Capítulo 08
— Ei. Como, como você consegue não me contar uma coisa dessas. Fungada.
— Você gosta de surpresas.
— Verdade…
Gong Pyeonghwa fungou e disse que por isso gostava ainda mais.
— É só hoje? Então eu quero dormir aqui hoje…
— No começo eu pensei em deixar por um mês, mas ficou combinado uma semana.
Queria com folga deixar por um mês, mas, como uma exposição excessiva poderia gerar antipatia, acordaram uma semana. Então, durante uma semana, em qualquer metrô era possível ver a foto de casamento de Gong Pyeonghwa e Shin Saebyeok. Como? Enfiando uma pilha absurda de dinheiro sobrando.
— Eu estou tão feliz de verdade…
— Então está ótimo. Valeu a pena.
Saebyeok beijou as pálpebras de Gong Pyeonghwa, consolando-o. Gong Pyeonghwa voltou a lacrimejar e abraçou Saebyeok com força.
— A densidade populacional aqui é alta e suga minha energia, mas mesmo assim não quero ir embora.
— Precisamos preparar nosso ensaio de casamento.
— Tem mais coisa?
Gong Pyeonghwa ergueu a cabeça de imediato ao ouvir “ensaio de casamento”. Os olhos, antes chorosos, já brilhavam.
— Vamos dar uma entrevista.
Vou divulgar a notícia do nosso casamento até na TV aberta por meio de uma coletiva de imprensa. Diante disso, o coração de Gong Pyeonghwa disparou.
— E-eu, eu, eu adoro, mas, e, e você, tudo bem?
Alfa até pode ser objeto de admiração, mas ômega não.
Alfas se destacam claramente, seja como atleta, seja como empresário, mas ômega, no melhor dos casos, vira celebridade. Numa sociedade coreana ainda bastante conservadora, um diretor-presidente que é ômega? Era um prato cheio para ataques.
— Pela minha experiência…
— Ahã…
— Ser tratado como um pobretão que não tem nada e usou o rosto como dote para entrar numa grande empresa de paraquedas, ser tratado como um inútil sob pretextos absurdos porque o tom dos meus relatórios assusta, ser tratado como prostituto sem cabimento — nada disso é insuportável, sabe? Sinceramente, é ridículo.
Por que você aguentou isso sentado? Gong Pyeonghwa, em vez de falar, apenas assentiu, comportado.
— Mas me transformar em um homem casado de fidelidade absoluta, num vagabundo sem princípios, isso eu não consigo tolerar.
Era algo que nem os ensinamentos conservadores da família que recebeu por meia vida, nem o romantismo com que se contagiara vivendo com Gong Pyeonghwa, podiam perdoar.
— Por mim tudo bem, mas ainda assim eu me preocupo.
— Apesar de ser o tipo que espalha um boato baixo desses, a imagem dele nem na empresa nem nas parceiras é tão ruim, sabe? Todo mundo do nível de funcionário comum detesta ele, mas do nível de chefe de seção para cima acham que ele trabalha bem, é divertido, é esperto e tem muitos amigos. Bom, mesmo sabendo que ele tem defeitos de caráter, ele tem cinco anos de casa como assistente e, como não faz isso com eles, devem estar fingindo não ver.
De qualquer forma, se um sujeito desses fala? Todos simplesmente acreditam. Nem se dão ao trabalho de verificar se é verdade. De qualquer modo, vão achar ótimo ter algo para quebrar o tédio.
Então, desta vez, vou ensinar na prática o que acontece quando se abre a boca à toa.
— É preciso um anúncio oficial para facilitar o processo. Quando eu receber o acordo, compro doces para você com esse dinheiro.
Aproveito e dou uma lição de vida em várias pessoas.
Isso já não é assunto particular, é quase uma campanha pública. Bom, ele disse que reformulou a equipe jurídica, então a saúde mental de Saebyeok não terá problema. Isso basta. Para Gong Pyeonghwa, se Shin Saebyeok estivesse bem, tudo estava bem.
— Não, não precisa comprar doces para mim. Vamos usar para comprar um carrinho para a Isul e o Roun. Acho que a capa do que estamos usando não é muito boa.
— Está certo, então. Vamos ver o smoking agora?
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Decidiram que a empresa de casamento seria a que Gong Pyeonghwa quisesse. Gong Pyeonghwa, que era até exigente quando o assunto era romantismo, escolheu a duras penas uma só depois de visitar várias.
— Quem vamos convidar? Os pais das duas famílias, nossa Isul e Roun, o Seonu Jeong e… O que fazemos de lembrancinha?
— Faz tudo. Tudo. Faz tudo o que você quiser.
Como bom Gong Pyeonghwa, que, se lhe dizem para fazer o que quiser, já monta o orçamento animado, ele quebrou a cabeça pensando.
— Já que vamos divulgar, é melhor fazer algo mais público? Fazer privado seria estranho?
— É só distribuir press release, então tudo bem. Não se preocupe com isso e faça.
No primeiro casamento houve muita correria e faltou tempo. Saebyeok estava com um projeto em dificuldades, e Gong Pyeonghwa também estava ocupado com tese, projetos e mil coisas.
Mesmo assim, dizendo que tudo o que se deve fazer precisa ser feito, Gong Pyeonghwa, em meio à correria, preparou o pedido, o casamento e as alianças.
Como Saebyeok nem tinha pensado nisso, só recebeu tudo meio atordoado, mas Gong Pyeonghwa parecia guardar mágoa do casamento apressado e às vezes ainda ficava sentido.
Desta vez, vou fazer para ele tudo o que não deu para fazer naquela época.
— Faça tudo o que quiser, tudo o que não deu para fazer no nosso primeiro casamento. Vamos fazer um casamento sem arrependimentos. E se ainda faltar alguma coisa, a gente faz outro depois.
— A gente vai casar de novo?
— Claro. Eu já disse que penso até em ser enterrado com você.
Gong Pyeonghwa, emocionado, batia repetidamente na própria testa.
— Eu amo demais essa frase. É emocionante de verdade. Parece tatuada no meu átrio direito. Como você pensou numa frase tão romântica?
— Pensei com o coração de um imperador e foi a primeira coisa que saiu.
— Aaah… Majestade…
Gong Pyeonghwa se comoveu e se comoveu de novo, como um súdito que assiste ao nascimento de um rei sábio.
Para com isso. Saebyeok, sem graça, só cutucou a lateral de Gong Pyeonghwa.
Gong Pyeonghwa ria à toa, feliz.
Sim, se você está feliz, está tudo certo.
Saebyeok segurou a mão de Gong Pyeonghwa e voltou para casa. Durante todo o caminho, Gong Pyeonghwa tagarelava sem parar sobre se não deveria fazer uns tratamentos estéticos, se não tinha engordado muito, se não deveria fazer dieta.
Vê-lo feliz era gratificante. Valeu a pena passar meses agarrado a isso.
Depois de um tempo fantástico, Gong Pyeonghwa e Saebyeok voltaram para a casa onde estavam Isul e Roun.
Como se a fantasia continuasse em casa, Isul, uma fada, e Roun, um anjo, os receberam rindo às gargalhadas.
— Foi tudo bem?
— Sim.
— Sim! Sogra! Nem me fale. Aconteceram coisas incríveis!
Gong Pyeonghwa tagarelava com a voz cheia de empolgação. Dominada pelo volume de conversa de Gong Pyeonghwa, a senhora Lee ficou momentaneamente sem reação, mas logo recuperou a calma e escutou com atenção.
Gong Pyeonghwa, como um aluno primário que acabou de ver um filme incrível de anime, contou sem parar, empolgadíssimo, toda a saga de eventos de ontem até hoje.
Depois de ouvir tudo isso, a senhora Lee encarou Saebyeok com um olhar de quem confirma os fatos e disse:
— O Saebyeok, se esforçou bastante hein?
Você fez isso tudo mesmo? Diante do olhar atônito, Saebyeok desviou discretamente o rosto.
— Foi o melhor dia da minha vida! Eu quero eternizar de ontem até hoje e assistir sempre que estiver sem energia.
— Achei que você diria isso e já me preparei. Vai chegar editado até amanhã.
— Aê!
Achava que o filho era a cara do marido e que nem o casamento o mudaria muito, mas agora via que ele havia se tornado um romântico terrível. Descobrindo isso tardiamente, a senhora Lee ainda não conseguia aceitar a realidade.
Saebyeok desviou do olhar da senhora Lee.
Ora, que foi, ora. Ele fica tão feliz. Dizem que quem acha bonita a família da esposa faz reverência até para a estaca da casa dela; sinceramente, o Gong Pyeonghwa é bonito, não é?
Sem coragem de dizer isso, só ficou fazendo bico.
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【Hankook Kyungje/Reconciliação dramática entre rivais eternos? A parceria da Taegang e da Baeksan… “Finalmente se rompe o ciclo de vingança?”
Os sinais entre a Taegang Eletrônicos e a Baeksan Eletrônicos, rivais desde antes da guerra sucessória do Grupo Baeksan, não são nada comuns.
……
……e não só isso, durante todo o mês de maio haverá pop-up stores e eventos. