↫─☫ Capítulo 10 Extra. Normal Days 10
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Extra. Normal Days 10
— …Ha, você não sabe parar quando começa. Vai atender. Não disse que já estava na hora?
Recuperando a respiração ofegante, ele acenou com a cabeça para dentro. Zhenya, com uma expressão de desagrado, foi relutantemente abrir a porta. Ouviu-se uma voz de fora anunciando o serviço de quarto.
Aproveitando a brecha, ele foi ao banheiro próximo e tomou um banho. Ao abrir a torneira sem pensar, ele se assustou com o jato de água. Assim que a água tocou seu corpo, todo ele formigou. Parecia que sua sensibilidade estava no limite. E com razão, era difícil encontrar um lugar que não tivesse sido mordido ou sugado por Zhenya. Sua pele estava cheia de hematomas e manchas. Na parte interna dos braços, peito, virilha, flancos e nádegas, ainda havia marcas de dentes nítidas. Seus pulsos e tornozelos também mostravam marcas de dedos. Se alguém visse, pensaria que ele tinha passado o dia inteiro treinando boxe, não fazendo sexo.
Após o banho, ele sacudiu a cabeça molhada e suspirou baixinho. Sentiu uma familiar sensação de formigamento. Ele ergueu a barra do roupão e verificou seu peito. O estado daquela área era pior do que em qualquer outra parte do corpo. Especialmente os mamilos, que eram uma sorte não terem sangrado, estavam com a cor da pele alterada. Além disso, estavam eretos, então, se ele vestisse uma camisa, certamente marcaria. Quando ele os tocou com cuidado, sentiu até uma dor aguda. Nesse estado, parecia que o desgraçado havia roído seu peito. Estalando a língua, ele pegou um curativo e o colocou em ambos os lados. Então, antes de sair, ele ajustou bem a frente do roupão e apertou o cinto. Era para que o desgraçado não visse e piorasse a situação.
Quando ele foi para a sala, as travessas cobertas enchiam a mesa. À primeira vista, parecia haver cerca de dez pratos. Zhenya, sem nem olhar para eles, bebia chá elegantemente. Sentado com as pernas cruzadas, inclinando uma xícara de chá ornamentada, ele parecia uma pintura, e isso era irritante.
— …Esse desgraçado aristocrata.
Quando ele murmurou para si mesmo, o desgraçado inclinou a cabeça.
— Hã? O que você disse, Taekjoo?
— Que parece gostoso.
Ele respondeu vagamente e foi até a mesa. Então, foi abrindo as tampas uma a uma para ver o cardápio. Ele não esperava, mas não havia comida coreana. Apenas bife, massa, frutos do mar cozidos no vapor, legumes assados, salada, pão e sopa. A única comida oriental era rolinho japonês e macarrão chinês. Só de olhar, seu estômago já se sentia pesado.
— Faz dez dias que não como uma refeição decente.
Ele resmungou, enquanto mastigava brócolis assado. Sua mandíbula apenas fazia o movimento mecânico de mastigar. Dizem que cada raça e país tem seu odor característico. Para que Choi Yeonhwa não sentisse o odor coreano nele, ele evitou comida coreana por um tempo. Ele também andava com perfume forte. No final, foi em vão.
Ele cortou o bife em pedaços grandes e os colocou no garfo junto com a salada. Então, enfiou tudo na boca. Suas bochechas incharam, como se estivesse comendo um grande *ssam*. Ele mastigava sem muito entusiasmo.
Logo, a campainha tocou novamente. Mais alguém ia vir? Ele olhou para Zhenya de soslaio. Mas o desgraçado, sem dar nenhuma explicação, levantou-se. Kwon Taekjoo enfiou mais um pedaço de bife e salada na boca e observou o desgraçado indo em direção à porta. Logo a porta se abriu, e ele ouviu o desgraçado conversando com um funcionário. Pelos pedaços de conversa que ouviu, parecia que ele havia encomendado algo.
Mas, de repente, um cheiro familiar estimulou seu olfato. A mandíbula de Kwon Taekjoo, que se movia mecanicamente, parou por um instante. Seus olhos também se arregalaram em direção à porta. Não pode ser. Em seguida, a mão de Zhenya, que entrou, segurava uma bandeja. Sobre ela, uma tigela branca e pequenos pratos de acompanhamento. Não havia como negar: era o sabor picante coreano.
— …Isso, onde você conseguiu?
— Falei com o restaurante. Parece que muitos coreanos frequentam, conseguiram rapidinho.
Não, você é VVIP, eles devem ter feito algo que nem estava no menu. Empurrando a razão que zombava por dentro, seus instintos gritavam. Como se estivesse hipnotizado, ele estendeu as duas mãos para Zhenya. Se alguém visse de forma maliciosa, parecia que ele estava pedindo um abraço. Zhenya riu e entregou a bandeja a Kwon Taekjoo. Ele também afastou o prato de bife que estava na frente dele.
Cuidadoso para não derramar uma gota de caldo, Kwon Taekjoo colocou a bandeja no chão como se fosse um bebê. Então, ao ver o estado do macarrão instantâneo, resmungou com desaprovação.
— Droga, está todo mole. Nem viram o modo de preparo.
O cozimento não estava dos melhores, mas ele bebeu o caldo primeiro. Parecia que a gordura que preenchia seus vasos sanguíneos estava sendo lavada. Embora o macarrão instantâneo também fosse frito, era a sensação que ele tinha. Ele bebeu mais caldo, saboreando a leveza, e então começou a sorver o macarrão que já estava amolecendo. Zhenya, que observava com o queixo apoiado na mão, disse: “Seu gosto não muda”.
O desgraçado tinha uma grande ilusão: que Kwon Taekjoo gostava de macarrão instantâneo. Mas ele não gostava particularmente de macarrão instantâneo. Também não o desprezava, mas era uma das comidas que ele não comia com frequência quando estava na Coreia. No entanto, quanto mais tempo ele ficava no exterior, mais ele sentia falta da comida coreana, como uma espécie de síndrome de abstinência. Claro, como ele sempre se animava com macarrão instantâneo na frente do desgraçado, não era de admirar que ele pensasse assim.
Ele deslizou o bife sem dono na direção do desgraçado.
— Come.
Ele murmurou com a boca cheia. O desgraçado, que parecia que nunca comeria algo que outra pessoa tivesse tocado, pegou o garfo e a faca. Então, cortou o bife em um pedaço do tamanho de uma mordida. Colocou a carne cortada na boca e mastigou calmamente. Suas bochechas não incharam, seus lábios não se abriram nem se moveram muito. Ele não fez nenhum som até engolir aquele pequeno pedaço. Seus movimentos eram tão fluidos que parecia uma cena de filme. Estranhamente, a iluminação ao redor do desgraçado parecia mais especial. Será que havia um holofote ali? Ele olhou para o teto, sem saber por quê.
Quando ele olhou para Zhenya novamente, o desgraçado, percebendo seu olhar, encontrou seus olhos. Ele perguntou com o olhar se ele tinha algo a dizer. Kwon Taekjoo pegou um fio de macarrão do prato e o estendeu para o desgraçado. O desgraçado fez uma expressão de dúvida. Ele acenou com os pauzinhos, como se oferecesse. O desgraçado não se mexeu. Kwon Taekjoo também não recuou e acenou com o macarrão novamente.
Zhenya suspirou baixinho e inclinou a cabeça. Então, abriu a boca e aceitou o macarrão que Kwon Taekjoo lhe oferecia. “Como está?”, ele perguntou, mas não houve resposta. O desgraçado apenas mastigava calmamente, de braços cruzados. Enquanto sugava o resto do macarrão, ele observava a reação do desgraçado. A mandíbula do desgraçado parou de se mover e, em seguida, seu pomo de Adão ondulou lentamente. E foi só isso. Parece que ele havia desenvolvido imunidade àquele nível de picância, pois o desgraçado continuou cortando o bife.
