Capítulo 30
Deep Pivot Side Story — Capítulo 30
— Claro que foi você, Tenente.
Cheong-oh subiu no banco de trás com um pulo depois de abrir a porta. — Ei, Seojoon! — cumprimentou-o ruidosamente, sacudindo o ombro dele. O carro, que estava silencioso, instantaneamente ficou barulhento como o motor de um carro esportivo com apenas mais uma pessoa dentro.
— Um milhão de won para a lavanderia.
Seojoon afastou a mão estendida do banco do motorista e disse que pagariam o preço da limpeza do uniforme escolar de Cha Yeonwoo um ano atrás. Cheong-oh estalou a língua, dizendo que ainda se lembrava disso e que Seojoon poderia ter voado de ida e volta para os EUA três vezes com tanto rancor.
— Seojoon, seu cabelo está fofo hoje.
Cheong-oh bagunçou o cabelo bagunçado dele com a mão, brincando. Seojoon sacudiu a cabeça para se esquivar do toque e o repreendeu bruscamente para não mexer.
— Bebê, você sabia? Ele odeia quando mexem no cabelo dele.
— Capitão Jin, saia.
Seojoon, com o olhar fixo à frente, estalou a língua e afastou a mão de Cheong-oh como se estivesse espantando um mosquito. Parecia mesmo que ele estava prestes a expulsá-lo — o som do freio sendo pressionado e liberado, e das fechaduras das portas destravando e trancando ecoou pelo carro.
Mesmo assim, sem se deixar abater, Cheong-oh continuou tentando alcançar os cabelos de Seojoon. Os dois se moviam para frente e para trás, uma mão tentando tocá-los, a outra afastando-os.
— Ack! Ok, ok! Tenente Ji, aaagh!
No final, Seojoon torceu os dedos de Cheong-oh para trás, encerrando a briga. Com os olhos ainda fixos na estrada, ele falou calmamente.
— Peço desculpas.
— Peço desculpas… — aaagh! Sério, para, para, está doendo, agh!
— Não vou mais agir fora da linha.
— Ugh, merda… Não vou mais agir fora da linha…
Seojoon finalmente soltou a mão de Cheong-oh enquanto dirigia com uma das mãos. Esse tipo de discussão já se tornara comum até para Yeonwoo. Toda vez que via Seojoon com o Líder de Equipe Jin, não conseguia deixar de se perguntar como ele tinha sido no ensino médio… Ele estava assim agora, então como ele devia ter sido naquela época?
— Bebê, você está rindo?
Virando a piada para Yeonwoo, Cheong-oh se inclinou para frente, apoiando-se no encosto de cabeça do banco do passageiro.
— Você acha engraçado me ver sofrendo bullying desse jeito?
— Sim, eu concordo, Líder de Equipe.
— Mas eu me pergunto onde você vendeu suas maneiras antes de me chamar assim de novo?
— Simplesmente não sai da minha boca. Se você começar a me chamar pelo nome, vou tentar mudar aos poucos.
— Uma vez bebê, sempre bebê…
— Uma vez líder de equipe, sempre líder de equipe.
Cheong-oh riu baixinho e beliscou delicadamente a bochecha de Yeonwoo. A resposta atrevida o agradou. Como esperado, aquele bebê não era fácil de lidar.
— Bebê!
Mingeon abriu os braços e cumprimentou Yeonwoo calorosamente. Pego de surpresa, ele retribuiu o abraço com um olhar levemente surpreso.
— Tenente Park… O que aconteceu com seu cabelo?
O cabelo longo característico de Park Mingeon foi raspado para combinar com seu codinome: careca, exceto por uma faixa no centro da cabeça.
— Quem fez isso com você? Aconteceu alguma coisa?
Yeonwoo perguntou preocupado. Mingeon sorriu enquanto esfregava o tufo de pelo que restava em sua cabeça, semelhante a uma crista de galo.
— É. Legal, né?
Os olhos azuis de Yeonwoo tremularam, sem saber onde pousar.
— …Combinou com você. Achei que algo bom devia ter acontecido.
— Viu? Eu sabia que o bebê tinha olho para essas coisas.
O Segundo-Tenente Yoon Doyoung inclinou-se para o lado no assento, com uma expressão horrorizada. Aquele penteado parecia capaz de trazer infortúnio por si só.
— Quem ainda faz o cabelo desse jeito hoje em dia, hyung?
— O que você acabou de dizer?
— Os moicanos saíram de moda há muito tempo.
— O espírito do rock não segue tendências.
— Uau… Você viajou no tempo desde os anos 80?
Yoon Doyoung estremeceu ao ver como tudo, do cabelo às falas, soava ultrapassado. Em meio à barulhenta discussão da equipe, Seojoon e Yeonwoo se sentaram após cumprimentar a todos.
De um lado, o Tenente Han Min-gyu, um controlador de metal, arrastava a cadeira de Yeong-gyo para frente e para trás, provocando-o. Do outro, o Tenente Kang Chaewon e o Tenente Jang Su-ho lutavam queda de braço. O som de cadeiras rangendo e a mão de Su-ho batendo na mesa ecoavam alto.
Seojoon olhou ao redor da equipe barulhenta, verificando mentalmente a contagem de pessoas. Alguns rostos estavam desaparecidos. Alguns guias haviam se aposentado para seguir um segundo caminho, enquanto outros haviam sido transferidos para equipes de apoio à 119ª Unidade Especial de Resgate.
