Capítulo 36
— Não, de jeito nenhum.
Daisy balançou a cabeça rapidamente. Em caso de dúvida, negue tudo, esse era seu lema.
— Então me diga o que estava se passando nessa sua cabecinha linda agora há pouco.
‘Ótimo. Lá vem o interrogatório.’
Seus olhos azuis-acinzentados pareciam perfurar seus pensamentos, frios e calculistas mesmo na penumbra.
‘Deus, ele é aterrorizante.’
Aqueles olhos a lembravam da Medusa — uma olhada e você virava pedra. Ela tentou desviar o olhar, mas isso só piorou as coisas. O corpo nu dele preenchia todo o seu campo de visão, cada centímetro esculpido impossível de ignorar.
Se não podia olhar para o rosto dele, onde diabos ela deveria? Isso era tortura.
O olhar de Daisy vagou desesperadamente antes de, relutante, encontrar os olhos de Maxim novamente.
Apesar de parecer ler sua mente, sua expressão permanecia completamente indecifrável, uma máscara vazia que não revelava nada.
‘Isso é tão constrangedor que eu poderia morrer. Por que ele tem que me interrogar enquanto está completamente nu?’
A mistura inebriante de chantilly, sabonete e o cheiro naturalmente masculino do homem girava ao redor, fazendo sua cabeça rodar.
Daisy decidiu inventar algo, qualquer coisa para quebrar essa tensão.
— É só… nada demais. O chão está uma bagunça. Eu estava pensando no que dizer aos criados amanhã, só isso…
— Por que se preocupar com isso? Eu resolvo, então não se incomode.
— Certo, mas ainda assim…
— Muito mole, — disse Maxim com firmeza. — Você precisa aprender a se impor primeiro. — Sua voz carregava um tom de autoridade que fez seu estômago revirar.
— Não persuada nem negocia com criados, você dá ordens. É da natureza humana te pisar se demonstrar fraqueza. — Ele claramente estava se referindo às interações dela com Mary.
— Desculpa. Ainda estou me acostumando com tudo isso.
— Então se acostume rápido. Você não viu o que Mary fez comigo mais cedo?
— Ela só estava preocupada comigo. Como eu poderia—
— Estive pensando em uma coisa, — Maxim interrompeu, a voz ficando perigosamente baixa. —Você sempre usa apelidos com tanta facilidade?
— O quê?
— Por que eu sou ‘Vossa Graça’ enquanto ela pode ser ‘Mel’? — Seu tom enviou um arrepio pela espinha dela.
— Bem, você tem um alto posto, então não seria apropriado usar seu apelido na frente dos criados.
— E é perfeitamente aceitável usar o apelido de uma simples criada na minha frente?
Daisy se sentiu completamente desorientada com o interrogatório incessante dele. Ele tinha talento para tirar as conclusões mais dramáticas.
— Ou talvez, — ele disse lentamente, — você prefere mulheres? 😅😅
— Não entendi o que quer dizer. Pode ser mais específico?
— Você sente atração sexual por mulheres em vez de homens? 🤣
Sério? Só porque ela usou um apelido, ele estava fazendo essa suposição absurda?
Era ridículo. Mas na verdade… essa não é uma desculpa terrível.
Se dissesse que preferia mulheres, poderia evitar dormir com Maxim e facilitar o divórcio.
Antes mesmo que pudesse considerar usar essa desculpa, Maxim já tinha chegado à sua própria conclusão.
— Cometi um erro ao trazer Mary para cá. Preciso corrigir isso agora.
— Do que você está falando?
—O que ela fez mais cedo foi um ato de traição. Só ignorei porque ela é mulher. Ousar tentar roubar minha esposa bem na minha frente… — O maxilar de Maxim rangeu.
— Se Mary fosse um homem, já estaria morta. Mas suas… preferências complicam as coisas.
— …..
— Ainda assim, o crime de seduzir a esposa de um superior é grave. Agora que sei a verdade, execução é a única opção.
Quando Maxim se moveu em direção à arma no chão, Daisy agarrou seu braço.
— Não, pare! Eu… eu gosto de homens.
— Você não precisa inventar desculpas.
— É sério, eu sinto atração por homens. Por favor, pare.
Maxim parou e a estudou atentamente.
— Você pode provar?
— O quê?
— Que gosta de homens. Pode provar de forma convincente?
Droga. Como exatamente ela deveria provar uma coisa dessas?
Parecia impossível, mas a vida de Mary estava em jogo.
— E-Eu… quando te beijei mais cedo, fiquei… excitada. Você não percebeu?
