⋆.ೃ࿔ Capítulo 1.3
⋆.ೃ࿔ Capítulo 1.3
Sang-cheon fitou com olhos cheios de insatisfação o que estava sobre a mesa. Os aparelhos que precisavam ser consertados já haviam sido desmontados e separados, seguindo suas próprias regras, então não havia problema. O que elevava sua raiva era a voz que chegava ao seu ouvido.
— Para de falar besteira.
As mãos de Sang-cheon ficaram tensas. A voz sem entonação parecia entediante à primeira vista. É claro que estaria entediado. Sendo uma situação que era praticamente a de um preso, não havia o que fazer, nem quanto mais se entediar, além de ficar sentado ouvindo o cotidiano de Sang-cheon como um rádio.
Ele se arrependeu de não ter recusado quando essa proposta havia chegado pela primeira vez. Já havia se lamentado centenas de vezes, mas ainda continuava fazendo isso. Realmente não imaginava que ficaria assim, como uma transmissão ao vivo humana. Quando a proposta chegou pela primeira vez, havia se emocionado, dizendo que, mesmo que o céu caísse, sempre havia uma saída.
“Farei um empréstimo adicional. Em troca, gostaria que o senhor conversasse com alguém todos os dias.”
Naquela época, a situação de Sang-cheon era desesperadora. Vários vencimentos de empréstimos já estavam próximos e estava prestes a ser despejado deste lugar, que era tanto sua casa quanto escritório. Ficar só de morador de rua seria ótimo? Se fosse pego pelos agiotas, que se diziam terceira instituição financeira, mas eram décima, teria as entranhas abertas para venda de órgãos.
Nesse período, estendeu um amém incondicional, porque o urgente era prolongar a vida que durava dia a dia. Que papo furado. Mas não imaginava que teria que ficar de prontidão vinte e quatro horas para jogar conversa fora. Exceto quando ia ao banheiro, tinha que usar aquele maldito comunicador no ouvido e expor seu cotidiano, sem filtros, à pessoa do outro lado.
Além disso, o cara tinha os ouvidos tão apurados que percebia cada ação que Sang-cheon fazia. Mais tarde entendeu o motivo e bateu na cabeça arrependido, mas já havia assinado o contrato. “Quem eram essas pessoas? Não era aquela família feroz que cortava o pescoço e ficava com o seguro de vida dos que não conseguiam pagar a dívida?” O interlocutor era exatamente aquele que cortava pescoços dentro dessa família. Por ter feito o papel de carrasco, carregava o apelido de maluco.
Se soubesse quem era o outro, teria escolhido vender os órgãos. “Como eu vim me envolver com um maluco assim para passar por esse sofrimento miserável? Não, depois de dias contando as notícias populares, o sujeito diz para parar de falar besteira.” E então murmurou levemente para si mesmo.
[— Será que corto uma orelha para entender o que digo?]
O frio na espinha foi imediato ao ouvir, pelo comunicador, a voz indiferente. Mesmo com a má qualidade da conexão fazendo soar zumbindo de forma diferente da voz real, Sang-cheon engoliu em seco com medo. Logo percebeu que o outro não podia sair agora, então seria difícil realmente cortar sua orelha. Mesmo assim, o arrepio por todo o corpo não desaparecia facilmente. Qualquer um que soubesse a verdadeira identidade dele iria tremer. Sang-cheon, desculpando-se para si mesmo, resmungou.
— Não, o acidente na fazenda de monstros é uma notícia que todo mundo tem interesse. Pensei que poderia estar curioso, então avisei. Afinal, preso assim não teria como receber notícias. O que tem de errado?
[— Nada.]
— Se não tem nada, por que ficou me xingando…?
[— Dizer que alguém está falando besteira, quando realmente está, não é xingamento, não é?]
Sang-cheon, por um momento, esqueceu até a identidade do outro e reagiu irritado.
— Você também fica falando besteira o tempo todo! Tenho minhas dúvidas se não é um cachorro de verdade!
[— Que ótimo. Será que os cachorros se encaram?]
— Isso, nos encaramos… Hã? Você vai sair? Consegue sair agora?
[— Não.]
Quando Sang-cheon estava prestes a atirar o comunicador de vez, o maluco acrescentou vagarosamente.
[— Mas não é impossível.]
“Certo, faça o favor, milorde cachorrinho.” Sang-cheon puxou a língua mentalmente e revelou levemente a raiva que havia contido por dias.
— Você diz que o que eu falo é besteira, então por que continua ouvindo?
