Capítulo 05.5
Capítulo 05 – Parte 5
— Foi porque era você que eu disse isso. Porque você era bom.
Jiheon suspirou. Mesmo dizendo aquilo, Jaekyoung não acreditaria, mas ainda assim ele queria desfazer o mal-entendido.
— É sério. Naquela época você já tinha ultrapassado os tempos dos atletas da seleção. Assim que entrasse no fundamental II você viraria atleta da seleção. Eu achava que, continuando bem daquele jeito, os Jogos Asiáticos eram tranquilos e dava até para mirar o ouro olímpico. E, se ganhasse o ouro olímpico, isso significaria que as outras competições também seriam possíveis.
Naquela época ele também pensava vagamente isso ao ver Jaekyoung. Se ele havia falado de Grand Slam para aquele garoto, provavelmente havia sido nesse contexto… — enquanto ele pensava isso sozinho, Jaekyoung riu, colocando uma mão na testa.
— Hyung, você falou quase exatamente isso na época.
— Ah, é mesmo?
Ei, viu só. Jiheon falou, agora rindo também.
— Eu não digo esse tipo de coisa a qualquer um.
Jaekyoung deu mais uma risadinha ao vê-lo e, entrelaçando as duas mãos como travesseiro sob a cabeça, disse:
— De qualquer forma, se você disse isso porque eu era bom, então está bom. Sinceramente, naquela época eu também achava que era um verdadeiro gênio.
Jaekyoung falou com toda a naturalidade e, olhando fixamente para o teto, murmurou baixinho: E, mesmo assim, eu me matava para melhorar ainda mais.
— Porque eu tinha que ir às Olimpíadas. Porque só ganhando o ouro lá e ganhando ouro em todas as outras competições eu poderia completar o Grand Slam.
Jaekyoung falou ainda olhando para o teto. Depois de murmurar baixinho como quem fala sozinho, ele logo disse a Jiheon:
— Seja porque foi por causa do que você disse ou não, eu não acho que tenha sido bobagem. De qualquer forma, graças a isso deu certo.
— É.
Jiheon assentiu lentamente.
— E eu nunca esperei que você reconhecesse isso, hyung.
— Sim.
Eu sei. Jiheon falou rindo. Jaekyoung ficou um bom tempo observando-o em silêncio e então falou, excepcionalmente, em um tom exaltado:
— Então eu não fico bravo por você não se lembrar, mas fico bravo por você ter tentado fugir assim que percebeu o que eu sinto.
— …Jaekyoung…
— Não fuja.
Jaekyoung falou sem dar a Jiheon a chance de se justificar.
— Assim parece que eu gostar de você, hyung, é errado. E eu não fiz nada de errado.
Jaekyoung falou olhando diretamente para Jiheon, sentado ao seu lado. Como um estava deitado e o outro sentado, era inevitável que houvesse diferença na altura dos olhares.
Jiheon olhou em silêncio para Jaekyoung, deitado ao seu lado. Entre os cílios longos, os olhos castanhos dele brilhavam com altivez. Os olhos de Jaekyoung eram exatamente como dez anos antes. Transparentes e límpidos, como dez anos antes.
E, provavelmente, como dez anos antes, olhavam apenas para ele, sem vacilar.
Por isso era ainda mais difícil encará-lo de frente. Jiheon virou a cabeça, fingindo tirar do bolso da calça a gravata que enfiara lá.
— É verdade. Você não fez nada de errado.
Absolutamente nada. Jiheon falou levantando a gola da camisa. E pendurou sobre ela a gravata que tirara do bolso.
— Quem errou fui eu.
Assim que pôs a gravata no pescoço, as mãos, por hábito, giraram a gola e começaram a dar o nó. De qualquer forma, voltando à empresa agora, seria hora de sair. Não havia necessidade nenhuma de amarrar a gravata de novo, mas ainda assim Jiheon amarrou. E bem devagar, com esmero.
— Desculpe por ontem e hoje ter mandado só o Minwoo sem avisar. Por isso eu peço desculpas.
De costas para Jaekyoung, Jiheon falou:
— É que, se eu me encontrasse com você, com certeza surgiria essa conversa, e eu achei que isso não seria bom. Independentemente da minha resposta, não é assunto para agora. Achei que, se fosse para conversar, era melhor fazer isso com calma depois da competição.
Por mais devagar que ele tentasse amarrar, em algum momento o nó da gravata ficou pronto. Jiheon ajeitou a gola da camisa ainda com gestos lentos. E então, apertando por fim a gravata, disse: Mas não foi porque era você.
