Capítulo 54
↫─Capítulo 54
Foi só às nove da manhã que Karlyle saiu lentamente da cama. Ash já estava no banho. Só depois de declarar mais uma vez que não conseguia aguentar mais, e depois de deixar incontáveis beijos na testa de Karlyle, Ash tinha ido para o banheiro. He tinha até atrasado seu próprio cronograma de trabalho por causa de Karlyle.
Sentindo satisfação com esse fato, Karlyle olhou ao redor do quarto de Ash com entusiasmo. Nas últimas semanas, o espaço havia se tornado bastante familiar, tanto que quase parecia um lar. Não era de se admirar, na verdade, já que vestígios de Karlyle tinham começado a aparecer por todo o quarto de Ash. Embora Karlyle frequentasse vários cômodos na grande propriedade de sua família em Mayfair, ele havia adquirido o hábito de passar a noite na casa de Ash desde sua primeira estadia.
Durante suas férias de uma semana, Karlyle tinha passado todos os dias na casa de Ash e, ao longo desse período, pouco a pouco, seus pertences tinham começado a se acumular ali. Uma escova de dentes elétrica preta elegante que Ash havia comprado para ele, um par de chinelos e sua própria caneca ocupavam o espaço, e até alguns de seus ternos sob medida agora residiam no guarda-roupa de Ash.
A sensação de morar juntos fazia seu coração acelerar incontrolavelmente. Certamente, ter as coisas de outra pessoa em casa seria um inconveniente, mas Ash nenhuma vez havia mostrado o menor sinal de desconforto. Outro dia mesmo, Ash tinha ido ao ponto de trazer para casa uma nova cômoda, lindamente trabalhada em madeira polida. Apontando para ela, Ash tinha convidado Karlyle a usá-la se quisesse.
Cada uma daquelas experiências era inteiramente nova para Karlyle. Toda vez que via as escovas de dentes de ambos colocadas lado a lado no banheiro, ele era atingido por uma sensação de maravilhamento. Em mais de uma ocasião, ele ficava diante do espelho, com a ponta dos dedos roçando nas escovas de dentes enquanto se maravilhava com a cena. Até o aroma do gel de banho de Ash emanando de sua própria pele lhe trazia uma imensa elação. Cada momento induzia uma nova onda de agitação vibrante.
Ele estava feliz.
Ele tinha quase medo de ser tão feliz assim. Mesmo quando ele e Ash estavam apenas se encontrando, Karlyle achava que tinha alcançado o ápice da alegria. Mas aquilo tinha sido apenas o começo.
A felicidade de Karlyle parecia sem limites, voando cada vez mais alto a cada momento que passava, mas, naturalmente, isso vinha com efeitos colaterais: quanto mais bem-aventurado se sentia, mais temia perder.
Acometido por uma ansiedade indesejada, Karlyle se viu andando de um lado para o outro no quarto, mas quando seu olhar pousou no guarda-roupa aberto, com suas camisas nitidamente dobradas colocadas ao lado das de Ash, a inquietude diminuiu lentamente. Uma alegria transbordante surgiu dentro dele, e ele estendeu a mão cautelosamente para acariciar uma das camisas de Ash com a ponta dos dedos.
Um pensamento repentino o atingiu:
“Qual tamanho Ash usa?” À primeira vista, não parecia haver muita diferença entre o porte físico deles. A cintura de Karlyle era mais fina, mas além disso, era difícil dizer simplesmente olhando.
Essa era uma questão importante que precisava ser resolvida, pois saber o tamanho de Ash seria essencial para futuros presentes. O som da água correndo ainda ecoava do banheiro; parecia que ele tinha um pouco mais de tempo até Ash sair.
Por um segundo, Karlyle sentiu-se profundamente em conflito. No entanto, após dois segundos se passarem, ele se rendeu à tentação. Seus dedos pálidos ergueram a camisa de Ash. Os designs do colarinho e dos botões da camisa eram diferentes dos seus, e o tecido era azul-claro, uma cor que Karlyle não usava com frequência.
O aroma limpo e recém-lavado misturava-se com a fragrância familiar de Ash. Sem dizer uma palavra, Karlyle aproximou a camisa, enterrando o nariz no meio do perfume. Seu humor iluminou-se. Ele roçou brevemente a bochecha contra o tecido macio antes de olhar por cima do ombro. O som da água ainda podia ser ouvido no banheiro. Ele ainda tinha mais tempo.