[— Porque o velho é a única pessoa que conhece minha identidade e ainda assim diz o que tem a dizer.]
Não estava falando nem dois por cento do que queria dizer. Mas as palavras do maluco não eram incompreensíveis. Sang-cheon também havia ficado apavorado no começo ao saber a sua identidade. Mas, como o maluco tinha um gênio tão ruim, a raiva venceu o medo.
“Não, por que eu ia ter que aturar ser chamado de cachorro por um moleque?” Além disso, aquele modo de falar sem entonação também o irritava de certa forma. Mesmo sendo jovem, já era cínico com todas as coisas do mundo. Bom, não era que não entendesse a situação da família dele, mas era problemático quando esse cinismo voltava para si mesmo.
[— Você vai se ferrar em breve. Precisar ver isso é ter que aguentar besteira.]
— Eu vou me ferrar?
[— Você não deve dinheiro a apenas um ou dois lugares, não é?]
Sang-cheon hesitou e murmurou como desculpa.
— Fui enganado pensando que estava investindo em pesquisa. T-tudo, vou pagar tudo. Não tenho intenção de dar calote.
[— E daí? Não vai aguentar mais. Entre os que você pegou dinheiro emprestado, tem uns que fazem coisas divertidas com corpos de gente. Vão te arrastar à força. Ah, isso também é pesquisa, então você vai gostar, mesmo que dê ruim.]
A voz, que era tão seca e sem ironia, não o irritou. Em vez disso, o arrepio veio. Sang-cheon lembrou de novo da idade do outro. “Por que um moleque seria assim tão torto?”, pensou, franzindo a testa.
— Que ganho você tem se eu me der mal? É divertido?
[— Que nada. É interessante confirmar que o mundo é uma merda. Por mais especial que seja.]
— Que eu sou especial?
[— Mesmo com toda essa dívida, não foge e nem para de pesquisar.]
Ah, isso…
— É porque é a única coisa que sei fazer.
[— E você é feliz?]
Sang-cheon procurava o circuito a consertar, para retirar com a pinça, e parou a mão. De repente lembrou do estado desse credor temperamental. “Há quanto tempo esse garoto estava preso lá? Passou de um ano?” Além disso, tinha que ficar preso por mais algum tempo, sem saber até quando.
Até onde Sang-cheon sabia, a idade dele era no máximo vinte e poucos anos. Por mais que seu gênio fosse uma merda, sentiu pena por saber que não conseguia se mover naquele lugar que era como uma prisão. Não era só Sang-cheon, quem conhecia a família do devedor estrebuchava com os juros cruéis deles, mas reconhecia uma coisa.
“Coitado. Por que teria ficado assim?”
A desgraça daquela família havia angariado essa pena. Por isso, ao ouvir a palavra “felicidade”, o peito de Sang-cheon ficou pesado. Por que o maluco perguntaria sobre felicidade para ele, que estava se afogando em dívidas?
— Não sou infeliz. Bom, acho que fico feliz se pagar logo as dívidas.
[— Que besteira. Que dívida vai pagar sem nem ter clientes? Que incompetente.]
— Minha competência é a melhor!
Felizmente, o mínimo de pena que havia se apagou imediatamente. Não sabia de muita coisa, mas o insulto à sua competência era insuportável.
— Se ainda estou aguentando, é porque você consegue ouvir essa merda toda… Ah, chegou um cliente.
Sang-cheon, percebendo tardiamente o visitante, se levantou. Era um cliente precioso, o primeiro que aparecia hoje. Estava pronto para receber qualquer um que trouxesse uma faca de pedra de meia-lua de mais de três mil anos para consertar, mas a animação logo esmaeceu. A aparência do cliente era estranha. Um homem de vinte e tantos anos, com pijama de hospital e cabelo despenteado, estava parado. Era uma aparência que qualquer um perceberia ser de alguém que havia escapado do hospital.
— Como… posso ajudar o senhor?
Sang-cheon perguntou na defensiva, mas o novo tipo de louco ficou apenas parado como uma estátua ao vê-lo. “Quem é você?” Sang-cheon, que estava prestes a perguntar de novo, também parou a meio caminho de levantar-se. Os olhos do jovem estavam inundados de alguma emoção agitada, que era tão intensa a ponto de fazer Sang-cheon se sobressaltar.
— Quem…
— Tio.
— Hã? Eu?
Com o título inesperado, Sang-cheon apontou para si mesmo. Mas da boca da outra pessoa continuavam saindo palavras que ele não conseguia entender.
