⋆.ೃ࿔ Capítulo 1.1
⋆.ೃ࿔ Capítulo 1.1
O que será que mais nos arrependemos quando encaramos a morte? Os sonhos que não realizamos? A tolice de não ter conseguido evitá-la? A saudade que não conseguimos transmitir à pessoa amada?
— Devia ter… devia ter morrido antes. É tão tranquilo assim. Por que achei que aguentar era o caminho para vencer? Mesmo com todo mundo me odiando e me atormentando, achei que, se eu aguentasse, venceria…
O homem dizia isso enquanto sorria. Wonwoo, que o observava, jamais conseguiria sorrir. Aquele homem estava gravemente ferido, ensopado de sangue da cabeça aos pés. Seu rosto estava pálido, sem nenhuma cor, e a respiração era tão fraca que era evidente que morreria em pouco tempo se não recebesse tratamento imediato. Mas, em meio a uma terra contaminada repleta de monstros, nem pensar em um tratamento adequado.
E aquilo não era um problema só do homem. Wonwoo também estava sangrando no flanco por conta de um ataque inesperado de um monstro. Mas, dentre todas aquelas situações absurdas, havia algo ainda mais desconcertante.
O homem à sua frente tinha o mesmo rosto que o dele. Não, era exatamente ele mesmo.
O sujeito, que disse ter sido odiado por todos, era idêntico a ele de uma forma que arrepiava. Então, o homem estendeu a mão em direção ao rosto de Wonwoo.
— Estranho. Estou me vendo.
— Acho que chegou minha hora — murmurou.
— Ah, é isso. Na sua visão, também pareço igual a você?
— Mas você parece forte.
— Porque sou.
— O que é forte é um Esper, mas você é um Guia. E ainda por cima… D, de última categoria, sem nenhuma habilidade.
— Que diferença faz a categoria? Despertei como Purifier, então não importa.
— O que é isso? É forte?
Purifier é Purifier, o que mais seria?
Wonwoo não sabia como explicar algo tão óbvio, então acenou com a cabeça de qualquer jeito.
— É o mais forte.
— Mais do que um Esper?
Mesmo naquela situação absurda, Wonwoo quase deu uma risada. Fazia quanto tempo desde a vitória na longa guerra contra os Espers? Para quê comparar com os Espers, que estavam todos mortos e extintos?
— Sim, mais do que um Esper. — Respondeu sem muita atenção e olhou ao redor.
Havia cadáveres de monstros espalhados por toda parte ao redor deles. Por que raios haveria tantos monstros que já tinham sido eliminados da face da Terra? Onde era esse lugar?
Aproximadamente dez minutos atrás, havia parado porque achou estranha uma névoa que bloqueava sua visão, e então pisou com cuidado para dentro dela. Em apenas alguns passos, encontrou um mundo completamente diferente. Um lugar que parecia ser outro mundo, onde os monstros ainda existiam.
E o homem, que parecia ser ele mesmo naquele mundo, soltou uma exclamação de admiração em direção a Wonwoo.
— Eu sou incrível.
“Eu não sou você.” As palavras firmes não chegaram a sair. Por mais que olhasse, aquela pessoa, com exatamente a mesma aparência que a sua, parecia prestes a morrer. Por isso, decidiu aceitar qualquer ilusão que ele tivesse. Mas as próximas palavras foram difíceis de ignorar.
— Ainda bem. Embora seja uma vida que destruí, você vai conseguir aguentar bem.
— Eu não sou você, então a sua vida não tem nada a ver comigo.
Wonwoo apontou com firmeza o equívoco do moribundo, mas ele sorriu como se não tivesse ouvido e foi expondo seus desejos.
— Mesmo assim, me esforcei ao máximo. É verdade.
— …
— Por isso, não tenho arrependimentos. Mesmo que todos quisessem que eu morresse, agora está tudo bem.
O rosto pálido, que era o seu próprio, sorriu levemente. Era um rosto familiar, que via no espelho todos os dias, mas aquele sorriso era estranho.
— Se está tudo bem, aguente um pouco mais. Viva e mostre a todos que você está bem.
— Quem mais quis a minha morte fui eu mesmo.
O rosto pálido voltou a sorrir. Dessa vez, Wonwoo não conseguiu dizer para ele viver. Aquele sorriso diante da morte parecia tão feliz que era impossível. E então ele sussurrou para Wonwoo como se fosse um consolo.
— Tudo bem.
