Capítulo 01
Primavera, operação retomada!
O trânsito nem estava ruim, mas era como se ele entrasse em casa depois de um ano.
Casa.
Isso, é a casa!
— É a nossa casa!
— Está estranhamente desconhecido.
Tanto Gong Pyeonghwa quanto Shin Saebyeok inclinaram a cabeça diante daquela sensação esquisita.
— É claramente a nossa casa, mas.
— Parece estranho.
Ainda hoje de manhã tinham dormido ali e saído de lá; por que essa sensação?
— Será porque as crianças não estão?
Como os dois pais foram ao hospital, Isul e Roun ficaram para brincar no colo dos avós.
Talvez por isso, a casa estava mais silenciosa do que o normal e até o cheiro de leite parecia mais fraco, o que a fazia parecer estranha.
— Era exatamente essa a sensação de quando começamos a morar sozinhos. Né?
Diante da fala de Gong Pyeonghwa, Saebyeok remexeu a memória. Uma lembrança de mais de dez anos.
Aquela época, mais verde e mais medrosa do que agora.
A época em que saíram pela primeira vez da sombra dos pais.
Exatamente a época em que embarcaram para estudar fora e discutiam se moravam juntos ou não com Gong Pyeonghwa.
◀◀◀
— Uau! Agora nós, livres das garras deles, vamos ter uma vida de namorados livre e verdinha! Está vendo? O mundo que se abre diante de nós é lindo demais!
Gong Pyeonghwa puxava até a mala de Saebyeok enquanto girava animado e chegava a dançar.
Aquele cara acha que a vida é um musical?
Cantarolando lá-lá-lá, quase voava. Será que dá para ficar tão feliz assim.
Na verdade, Saebyeok estava um pouco assustado.
Mas, vendo Gong Pyeonghwa dançando daquele jeito, achou que de algum modo tudo daria certo.
Pensando assim, o coração ficou leve.
— Vamos juntos.
— Ah, por que você é tão lento!
Gong Pyeonghwa veio andando com passos firmes e segurou a mão de Saebyeok.
Não foi um toque de esguelha, medindo os olhares alheios, mas uma mão segurada com os dedos entrelaçados com firmeza.
Isso. Agora não precisavam mais esconder.
Saebyeok riu baixinho e entrelaçou os dedos também.
— Eu te puxo de repente pela mão e você não resiste? Por que está rindo? Estou sendo autoritário, hein?
— Porque eu gosto.
— Hihi!
Como é que a seriedade dele não dura nem três segundos. Aquele rosto rindo feito um moleque era adorável demais.
— Quer brincar hoje lá em casa?
— Vamos.
Gong Pyeonghwa gaguejou um pouco na primeira vez que dirigiu no exterior, mas logo recuperou a calma e seguiu pela estrada.
Vendo-o cantarolar numa estrada totalmente livre, devia estar bem animado.
Saebyeok também cantarolava baixinho, com o queixo apoiado na mão, e olhava descaradamente para Gong Pyeonghwa dirigindo.
— Não olhe.
— Por quê?
— Gasta.
— Está se fazendo de caro.
— Em vez de olhar de graça, dá pelo menos um beijinho.
Ah, então se eu der posso olhar? Saebyeok aproveitou o instante do sinal vermelho e beijou a bochecha de Gong Pyeonghwa.
Não, ele tentou dar um beijo leve na bochecha, mas, por acaso ou por cálculo, Gong Pyeonghwa virou o rosto num timing impecável e os lábios se colaram.
Preeess. Os lábios grudaram e se separaram.
Gong Pyeonghwa, que fechara os olhos maliciosamente, franziu a cara assim que olhou para a frente.
— Ah, por que a casa é tão longeee!
Com os lábios projetados mais do que na hora do beijo, resmungava que a terra era grande demais sem necessidade, que a casa não estava longe demais.
— Vamos logo para casa. Eu fiz compras para hoje, viu? Vou cozinhar para você!
— Vai fazer o quê?
— Ahem!
Confiante, dizia para confiar só nele, exibindo-se com o corpo inteiro.
Finalmente chegaram à casa de Gong Pyeonghwa.
Sem nem tempo de olhar nada, foi arrastado de mão dada por Gong Pyeonghwa.
— Certo, bem-vindo à festa de inauguração da Love House de Gong Pyeonghwa. E o presente?
Hã? Pego de surpresa, Saebyeok, que nem pensara em levar presente, correu a vasculhar a mala tentando tirar qualquer coisa.
Mas Gong Pyeonghwa foi mais rápido. Prendeu Saebyeok contra a parede e colou o corpo.
— Trouxe um presente tão grande. Como agradecer? O dono da casa está morrendo de alegria.
Gong Pyeonghwa despejou uma chuva de beijinhos alternando entre as duas bochechas de Saebyeok. Levando aquela sequência de lábios, Saebyeok, sem reação, caiu na risada.
— Ah, sim. Eu sou mesmo um presente e tanto.
Quando Saebyeok fez um enquadramento de flor com as mãos e riu, Gong Pyeonghwa ficou sério.
— O que foi, o que foi?
Achou que ele fosse gostar, mas com aquela cara séria o coração deu um solavanco.
Gong Pyeonghwa tinha um rosto de traços frios, então às vezes assustava quando não sorria. Como ria muito e era brincalhão, era mais raro ainda vê-lo sério.
No máximo durante as aulas?
Sobretudo diante de Saebyeok ele estava sempre com aquele sorriso travesso, então vê-lo sério assim na sua cara era quase a primeira vez desde que começaram a namorar.
Será que ele se irritou por eu bancar o fofo sem ser fofo? Achando que exagerara, Saebyeok baixou a mão discretamente, medindo a reação, quando ouviu uma voz grave:
— Imaginei desembrulhar a embalagem do presente.
— …
Tarado desgraçado… O coração que despencara voltou ao lugar. Era isso mesmo.
— Está com muita fome?
— Hum. Não, não estou tão faminto assim.
— Quê? Não está com fome?
— …Se eu comer, entra.
Então não olhe para mim com essa cara de choque.
Gong Pyeonghwa sentou Saebyeok na sala e ligou a TV. Colocou um filme de que Saebyeok gostaria e foi para a cozinha.
— Fique assistindo e esperando. Vou preparar uma mesa incrível!
— Não tem nada para eu ajudar?
— Não!
Você é meio… desastrado na cozinha. Haha! Gong Pyeonghwa riu com gosto e escondeu perfeitamente o que pensava.
Cortou com destreza e refogou os ingredientes na frigideira.
Um dia especial com o namorado! Gong Pyeonghwa se esmerou grelhando o steak, fazendo salada, cortando pão.
Como Saebyeok gosta mais de arroz do que de pão, ele ainda fazia um arroz frito exclusivo para Saebyeok, cozinhando alucinado com duas frigideiras ao mesmo tempo.
Saebyeok, que fingia assistir ao filme enquanto observava de esguelha as costas de Gong Pyeonghwa, aproximou-se discretamente.
Vendo aquela agitação, imaginou o quanto ele teria preparado, e de fato…
Desenrolava-se algo numa escala inacreditável para uma casa de uma pessoa só. Saebyeok hesitou.
Aquela cena típica de romance, não é? Aquela.
Abraçar por trás o namorado que está cozinhando.
Ele viera para fazer aquilo que encolhe os dedos, faz o coração disparar e provoca um alvoroço interno, mas…
Parecia mais uma empresa de entregas.
Tanta agitação assim?
Se abraçasse por trás, talvez levasse uma cotovelada.
Claro que Gong Pyeonghwa não faria isso, mas era só para dizer o quanto ele parecia ocupado.
Saebyeok, com jeito, foi pondo os talheres na mesa enquanto media o momento de abraçá-lo por trás.
Finalmente o fogo se apagou. Saebyeok, que espreitava a chance, abraçou com força a cintura de Gong Pyeonghwa, que segurava um prato em cada mão.
Assustado com o toque inesperado, os pratos flutuaram um instante no ar.
Graças à visão dinâmica e aos reflexos, o desastre de derramar a comida pronta no chão não aconteceu.
Gong Pyeonghwa largou a comida de qualquer jeito, pôs a mão sobre o dorso da mão de Saebyeok, que lhe abraçava a cintura, e balançou o corpo como um joão-bobo.
— Por que essa manha?
— Porque é a primeira vez que venho à casa do meu namorado e estou animado.
— Aaah! Ele disse namorado!
Gong Pyeonghwa, o namorado de Shin Saebyeok, reagiu enormemente à palavra “namorado”. Soltou as mãos que lhe abraçavam a cintura e abraçou o namorado de frente.
Os namorados afetuosos se olharam por um bom tempo, em silêncio.
Guardar o outro nos olhos e apenas contemplá-lo já enchia um canto do peito de alegria a ponto de não precisarem de mais nada.
Aquele instante era tão doce e precioso que até falar parecia um desperdício.
Diante dos feromônios que envolviam o corpo tão aconchegantes quanto a temperatura da pele, Saebyeok perguntou baixinho:
— Por que está liberando feromônios?
— Porque quero dar um beijinho.
— Só beijinho?
— Se rolar um beijo de verdade, melhor ainda.
Como se, ao abrir a boca, aquele instante fosse escorrer com o fôlego, os dois sorriram em silêncio e, sem que se soubesse quem começou, se beijaram.
Um beijo que não precisava ser apressado nem medido pelos olhares alheios.
Num espaço só deles, sem ninguém para atrapalhar, misturaram as línguas.
Afiavam a ponta da língua e raspavam a superfície da língua do outro, esfregavam a parte lisa do céu da boca.
Percorriam a carne delicada de Gong Pyeonghwa, reviravam a boca de Shin Saebyeok.
