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BS Capítulo 6: A Flor do Massacre (2) — Parte 1/2
O Templo do Inferno era gigantesco. Sendo a única nação pseudorreligiosa do mundo a adorar humanos como deuses, os fanáticos tinham construído templos esmagadoramente grandes, até mesmo dentro de seus quartéis. Em nome de receber a premonição louvando o poder divino de Deus — Ihwa —, os fanáticos realizavam todas as noites sacrifícios de massacre. Eles filmavam a tortura e a matança das cobras capturadas durante as caçadas e transmitiam as imagens todas as noites em centenas de grandes telões ao ar livre instalados ao longo da fronteira.
O ponto alto dessas exibições era um ritual em que as cobras estupravam umas às outras em grupo. Louvando Ihwa, as cobras se entrelaçavam e cometiam estupros coletivos. Todas as noites, gritos ecoavam dos inúmeros amplificadores instalados ao longo da vasta e extensa fronteira. Essa prática continuava havia sete anos. Os aterrorizantes rituais fanáticos realizados pelos guerreiros dessa nação pseudorreligiosa se tornaram um fenômeno internacional apenas um ano depois que o conflito de fronteira eclodiu entre o “País de Deus” e o “Reino da Serpente Alada”. No exterior, eram frequentemente comparados à reencarnação moderna dos maias.
Foi há aproximadamente dez anos que Mo Zhao, o líder do Reino da Serpente Alada, voltou os olhos para os dois países da Península Oriental: o País de Deus e o País da Virtude. Por causa do clima anormal crônico e da escassez de água, o Reino da Serpente Alada estava longe de ser autossuficiente e era forçado a importar produtos agrícolas, acumulando enormes déficits comerciais todos os anos. Quando falta dinheiro e comida às pessoas, elas inevitavelmente recorrem ao roubo. Mo Zhao elaborou um plano para alimentar suas cobras saqueando os países da vizinha Península Oriental.
Há 870 anos, quando “aqueles tempos” terminaram, a ordem econômica global foi completamente virada de cabeça para baixo. Desde então, a maioria das nações adotou políticas isolacionistas, mantendo apenas o mínimo de comércio e tornando-se autossuficiente. O País de Deus, junto com sua nação irmã, o País da Virtude, era um país agrícola que aderiu ao isolacionismo, mas seu isolamento extremo lhe rendeu o rótulo de “nação lacrada”. Esse país, situado ao norte da Península Oriental, era particularmente notável por sua ditadura disfarçada de dinastia, que já durava mais de 800 anos. Mesmo considerando que seu Estado irmão, o País da Virtude, tinha passado por três ou quatro mudanças de regime no mesmo período, essa ditadura imutável se destacava de forma gritante. Um fenômeno assim jamais poderia ocorrer numa sociedade dinâmica.
A agricultura é uma atividade que exige mão de obra intensa. O povo estava tão ocupado com a lavoura que não dava a menor atenção ao fato de um clã de impostores que se diziam deuses monopolizar o poder por mais de 800 anos. “O País de Deus é uma terra de simples agricultores”, pensou Mo Zhao.
Primeiro, Mo Zhao sondou o terreno. Durante dois anos, enviou batedores disfarçados de bandidos para investigar as operações militares ao longo da fronteira do País de Deus. No ano seguinte, Mo Zhao enviou 100 mil soldados para a fronteira sob o pretexto de “libertar a península”. Justificou a invasão com uma retórica grandiosa: “Historicamente, o continente é o irmão mais velho, e a península é o irmão mais novo. Este irmão mais velho libertará o povo da península, que sofre sob uma ditadura.” Suas forças chegaram a se autodenominar “Exército de Libertação da Península”.
No entanto, em vez de marchar para o sul imediatamente, Mo Zhao decidiu manter as tropas estacionadas na fronteira por dez dias para observar. Pretendia esperar até que os líderes da Península Oriental traíssem seu povo e vendessem suas nações.
No sétimo dia de acampamento, centenas de telões provisórios ao ar livre foram instalados de repente ao longo da fronteira. Antes que as cobras tivessem tempo de especular sobre sua finalidade, começou a primeira exibição. Até as cobras, infames como um brutal grupo de massacre, ficaram atordoadas com o que viram. Os protagonistas na tela não eram outros senão as tropas de vanguarda e os oficiais do “Exército de Libertação da Península”.
Os 400 homens da vanguarda foram massacrados ao longo de sete horas brutais. Os oficiais, enquanto louvavam Deus, estupravam uns aos outros em grupo. Os perpetradores mascarados no vídeo usavam uniformes pretos e máscaras pretas que deixavam apenas os olhos à mostra.
Chocantemente, essa atrocidade foi realizada como um ritual. Durante todo o massacre das cobras, os homens mascarados rezavam e choravam fervorosamente. O vídeo, acompanhado de intérpretes, detalhava o processo do ritual. Explicava que, para se defender das cobras que cobiçavam sua terra, eles não tinham escolha senão confiar na premonição do grande Ihwa, seu deus e soberano. E, para receber essa premonição, precisavam oferecer sacrifícios de sangue todas as noites.
Mo Zhao, que supusera que o País de Deus era uma terra de simples agricultores, ficou completamente chocado. Atos assim eram incompreensíveis, a menos que a nação inteira tivesse enlouquecido. As imagens de oficiais estuprando uns aos outros em grupo não só inspiravam medo, como também deixavam as cobras em pura incredulidade. É claro que as cobras também estupravam abertamente, em grupo, os prisioneiros homens capturados e, às vezes, decapitavam as esposas ou as filhas pequenas de líderes regionais para ostentar sua crueldade. No entanto, filmar tais atos e exibi-los publicamente em grande escala como parte de uma operação militar era algo inédito.
Era cruel e extremo demais para ser descartado simplesmente como o desespero de ratos encurralados. Matar e torturar inimigos é uma coisa, mas nenhuma força militar no mundo filmaria os oficiais inimigos estuprando uns aos outros em grupo e depois transmitiria isso publicamente.
“Isto não é uma terra de agricultores; é uma terra de fanáticos”, concluiu Mo Zhao. Não existe cura para a loucura e, se a população inteira fosse fanática, a resistência seria esmagadora. Mo Zhao, decidido a reforçar a moral dos soldados, adiou a invasão por duas semanas.
Logo no dia seguinte, os oficiais que tinham aparecido nus nos vídeos foram encontrados perto da base logística das cobras, com os olhos arrancados. Eles testemunharam a Mo Zhao que tinham sido atacados por um homem alto durante a noite.
— Assim que o homem apareceu, metade da vanguarda teve a cabeça explodida e morreu. Como se não bastasse, espadas se moveram sozinhas e apontaram para nós. Não havia como resistirmos numa situação tão aterrorizante.
Em resumo, o testemunho deles era a alegação absurda de que um único indivíduo matara 400 homens em menos de um minuto e sequestrara os outros 400 sem derramar uma gota de suor.
— No quartel dos fanáticos, havia um templo tão gigantesco quanto as Pirâmides de Gizé… Em algum momento, senti uma reverência ardente por Deus florescer no meu coração… Quando recobrei os sentidos, estava extasiado, entrelaçado com meus colegas oficiais, louvando Deus… Deus possui uma habilidade misteriosa de controlar a mente humana…
Os oficiais, soluçando, relataram sua experiência. Furioso, Mo Zhao ordenou que cometessem suicídio.
No dia seguinte, os telões exibiram um novo filme. Desta vez, os atores eram as forças secretas estacionadas no local de interceptação. Numa única noite, 450 dos 750 membros da unidade tiveram a cabeça explodida e morreram, enquanto 300 foram sequestrados e apareceram nus na tela. As cobras, enquanto louvavam Deus e estupravam seus oficiais superiores, foram brutalmente assassinadas pelos fanáticos no final.
O sacerdote de manto preto, de pé, imponente, no altar, disse que o Grande Deus tinha dado uma revelação, revelando a localização da base da unidade secreta. Também declarou que, quanto mais sangue ele bebesse, mais seu poder de premonição aumentaria e, por isso, exortou-os a conduzir os sacrifícios com ainda mais fervor. Os fanáticos, chorando, juraram capturar cobras e realizar os sacrifícios com ainda mais zelo.
Imediatamente após a exibição do novo filme, desertores começaram a aparecer um após o outro por toda a unidade das Cobras. Só naquela noite, o número de desertores chegou perto de 4 mil. Entre eles, havia sete oficiais de alta patente.
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🦢 Tradução, revisão e Raws: Belladonna & Othello