As palavras saíram em um sussurro mortificado. Ela apertou os olhos, esperando que sua humilhação fosse suficiente.
Infelizmente, Maxim von Waldeck não ficava satisfeito tão facilmente.
— Percebi. Mas isso não prova nada.
— Por quê não?
— A ocasião não é clara. Como posso saber se você já não estava pensando em outra pessoa quando cheguei em casa?
Ele estava sendo ridiculamente lógico e irritantemente minucioso. Quando ele se tornou tão perfeccionista?
— Como já disse antes, não perco tempo com suspeitas inúteis. É melhor eliminar os problemas pela raiz.
— Espera, espera! — Daisy se agarrou a ele desesperadamente. — Não use apelidos como desculpa. Me diga suas razões reais para suspeitar de mim. Preciso entender para poder explicar.
— É a primeira vez que tenho que seduzir alguém. Nunca houve motivo ou necessidade antes.
— Certo, claro. — Olhando para a beleza devastadora e o carisma natural dele, Daisy podia acreditar totalmente nisso. — E então?
— Eu tentei de tudo com este rosto. Até coloquei chantilly no meu… — Ele fez um gesto grosseiro. — Não é estranho que você ainda não esteja caindinha por mim? A menos que haja algum motivo inevitável. 😅
O ego desse homem.
— Você certamente tem confiança.
— Melhor do que ser reservada e paranoica como você. — Ele tinha um ponto. Provavelmente era a primeira vez que alguém era imune aos seus encantos.
Se não fosse parte da sua missão, se Maxim não fosse da Guarda Real, mas apenas um homem qualquer que ela conhecesse depois da aposentadoria, Daisy sabia que já teria se apaixonado por ele. Mas com sua sobrevivência em jogo, não podia se dar ao luxo de se entregar ao prazer com seu alvo.
— Disse que estaria pronta eventualmente. Você prometeu esperar…
— Eu tenho esperado. Mas não há progresso. Você arruma desculpas todos os dias, e agora não vejo mais esperança. Estou enlouquecendo aqui.
— Estou tentando! Eu beijei sua bochecha esta tarde, e agora há pouco nos beijamos de verdade. Estou me abrindo aos poucos…
— Aquele beijo? Você só estava suportando enquanto fingia dormir.
— …..
— Não pense que pode me enganar com tentativas medíocres. Eu consigo ver essas engrenagens girando nessa sua cabecinha linda.
Ele era perceptivo demais. Usar de doçura para sair dessa claramente não funcionaria mais.
Ações falariam mais alto que palavras. De repente, Daisy se lembrou do conselho dele sobre aprender a assumir o controle.
— Certo. Max, vá para a cama. 😅
— O quê?
— Agora. Isso é uma ordem. 😅
A mudança na atmosfera foi imediata. Algo perigoso brilhou nos olhos de Maxim.
— Sim, Senhora.
A palavra fez o calor subir por seu corpo, mas ela se forçou a manter o foco.
— Não me chame de Senhora, é Vossa Graça.
— Sim, Vossa Graça.
Ele respondeu com uma reverência tão obediente que os joelhos dela quase cederam.
Esperava que ele andasse até a cama, mas em vez disso ele a pegou no colo e atravessou o quarto.
— O que você pensa que está fazendo?
— É perigoso andar descalça. Pode haver cacos de vidro no chão. O espelho quebrou ali. Se você apenas se virasse—
— Você não sabe até onde o vidro pode voar. Mesmo assim você correu até a porta descalça mais cedo, chamando por Mel, Mel. Como eu não ficaria furioso?
Ele está fazendo tempestade em copo d’água!
Lutar era inútil. Maxim só a colocou no chão quando chegaram à cama.
— Bem, estamos aqui agora. Qual é a sua ordem, Vossa Graça?
— Sente-se encostado na cabeceira.
Ótimo, ele está realmente obedecendo. Enquanto Maxim se posicionava conforme instruído, Daisy sorriu com satisfação.
Rapidamente, ela desamarrou as fitas que seguravam o dossel da cama.
— Posso te amarrar?
— O que exatamente você está planejando? Está me deixando excitado.
— Não tem graça se você souber antes. Vai me desobedecer?
— Claro que não. — Maxim sorriu e balançou a cabeça. — Sou seu, Vossa Graça. Faça o que quiser. 😅🫶🏻
Perfeito. Com sua concordância imediata, Daisy amarrou rapidamente suas mãos à cabeceira. Então cobriu a óbvia ereção dele com um lençol macio, posicionou-se de frente para ele e subiu em seu colo.
Continua…
Tradução e Revisão: Elisa Erzet