↫─☫ Capítulo 04.7
𓂃 ࣪˖ ִֶָ Um ou Outro-4 · Parte 7 ִֶָ་༘࿐
Como esperado, ela não aceitou a oferta com facilidade, embora provavelmente tivesse pensado no assunto por algum tempo.
— Mas…
— Não precisa se preocupar com o aniversário do embaixador. Ele não parece ligar muito, e eu vou dar um jeito de preparar algo legal.
— Mesmo assim, e você, Taekjoo?
— O que tem eu? Tenho sete anos?
— Não estou te tratando como criança. Você vai ter que dar conta da casa, do trabalho e de todas essas horas extras… como vai arrumar tempo para comer direito? Tenho medo de que adoeça de tanto comer miojo e ficar acordado até tarde jogando videogame.
— Ah… não precisa se preocupar com isso. Meu corpo e minha alma estão tão saudáveis que eu sou praticamente um zumbi.
— Não precisava dizer assim… Tem certeza de que vai ficar bem sem mim?
— Claro. Esqueceu quantos anos eu tenho? As pessoas vão falar se virem você me tratando como criança abandonada — brincou Kwon Taekjoo, rindo baixinho.
Mas a mãe continuou a olhar para ele com olhos preocupados. Com cuidado, Kwon Taekjoo colocou a passagem nas mãos hesitantes dela.
— Seja lá o que for que preocupa você, não vai acontecer. Vamos só tentar viver uma vida normal, como todo mundo. Cada um faz a sua parte e um apoia o outro, sem se preocupar tanto. Combinado?
A mãe de Kwon Taekjoo havia se esforçado muito para controlar a ansiedade e os instintos superprotetores. Fazia terapia com frequência e até ia ao hospital para tratamento quando necessário. Se estava tão calma agora, era graças a Zhenya. Por causa dele, Kwon Taekjoo conseguira evitar o perigo e voltar para casa em segurança em muitas ocasiões. Zhenya também ficara ao lado dela e preenchera a ausência de Kwon Taekjoo quando ele não estava por perto.
Kwon Taekjoo pegou a mão dela e a apertou com suavidade, tentando tranquilizá-la.
— Mãe, em vez de ser só filha de alguém, esposa de alguém ou mãe de alguém… você precisa encontrar um nome só seu. Faça as coisas que quer fazer, encontre as pessoas que vem adiando ver.
Kwon Taekjoo sempre quis que ela tivesse uma vida para si mesma, não apenas para ele. Queria que ela priorizasse os próprios desejos.
Perguntou-se se conseguira expressar sua sinceridade. Por fim, a mãe relaxou os ombros e soltou uma risadinha. Chegou a apertar a passagem entre as mãos.
— Tem certeza de que eu posso ir e de que posso confiar em você?
— Claro. Em quem mais você confiaria além de mim?
Kwon Taekjoo lhe deu um sorriso confiante. Ela retribuiu com um sorriso satisfeito e começou a examinar a passagem. Como uma criança animada, passou a murmurar para si mesma onde tinha deixado o passaporte, se estava vencido e se estava pronta para a primeira viagem ao exterior. Kwon Taekjoo a observou, satisfeito.
Mas o momento de paz foi interrompido por um zumbido alto no bolso. Ele olhou o identificador de chamadas. Como sempre, seus instintos estavam certos.
Era outra ligação da sede do NIS.
Assim que chegou à sede, Kwon Taekjoo foi direto ao gabinete do diretor. Mesmo depois de deixá-lo entrar, os olhos do Diretor Kwak permaneceram fixos na tela à sua frente, a expressão severa.
— Chefe.
— Ah, você chegou.
Ergueu o olhar ao ouvir a voz de Kwon Taekjoo, e a expressão tensa se suavizou.
— Descansou?
— Sim.
O Diretor Kwak assentiu e foi direto ao assunto, algo incomum que indicava a gravidade da situação.
— A missão foi autorizada.
— Quando devo partir?
— Antes disso, há algo que você deve saber.
— O que é?
— Vamos coordenar com os Estados Unidos e o Japão esta operação em Vladivostok.
Ao ouvir a notícia inesperada, Kwon Taekjoo perguntou na hora:
— Coordenar? Isso significa que não será uma missão solo?
— Considerando o quanto foi difícil reunir as informações, é do nosso interesse confirmar a validade delas e lidar com o assunto discretamente, por conta própria. Assim fica muito mais limpo. Se for um alarme falso, evitamos as críticas por ter levantado uma preocupação desnecessária.
O Diretor Kwak continuou explicando em um tom que mostrava entender por completo as preocupações de Kwon Taekjoo.
— Mas aqui está a questão… o objetivo desta missão não é só rastrear os movimentos da Coreia do Norte. Conversas secretas entre a Coreia do Norte e a Rússia podem representar uma ameaça à paz global. Se for o caso, seremos obrigados a compartilhar o que encontrarmos. É melhor envolver as nações aliadas agora e receber o apoio delas do que ser acusados depois de reter informações críticas. Principalmente considerando o local: Vladivostok.
Kwon Taekjoo entendia o que ele dizia. Vladivostok era um ponto crítico para a diplomacia internacional. Ideologicamente, era um campo de batalha entre a democracia e o socialismo e, geograficamente, servia de elo entre a Europa e a Ásia. Além disso, era um centro de intensa atividade para diplomatas e agentes de vários países. Isso significava que qualquer operação de espionagem ali poderia ser facilmente descoberta por qualquer um dos lados. Em vez de arriscar interferências imprevistas, o caminho mais inteligente era cooperar com outras nações aliadas.
No entanto, Kwon Taekjoo preferia trabalhar sozinho, e esse era o problema. Embora Zhenya frequentemente o ajudasse, gostava de analisar e resolver as situações à sua maneira, mesmo que isso significasse dobrar as regras. Confiava mais nos próprios instintos do que em qualquer estratégia planejada de antemão. Já era irritante ser obrigado, de vez em quando, a trabalhar com outro agente do NIS ou com algum especialista, mas agora teria de colaborar com agências de inteligência estrangeiras. Não gostava nem um pouco disso.
— Chefe, para ser sincero, pode parecer “cooperação” na superfície, mas logo vai virar “cada um por si”, com todos protegendo os próprios interesses nacionais.
— Estou ciente disso. Vamos enfrentar irregularidades e inconvenientes. Mas que escolha temos? O destino do país está em jogo. Não podemos nos dar ao luxo de agir por caprichos pessoais.
— Aah…
— No entanto, vou lhe prometer uma coisa: você não terá de interagir diretamente com os agentes estrangeiros. Chegamos a um acordo para mantê-los de prontidão, intervindo só se você falhar. Enquanto isso, podemos usar as informações deles. Ainda não sabemos o que a Coreia do Norte pretende levar à mesa em Vladivostok nem quais táticas vai usar. Afinal, você é uma só pessoa. Pense nisso como ter mais clones seus por aí. E a ideia de dar ordens a agentes de outros países não soa até divertida?
— Como eu poderia confiar neles, para começo de conversa? Quando as coisas ficarem difíceis, vão cuidar só de si. Garanto que vão intervir do jeito que acharem melhor e acabar causando problemas. Já aconteceu comigo muitas vezes.
— Sabe, eles me fizeram a mesma pergunta… como era possível confiar tudo a você?
Um sorriso astuto surgiu nos lábios do Diretor Kwak. Assim como Kwon Taekjoo não confiava neles, parecia que eles tinham as próprias dúvidas sobre ele. Claro, era engraçado vindo deles, considerando que provavelmente estavam de olho numa posição mais alta depois de roubar informações alheias. A frustração cresceu dentro de Kwon Taekjoo, mas ele a manteve sob controle, cerrando os punhos.