Então, de repente, ele pegou um copo d’água e enxaguou a boca. Não era um movimento apressado, mas tranquilo. No entanto, suas orelhas e olhos estavam sutilmente vermelhos. Quando ele bebeu a água e terminou o copo, seus lábios estavam inchados. Talvez a arma definitiva para derrotar Koshchei fosse a pimenta em pó coreana.
Divertido com o pensamento, ele riu baixinho. Zhenya o olhou com uma expressão de ressentimento.
— É engraçado, Taekjoo?
— Estou só curioso. Dizem que até a maioria dos mercenários se acostuma com kimchi depois de um ano na Coreia. Como você pode ser tão consistente?
— Picante não é sabor, é dor. Não há necessidade de se acostumar com a dor.
— Não é você quem devia dizer isso, seu desgraçado.
Ele o tinha forçado a se acostumar com a dor, e agora ele dizia isso?
— Isso também é bom para você, Taekjoo. Agora, só de eu colocar, você já goza.
Ele era mais que descarado, parecia não ter senso de vergonha. Não importava a hora ou o lugar, até na frente da mãe dele, ele falava obscenidades. E ainda assim, só por causa do picante, ele engolia a saliva. Em seus olhos azuis perturbados, parecia até haver um leve brilho de lágrimas.
De qualquer forma, que criança. Ele passou o leite, que estava para o café com leite, para ele. O movimento do desgraçado ao pegar o copo era estranho, como se tivesse um atraso. Ele ficou um tempo com os lábios no copo, apagando o fogo na boca. Com seu tamanho imponente, agindo daquela forma, parecia ao mesmo tempo insignificante e um pouco fofo.
— Até quando você vai viver com essa língua de bebê? Se não conseguir comer comida picante na Coreia, um terço das opções desaparece.
— A menos que eu vá morar lá para sempre…
Por um instante, a mão de Kwon Taekjoo, que estava prestes a retomar a refeição, hesitou. Era uma frase sem importância, mas aconteceu sem querer.
— …Bem, é verdade.
Ele acenou com a cabeça e passou por cima, como se não fosse grande coisa.
Certamente, ele não havia pensado em um futuro tão distante. Ele apenas tinha estabelecido um fim vago: até que o intenso interesse de Zhenya por ele se esgotasse, até que o desgraçado caísse por si só. Não era uma relação que tinha começado porque estavam perdidamente apaixonados um pelo outro. Havia apenas um ano, e, devido ao trabalho, o tempo que passaram juntos não chegava a cem dias. A vida é imprevisível, e o coração das pessoas muda de um dia para o outro. Mesmo assim, havia necessidade de fazer grandes planos para um futuro distante? Ele não havia decidido cuidar do desgraçado para sempre.
Sua cabeça entendia perfeitamente, mas por que seu coração se sentia vazio? Seus movimentos com os pauzinhos ficaram mais lentos. Ele praticamente enfiava a salada na boca como se fosse um triturador. Enquanto mastigava algo sem nem saber o que era, Zhenya se levantou de repente. O olhar de Kwon Taekjoo o seguiu.
— Termine de comer.
Ele pensou que talvez o desgraçado fosse ao banheiro, mas ele foi para um dos quartos próximos. E não saiu por um bom tempo. No início, ele não se importou, mas, com a longa ausência, começou a olhar de soslaio para a porta. Até parou de comer.
Quando Zhenya reapareceu, estava completamente vestido. Kwon Taekjoo olhou para ele com surpresa, e o desgraçado verificou o relógio e disse:
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Continua…
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✦ Tradução, revisão e Raws: Faby&Belladonna