“Que tudo bem o quê.” Wonwoo engoliu as palavras que chegaram até a ponta da língua. Estava preso naqueles olhos onde a vida se apagava e não conseguia fazer nada. Nos ouvidos de Wonwoo soou uma voz idêntica à sua. Aquela voz tênue estava o aconchegando.
— Quando estiver difícil, pode largar. Não precisa se esforçar. Não precisa sofrer lutando contra a solidão. Se quiser chorar, pode chorar. Se o coração se inclinar para alguém, pode simplesmente correr em direção a essa pessoa. Tudo bem, Ji Wonwoo.
Seu próprio nome, que ele nunca havia dito, escorreu daquele homem. Ji Wonwoo. Mas percebeu que ele havia dito o próprio nome. E então o consolo de quem estava prestes a morrer envolveu o coração como um arrepio. Aquele que tinha o mesmo rosto e o mesmo nome fixou o olhar em Wonwoo e fechou os olhos lentamente.
— Basta apenas eu querer a morte.
Não saiu mais nenhuma palavra. O rosto, sem a menor reação, estava em paz, como se finalmente houvesse largado um fardo pesado. Wonwoo apenas inspirou fundo e olhou ao redor novamente. A terra estremeceu e vibrou. Os monstros estavam se aproximando de novo.
・゚: * 𖣘・゚:* 𖣘 *:・゚𖣘 *:・゚
Na fazenda de monstros, sempre havia acidentes inesperados. Por mais que medidas de segurança fossem tomadas e sistemas de alerta fossem instalados, monstros brotavam de frutas que cresciam de forma imprevista. Apenas os Espers eram capazes de lidar com os monstros e, para aquela operação, um Esper do Centro Leste havia sido designado.
O problema era que um Guia havia caído no meio da fazenda por uma falha no portal de transporte. Aquilo claramente era uma questão grave o suficiente para acionar um alerta de nível 3, mas, entre os responsáveis no acampamento de operação, não havia ninguém que parecesse estar em pânico.
— Já faz meio dia que sumiu. Deve ter esticado o pernil, ora.
A fala despreocupada de alguém foi respondida por outra voz no mesmo tom.
— Se não esticou, vai dar dor de cabeça. É da família Ji, que tem todos os Guias na mão.
— Aah, e daí que é da família Ji? É um perdedor de categoria D, inútil e atrasado.
— É, a família toda tem Guias de Classe B para cima. Uma coisa sem habilidade nenhuma que entrou no Centro só porque tem o sobrenome da família deveria, pelo menos, não atrapalhar. Que merda, está estragando todo o trabalho sozinho. Até na hora de morrer faz merda. Que chateação.
— Ah, lixo mesmo. — A outra voz respondeu com uma risada debochada.
— Por isso que, confiando só no sobrenome Ji, teve a audácia de ficar atrás de um Esper que é o melhor até entre os de Classe A.
— É verdade, esse aí também praticou stalking, não foi?
Como a operação havia sido interrompida por conta do resgate, havia umas quinze pessoas dentro da tenda, instalada na entrada da fazenda. E a maioria ouvia aquelas fofocas com um sorriso. A única que não aguentou foi a vice-chefe da Equipe 2, Han Seona, que saiu da tenda. Fosse quem fosse o alvo das zombarias daquelas pessoas, ela detestava o comportamento de pisar nos fracos como se fossem bitucas de cigarro.
Mas também não tinha vontade de impedi-los. Na sociedade dos Espers, em que a hierarquia era definida pela força, zoar os fracos era algo natural. Seona também é uma Esper, então estava suficientemente familiarizada com essa cultura, mas, mesmo assim, o deboche em direção a Wonwoo lhe causava um desconforto particular. E ainda por um Guia ser o alvo.
Os Espers eram obcecados por Guias e agiam como se fossem dar até o fígado e o baço quando precisavam, mas, quando os marcavam como inúteis, ficavam mastigando-os assim, como chiclete, sem parar. Se ao menos os ignorassem completamente. Saiu para não ter que ouvir as zombarias sobre Wonwoo, mas parecia que aquele era o dia dele.
— De qualquer forma, a equipe de resgate também deve estar procurando o cadáver agora. Não precisamos perder tempo também. Vamos logo retomar a operação e acabar com isso, não?
— Não é tão simples quanto parece.
— Ah, espera. Vice-chefe Han, venha por aqui.
Seona viu o homem de quarenta e poucos anos que a chamou e acenou com a cabeça, aproximando-se. Ele era o responsável geral por aquela operação.
