Capítulo 33
Droga, os movimentos dele eram tão habilidosos assim?
Daisy xingou em silêncio. Seu instinto de autoproteção assumira o controle, fazendo-a perder de vista o que realmente importava.
Não posso simplesmente ficar aqui aceitando isso, mas também não posso arriscar revelar quem eu sou.
Presa entre essas duas impossibilidades, ela se sentiu encurralada, a pressão se fechando ao seu redor. Mesmo assim, Daisy manteve sua posição. Sua situação era exatamente o oposto de uma espiã típica. Enquanto outras poderiam recorrer à sedução para extrair informações, ela fazia todo o possível para evitar a intimidade e encontrar uma saída.
Não havia motivo para sentir culpada ou perturbada. Agora mais do que nunca, precisava ser mais ousada e ir direto ao ponto.
— Eu já te falei — disse ela, encarando-o com calma inabalável, cada palavra calculada. — os becos são uma selva.
— Quando você vive nas ruas, vê de tudo. Num momento, um cachorro de rua lambe seu rosto, e no seguinte pode virar e arrancá-lo. Essa é a realidade.
— Ah, é mesmo? — a voz de Maxim permaneceu calma, mas seus olhos se estreitaram.
— Sim. Só sobreviver de um dia para o outro já é uma luta. Treinamento é luxo. Lá na sarjeta, continuar vivo é a única batalha que importa.
— Que surpreendente. — A voz dele baixou, ganhando um tom perigoso. — Minha querida esposa está soando como aqueles vermes rebeldes agora. É melhor tomar cuidado com o que diz na minha frente.
Daisy engoliu em seco diante do aviso suave em seu ouvido.
— Revolução, queda da monarquia, um novo mundo. Aqueles que enganam as pessoas com palavras vazias assim estão entre a escória que mais desprezo neste mundo.
Um arrepio percorreu a espinha de Daisy. Mas agir precipitadamente só a denunciaria. Esse soldado arrogante apenas tentava intimidá-la. Ela precisava manter a calma.
‘Certo, vou apenas bancar a audaciosa.’
Sua ousadia não havia funcionado quando ele revistou suas roupas da última vez, não é? Mesmo com o constrangimento apertando sua garganta, Daisy limpou a voz e falou com firmeza:
— Vamos nos divorciar.
— O que é isso de repente? Do que está falando?
— Eu estou farta — retrucou Daisy.
Maxim riu com desprezo diante da declaração inesperada.
— Então agora você está me acusando de ser uma espiã? Mesmo para um casamento onde nem nos vimos antes, isso é ridículo. Você suspeita de mim?
— Não, não suspeito de nada. Por que passar por todo esse trabalho se posso simplesmente atirar em você?
— …
— Se minha Izzy não fosse tão bonita, sua cabeça já teria sido explodida.
Daisy estremeceu com o comentário sinistro.
— E divórcio? Nem brinque com isso — respondeu Maxim levemente, embora não conseguisse esconder completamente o incômodo.
Ele parecia pensar que ela estava brincando, que tinha dito aquilo num acesso de raiva.
É… pedir divórcio assim do nada foi um pouco exagerado.
‘Talvez eu devesse esperar até ter uma desculpa plausível.’
— Eu sou a vítima aqui. O que exatamente você fez comigo enquanto eu dormia…?
— Por que perguntar se você já sabe? Você nem estava dormindo para começar.
— Hã? O que quer dizer com isso…?
— Você realmente achou que eu não perceberia que estava fingindo dormir?
— …
— Que ingênua. Você é como uma criança que acha que está escondida só por cobrir o rosto numa brincadeira de esconde-esconde.
Ele sabia o tempo todo. Por isso agiu deliberadamente de forma tão descarada, mesmo sabendo que ela estava acordada. Ao ver aquele sorriso irritante, uma mistura complexa de vergonha e raiva surgiu dentro dela.
— É por isso que não posso baixar a guarda. Tenho medo de que você siga qualquer um que te ofereça comida. Só de pensar nisso já fico apavorado em te perder de vista.
Ele foi ainda mais longe, tratando-a completamente como um cachorro de estimação dessa vez.
— Então, Izzy, me diga. Quem estragou meu apetite? —Ele estalou a língua com um toque de arrependimento. — Aquilo ali… posso lamber?
Ele não piscou sequer ao dizer algo tão absurdo. Seu olhar permaneceu fixo no peito dela, onde ainda restava um pouco de chantilly. O comentário era tão escandaloso que Daisy mal podia acreditar no que ouvia.
— De jeito nenhum.
— Tudo bem então.
Com uma calma irritante, ele pressionou o polegar suavemente contra o mamilo dela, limpou o creme e levou à boca. Chupou devagar, sem desviar os olhos dos dela.
O rosto de Daisy escureceu rapidamente.
— Acho que senti algo do tamanho de uma ervilha na ponta do dedo.
— …
— Por acaso, você não está usando sutiã?
‘Esse desgraçado.’
