࿔Capítulo 1.4
࿔*:・゚ Capítulo 1.4
Por que não havia pensado nisso? Com a frustração de que este era um mundo paralelo horrível onde todos os Espers estavam vivos, não havia percebido o que era realmente importante. Wonwoo havia se dado conta disso nas palavras de Il-hae de há pouco.
“Todos estão vivos.”
Isso significava que talvez as pessoas mais preciosas de Wonwoo também estivessem todas vivas aqui. Os companheiros que se foram antes. Talvez, talvez aquele senhor também. Ele também.
No mundo de Wonwoo, haviam vencido na luta contra os Espers, mas o preço pago foi grande demais. A vitória em farrapos era para os que sobreviveram um pântano fundo e negro. Wonwoo também não era diferente. Todos ao redor haviam morrido. Apenas ele havia sobrevivido sozinho.
No início havia desespero e choro, mas gradualmente afundou sem fim, como uma pedra no fundo da água. A maior parte daquele peso era resignação. Embora a vida o fizesse rolar para lá e para cá, uma pedra desgastada não tem vida. Respirava, mas era só isso.
Pelos últimos anos, viver havia sido uma punição. Não sabia como nem com que estado mental havia saído do hospital. Vestindo o pijama do hospital, correu sem parar, e correu de novo. Todos olhavam como se fosse um louco, mas não importava. Algumas horas passaram como um piscar de olhos.
A rua em que Wonwoo estava correndo era o lugar onde, no mundo original, o exército governamental havia se instalado. Por isso, mesmo coberta pela paisagem estranha do novo mundo, dentro dela ainda havia prédios e ruas familiares. Wonwoo encontrou entre eles um prédio que reconhecia e correu até ele de uma vez. Em instantes chegou diante de uma placa. O canto mais distante do quarto andar de um velho edifício comercial sem elevador. Um nome pendurado acima de uma velha porta de ferro.
[Laboratório de Hwang Sang-cheon – Conserto de todo tipo de eletrônicos]
Wonwoo passou a mão tremendo na placa coberta de poeira e cerrou os dentes tentando se acalmar. Neste lugar horrível onde os Espers estavam vivos, havia um nome igual, sem mudanças, em relação ao seu mundo. Exatamente essa placa. Era igual. Aquele que Wonwoo havia perdido no mundo original, talvez existisse no mesmo lugar, com o mesmo nome. E aqui talvez ainda estivesse vivo.
De repente, um medo de que tudo isso pudesse ser uma ilusão invadiu e quase o fez desmoronar ali mesmo. Mas mesmo assim era bom. Mesmo que fosse o último esforço de quem sobreviveu sozinho. Por favor, esteja vivo. Fosse ilusão ou mundo paralelo, por favor esteja vivo aqui. O desejo era tão grande que bloqueava a garganta. Por isso, para Wonwoo girar a maçaneta precisou de muita coragem. Com dificuldade estendeu a mão que tremia.
Criii.
A velha porta de ferro abriu soltando um pequeno grito. A primeira coisa que apareceu foi uma prateleira cheia de todo tipo de máquina e peças. Exceto pelo corredor estreito, os dois lados estavam repletos de bugigangas até o teto. Wonwoo moveu os passos devagar entre eles. Em breve apareceu um homem de quase cinquenta anos consertando um aparelho eletrônico desmontado sobre a mesa. Parecia estar numa ligação com alguém, pois estava em tom de voz alto e excitado quando viu Wonwoo e engoliu as palavras.
— … Graças a mim, que ainda estou aguentando é que você consegue ouvir essa merda toda… Ah, chegou um cliente.
Ele se levantou para receber o cliente, mas quando confirmou a aparência de Wonwoo parou ali mesmo. Um homem em pé usando pijama de hospital, com chinelos nos pés, de cabelo despenteado de tanto correr.
— Como… o senhor posso ajudar?
Wonwoo não conseguiu abrir a boca para responder a pergunta do homem surpreso. Naquele momento, um calor estava subindo, bloqueando a garganta de forma dolorosa.
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Sang-cheon fitou com olhos cheios de insatisfação o que estava sobre a mesa. Os aparelhos que precisavam ser consertados já haviam sido desmontados e separados seguindo suas próprias regras, então não havia problema. O que elevava sua raiva era a voz que chegava ao seu ouvido.
[— Para de falar besteira.]
As mãos de Sang-cheon ficaram tensas. A voz sem entonação parecia entediante à primeira vista. É claro que estaria entediado. Sendo uma situação que era praticamente a de um preso, não havia o que fazer nem quanto mais se entediar, se não ficasse sentado ouvindo o cotidiano de Sang-cheon como um rádio.
Sang-cheon se arrependeu de não ter recusado quando essa proposta havia chegado pela primeira vez. Já havia se arrependido centenas de vezes, mas ainda assim continuava se arrependendo. Realmente não havia imaginado que ficaria assim como uma transmissão ao vivo humana. Quando a proposta chegou pela primeira vez, havia se emocionado dizendo que mesmo que o céu caísse, sempre havia uma saída.
“Farei um empréstimo adicional. Em troca, gostaria que o senhor conversasse com alguém todos os dias.”
Na época, a situação de Sang-cheon era desesperadora. Vários vencimentos de empréstimos já estavam logo ali na frente e estava prestes a ser despejado deste lugar que era tanto sua casa quanto escritório. Só se tornar um de morador de rua seria ótimo, mas se fosse pego pelos agiotas, que se diziam terceira instituição financeira mas eram na verdade décima? Teria as entranhas abertas para venda de órgãos.
Lá atrás, estendeu um amém incondicional porque o urgente era prolongar a vida diária. Só jogar papo furado. Mas imaginava que teria que ficar de prontidão vinte e quatro horas para jogar conversa fora. Exceto quando ia ao banheiro, tinha que usar aquele maldito comunicador no ouvido e expor seu cotidiano ao outro sem filtro.
Além disso, o outro tinha os ouvidos tão apurados que percebia cada ação que Sang-cheon fazia. Mais tarde entendeu o motivo e bateu na cabeça arrependido, mas já havia assinado o contrato. Quem eram essas pessoas? Não era aquela família feroz que cortava o pescoço e ficava com o seguro de vida dos que não conseguiam pagar a dívida? O interlocutor era exatamente aquele que cortava pescoços dentro dessa família. Por ter feito o papel de carrasco, carregava o apelido de Bruto.
Se soubesse quem era o outro, teria escolhido vender os órgãos. Como eu vim me envolver com um maluco assim para passar por esse sofrimento miserável. Não, depois de dias contando as notícias recentes, o sujeito diz para parar de falar besteira. E então murmurou levemente para si mesmo.
[— Será que devo cortar uma orelha para entender o que digo.]
O frio na espinha foi imediato ao ouvir a voz indiferente pelo comunicador. Mesmo com a má qualidade da conexão fazendo soar distorcida de forma diferente da voz real, Sang Cheon engoliu em seco com medo. Logo lembrou que o outro não podia sair agora, então seria difícil realmente cortar sua orelha. Mesmo assim, o arrepio por todo o corpo não desaparecia facilmente. Qualquer um que soubesse a verdadeira identidade do outro tremeria igual a ele. Sang Cheon se desculpando para si mesmo resmungou.
— Não, o acidente na fazenda de monstros é uma notícia que todo mundo tem interesse, pensei que poderia estar curioso então avisei. Afinal, preso assim não teria como receber notícias. Que tem de errado?
[— Nada.]
— Não, se não tem nada, por que ficou me xingando…
[— Dizer que alguém está falando besteira para quem está falando besteira não é xingamento, é?]
Sang-cheon por um momento esqueceu até a identidade do outro e reagiu irritado.
— Você também fica falando besteira o tempo todo! Tenho minhas dúvidas se você não é um cachorro de verdade!
[— Que ótimo. Será que nós, cachorros, não devemos nos encontrar?]
— Isso, nos encontrar.. Hã? Você, vai sair? Você consegue sair agora?
[— Não.]
Quando Sang Cheon estava prestes a atirar o comunicador de vez, o Bruto acrescentou vagarosamente.
— Mas não é impossível.
Certo, claro que você pôde, milorde cachorrinho. Sang Cheon puxou a língua mentalmente e revelou levemente a raiva que havia contido por dias.
— Você diz que o que eu falo é besteira, então por que continua ouvindo?
[— Porque você é a única pessoa que conhece minha identidade, tem medo, mas ainda assim diz o que quer dizer.]
…Não estava conseguindo falar nem dois por cento do que queria dizer. Mas as palavras do Bruto não eram incompreensíveis. Sang Cheon também havia ficado tão apavorado no começo ao saber a sua identidade. Mas como o Bruto tinha um gênio ruim, a raiva venceu o medo.
Não, por que eu ia ter que aturar ser chamado de cachorro por um moleque? Além disso, aquele modo de falar sem entonação também o irritava de certa forma. Era jovem e já era cínico com todas as coisas do mundo. Bom, não era que não entendesse a situação da família dele. Mas era problemático quando esse cinismo voltava para si mesmo.
[— Velho, você vai se ferrar em breve, mas para ver isso, vou ter que aguentar besteira.]
— Como eu vou me ferrar?
[— Você não é uma pessoa que pegou dinheiro emprestado, não são só de um ou dois lugares.]
Sang Cheon hesitou e murmurou como desculpa.
— Fui enganado pensando que estava investindo em pesquisa. Vo-vou pagar tudo. Não tenho intenção de dar calote.
[— E daí. Não vai aguentar mais. Entre os que você pegou dinheiro emprestado tem uns que fazem coisas divertidas com corpos de gente. Você vai ser levado embora ser poder fazer nada. Ah, isso também é pesquisa, então, você vai gostar mesmo que der errado.]