— Deixe-me apresentar. É o chefe da Equipe 3, Yoo Geon-yeong. Chefe Yoo, esta é Han Seona, que se tornou vice-chefe da Equipe 2 desta vez.
Yoo Geon-yeong, com seus vinte e poucos anos, examinou Seona rapidamente e perguntou.
— Você é Classe A?
— …Não, sou Classe B.
— Pfft. — Geon-yeong torceu os lábios silenciosamente e desviou o olhar. E então sugeriu ao responsável, com ar de impaciência: — O trabalho está atrasando demais. Até quando vamos ficar apenas contendo os monstros? Por favor, empenhe toda a equipe de eliminação logo.
O responsável fez uma expressão difícil diante da exigência dele. Até Seona, que ouvia do lado, ficou sem graça. A Equipe 3 era justamente a equipe em que Wonwoo estava, não era? Mas o próprio chefe, em vez de procurar o membro desaparecido, queria deixá-lo para trás e ir logo eliminar os monstros. Nesse processo, havia risco de o desaparecido ser varrido e morrer.
— Chefe Yoo, ainda tem o desaparecido lá dentro. Aliás, vice-chefe Han, leve seus membros agora e ajude a equipe de busca.
— Ajudar na busca? Primeiro temos que varrer os monstros. — Geon-yeong interveio irritado.
O responsável o encarou e engoliu um suspiro.
— Fazendo isso, corre o risco de Wonwoo também morrer…
— Merda, ele já deve ter sido esquartejado pelos monstros. O que tem para se preocupar?
Seona estava com nojo de ouvir mais e virou o corpo para se afastar, mas Geon-yeong nem ligava para a vice-chefe de um departamento que fazia a limpeza depois.
— Em vez de perder tempo assim, vamos empurrar tudo de uma vez. Quanto vale o nosso corpo? Perder tempo assim não é mais prejuízo?
O responsável concordava com suas palavras, mas a família Ji estava envolvida nessa questão. Por mais que Wonwoo fosse um filho que a família havia renegado, não era possível comunicar a morte sem nem ter um cadáver.
— Se houver prejuízo financeiro, a compensação posterior…
As palavras que o responsável jogou, como para acalmar, não puderam continuar por conta do grito de alguém.
— Huh?! W-Wonwoo?
O nome, que entrou claramente nos ouvidos, fez o responsável e Geon-yeong girarem a cabeça ao mesmo tempo.
“O quê? Encontraram o cadáver?”
Não eram apenas eles com interesse nisso, pois as pessoas estavam se reunindo rapidamente na entrada da fazenda. Mas nenhum dos que se aproximavam tinha grandes expectativas. Devem ter encontrado algum pertence. Mesmo que tivesse encontrado algo, seria no máximo um pedaço de cadáver.
Mas, quando a entrada da fazenda entrou no campo de visão, as pessoas pararam como se tivessem combinado. Com as respirações aparentemente sumidas, todos os olhares estavam concentrados em um único ponto. Uma pessoa saindo devagar pela entrada, passo a passo. Ensopado em sangue, ele pressionava o flanco ferido com a mão. Era Wonwoo, a quem todos achavam que havia morrido.
・゚: * 𖣘・゚:* 𖣘 *:・゚𖣘 *:・゚
Mesmo em meio à dor, Wonwoo reuniu a razão ao máximo e estabeleceu algumas hipóteses.
1. Eu enlouqueci.
2. Estou tendo alucinações por estar ferido, então também enlouqueci.
3. Estou normal, mas o mundo enlouqueceu.
Primeiro, a dor extrema que dava vontade de soltar palavrões era realista demais, então eliminou o 1 e 2. Que alucinação doía tanto assim? Então, o mundo estava louco. Wonwoo parou de repente, rangeu os dentes e concluiu. “O mundo está louco, sim.” Não sendo assim, não havia como explicar a situação à sua frente.
O interior da fazenda, onde cultivavam as árvores de monstros, tinha uma boa sinalização, por isso não foi difícil encontrar a saída. Mesmo que desmaiasse de vez em quando, queria pelo menos ver a cara de quem diabos havia criado uma fazenda de monstros sem nenhum medo. Mas, quando saiu rangendo os dentes, a determinação desapareceu ao ver a multidão reunida.
Havia Espers por toda parte. Com aquele corpo que quase caíra no chão, quase correu em direção a eles. Na verdade, mal os viu, tentou liberar sua força antes de conseguir parar. Foi porque os rostos deles entraram no seu campo de visão.
Quando confirmou a identidade dos Espers que cercavam a entrada da fazenda, uma risada incrédula tomou conta do seu interior. Porque a maioria eram rostos conhecidos. Wonwoo pensou de novo. “Que loucura, o mundo enlouqueceu.” Do contrário, como os Espers que havia matado com as próprias mãos poderiam estar ali, diante dos seus olhos, perfeitamente vivos?
・゚: * 𖣘・゚:* 𖣘 *:・゚𖣘 *:・゚
Como diabos ele havia sobrevivido? Como se fosse uma confirmação para os Espers que não conseguiam acreditar, mesmo vendo com os próprios olhos, Wonwoo parou de andar. Levantou a cabeça e foi olhando lentamente para os reunidos. No momento em que os olhares se cruzaram, algumas pessoas deram um pulo. Um calafrio inexplicável desceu pela espinha. Aquilo era semelhante ao medo que sentiam quando cercados por dezenas de monstros. Mas por que ao ver Wonwoo?
Felizmente, o estranhamento causado pelo calafrio durou apenas poucos segundos. Antes mesmo de descobrirem o motivo, Wonwoo caiu com um baque. Ao mesmo tempo, como se tivessem saído de um encantamento, os Espers recuperaram os sentidos todos de uma vez. Por isso, ninguém deu muita importância à sensação de frieza de momentos atrás.
Isso porque era mais surpreendente ele ter voltado vivo de dentro de um covil de monstros. Embora estivesse sangrando e, aparentemente, gravemente ferido, mesmo assim não havia sobrevivido? Para um Guia, que era praticamente um civil, aquilo era algo para sair nas notícias. Enquanto todos ficavam boquiabertos de espanto, Seona, que chegou um pouco atrasada, ficou paralisada por outro motivo.
Ela chegou e, alguns segundos depois, Wonwoo desmaiou, então ele não a viu, mas Seona o viu pelas frestas entre as pessoas que bloqueavam a frente. E, ao contrário dos outros que haviam sido tomados pelo calafrio, ela pôde ver claramente: havia um sorriso estranho nos olhos de Wonwoo ao olhar ao redor para os Espers. Era como um predador saciado diante de uma presa.
・゚: * 𖣘・゚:* 𖣘 *:・゚𖣘 *:・゚
A consciência, que estava escura como o breu, se partiu e entrou luz. A primeira coisa que sentiu quando a razão despertou foi dor. Mas acordar junto com a dor não era uma sensação estranha para Wonwoo, que havia travado uma longa guerra. Só não era engraçado que o mundo onde acordou ainda estivesse louco, mesmo depois de abrir os olhos.
— O sangramento foi intenso, mas você teve sorte de os ferimentos não serem profundos. Mesmo assim, será difícil se mover por um tempo, então continue internado por pelo menos cinco dias ou mais…
Wonwoo deixou a explicação mecânica do médico entrar por um ouvido e sair pelo outro, mantendo o olhar apenas na janela. Disseram que era um hospital afiliado ao Centro. Possivelmente por isso, entre os que descansavam com roupas de paciente no jardim do lado de fora da janela, havia alguns Espers. Talvez por ter travado uma longa guerra contra os Espers, seus dedos se mexeram por reflexo, como se tivesse que lutar com eles.
— Wonwoo.
Ao virar a cabeça com o chamado cortante, viu a enfermeira que havia ficado sozinha. Ela ordenou que Wonwoo estendesse o braço, aparentemente para dar uma injeção. Mas, em vez de obedecer, ele apontou o queixo para a seringa.
— O que é isso?
— Se eu disser, você vai saber o que é? — Nos olhos da enfermeira surgiu um brilho de desdém.
— Estenda o braço.
Como Wonwoo ficou parado, a enfermeira agarrou seu braço com força. De qualquer forma, era um Guia de categoria D. Ficou tensa quando soube que o paciente era da família Ji, mas logo ouviu, pelos outros, a situação desse paciente. Um Guia inútil que foi renegado pela própria família. Por isso ninguém havia ido vê-lo nos dois dias em que não recuperava a consciência.
Portanto, a enfermeira não tinha intenção de aceitar sua recusa. Tinha confiança de contê-lo, mesmo que resistisse. Mas, no momento em que agarrou o braço, o seu rosto irritado ficou paralisado ali mesmo. “Hã? O quê?” A enfermeira era meia cabeça mais alta que Wonwoo e de boa constituição física. Mas por que não conseguia colocar nenhuma força?