— Está… vivo.
Com a fala que não fazia sentido nenhum, Sang-cheon ficou boquiaberto. Por um momento veio a suspeita de que o agiota havia usado um novo método original para confirmar sua sobrevivência. Mas essa hipótese logo desapareceu. Foi levado pelos olhos, o coração e a emoção que o estranho revelava de forma pesada. A voz tremida dele soou como um choro.
— Obrigado por estar vivo. Obrigado de verdade.
— Você me conhece? Não, mas que diabos você quer dizer ao me…
Novamente a fala não pôde continuar, porque o jovem se aproximou de repente, bem na sua frente. “O quê?!” Enquanto Sang-cheon se assustava e soltava um som, o homem lhe abraçou com força.
— E-ei! O que está fazendo agora?
— Eu sou Wonwoo. Aah, mesmo que isso seja minha alucinação, não importa. Obrigado. Obrigado por estar vivo, tio. Eu-eu agora consigo ver sangue sem problema. Vou cortar relações com o governo e parar de agir como otário, como o tio disse. Fiquei vivo à força, como o tio disse…
— Não, que história é essa, afinal…? Espera, se afasta um pouco…!
Sang-cheon se apavorou e empurrou quem o abraçava com toda a força. Mesmo com a altura parecida, o jovem era tão forte que não conseguia afastá-lo. Não era à toa que era um louco. Mas não era por causa da força, foi pelo comportamento que o homem mostrou em seguida, que o impediu de continuar empurrando.
Ele o abraçou e começou a chorar. Soluçando, sem conseguir respirar direito, enquanto chorava desoladamente. E Sang-cheon soube naquele dia, pela primeira vez, que uma pessoa conseguia desmaiar de tanto chorar.
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“Por que teria chorado tanto?” Sang-cheon deitou Wonwoo desmaiado no sofá e perguntou sério.
— Parece alguém que conheço?
[— Ji Wonwoo.]
Um nome chegou pelo comunicador.
— Ji Wonwoo é que… Hã? Ji Wonwoo? Espera.
Sang-cheon se lembrou do artigo que havia falado há pouco e sido xingado.
— Acho que o nome do Guia que sobreviveu ao acidente da fazenda de monstros era Ji Wonwoo. Mesmo sendo de categoria D, sobreviveu como um milagre e até saiu nas notícias. Mas como você sabe?
[— Já vi uma foto. É aquele sujeito.]
Raramente a voz dele carregava emoção, então Sang-cheon achou estranho.
— Aquele sujeito?
[— O filho de Ji Geun-oh.]
— Ji Geun-oh… o líder dos Guias Won?!
Sang-cheon, como se estivesse vendo o homem do outro lado da linha, ergueu os olhos surpresos para o vazio. Então, uma voz calma soou em seu ouvido.
[— Isso. Aquele filho da puta que fez meus pais morrerem.]
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— Caralho, o que é isso?
Geon-yeong confirmou o relatório sobre Wonwoo, que havia recebido há pouco, e soltou um palavrão incrédulo. Felizmente, o bar exclusivo para Espers, onde estava naquele dia, tinha uma festa acontecendo, então estava mais barulhento que o normal. Só um amigo que bebia do outro lado ouviu o palavrão.
— O quê?
A voz grave e única, que soava como um eco dentro de uma caverna, entrou direto no seu ouvido. Geon-yeong ergueu os olhos franzidos. O amigo estava sentado no sofá, comodamente encostado, olhando ao redor com ar de tédio. “Que talentoso”, pensou mais uma vez. A voz que faria qualquer um se apaixonar, sem falar na aparência e habilidade. Era natural que o nome Hong Seung-wook aparecesse sempre no topo entre os Espers mais populares.
É um mundo em que os Espers eram as celebridades mais populares, como artistas. Por isso, mesmo Geon-yeong, que também era habilidoso, tinha um fandom considerável, mas não chegava perto de Seung-wook. Esse garoto era excelente em tudo, então nem sentia inveja. O jeito gentil ao extremo com quem estava ao seu lado também ajudava.
Por isso, Geon-yeong ficou, por um momento, pensando se deveria tocar no assunto agora. Que Wonwoo havia perseguido seu amigo era um fato famoso, que todo mundo sabia. É claro que Geon-yeong, sendo amigo de Seung-wook, também sabia mais detalhes. Havia hesitado por isso.
— Wonwoo enlouqueceu.
Seung-wook, que estava prestes a levantar o copo, hesitou por um momento.
— Por causa do acidente na fazenda?
— Deve ser, não? Não sei como diabos sobreviveu, mas, segundo o membro da equipe que o encontrou…
Geon-yeong levantou o dedo ao lado da cabeça e o girou em círculos. O outro homem franziu a testa com a expressão de “louco”.
— Quão ruim está o estado?
— Parece que não sabe muita coisa, como um bobo. Aparentemente perdeu a memória… Ah, isso para você é uma boa notícia.
Geon-yeong jogou uma felicitação, mas a expressão de Seung-wook continuou rígida. “Ah, com esse coração tão fraco assim.” Superficialmente diziam que Wonwoo havia perseguido Seung-wook unilateralmente, mas, na verdade, era verdade que os dois haviam se encontrado por um tempo.
Mas e daí? Ele é um Guia. Se o Esper quisesse, o Guia tinha a responsabilidade de aceitar e o estabilizar a qualquer momento. É claro que, como era um encontro entre pessoas, naturalmente, sentimentos se misturavam e poderiam-se priorizar os desejos. Então não havia nada a ser criticado pelo encontro casual com um Guia.
Mas esse amigo bondoso demais parecia sentir uma espécie de responsabilidade para com Wonwoo. Como a mistura de corpos com um Guia de categoria D era visivelmente um encontro para ser guiado aos olhos de qualquer um, devia-se ter cuidado com o que as pessoas diriam. Felizmente, ninguém sabia que os dois haviam se encontrado por um tempo. Wonwoo tinha uma habilidade de lixo, mas parecia manter a boca fechada, então não saiu espalhando aquele fato. Mesmo que falasse, não haveria quem acreditasse.
— Como é uma boa notícia se o estado de saúde ficou ruim?
— Para mim, que precisei manter um Guia inútil, é uma boa notícia o suficiente. Com essa desculpa, posso finalmente mandá-lo embora desta vez. Merda, se a família Ji não monopolizasse os Guias, não precisaria ouvir ninguém. Ei, você também não precisa esconder e seja feliz.
— Nem é meu membro de equipe. Não estou pensando em nada especial.
Mas, ao contrário das palavras, ele desviou o olhar e, de uma só vez, esvaziou o copo. Geon-yeong entendia seu amigo até certo ponto. Por mais que Wonwoo fosse um Guia de categoria D, zombado como lixo, pelo menos a aparência era algo que dava vontade de ter por perto. Quando Wonwoo entrou na equipe, Geon-yeong também ficou pensando se o levava para se divertir. Mas o estado era ruim. Por alguma razão, parecia estar sempre com a cabeça nas nuvens.
— Certo, é melhor não pensar em nada relacionado a Wonwoo. Você agora está com um Guia de verdade, não é? Você é muito sortudo. Ter nas mãos o Lee-dan.
— Ah, Lee-dan.
Um sorriso naturalmente se espalhou nos cantos da boca de Seung-wook.
— Ei, vai morrer de felicidade só de ouvir o nome?
Geon-yeong zombou do amigo e decidiu não contar a outra notícia sobre Wonwoo. “Ahh, fugiu do hospital. O que está pensando, afinal?” Mesmo que desaparecesse assim, não havia uma única pessoa que sentisse saudade, mas mesmo assim.
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A única coisa que, por mais tempo que Wonwoo suportasse, não se acostumava, era o cheiro de sangue. Por isso, ao lutar, sempre usava a máscara antigases, que cobria todo o rosto e, por causa dessa aparência, ficou até famoso entre os inimigos. Mas, durante a longa guerra, era difícil continuar sendo abastecido de máscara, não sendo nem uma arma. Mais tarde teve que lutar de rosto nu, mas o cheiro de sangue sempre era repugnante.
— Bleegh.
Após vomitar muito e endireitar a postura, chegou uma risada pelo comunicador.
[— Você comeu bolinho de arroz no almoço, não foi? Que pena jogar tudo fora. Vai logo juntar tudo e coma novamente.]
Com aquilo, Wonwoo estava prestes a engasgar de novo e tapou a boca.
— Ah, tio. Você sabe que tenho estômago fraco.
Com a irritação de Wonwoo, o outro ficou ainda mais feliz e deu risada. “Que idade tem para agir como criança?” Wonwoo ficou sem graça, tirou do bolso o corpo do comunicador e o desdobrou. Tentou tocar na tela, do tamanho da palma de uma mão, e, ao confirmar o sangue que havia em sua mão, sacudiu forte.