— Eu teria feito o mesmo com qualquer outro atleta. Deixar esse tipo de conversa de lado e falar com calma depois da competição.
— Então bastava você ter dito isso a mim também.
A voz de Jaekyoung veio de trás. E justamente a gravata já estava perfeitamente amarrada. Não havia mais desculpa para continuar sentado de costas.
— …
Jiheon suspirou e se virou. Como não podia deixar de ser, cruzou o olhar com Jaekyoung, que o observava deitado na cama.
— Bastava dizer que a gente conversaria depois da competição.
Jaekyoung repetiu.
— Por que fugir? Com medo de que alguém não aguentasse e te devorasse nesse meio-tempo?
— Ei, eu já disse que não é isso.
Jiheon negou de imediato. Ele tentou de todo jeito arranjar uma desculpa, mas não havia desculpa. Dizer que pensara em ir à clínica aumentar a dose do supressor de feromônios também não dava.
— De qualquer forma, desculpe.
No fim Jiheon disfarçou com um pedido de desculpas, sem conseguir dar nenhuma desculpa decente. E, antes que Jaekyoung dissesse mais alguma coisa, tratou de encerrar a conversa depressa:
— De qualquer forma, não é bom essa conversa se estender aqui, então vamos parar por hoje. Vamos parar, e o resto a gente conversa depois da competição.
Entendido? Diante da fala de Jiheon, Jaekyoung não deu resposta alguma.
— Ei, responda, rápido.
Jiheon falou rindo de propósito. Mas Jaekyoung continuava sem responder.
— Ei, Kwon Jaekyoung.
Por que você não responde, moleque? Jiheon falou fingindo agarrar a gola de Jaekyoung, deitado.
— Você mesmo acabou de dizer. Que eu deveria ter dito isso a você também, como aos outros atletas.
— Eu disse para você ao menos falar; não disse que eu atenderia ao pedido.
…Esse desgraçado?
Jiheon quase agarrou de verdade a gola de Jaekyoung. Contendo-se a duras penas e olhando para ele com uma expressão de “você está brincando comigo?”, só então Jaekyoung disse: “Está bem”.
— Está bem, então, a partir de amanhã, venha você em vez do Minho hyung.
— …Não é Minho, é Minwoo, já disse.
Jiheon corrigiu mais uma vez, em silêncio.
— Sério, você mandou até que ele mentisse; ao menos decore o nome dele direito.
— E por que eu faria isso?
Jaekyoung falou secamente, deitado na cama.
— Vou continuar chamando ele de Minho e, faça ele bem ou mal, vou ignorá-lo. E vou ficar bravo, perguntando se ele só sabe trabalhar dessa forma.
— Ei, não faça isso.
— Então venha você, hyung.
Jaekyoung falou imediatamente.
— Se você não quer ver o Minho hyung em apuros, venha você. Porque, mesmo que venha outra pessoa no lugar dele, eu vou agir do mesmo jeito.
— …
— Você entendeu o que eu quis dizer, né?
Jiheon não teve o que dizer. Apenas rindo, com a mente atordoada, ele logo passou a mão pelo rosto e disse:
— Ei, você é mesmo… até agora nunca deu um sinal e, assim que abriu a boca, ataca com tudo.
— É por sua causa, hyung.
Jaekyoung falou fechando os olhos.
— Porque eu descobri que com uma pessoa como você tem que ser assim. Não adiantava fingir que não sabia, ficar só olhando de longe, medindo a distância e calculando o momento certo. Nesse meio-tempo você só ia arquitetar um jeito de fugir; por que eu daria essa brecha?
Diante da atitude de Jaekyoung, que passava da naturalidade e chegava ao atrevimento, Jiheon acabou ficando sem palavras. Sem se importar com isso, Jaekyoung se virou de lado de repente e disse:
— A gente se vê amanhã.
E, ao mesmo tempo, ainda fazia gestos com a mão mandando que ele saísse logo; parecia que, por mais que ele falasse, não obteria resposta. E, sinceramente, também não havia mais o que falar.
No fim Jiheon saiu, sem alternativa, do quarto de Jaekyoung. E, depois de ficar um tanto atordoado de pé na sala, deu de cara com a senhora Sim, que justamente voltava da rua.
— Ai, gerente Jeong. O que o traz aqui?
— Ah, eu passei para verificar se há algo que o Jaekyoung precise preparar antes de entrar na vila olímpica.
Jiheon se recobrou tardiamente e disfarçou às pressas. A senhora Sim fez que não com as mãos, dizendo: “Ai, não tem nada disso”.
— Ele não tem nada que precise levar sem falta. Se precisar de algo, ele mesmo compra na vila. Basta cuidar do remédio.