— É uma Esper.
A voz, que soou indiferente, fez a enfermeira se assustar e soltar a mão dele e, sem perceber, ficou abrindo e fechando a própria mão. A força entrava direto e se movia como queria, mas o susto ainda não havia passado. Por que foi assim há pouco?
— Isso, sou uma Esper. Se não quiser se machucar, estenda o braço.
A enfermeira soltou as palavras de forma autoritária e olhou duro. Ela era uma Esper do tipo físico, mas sua habilidade era tão fraca que nem precisava de Guia. Mesmo assim, entrou no hospital porque queria, de alguma forma, se filiar ao Centro, mas ninguém havia percebido primeiro que ela era Esper. Então, como esse Guia de categoria D descobriu? Olhava com olhos desconfiados, mas o olhar de Wonwoo estava voltado apenas para a seringa.
— Quando tomo isso, fico atordoado.
A mulher franziu o cenho e olhou rapidamente para a seringa. Ela também não sabia o conteúdo ali dentro. Para ela, bastava seguir as ordens que vinham de cima, então não se preocupava com isso. Quando perguntou ao médico o que era, ele respondeu apenas isso, com ar de impaciência.
“É o medicamento que o paciente já tomava.”
— É a injeção que você sempre toma.
Wonwoo ergueu o olhar. Seus movimentos eram lentos, mas parecia que era um hábito natural, não porque era um paciente. A sensação de se mover quieta e silenciosamente fez a enfermeira, que o observava, também fechar a boca junto. Mas logo endureceu os olhos, como se para recuperar os sentidos.
— Arregace a manga.
— Tomei isso com frequência?
— Sim, você. Por isso, estenda o bra…
— Ah, então é por isso que ele estava meio entorpecido. Não era porque estava morrendo.
Wonwoo murmurou e se levantou do lugar, depois caminhou naturalmente em direção à porta.
— Para onde vai? Precisa tomar a injeção!
— Agora a injeção não é o problema.
— Então, qual é?
— Todo o resto, menos eu. Por que tem tantos Espers neste mundo?
— O que é que está dizendo? — A enfermeira franziu muito o cenho. — Que tantos o quê? Os Espers filiados ao Centro Leste não chegam nem a dez mil.
— Esses dez mil estão todos vivos?
— …
— Uau, parece que estão.
— Olhe, isso é coisa para se dizer?
Wonwoo murmurou como se não pudesse acreditar, e a enfermeira o encarou com olhos ainda mais incrédulos. Tinha escapado de um covil de monstros e ficou com problema mental?
— Então os Purifiers estão todos mortos?
— O que é isso?
A reação dela não era estranha. O mesmo havia acontecido com o homem que estava morrendo com a sua aparência. Wonwoo não conseguia entender essa situação bizarra, mas uma coisa parecia certa. Neste mundo, os Purifiers simplesmente não existem. Do contrário, não havia como explicar tantos Espers.
Como se apenas essa diferença tivesse criado um mundo paralelo em que os Espers ainda dominavam o mundo. Mundo paralelo? Como se tivesse levado uma pancada forte na cabeça, uma luz piscou diante dos seus olhos. De repente, a sensação de todos os problemas se resolverem de uma vez. E lembrou da pessoa que tinha o mesmo rosto e o mesmo nome que o seu.
“Ji Wonwoo. Preciso descobrir. Além do fato de ser um Purifier, tudo o mais é igual ao meu. Não, ele é outro eu.”
— Chega de bobagem e estenda logo o braço.
A enfermeira tentou pegar o braço dele de novo, mas Wonwoo agarrou primeiro o punho dela.
— Digamos que tomei.
Era uma coisa absurda, mas a mulher não conseguiu reclamar. Não havia margem para isso. Ela não conseguia mover o braço que o garoto havia agarrado. Colocou força até no rosto, tentando puxar o braço, mas não se movia nem um milímetro.
“O que é isso? Estou perdendo para um simples Guia?”
— Ei, como você…
— É bem fraco.
Os olhos da enfermeira se arregalaram com o murmúrio. Wonwoo logo a soltou e desapareceu, mas ela ficou paralisada de susto e vergonha, incapaz de correr atrás. Quando recuperou os sentidos um pouco depois, o paciente já havia sumido.
⊹ ⚘ ⊹ Continua…
⌀ ⌀ ⌀
✦ Tradução, revisão e Raws: Belladonna&Flower