Desdobrando a camisa com cuidado, Karlyle a segurou para inspecioná-la. Assim como a sua, a camisa de Ash parecia ser feita sob medida, sem etiquetas de tamanho costuradas na parte de dentro. Com olhos focados, ele examinou a camisa antes de decidir por uma linha de ação ousada: ele iria experimentá-la.
Se ele fosse honesto consigo mesmo, era apenas um impulso. Pura curiosidade, na verdade. Karlyle há muito tempo alimentava o desejo de saber tudo sobre Ash. Qual seria a sensação de usar as roupas de seu amante? Que tipo de sensações isso inspiraria?
Com movimentos precisos, Karlyle tirou o roupão, deixando-o em cima da cama, e então vestiu a camisa de Ash. Se ele experimentasse e tirasse rapidamente, certamente não haveria sinais de sua travessura, ou pelo menos foi o que ele se convenceu.
As mangas da camisa de Ash serviram quase perfeitamente, mas ficaram um toque mais compridas do que as suas próprias. Como Ash era mais alto que Karlyle, isso fazia sentido, mas as costuras dos ombros também ficaram ligeiramente mais afastadas em seus ombros já largos.
Que surpreendente. Achei que fôssemos do mesmo tamanho.
Embora soubesse que deveria tirá-la imediatamente, Karlyle se viu olhando fixamente para as mangas, momentaneamente perdido em pensamentos. Essa era a primeira vez que ele usava as roupas de um parceiro. Como sempre, qualquer coisa que envolvesse Ash era uma primeira vez para ele.
— Lyle?
No entanto, experimentar as roupas de outra pessoa e ser pego pelo dono era extremamente constrangedor. Karlyle congelou ao som de Ash chamando seu nome. Incapaz de se forçar a se virar, ele permaneceu enraizado no lugar. Os passos suaves de pés úmidos pisando contra o chão chegaram aos seus ouvidos.
— O que você está fazendo?
O aroma de Ash, recém-saído do banho, varreu-o por trás. Julgando por sua pergunta, talvez ele ainda não tivesse notado. Lentamente, Karlyle se virou. Ash estava parado ali, secando com a toalha o cabelo escurecido pela umidade, com o roupão desamarrado e totalmente aberto. Karlyle lutou para evitar que seu olhar descesse, conseguindo a duras penas olhar para cima.
— Você… tomou banho rápido. — disse Karlyle. Pelo menos, era assim que parecia para ele.
Ash inclinou a cabeça, com um leve sorriso brincando em seus lábios.
— Sério?
— …Sim.
— E você achou que eu fosse demorar mais e decidiu experimentar minha camisa enquanto isso?
O pescoço de Karlyle ficou vermelho conforme o sangue coloria seu rosto. Ash deu um passo mais perto. Seu corpo aquecido trouxe calor para Karlyle enquanto suas mãos ainda úmidas pousavam em cada lado de sua cintura. A pressão suave enviou um calafrio estimulante que se espalhou por ele.
— Isso é, quero dizer…
Evitando o olhar de Ash, Karlyle recuou, apenas para se ver preso entre a cômoda e o corpo de Ash. Sua coluna se arqueou para trás. A palma da mão de Ash acariciou maliciosamente seu flanco antes de deslizar para baixo para descansar contra a linha tensa de seu abdômen.
— Lyle… você está em sérios apuros.
Claro que ele não deveria. Karlyle sentiu como se o chão estivesse cedendo sob seus pés. Com sua ansiedade subindo rapidamente, ele balançou a cabeça com um rosto totalmente perdido.
— Peço sinceras desculpas — ele deixou escapar.
— Você vai continuar me excitando?
O quê? A pergunta inesperada o pegou totalmente desprevenido.
— Eu… fiz isso?
Ash deslizou os braços por baixo da barra desabotoada da camisa. Suas palmas apertaram as curvas firmes das nádegas de Karlyle. Prontamente, seus dedos fortes as separaram, arrancando um suspiro agudo dos lábios de Karlyle.
— Como se eu já não estivesse no meu limite. Você está tornando isso desafiador. disse Ash, sua voz baixa e pesada de desejo contido. Karlyle, que estava preocupado que a camisa de Ash pudesse ficar úmida, finalmente expressou seus verdadeiros sentimentos.
— Então não se segure.