— Hmmm…
Entre o som constrangedor de sucção, escapavam gemidos nasalados, e o abraço macio foi ficando desesperado.
A cada vez que arfavam e as respirações se misturavam, era como se a cabeça ficasse cada vez mais pesada de cheiro e feromônios.
Sons vergonhosos, respirações acesas, o fôlego faltando e o corpo esquentando aos poucos deixavam os dedos dos pés formigando.
— Haa, haa…
— Fuaa…
Depois de um bom tempo, os lábios se separaram deixando um fio longo de saliva.
O peito inflava e o som do coração, que parecia ter migrado para os ouvidos, era especialmente alto.
Envergonhado, Gong Pyeonghwa escondeu o rosto nas palmas e soltou gritinhos agudos: — Aaah!
— O que a gente faz! Estamos muito adultos!
— Acho que sim…
Não era o primeiro beijo; já tinham se beijado tantas vezes que contar era ridículo. Claro, beijos tão densos quanto o de hoje dava para contar nos dedos.
Na verdade, Saebyeok até pensara que talvez hoje… rolasse? Que talvez hoje fosse o dia? E chegara a se preparar psicologicamente.
Com o beijo de agora, ficou claro.
Que agora eles eram um casal íntimo o bastante para não haver nada de estranho em transar em qualquer lugar, a qualquer momento.
— Pyeonghwa, hoje a gente…
— P-primeiro vamos comer.
Gong Pyeonghwa, que também devia ter sentido algo, sentou Saebyeok à mesa com uma cara séria.
Seja o que for, primeiro é preciso alimentá-lo, não? Só comendo é que se tem energia suficiente para usar o corpo!
— Proteína.
Gong Pyeonghwa cortou até a própria porção de steak e colocou no prato de Saebyeok.
— Come bastante. Bastante. Bastante.
— Eu não consigo, não consigo comer tudo isso.
— Não. Você consegue.
Dava para sentir uma vontade firme de fazê-lo devolver na mesma medida do que comia.
Não parou na proteína: encheu-o também de fibras e carboidratos.
Agora era só tomar banho, criar um clima e então o grande…
Gong Pyeonghwa cerrou o punho.
O plano original do dia era mostrar a casa, dar comida, assistir a um filme abraçado e levá-lo em casa, mas parecia que não ia dar.
Depois daquele beijo, isso, isso não ia dar.
Achou que teria que fazê-lo dormir uma noite ali antes de mandá-lo embora. Assim seria uma pena grande demais!
“Vou dormir abraçado nele.”
Aquela sensação de não querer mandá-lo para casa mesmo sem necessariamente transar!
Gong Pyeonghwa, remexendo-se, colocou discretamente a mão sobre o dorso da mão de Saebyeok.
Talvez por ele ter acabado de tomar banho, a pele estava mais úmida do que o normal e o coração disparou.
Um Shin Saebyeok úmido, cheirando ao mesmo shampoo e sabonete líquido que ele! Um namorado ao seu lado, exalando um cheiro gostoso e lânguido!
Era estimulante demais!
Mas partir para cima e pedir de novo um beijo assim de supetão? Isso não é uma pessoa, é apenas um pênis sórdido dominado pelo desejo!
Gong Pyeonghwa foi buscar vinho para criar o clima com jeitinho.
Quando voltou com vinho, frutas e um pouco de queijo cortado, Saebyeok, já amolecido, cochilava com os olhos meio fechados.
“Ah, o que eu faço! É fofo demais! Quero abraçá-lo!”
Um homem de vinte anos pode cochilar tão fofo quanto um pintinho?! Gong Pyeonghwa, segurando a vontade de gritar, pousou o vinho na mesa com cuidado.
— Saebyeok, está com sono?
— Sim… Ah, não? Não? Não estou com sono, não.
Saebyeok sacudiu a cabeça com força e a duras penas afastou o sono que vinha.
— Quer beber?
— …
Tinha confiança de afastar o sono, mas nenhuma de colocar mais alguma coisa ali dentro. Já tinha comido demais e estava sofrendo para digerir, e ainda enfiar bebida em cima?
Teve o pressentimento ruim de que mostraria uma cena feia ao namorado com quem estava havia dois anos (contando os anos) e o alerta de jamais deixar isso acontecer.
— Eu, b-bebida, eu passo.
— Hng.
— Eu consigo até sóbrio.
Diante da declaração determinada, o coração de Gong Pyeonghwa deu pulos.
E-eu só tinha pensado até aí. Não pretendia fazer de verdade. Quero, mas não achei que seria hoje!
Juro pelos céus que não convidara Saebyeok com aquela segunda intenção.
Gong Pyeonghwa, que pretendia sinceramente apenas compartilhar o mesmo espaço com Saebyeok, mostrar onde morava, dar comida gostosa, brincar meladamente e depois levá-lo para casa, prendeu a respiração.
Não era necessário mencionar seu plano original agora!