Capítulo 25
Se ela fosse realmente a filha ilegítima de Thereze, tendo apenas Maxim para se apoiar, tais palavras poderiam ter trazido lágrimas de tristeza. Mas, para alguém que esperava pelo divórcio, aquilo não era nada menos que uma notícia deliciosa.
Restava apenas uma coisa.
Ela compraria alguns vestidos modestos e meio surrados para usar em rodízio, faria o papel de uma espectadora sem refinamento e então escaparia discretamente.
Logo, aquele futuro viciado em sexo cruzaria olhares com alguma adorável dama da alta sociedade que estivesse de olho nele.
Entregando-se a casos escandalosos condizentes com suas inclinações pervertidas, ele acabaria esquecendo completamente sua esposa espantalho que se recusava à intimidade.
Então, como o cônjuge culpado, Maxim von Waldeck pagaria uma respeitável quantia de pensão, e ela retornaria ao orfanato.
Isso não seria fracassar na missão, apenas não conseguir concluí-la, portanto a responsabilidade não recairia sobre ela. Não importava como analisasse, o plano era impecável. Este era o cenário ideal de Daisy von Waldeck.
— Quem? Você ouviu alguma coisa?
— Bem, foi algo que ouvi durante aquela viagem de negócios…
Oh, que sorte. Esta era a informação crucial e suculenta.
Se conseguisse uma lista de mulheres interessadas em Maxim, talvez poderia bolar um plano para que sua tia fizesse o papel de cupido. Se ao menos tivesse como anotar, mas como não podia, teria que memorizar. Afinal, os nomes da alta sociedade eram desnecessariamente longos e complicados.
Daisy engoliu em seco. Então, com um estrondo repentino, a porta se abriu, e o ambiente caiu em silêncio, como se tivesse sido inundado por água gelada.
Escondida atrás da cortina, ela não conseguia ver lá fora, mas sentia. O ar na sala tinha mudado completamente com a chegada de alguém.
Passos familiares ecoaram, acompanhados pela voz aflita de uma funcionária.
— C-Como o senhor entrou aqui…?
O intruso ignorou a pergunta, sem oferecer resposta.
A presença se aproximou. Daisy empunhou seu revólver com ambas as mãos, prendendo a respiração.
Vruuum—!
A cortina foi aberta de repente, revelando uma figura imponente.
— Achei você. 🥰
Olhos afiados. azuis-acinzentados brilharam como um predador avistando sua presa. Era Maxim von Waldeck.
— Como que voc—?
— Não consegui te encontrar, então procurei. E aqui está você, escondida.
Ironicamente, suas palavras ecoaram as da funcionária. Daisy, em alerta máximo, manteve sua arma apontada para Maxim von Waldeck.
Imperturbável, ele deu um passo à frente com aqueles olhos frios, seu andar desprovido de hesitação, como se tivesse vindo especificamente para fazer algo insano. 🥰
— Me dê a arma. 🥰😅
— O quê?
— Eu disse, me dê a arma.
— Por quê?
— Tenho utilidade para ela.
‘Utilidade? Para uma arma?’
Os olhos verde-claros de Daisy se moveram nervosamente. Um mau pressentimento a envolveu. Maxim von Waldeck era um louco, e só havia uma coisa insana que alguém poderia fazer com uma arma.
— Não!
— Por que não?
— Porque…
Ela realmente precisava explicar? Não importava o erro cometido, assassinato estava obviamente fora de questão. Não havia tempo para explicações complicadas. Daisy balançou a cabeça freneticamente.
— Você não pode simplesmente pegar o que eu já reivindiquei. É meu.
— Tudo bem. Então vou pegar a minha arma no carro. 😅
— Não, você não pode—
Ah, pelo amor de Deus. A última coisa que precisava era se envolver com um herói de guerra numa troca de tiros enlouquecida. Especialmente se o motivo fosse algo tão trivial quanto fofoca sobre sua esposa.
— Se eu não usar uma arma, está tudo bem eu resolver do meu jeito?
Esse lunático provavelmente poderia esmagar o crânio de alguém com as próprias mãos tão facilmente quanto com uma bala. O pensamento fez Daisy ficar tonta.
— Sem violência. Absolutamente não.
Mal podia acreditar que estava dizendo isso, especialmente considerando sua profissão anterior.
Ao ouvir o apelo desesperado da esposa, Maxim revirou os olhos antes de prender o olhar no dela.
— Se não posso usar a violência, então suponho que eu preciso da sua permissão, Izzy.
— O quê?
— Então vamos fazer isto em vez de uma arma.
Sem se abalar com o cano apontado para si, ele envolveu a cintura de Daisy com um braço e fechou a cortina com o outro.
Meu Deus.
Esse lunático fazia sua loucura parecer tão… natural. Seus movimentos fluidos deixaram Daisy atordoada demais para reagir. Seu cheiro almiscarado a envolveu, e sua visão foi bloqueada pelo peito largo do homem.
— Senti sua falta.
— Me solta—ah!
Estrondo, baque!
Antes que ela pudesse detê-lo, ele avançou, derrubando um cabideiro e prendendo-a contra a parede.
— Droga, me empolguei. Isso doeu?
— Mas o quê você est—
— Pare de se mexer e fique quieta.
Ele se pressionou ainda mais contra ela, imobilizando-a.
— Você sabe que se contorcer assim só me deixa mais excitado.
Aquilo era o pior. Antes, ele ao menos falava baixo, fingindo sussurrar. Agora, nem estava tentando esconder.
— Eu vou atirar.
Furiosa, Daisy rapidamente pressionou o revólver sob o queixo dele, o homem soltou uma risada seca.
— Sério, você vai atirar?
— Sim, vou.
Maxim, completamente despreocupado, mandou que ela atirasse e começou a desabotoar o vestido dela por trás.
Ploc, ploc, ploc.
À medida que os botões se soltavam, a ansiedade de Daisy aumentava. Esse lunático realmente iria despi-la?
— Quando você vai atirar? Faltam só alguns botões.
Ele ainda a provocava.
E agora? Ela havia jurado nunca mais tirar uma vida, então puxar o gatilho não era opção. Além disso, matá-lo ali seria um escândalo de proporções épicas.
Enquanto ela hesitava, Maxim parecia imperturbável. Não, ele parecia estar gostando dessa safadeza no provador feminino.
Aquilo a enfurecia. Ele agia como se conhecesse sua determinação, ou talvez não se importasse se levasse um tiro. Ela nunca havia lidado com alguém assim e não fazia ideia de como enfrentá-lo.
‘E se eu acertar a coronha da arma na cabeça dele? Enquanto ele segura o crânio, eu poderia escapar…’
Como sempre, o plano parecia sólido. Mas este era Maxim von Waldeck.
‘Não, não. Ele disse que resistência só o excita mais. E o que eu faria, saindo correndo meio despida?’
Esse maldito vestido barato, fingindo ser elegante com seus botões nas costas, era impossível de manejar sozinha.
Ele era seu legítimo marido. Sair correndo assim só faria parecer que tinham sido pegos em flagrante, humilhando-a ainda mais.
De qualquer forma, olhos demais estavam observando. ‘Oh, Senhor, por que testar sua pobre filha assim?’
Ela estava enlouquecendo.
Enquanto vacilava, Maxim desfez o último botão em suas costas. O vestido escorregou, expondo seus ombros arredondados.
— A arma, — ele disse,— você não se importa se os outros virem?
— Do que você está falando?
— Vamos lá. Aqueles funcionários lá fora têm a língua solta, todos eles. E os repórteres vão enlouquecer se souberem que apontamos armas um para o outro.
Ele alcançou a borda da cortina e deu um último aviso.
— Eu não me importo. Vamos dizer apenas que tivemos uma briga de casal daquelas.
No momento em que ele escancarou a cortina, Daisy soltou um gritinho e rapidamente escondeu a arma.
Além da cortina, as funcionárias estavam paralisadas, tremendo diante do absurdo da situação.
— Você aí. — Maxim se dirigiu aos funcionários como se fossem objetos. Eles se encolheram.
— Eu mesmo vou despir minha esposa. Então parem de bisbilhotar e saiam. 😅
— …..
— Vocês duas são surdas? Não ouviram eu mandar sair?
Seu tom ficou mais cortante, e as funcionárias se curvaram freneticamente, dispersando-se.
— Voltem em… dez minutos. Não, melhor, trinta. Estou com pressa.
Por que trinta minutos em vez de dez se ele estava com tanta pressa?
Daisy não conseguia entender, mas as funcionárias pareciam compreender, saindo apressadamente do provador.
(Elisa: Eu me segurando para não fazer comentários no meio do capítulo. Eu de verdade, não aguento essa fofura toda do Maxim. Ele é muito comédia)
Continua…
Tradução: Elisa Erzet