— Vamos conduzir esta missão do começo ao fim, então não se preocupe demais. O NIS vai apoiar plenamente a sua autonomia. Mas há muita gente contando com esta operação, então o fracasso não é uma opção. Entendeu?
— …Sim, chefe — respondeu Kwon Taekjoo, relutante.
A hesitação dele era evidente, mas ordens são ordens. Era direto, teimoso e às vezes dobrava as regras, mas nunca ultrapassava a linha. Os instintos de sobrevivência apurados, aprimorados pelas circunstâncias infelizes da vida familiar, também aumentavam suas chances de concluir a missão com sucesso. Era por isso que Kwon Taekjoo se tornara um dos melhores agentes do NIS nos últimos dez anos.
O Diretor Kwak virou o tablet em direção a Kwon Taekjoo, que ainda parecia cauteloso.
— Deixe-me passar os detalhes da operação. Há alguns dias, Kim Gil-ha, membro do Departamento do Estado-Maior Geral da Coreia do Norte, visitou o consulado norte-coreano em Vladivostok. Kim Gil-ha é secretário de Sim Young-il, o chefe de operações. É provável que tenha ido antes de Sim Young-il para inspecionar a área antes da próxima conferência secreta com os russos. Também recebemos relatos de outras atividades estranhas. Por exemplo, o Hotel Vladivostok, de propriedade da família Bogdanov, parou de aceitar reservas por duas semanas. O hotel costuma sediar eventos governamentais ou banquetes, não hóspedes comuns, mas desde ontem restringiu por completo o acesso de visitantes e cortou qualquer comunicação com o mundo exterior. Além disso, soubemos que algumas áreas da Ilha Russky, em Vladivostok, foram interditadas. Aparentemente, é para manutenção do sistema de águas subterrâneas e reparos nas estradas, mas o momento não poderia ser mais conveniente, não acha?
— Se é a Ilha Russky, então…
— Exatamente. É onde fica a Universidade Federal do Extremo Oriente. Eles realizaram uma cúpula Coreia do Norte-Rússia lá alguns anos atrás.
— Eles realmente se encontrariam num lugar que já esteve sob os holofotes?
— Pode ser exatamente o que estão planejando. Se altos funcionários dos dois países se encontrarem em sigilo total, isso só levará a mais especulações sobre as intenções deles. Mas, se alegarem que é para cooperação tecnológica, que melhor fachada que uma universidade? Precisamos manter todas as possibilidades em aberto. Por isso estamos coordenando com agências de inteligência estrangeiras. Há três possíveis pontos de encontro para as negociações Coreia do Norte-Rússia… a universidade na Ilha Russky, o Hotel Vladivostok, onde a delegação norte-coreana está hospedada, e a estação de trem de Khasan.
— Khasan?
— Viajar de avião não é a única maneira de ir da Coreia do Norte para a Rússia, sabe.
Khasan era uma pequena cidade na região portuária da Rússia, localizada na interseção entre Rússia, Coreia do Norte e China. Com pouco mais de três mil habitantes, ganhou notoriedade depois que um líder norte-coreano trocou de trem ali durante uma visita à Rússia. As ferrovias russas foram construídas com bitola de 1.520 mm, enquanto a Coreia do Norte usava a bitola padrão de 1.435 mm, o que obrigava os passageiros a trocar de trem na estação de Khasan para continuar a viagem. O mesmo valia para o transporte de carga. O fluxo constante de trens de carga pela cidade era prova da aliança duradoura entre a Coreia do Norte e a Rússia.
— Um agente de campo relatou atividades suspeitas na área. Apesar de ser uma zona militar, há um número incomumente alto de unidades estacionadas ali. A vigilância também está mais rígida que o normal.
