Capítulo 28
Deep Pivot Side Story — Capítulo 28
Cha Yeonwoo estava afobado, acenando com as mãos em sinal de recusa educada e tentando explicar algo. O homem à sua frente sorria o tempo todo, tentando lhe entregar algo — um cartão de visita.
Estreitando os olhos, Seojoon encarou os dois. Era uma cena que ele reconhecia muito bem… mais precisamente, era algo que ele já havia imaginado dezenas de vezes.
“Meu bebê está prestes a ser abordado por um cara aleatório?”
Mas por que essa conversa está se arrastando tanto? Pelo visto, bebê continuou recusando, mas o homem insistiu, tentando repetidamente forçar o cartão em sua mão. Aquele desgraçado… Se alguém diz não uma vez, você recua como um homem. O que diabos esse velho pensa que está fazendo…
Seojoon se levantou.
A cada passo que dava em direção a eles, suas suspeitas ficavam mais fortes — e seu senso de restrição social desfazia-se camada por camada.
— Bebê.
Era quase o rugido de um leão. Tão alto e claro que todos no café se viraram para olhar. Yeonwoo virou a cabeça bruscamente, com os olhos arregalados, ao avistar Seojoon.
— Querido, o que está acontecendo?
— Tenente, este homem é—
Seojoon marchou até ele e entrelaçou seus dedos com os de Yeonwoo, entrelaçando suas mãos com força, então lançou um olhar duro para o outro homem.
— O que exatamente você pensa que está fazendo com meu bebê?
Yeonwoo cerrou os dentes e fechou os olhos, mortificado com o desastre público. O homem, ainda segurando o cartão de visita, olhou de Seojoon para Yeonwoo com olhos perplexos.
— Uh, eu… eu só estava…
Seojoon franziu a testa bruscamente.
— O bebê disse não. Por que você continua incomodando ele?
— Tenente, espere, isso não é—
— Ah, sinto muito.
O homem, recuperando-se rapidamente, ofereceu o cartão educadamente com um sorriso.
— Sou gerente de elenco da equipe M.D. no SOP Studio.
Seojoon instintivamente pegou o cartão e deu uma olhada. “Studio SOP”. Até alguém sem nenhum interesse em entretenimento reconheceria aquele logotipo — uma grande empresa de entretenimento.
— Este cavalheiro tem um visual tão marcante… Eu esperava que, se ele demonstrasse o mínimo interesse, pudéssemos nos reencontrar em uma de nossas audições para gravadoras. Ha ha…
Seu sorriso de vendedor permaneceu, mas agora havia um toque de confusão em seus olhos enquanto eles alternavam entre “Tenente” e “Bebê” e nas mãos que eles seguravam tão intimamente.
Entendendo finalmente o que estava acontecendo, Seojoon soltou um pequeno e constrangedor “Ah…” e pigarreou. Mudando completamente de expressão, respondeu calmamente:
— …Conversaremos sobre isso e entraremos em contato com você.
— Ah, espere, se você estiver um pouco interessado…
O homem rapidamente parou Seojoon e tirou um panfleto e um folheto impresso da pasta debaixo do braço. O panfleto continha o cronograma de audições da empresa para o segundo semestre e um QR code para envio do perfil.
— Espero mesmo que possamos nos encontrar novamente.
— …
Seojoon, que pegou o panfleto quase por reflexo, ficou tão envergonhado que nem conseguiu se despedir direito antes de se virar. O mesmo aconteceu com Yeonwoo, que estava tão perturbado que parecia ter esquecido como falar. Enquanto se afastavam rapidamente, um grito ecoou atrás deles: “Por favor, conversem e entrem em contato conosco!”
Nem o Mestre, nem o Bebê tiveram coragem de voltar a se sentar à mesa do café. Rapidamente, juntaram suas coisas, pegaram os copos para viagem e a caixa de bolo inteira e saíram para a rua.
— …Por sua causa, Mestre, estou sinceramente envergonhado demais para viver.
Ouvindo Yeonwoo resmungar baixinho ao seu lado, Seojoon tapou a boca com a mão, tentando conter o riso. Mas não adiantou — ele ainda riu. Yeonwoo lançou-lhe um olhar de descrença.
— Que tipo de gay dá em cima de alguém abertamente em público? Nunca vi isso na minha vida, tá? Mestre, a sua imaginação às vezes é demais.
— …Ser descoberto por uma agência de entretenimento em um café também não é exatamente comum, Yeonwoo.
— Qualquer um poderia dizer que ele era um vendedor ou um golpista.
Agora, não apenas os funcionários e membros da equipe do Centro, mas até mesmo seus vizinhos do café tinham visto Yeonwoo totalmente exposto como “Bebê”. Ele respondeu melancolicamente.
— Da próxima vez que alguém assim se aproximar, pegue o cartão e diga que vai pensar no assunto. Se você recusar de cara, a conversa se arrasta.