Era uma mudança previsível, com os portões começando a desaparecer. Até a SAU, uma unidade que antes acreditava não poder funcionar sem a outra, estava se preparando para seguir caminhos separados.
De qualquer forma, a SAU havia sido convocada hoje para um anúncio oficial sobre a missão da NASA. Era meramente processual; para a equipe, eram essencialmente férias no exterior.
Yeong-gyo e Cheong-oh, prestes a se casar, pareciam estar encarando a viagem como uma lua de mel. Naturalmente, o assunto do casamento surgiu.
— Uma apresentação em grupo para a música de parabéns? Que cafona.
— Por quê? Vi a equipe da EDT fazer isso no casamento deles. Ficou legal. Todos uniformizados.
— Basta fazer o bebê e o Tenente Ji fazerem isso. Duas ou três pessoas são suficientes para isso.
— Seojoon é o mestre de cerimônias. Temos outra coisa para o bebê fazer.
— …Eu?
Yeonwoo piscou, surpreso ao ouvir a si mesmo sendo mencionado depois de ouvir apenas parcialmente. Yeong-gyo, sorrindo com o queixo erguido, olhou para Yeonwoo com olhos brilhantes e pesados.
— O bebê será o florista.
Seojoon apertou os lábios, tentando manter a seriedade. Enquanto permanecia em silêncio, o resto da equipe caiu na gargalhada. Yeonwoo piscou, confuso com a reação deles.
— O que é um florista? …É algo legal?
— Você não sabe? Sabe, as crianças que carregam cestos e jogam pétalas de flores.
— …Crianças pequenas?
Doyoung, sentado ali perto, já estava no YouTube, abrindo um vídeo para mostrar a ele. Yeonwoo se inclinou para olhar a tela do celular. Era um vídeo fofo de crianças pequenas andando pelo corredor da igreja, espalhando pétalas.
— Não é uma fofura? Você não quer experimentar?
— Eu não.
Diante da rara e firme recusa dele, outra onda de risos se espalhou pela sala. Seojoon, incapaz de rir livremente como namorado de Yeonwoo, manteve os lábios cerrados como se estivessem selados com cola.
— Por que não? A gente te dá um terninho bonitinho, bebê.
— Ainda não quero.
Seojoon pensou calmamente que Yeong-gyo realmente não sabia como lidar com um bebê.
— Só uma vez? Não temos sobrinho ou sobrinha para fazer isso.
— Faça Jeongwoo fazer isso.
— Então que tal cantar a canção de felicitações enquanto dançamos?
— …
Yeonwoo finalmente virou todo o corpo na direção de Seojoon, com os lábios franzidos. Seus olhos o acusavam sem palavras: por que você não está me defendendo?
— Um florista? Para um homem adulto? Sério.
Pressionado pelo olhar, Seojoon finalmente falou com uma cara séria.
— No mínimo, um homem das flores.
Yeonwoo olhou rapidamente para Yeong-gyo. Ele não sabia o que era um homem das flores, mas sua expressão dizia que ele queria fazer isso. Os membros da equipe concordaram com entusiasmo, dizendo que era perfeito para um bebê.
— É, você canta a música de felicitações, bebê. A gente canta a música de parabéns.
A conversa rapidamente voltou para a música. — O que é um homem flor? — Yeonwoo sussurrou para Seojoon enquanto se inclinava. Ele pegou o celular para procurar um vídeo. Deixando de lado os mais bobos, escolheu cuidadosamente um clipe simples para mostrar a ele.
Mostrava um homem de terno em tons pastéis caminhando solenemente pelo corredor, jogando rosas vermelhas. Yeonwoo franziu a testa levemente enquanto observava.
— …Como isso é diferente da criança florista?
Seojoon riu baixinho. Quando perguntou o que ele achava que era, Yeonwoo disse que achava que era a pessoa que pegou o buquê.
Ele podia ter pouco mais de vinte anos, mas sua falta de conhecimento sobre casamentos era gritante. A maioria das pessoas já teria comparecido a um casamento em família pelo menos uma vez, mas para Cha Yeonwoo, que não tinha família, isso não era incomum.
— Por que você pegaria o buquê, Yeonwoo? Você não sabe que, se pegar, vai se casar em seis meses?
— …
Yeonwoo olhou para Seojoon com olhos significativos.
— Nesse caso, eu definitivamente acho que devo pegá-lo.
Pronto. Risadas irromperam novamente. O som da risada de Seojoon chamou a atenção da equipe.
— Ei, falem baixo.
— Basta reservar um quarto, por favor?
Seojoon pigarreou com o punho fechado sobre a boca, tentando parecer sério. A equipe logo retornou ao debate original, cada um apresentando músicas que conhecia.
O capitão Yoo Si-hwan sugeriu “Can I Love You”, como havia feito no chat do grupo, mas foi criticado por Doyoung por ficar preso nos anos 80. Chaewon cantou “Torch of Anti-Communism”, dizendo que uma música militar seria perfeita para uma música do grupo, mas levou um chute na canela de Yeong-gyo.
Nesse momento, Mingeon, que até então estivera quieto, fez uma nova proposta: “por que não formar uma banda e fazer algo animado e divertido?”
✦Continua…
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✦ Tradução, revisão e Raws: Yuki& Belladonna