Se o que Ash estava “segurando” era em relação ao sexo, não havia necessidade disso, Karlyle também era um alfa que entendia a intensidade fervilhante do desejo, mesmo que nunca tivesse se interessado particularmente por assuntos sexuais até conhecer Ash. Ele sabia o que eram esses sentimentos, e quase todo mundo já havia enfrentado tais impulsos em algum grau, mesmo aqueles que não eram alfas.
Além disso, Karlyle queria fazer isso também. Bastante, na verdade. Ele estava tão profundamente movido pelo impulso que não reconhecia totalmente o lado de si mesmo que tinha tais pensamentos.
— Mas… — Ash franziu a testa, seus olhos dolorosamente tristes enquanto olhava para Karlyle. — Eu fiz você chorar da última vez.
Ash estava claramente se referindo à última vez que eles transaram antes da separação. Relembrando o passado enterrado, Karlyle pressionou os lábios. Embora o tempo tivesse passado, a vergonha de perder o controle de sua bexiga permanecia com ele.
— Aquela vez… foi porque eu fiz algo muito inadequado. — Sua voz ficou mais baixa, sumindo. Parte de sua aflição também tinha surgido pelo fato de Ash mencionar outros alfas.
— Lyle, aquilo não era xixi. Foi uma ejaculação, você teve um Squirt porque estava gostoso demais. Quando o prazer é avassalador, acontece naturalmente. Não é nada sujo.
Karlyle era da mesma opinião de antes: que, de qualquer forma, o fluido esguichado não tinha vindo de um lugar limpo. Independentemente de Ash tranquilizá-lo dizendo que o fluido em si era diferente, ele não conseguia se livrar dessa percepção.
— E além disso, foi muito sexy — Ash acrescentou.
“Isso… podia ser verdade, mas…”
— Como eu poderia não achar isso lindo, hm? Você se molhando pela frente, e então fica ainda mais molhado, ensopado, enquanto escorre lubrificante por trás… — A palma de sua mão massageou as nádegas de Karlyle, apertando e soltando repetidamente. Os membros de ambos, rigidamente eretos, balançavam um contra o outro. — E quando você está soluçando, molhado nas duas extremidades por minha causa… como eu não ficaria excitado?
Os olhos de Ash estavam nublados de luxúria, enviando um calafrio pela espinha de Karlyle. A boca de Karlyle ficou seca.
— Eu tive que me segurar para não me enfiar de volta para dentro — Ash murmurou, sua voz tão baixa que ecoou de forma estimulante em seus ouvidos.
A mente de Karlyle girou. Fosse qual fosse o caso, ele queria fazer isso. Mas bem no momento em que em seu anseio estava prestes a puxar a cintura de Ash, o telefone de Karlyle tocou. O olhar de ambos se voltou para o aparelho.
Ash soltou um suspiro cansado, passando a mão pelo cabelo.
— De qualquer forma, Lyle… a razão pela qual estou me segurando é que não tenho certeza se conseguiria me controlar agora. Você é inacreditavelmente erótico e realmente sensível aos meus toques, então aquilo poderia acontecer de novo. — Ele deu um aperto firme final na bunda de Karlyle antes de soltá-lo relutantemente, como se estivesse insatisfeito.
Fazendo um leve biquinho, Karlyle ponderou. De fato, para uma coisa dessas acontecer de novo seria extremamente humilhante. “Mas a solução não era simplesmente evitar o uso de brinquedos?”
Por outro lado, refletindo bem, Karlyle considerou que talvez pudesse estar enganado. A estimulação de fato tinha sido avassaladora, mas aquilo tinha ocorrido quando Ash o havia penetrado sem usar absolutamente mais nada.
Perdido em uma séria contemplação, Karlyle sentiu o toque terno dos lábios de Ash contra sua testa. A mão de Ash acariciou suas costas de maneira reconfortante, um gesto que lembrava alguém consolando uma pessoa mais jovem. Era agradável, porém estranhamente desconcertante. Embora Karlyle fosse mais novo, a diferença de idade era de apenas um ano. Enquanto Karlyle franzia a testa em pensamento, Ash acrescentou:
— Vá tomar banho, meu amor.
Com apenas aquele único termo de carinho, todos os protestos em Karlyle evaporaram. De olhos arregalados, ele olhou para um Ash divertido, que simplesmente engoliu o riso e se inclinou para capturar os lábios de Karlyle em um beijo mais profundo e demorado do que o anterior.
↫─☫ Continua…
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✦ Tradução, revisão e Raws: Lᥙ꧑ᥲ Hᥲrtzᥣᥱr