A voz que era apenas seca sem ironia não fez sentir raiva. Em vez disso, o arrepio veio. Sang Cheon lembrou de novo da idade do outro. Por que um moleque seria assim tão perverso, pensou franzindo os olhos.
— Que ganho você tem se eu me dar mal? É divertido?
[— Que nada. É interessante confirmar o mundo uma merda. Por mais exceção que você seja.]
— Que eu sou uma exceção.
[— Mesmo com aquela dívida toda, não foge da pesquisa.]
Ah, isso…
— É porque é a única coisa que sei fazer.
[— E você é feliz?]
Sang Cheon que estava prestes a tirar o circuito para consertar com uma pinça, parou. De repente lembrou do estado desse devedor temperamental. Há quanto tempo esse garoto estava preso lá? Passara um ano? Além disso, tinha que ficar preso por mais alguns anos sem saber até quando.
Até onde Sang Cheon sabia, a idade dele era no máximo vinte e poucos anos. Por mais que o gênio do outro fosse uma merda, sentiu pena por saber que não conseguia se mover naquele lugar que era como uma prisão. Não era só ele. Quem conhecia a família do Bruto, estrebuchava com os juros cruéis deles, mas reconhecia isso.
Coitado. Quão ruim era a situação para ele acabar assim?
A desgraça daquela família havia angariado essa pena. Por isso, ao ouvir a palavra felicidade, o peito de Sang Cheon ficou pesado. Por que o Bruto perguntaria sobre felicidade para ele, que estava se debatendo em dívidas.
— Não sou infeliz. Bom, acho que ficarei feliz se pagar logo as dívidas.
[— Que besteira. Que dívida vai pagar sem ter nem clientes. Que incompetente.]
— Minha competência é a melhor, que é o seu problema?!
Felizmente, o mínimo de pena que havia sentido se apagou imediatamente. Não sabia de muita coisa, mas o insulto à competência era insuportável.
— … Graças a mim, que ainda estou aguentando é que você consegue ouvir essa merda toda… Ah, chegou um cliente.
Sang Cheon percebendo o cliente com atraso se levantou. Era um cliente precioso, o primeiro de hoje. Estava pronto para receber qualquer cliente, mesmo que trouxesse uma faca de pedra de meia-lua de mais de três mil anos para consertar, mas a animação logo esmaeceu. A aparência do cliente era estranha. Um homem de vinte e tantos anos com pijama de hospital e de cabelo despenteado estava parado. Era uma aparência que qualquer um perceberia que havia escapado do hospital.
— Como… Como posso ajudar ao senhor?
Sang-cheon perguntou na defensiva, mas o novo tipo de louco ficou apenas parado como uma estátua ao vê-lo. Quem é você, Sang Cheon que estava prestes a perguntar de novo também ficou parado no meio de levantar. Os olhos do outro ao se cruzar estavam inundados de alguma emoção e oscilando. A emoção era tão grande que fez Sang Cheon se sobressaltar.
— Quem…
— Tio.
— Hê? Eu?
Com o título inesperado, Sang Cheon apontou para si mesmo. Mas da boca do outro continuavam saindo palavras que ele não conseguia entender.
— Está… vivo.
Com a fala que não fazia sentido nenhum, Sang Cheon ficou boquiaberto. Por um momento veio a suspeita de que o agiota havia usado um método original para confirmar sua sobrevivência. Mas essa hipótese logo desapareceu. Foi levado pelos olhos e pelo coração pela emoção que o estranho revelava de forma pesada. A voz tremida dele soou como um choro.
— Obrigado. Por estar vivo. Obrigado de verdade.
— Você me conhece? Não, mas que diabos você quer dizer ao me…
A fala não pôde continuar desta vez também porque o outro se aproximou de repente bem na sua frente. O quê?! Enquanto Sang Cheon se assustava e soltava um som, ele abraçou o corpo dele de uma vez.
— E-ei! O que está fazendo agora?
— Eu sou Wonwoo. Haa, mesmo que isso seja minha alucinação, não importa. Obrigado. Obrigado por estar vivo, tio. Eu, eu agora consigo ver sangue sem problema. Vou cortar relações com o governo e parar de agir como otário como o tio disse. Fiquei vivo à força, à força como o tio disse…
— Não, que história é essa afinal… Espera, se afasta um pouco…!
Sang Cheon se apavorou e empurrou quem o abraçava com toda a força. Mas apesar de terem altura parecida, o homem tinha muita força, ele não conseguia separá-lo. Não era à toa que era um louco. Mas o que impediu de empurrá-lo não foi a força, foi pelo comportamento que o outro mostrou em seguida.
Ele segurou Sang-cheon e começou a chorar. Soluçando, soluçando, sem conseguir respirar direito, expelindo choro profundo. E Sang Cheon soube naquele dia pela primeira vez que uma pessoa conseguia desmaiar de tanto chorar.
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✧˖°. ༄ Continua….
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✦ Tradução, revisão e Raws: Belladonna,Yuki&Faby