo lhe enviar um motorista?] — perguntou seu assistente ao telefone.
Enquanto Karlyle tentava se concentrar na ligação, Ash abriu as coxas dele. Apoiando os joelhos de Karlyle com suas mãos grandes, Ash ergueu as pernas de Karlyle para cima. Os olhos de Karlyle se arregalaram em choque, e seu olhar desceu rapidamente.
“O que ele está fazendo…?!”
Seus olhos se encontraram. O rosto de Ash, anteriormente inexpressivo, contorceu-se em um sorriso peculiar, langoroso e perigoso. Abaixando o tronco, Ash se inclinou entre as pernas escancaradas de Karlyle e entenrrou o rosto ali. Então a respiração de Karlyle engatou.
A língua de Ash deslizou sobre a entrada macia e sensível de Karlyle, ainda frouxa da noite anterior. Ele lambeu entusiasticamente, como quem saboreia uma iguaria. A ponta de sua língua pressionou contra as dobras delicadas, como se as estivesse alisando.
Karlyle mordeu o lábio, seu aperto se intensificando ao redor do telefone, mas ele não conseguiu evitar que suas respirações quentes e entrecortadas escapassem.
— …Hrgh.
[Senhor?]
Karlyle mal conseguia registrar a voz de seu assistente enquanto a língua de Ash começava a se aprofundar, movendo-se e girando contra suas paredes internas ainda doloridas. A língua úmida e escorregadia provocava entrando e saindo, e o corpo de Karlyle se tencionava involuntariamente ao redor dela. Ser tão minuciosamente lambido assim era profundamente vergonhoso e, no entanto, ele não podia negar o prazer.
Como Karlyle achava o beijo grego lamentavelmente constrangedor, Ash raramente se engajava no ato, mesmo desde que começaram a namorar, então já fazia um tempo que Ash não se entregava a isso.
— Isso não vai ser… — Temendo que um gemido pudesse escapar, Karlyle falou devagar e deliberadamente. Suas pernas tremiam enquanto ele tentava em vão empurrar Ash para longe. Sua mão se estendeu para segurar o cabelo de Ash, mas fraquejou quando a língua de Ash se torceu por dentro, fazendo com que Karlyle o puxasse para mais perto, em vez disso. — …neces…sário…!
Era bom demais. Não deveria ser tão bom. Lágrimas se acumularam em seus olhos. Esfregando sua bochecha corada contra o travesseiro, Karlyle mordeu o lábio. As veias de seu pescoço saltaram enquanto seus músculos se tencionavam, e seus dedos dos pés curvados tremiam sob suas pernas que se contorciam.
[Está tudo bem, senhor?]
A língua de Ash só começou a se mover mais rápido. Mesmo sem lubrificante, sons encharcados inundaram o quarto. Um gemido sufocado subiu pela garganta de Karlyle, e ele encerrou a ligação. Seus dedos trêmulos mal conseguiram apertar o botão antes que o telefone escorregasse de sua mão e caísse no chão.
— Hngh, ah… ahhh! Uh, ngh…
“Por que é tão bom ser lambido lá embaixo? Por que estou sentindo tanto isso?” Um fluxo de autorreprovação surgiu dentro dele, mas ele não conseguiu se forçar a pedir para Ash parar.
Mesmo enquanto balançava a cabeça, Karlyle arqueou as costas bruscamente. Ash pareceu interpretar isso à sua própria maneira, pois puxou o quadril de Karlyle para mais perto e afundou a língua o mais fundo que podia ir.
Pelo que pareceu uma eternidade, Ash continuou até que, finalmente, foi o suficiente para levar Karlyle ao clímax. O fato de ele ter um dia sofrido de disfunção psicossexual soava risível até para seus próprios ouvidos, considerando a maneira como se desfazia tão facilmente sob o toque de Ash. Ele tinha até alcançado seu ápice com nada mais do que a língua de Ash dentro dele, sem sequer uma mão em seu pênis.