— Diz para o laboratório corrigir o erro do Whisper. A IA é boa, mas, ao lutar contra o inimigo, só deve dizer informações corretas.
[— Disse para desligar o Whisper ao entrar em operação. A IA apenas procura a resposta mais provável em termos de probabilidade. Se quiser precisão, use o assistente de busca.]
— Pediram para testar se é utilizável em campo.
[— Ei, merda, não aceite esse tipo de coisa.]
— Ah, por que xinga?
[— Você não pode xingar, então eu tenho que fazer por você!]
— Não é que não possa, é que não faço.
[— Mesma porcaria. De qualquer forma, o governo joga uma grana enorme em deep learning¹, mas eles mesmos têm que resolver. Por isso te enxergam como um otário.]
— Tudo bem. Chega de resmungo.
Wonwoo resmungou e tocou na tela com os dedos, que agora estavam limpos do sangue. Na tela apareceu o rosto de quem ele chamou de tio. Pela aparência do fundo, parecia ser um dos vários esconderijos. A loja de consertos chamada “Laboratório de Hwang Sang-cheon”. Wonwoo mal confirmou o local e franziu a testa.
— Por que foi aí? Disse para ter cuidado por um tempo, pois é um lugar exposto ao inimigo.
[— Um cliente habitual precisa de um conserto com urgência.]
— Vai ganhar muito dinheiro consertando isso. Não, quem mandou pegar empréstimo assim sem pensar?
Wonwoo reclamou e Sang-cheon retrucou.
[— Toda pesquisa precisa de dinheiro. Você acha que é uma ou duas pesquisas que estou fazendo? Mas é assim com clientes que não param de aparecer; naturalmente ganho muito dinheiro. Vou ficar rico e comer o sundae que você não pode. Viveu anos coberto de sangue, porque não consegue superar o estômago fraco.]
— Como se conserta algo com o qual já nasci? E, de qualquer forma, logo tudo vai acabar.
[— Sim, é o fim. Não falta muito.]
Aproveitando que o assunto havia surgido, Sang-cheon decidiu verificar os remanescentes de Espers e desviou o olhar para outro monitor. Wonwoo ficou olhando para ele na tela sem falar e abriu a boca.
— Depois que tudo acabar, será que serei feliz?
O braço de Sang-cheon, que usava o mouse, parou. Ele ficou com o olhar ainda no outro monitor e, muito tempo depois, abriu a boca.
[— O fim da guerra não é felicidade. Mas não importa, não é? Você não entrou nesse trabalho para ser feliz.]
É mesmo. Não havia começado essa luta esperando felicidade. Apenas, de alguma forma, era assim: alguns seguiram alguém que conheciam, e outros disseram que era porque lhe davam comida e não passavam fome. A maioria ao redor de Wonwoo era assim. Eram os que lutavam diretamente com o inimigo no campo, mas não tinham lá nenhuma grande convicção por igualdade e liberdade. Esse tipo de coisa era um luxo que só os que davam ordens de lugares seguros podiam desfrutar.
— Então, mesmo que a guerra acabe, continuamos a ser infelizes?
Sang-cheon ficou em silêncio por um momento. Parecia que também era difícil para ele negar o fato de que era infeliz. Era difícil dizer que não, com a pilha de cadáveres de companheiros bloqueando o caminho deles. Todos morreram e agora restavam apenas dois. Sem sequer perceber, os cadáveres dos companheiros haviam ficado altos como uma montanha.
[— Os que sobrevivem na guerra têm que carregar os mortos nas costas. Não tem jeito. Apenas aceite.]
— O pessoal que morreu primeiro saiu na frente da linha de chegada.
Wonwoo reclamou, abatido, e Sang-cheon torceu os lábios.
[— É, os que foram na frente devem estar todos na linha de chegada se divertindo…]
Paf!
De repente, com um som de melancia estourando, a tela ficou vermelha. Não demorou muito para perceber que o que havia estourado era a cabeça de Sang-cheon. O sangue vermelho que escorria pela tela não tinha nenhum cheiro; mesmo assim, naquele dia Wonwoo não conseguiu parar de vomitar.
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¹deep learning: é uma área da Inteligência Artificial. Utiliza redes neurais artificiais para ensinar os computadores a processar dados, reconhecer padrões complexos e tomar decisões parecidas com o cérebro humano.
⊹ ⚘ ⊹ Continua…
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✦ Tradução, revisão e Raws: Belladonna&Flower