Seojoon sabia muito bem como as pessoas da indústria podiam ser persistentes. “Você é estudante? O que vai fazer depois da formatura? Não está procurando um emprego de meio período? Ah… você é um Esper? Bem, Espers também sabem modelar, certo? Não é tão demorado assim…” A maneira mais simples de fazê-los desistir era sempre: “Vou conversar com meus pais e te ligo de volta.”
Depois de ouvir Seojoon, Yeonwoo suspirou.
— Gostaria de ter sabido disso antes. Uma vez, alguém até me seguiu até o meu bairro. Mas eu não tenho pais, então nunca pensei em usar essa desculpa.
Seojoon olhou para ele em silêncio. Embora agora tão cheio de amor e carinho parecesse um cachorrinho mimado, as cicatrizes do passado solitário de Yeonwoo ainda viriam à tona sem aviso.
— Aquele cara de antes também foi muito persistente. Eu continuei dizendo não…
Cada vez que vislumbrava aquela sombra do passado de Yeonwoo, Seojoon sentia uma pontada silenciosa no peito. Entrelaçou os dedos com os dele e perguntou com um sorriso:
— Então, você não está mesmo interessado? Nessas coisas. A julgar pelo cartão, parecia um departamento de modelos.
— Hã? Não… Quer dizer, qual é. Eu?
— Não presuma que não consegue. Você tem alguém com quem conversar agora. Yeonwoo, você é alguém que pode fazer qualquer coisa.
— Mesmo assim, não sou modelo. Não tenho talento para esse tipo de coisa.
Seu rosto já tem talento suficiente… Seojoon olhou com carinho para seu parceiro tagarela. Se Cha Yeonwoo fizesse um comercial, apenas olhar para a câmera por trinta segundos esgotaria o produto. Yeonwoo se virou e deu um sorriso radiante como um anúncio de bebida esportiva.
— E você, Mestre? Já pensou em atuar ou ser modelo?
— Estou velho demais para isso agora.
— Nossa, se a Diretora Kang ouvisse você dizer isso, ela surtaria. Trinta é a idade de um bebê — mal começou a comer papinha de bebê.
— Esse recém-nascido fala demais.
Seojoon balançava as mãos unidas para frente e para trás, mudando de assunto. Falar sobre idade com Yeonwoo sempre acabava em uma batalha perdida.
— A propósito, talvez tenhamos mesmo que nos mudar, Yeonwoo. Se as pessoas continuarem falando coisas como “Mestre” e “Bebê” pela cidade, vamos virar o assunto da vizinhança. Não vou poder mais dar as caras.
— Ah, qual é. Tem um monte de palavras parecidas por aí. Se isso é constrangedor, como você acha que todos os supervisores de trabalho chamados Juim conseguem passar o dia?
Yeonwoo insistiu, dizendo que as pessoas não levariam isso ao pé da letra, que não havia muita diferença entre “Tenente” e “Mestre” de qualquer maneira.
É, é mesmo. Seojoon soltou uma risada derrotada. O sempre otimista Yeonwoo subestimou seriamente a audição das pessoas.
Os últimos três dias de impasse só causaram danos mútuos — nenhum dos lados saiu vitorioso. Seojoon suspirou brevemente, sentindo-se cansado.
— Certo. Não vou mais insistir. Pode me chamar do que quiser. O que importa é o sentimento, não o título.
— Não, Mestre.
Yeonwoo apertou a mão dele com mais força e disse, depois de um instante, com seriedade dramática:
— …Eu realmente vou tentar agora.
Ele literalmente o chamou de Mestre novamente. O que ele estava planejando “tentar”, exatamente?
Seojoon deu um sorriso benevolente e apenas assentiu.
Dia 2 da resolução de três dias de Cha Yeonwoo.
Seojoon acordou com o tilintar de pratos vindo da cozinha. Normalmente, sua rotina seria sair da cama e cumprimentar Yeonwoo logo de manhã, mas hoje ele permaneceu perfeitamente imóvel, olhando fixamente para o teto.
Então ele ouviu passos. Seojoon fechou os olhos rapidamente.
— Tenente—…
A voz de Yeonwoo foi interrompida no meio da frase assim que ele entrou no quarto, como se alguém tivesse apertado o botão de mudo. Os lençóis afundaram ao lado dele, lançando uma sombra sobre o rosto de Seojoon. Yeonwoo se aproximou silenciosamente e se inclinou sobre ele.
— Acorde. — Um leve sussurro fez cócegas em seu ouvido.
Chup, chup. Beijos suaves pousaram suavemente em sua testa, na ponta do nariz e, em seguida, nos lábios. Aparentemente, a terapia de choque surtiu algum efeito — embora tenha claramente abalado Cha Yeonwoo e ele próprio no processo.
Então é isso que acontece quando você proíbe o uso de “Tenente”? Você ganha beijos doces assim de manhã? Seojoon se arrependeu seriamente de não ter feito isso antes.
— Você dormiu bem?
Ele segurou a bochecha de Yeonwoo, puxou-o para outro beijo e acariciou seu rosto com carinho.
— Você está… ainda mais bonito do que o normal hoje.
✦Continua….
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✦ Tradução, revisão e Raws: Yuki& Belladonna