Ash finalmente se afastou, seu olhar demorando-se no peito de Karlyle enquanto este arfava com respirações profundas e entrecortadas. Seus dedos se estenderam para acariciar gentilmente a ponta do pênis de Karlyle, que ainda gotejava com os fios viscosos de sua liberação.
Karlyle se contorceu como se para escapar, ganindo. Ash continuou silenciosamente por mais um momento. Então, após piscar com dificuldade, ele arfou.
— Ah… — Parecia que ele tinha finalmente caído em si. — Eu estraguei tudo.
Karlyle olhou para ele com olhos cheios de lágrimas, a reprovação evidente em seu olhar.
— Lyle… — Ash levou uma mão à cabeça com uma expressão perturbada. Franzindo a testa, ele passou os dedos pelo cabelo desalinhado, soltando um suspiro controlado.
— Me desculpe. Eu sei o quanto você odeia beijo grego. Eu… — Ash hesitou, seus lábios se abrindo como se para dizer mais, mas ele balançou a cabeça. Seu peito, subindo e descendo com respirações descompassadas, desacelerou lentamente.
Karlyle permaneceu em silêncio por um momento. Ele queria dizer que estava tudo bem, mas a verdade é que a situação o tinha pego de surpresa. — Você… tem agido de forma estranha ultimamente — ele disse, finalmente dando voz à observação que tinha acumulado ao longo dos últimos dias.
Os feromônios de Ash oscilaram inquietos em resposta, uma ondulação no ar. Ele piscou, olhando para Karlyle com uma expressão chocada.
— Lyle…
— Eu… vou me lavar.
A verdade é que Karlyle não tinha odiado. Na verdade, ele tinha até gostado. Mas algo em Ash parecia diferente, não familiar, e isso o perturbava. Mais notavelmente, Ash vinha se mostrando cada vez mais assertivo desde que fizeram sexo na mesa de madeira.
Mas isso era diferente daquela vez em que ele e Ash tinham se perdido em seus desejos mútuos. Desta vez, Ash parecia determinado a testar os limites de Karlyle desde o início.
— Lyle, espere — Ash chamou com uma expressão desesperada, seguindo logo atrás. Karlyle mal tinha dado alguns passos antes de parar, esfregando a bochecha ardente enquanto se voltava para olhar para trás. Ash hesitou, suas mãos pairando no ar como se não tivesse certeza se deveria se aproximar. Então ele fechou os olhos e esfregou o rosto com ambas as mãos — um gesto que Karlyle tinha notado que ele fazia com mais frequência ultimamente.
— Eu quero pedir desculpas novamente. Eu não sei o que deu em mim.
Karlyle hesitou. Não era que ele desgostasse; ele estava simplesmente fora de seu elemento. O sexo com Ash o desfazia tão completamente que ele ainda achava difícil se acostumar. Fazia-o sentir como se estivesse perdendo o controle, como se estivesse se tornando alguém consumido por desejos licenciosos, desprovido do decoro de que tanto se orgulhava. Karlyle não abominava outros que se comportavam dessa maneira, mas não conseguia conciliar tal comportamento em relação a si mesmo.
— …Tudo bem — ele disse finalmente.
— Você vai ver outra casa logo, não vai? — Ash perguntou, seu olhar baixando em tom de desculpa. Seu comportamento triste fez a inquietação de Karlyle derreter em um relance, deixando para trás apenas uma terna pontada de culpa. Ele queria se aproximar e abraçar Ash.
— Sim.
— Então tenha uma boa visita — Ash disse, sua voz tingida de resignação. — Espero que a casa seja do seu agrado.
Ash o deixou ir. Karlyle permaneceu ali, imóvel, observando silenciosamente enquanto Ash lhe virava as costas, a silhueta abatida plantando uma dor sutil em seu peito.
↫─☫ Continua…
ᯓ★ Nenhuma das situações apresentadas neste capítulo referem-se/ se baseiam em fatos reais.
˙⋆✮ Se possível, apoie o autor na plataforma oficial.✮⋆˙
⌀ ⌀ ⌀
✦ Tradução, revisão e Raws: Lᥙ꧑ᥲ Hᥲrtzᥣᥱr