O remédio provavelmente se referia àquele que reduz a sensibilidade aos feromônios.
— O Jaekyoung toma esse remédio todos os dias, certo?
— Sim. É um pouco trabalhoso, mas é o mais seguro. E, de qualquer forma, o de uso diário também é o mais seguro em termos de composição.
— Foi o que me disseram.
Jiheon assentiu e disse com cautela: “Senhora”.
— O remédio que o Jaekyoung toma tem efeito garantido?
A senhora Sim piscou os olhos como quem pergunta que conversa era aquela.
— Ah, é que, sendo de uso diário, deve ser um pouco mais fraco do que o de um mês. Por acaso houve alguma vez em que ele reagiu ao feromônio de outra pessoa, ou em que ele disse sentir algum cheiro, ainda que leve…
— Nunca aconteceu.
A senhora Sim falou de forma cortante.
— Não me pareceu que, por ser de uso diário, o efeito fosse mais fraco.
E isto foi o que disseram na clínica também, disse a senhora Sim, baixando um pouco a voz.
— Parece que, tomando esse remédio por muito tempo, a própria constituição chega a mudar. Parece que a pessoa fica insensível a feromônios. O Jaekyoung já toma há dez anos. Talvez por isso, parece que há de fato alguma influência. No começo do ano passado, quando ele veio brevemente à Coreia na entressafra, ele fez um exame.
— Que… exame?
— Um exame que mede o nível de sensibilidade a feromônios. Ele parou o remédio por uma semana e foi à clínica para medirem a reatividade a cada componente de feromônio.
A senhora Sim balançou a cabeça.
— Não sei se o efeito do remédio ainda não havia saído todo, mas praticamente não houve reação.
E então, como se lembrasse tardiamente, disse: “Ah, houve exatamente um a que ele reagiu”.
— Mas acho que disseram que aquele componente raramente é detectado em feromônios de asiáticos. Segundo o médico, normalmente o feromônio dos asiáticos tem um cheiro adocicado bem forte. Mas aquele, como era mesmo, era um aroma levemente amargo e sutilmente esfumaçado, acho.
Jiheon, que ouvia a história da senhora Sim, acabou baixando a cabeça e rindo sem se dar conta. Como ele havia dito cheiro de mato, ele achou que fosse um cheiro realmente fresco e perfumado como o de plantas, e afinal era um aroma amargo e esfumaçado. Ele não sabia se deveria admirar a sensibilidade literária de Jaekyoung por descrever aquilo como cheiro de mato ou se preocupar com o olfato avariado dele.
— Só naquele o índice deu absurdamente alto. Bem, como dizem que não é um componente comumente detectado em asiáticos, é uma sorte.
— Entendo…
Ele deveria dizer “que bom”, mas a boca não se abria de jeito nenhum.
— De qualquer forma, a Spoin também deve estar bem ocupada agora. A entrada na vila olímpica é depois de amanhã.
Gentilmente, a senhora Sim mudou de assunto primeiro. Jiheon disse: “Imagina”.
— É que o Jaekyoung está tão bem preparado desta vez que não há muito com que a gente precise se preocupar.
— Ele já faz isso há alguns anos. E, ainda mais desta vez, sendo uma competição realizada no próprio país, ele deve estar mais tranquilo.
A senhora Sim falou isso e suspirou, cruzando os braços.
— Ai, pensando bem, agora realmente falta pouco.
O que a senhora Sim dizia não era a data de início da competição. Nem o dia em que a competição terminaria. Referia-se aos últimos dias restantes em que Jaekyoung atuaria como atleta.
Ela pareceu mergulhar por um instante em pensamentos, com uma expressão de sentimentos misturados, e logo ergueu a cabeça e sorriu para Jiheon.
— Aguente firme só mais um pouco, gerente Jeong. Assim que esta competição terminar, acaba de verdade. Daqui em diante deve ficar um pouco mais fácil, não é?
Era exatamente como ela dizia. Aquela competição era o fim. Assim que aquela competição terminasse, ao menos ele não precisaria mais ficar angustiado, preocupado com a possibilidade de suas próprias ações afetarem o desempenho de Jaekyoung.
Então vamos aguentar só até lá. Só até lá, vamos ser um pouco mais cara de pau.
Jurando isso, Jiheon também sorriu para a senhora Sim.
— Sim, vou dar o meu melhor até o fim da competição.
⊹ ࣪ ⋆。𖦹⋆.Continua…﹏⊹ ࣪ ˖
◆ Tradução e raws Belladonna, revisão Nat ◆