Os três locais possíveis para a conferência Coreia do Norte-Rússia eram todos suspeitos. Kwon Taekjoo sabia que nem ele conseguiria cobrir Khasan, Vladivostok e a Ilha Russky sozinho. Também era muito provável que o apoio que poderia receber do NIS fosse limitado. Não teve escolha senão admitir que a cooperação com a inteligência estrangeira era essencial.
Em tom desanimado, perguntou:
— Então devo ir primeiro para Khasan?
— Não. Já há um agente americano lá, trabalhando como engenheiro ferroviário. Ele nos alertará se algo suspeito acontecer. O nosso trabalho é esperar no aeroporto, caso a delegação norte-coreana decida viajar de avião. Também vamos monitorar o Hotel Vladivostok, onde a delegação ficará, vinte e quatro horas por dia.
— E a Universidade Federal do Extremo Oriente?
— O Japão ficará responsável por aquele local. Nosso objetivo é rastrear todos os movimentos da delegação e estar preparados para encontrar o outro lado, caso sigam para a universidade ou para qualquer outro possível local de encontro.
— Hmmm… Um passo em falso, e todos os nossos esforços vão por água abaixo.
— Confio que você não deixará isso acontecer. Estamos indo direto para território inimigo; esteja preparado.
— Entendido.
— Se você falhar, não teremos escolha senão recorrer ao Plano B. Seria desanimador ver todo o nosso trabalho duro cair nas mãos de outra pessoa — acrescentou o Diretor Kwak, com uma risada amarga.
À primeira vista, as palavras pareciam diretas. Como se já não bastasse repassar a outros países as informações de alto nível que o NIS tinha de divulgar, acabariam dividindo também todos os sucessos e fracassos. Mas, para Kwon Taekjoo, soaram mais como um aviso velado para não deixar o relacionamento com Zhenya arruinar a operação. O fato de ter sido designado para o hotel da família Bogdanov era provavelmente uma espécie de teste para avaliar sua lealdade.
Considerando os eventos passados, Kwon Taekjoo não ficou nem um pouco surpreso por suspeitarem dele. Já havia decidido que, daquela vez, manteria o trabalho e a vida pessoal completamente separados. Em silêncio, cerrou o punho.
— Estarei esperando os seus resultados.
— Obrigado. Vou me retirar agora.
Kwon Taekjoo pegou o passaporte que lhe forneceram e saiu do gabinete em silêncio. Assim que a porta se fechou, um suspiro pesado escapou de seus lábios. A mente girava com vários pensamentos.
Não podia deixar os sentimentos pessoais interferirem numa operação tão crítica. Se vacilasse por um instante, muitas pessoas seriam prejudicadas.
Será que Zhenya realmente não estava envolvido em nada daquilo? Se, durante a missão, Kwon Taekjoo encontrasse algum parente de Zhenya, teria de sacar a arma. Se puxasse o gatilho e ferisse um dos familiares dele, Zhenya realmente não se importaria? E se o próprio Zhenya aparecesse? E se tivesse mentido sobre não saber de nada? E se… Enquanto Kwon Taekjoo considerava cada vez mais possibilidades, a mente se inundava de pensamentos conflitantes.
Balançou a cabeça, afastando os pensamentos intermináveis que lotavam sua mente, inspirando e expirando devagar para acalmar os sentimentos atormentados. A expressão se endureceu de determinação quando ergueu o olhar de novo. Sem hesitar, apertou os lábios numa linha fina e percorreu o corredor, a sombra tremulando sob as luzes.
Naquele momento, só podia confiar em Zhenya e na própria determinação.
𑣲⋆ Continua…
⌀ ⌀ ⌀
✦ Tradução, revisão e Raws:
Rubyy&Belladonna
☰ ⌀ ⌀ ⌀ Aviso: Todos os fatos, personagens e situações retratados nesta obra são inteiramente fictícios. Não contendo nenhuma relação com fatos reais. ⌀ ⌀ ⌀ ☰
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