Parecia que a corda esticada de sua paciência finalmente havia se rompido.
Maxim, por outro lado, parecia completamente imperturbável, independentemente de o rosto de Daisy ter ficado pálido ou não.
— Bom. Você não digere muito bem mesmo, então talvez seja melhor usar menos roupas.
— …
— Mudou de ideia? Você costuma ser tão cuidadosa ao se vestir, até para dormir. Já ficou mais à vontade comigo?
— Você quer morrer? — Daisy lançou um olhar feroz, seus olhos cravando-se nos dele. Mesmo diante da intenção assassina, Maxim não mostrou a menor hesitação.
— Quando vai atirar? Agora? — ele perguntou calmamente, um sorriso leve brincando em seus lábios, como se a desafiasse a puxar o gatilho. Sua expressão indiferente a fez ferver de raiva.
‘Ele deve achar que estou blefando.’
Por um instante, o impulso assassino que ela vinha reprimindo voltou com força.
— Não há razão para eu não fazer isso. Foi você mesmo que me deu essa arma e me treinou. Justamente para momentos como este.
— Dei?
— Sim. Clique. Bang. Não se lembra?
Clique.
O som da bala sendo engatilhada ecoou pelo quarto. Agora, bastava apertar o gatilho, e a cabeça de Maxim von Waldeck se despedaçará.
— O clique já foi. Só falta o bang. O que devo fazer?
— Uau, parece que você vai mesmo atirar.
— Sim. Infelizmente, não sei fingir. Nunca me ensinaram técnicas avançadas assim.
‘Todo o arrependimento que tive até agora parece inútil, mas matar alguém para proteger o último resquício da minha dignidade humana… não é inevitável?
Talvez Deus leve isso em consideração. Ou provavelmente, se eu já não pertenço a um lugar como o paraíso, não será tão ruim assim simplesmente atirar e ir para o inferno.’
Tendo tomado sua decisão, Daisy firmou a empunhadura da arma.
— Certo, Izzy — disse Maxim, com a voz mais suave, como se a ameaça tivesse surtido efeito. — Atire ou não, você pode fazer o que quiser. Só me conceda um último desejo antes de eu morrer.
— E se eu recusar?
— Qual é, eu ainda sou tecnicamente seu marido. Não seja tão mesquinha. Você pode pelo menos ouvir meu desejo, hum?
Se ao menos ele se calasse. Agora, por causa de sua própria piada idiota, até a convicção à qual se agarrou por mais de um ano estava prestes a desmoronar. Essa compostura arrogante só alimentava sua fúria.
— Tudo bem. Mas pense bem antes de abrir a boca. Se for besteira, eu atiro na hora.
— Que assustador.
Um leve riso escapou dos lábios de Maxim.
— Eu gosto desse seu temperamento, Izzy.
Esse desgraçado ainda não aprendeu a lição. Ou talvez ele não tenha intenção de aprender.
Daisy pressionou o cano da arma ainda mais forte contra a testa de Maxim, uma clara ameaça.
— Não sou conhecida pela minha paciência, então se você já terminou de divagar, solte suas últimas palavras.
— Que temperamento.
— Anda logo.
— Não me apresse. Eu disse que eram minhas últimas palavras, não foi? Estou prestes a dizer algo realmente importante, então ouça com atenção.
Seu rosto ficou sério, como se fosse dizer algo profundo, e ele limpou a garganta. Então, sussurrou como se revelasse um segredo:
— Meu desejo é… pelo menos uma vez, antes de morrer…
De repente, Daisy sentiu algo pesado pressionar contra ela. Não era apenas o peso, estava ficando mais quente, pressionando insistentemente entre suas coxas.
Não é possível…
— …é colocar ele dentro de você.
Ela queria negar, mas o calor e a pressão entre suas pernas eram impossíveis de ignorar. Algo longo e quente, como um pedaço de lenha, esfregava lentamente sua vagina, ficando cada vez mais quente.
Esse pervertido. Ele não está usando cueca de novo.
Em outras palavras, seu pênis estava pressionado diretamente contra sua entrada. As costas de Daisy ficaram rígidas diante da realidade inacreditável, e suas mãos, segurando a arma, tremeram violentamente.
— Você não está usando sutiã, mas está usando calcinha? Criei esperanças à toa.
— …
— Se vai usar algo, use direito. Se não, não use nada. Qual é exatamente o seu critério?
Sua mente ficou em branco, e as bobagens de Maxim zumbiam em seus ouvidos como um enxame. Sabendo ou não o que ela estava pensando, ele moveu os quadris, esfregando o membro profundamente na entrada dela, e murmurou:
— Hm. Por que você já está tão molhada?
— …
— Acho que realmente beijo bem.
O som suave e rítmico entre eles fez o rosto de Daisy queimar.
— Pronto — murmurou, com voz baixa. — Parece que minha Izzy também está pronta. Devo ir direto?
Continua…
Tradução: Elisa Erzet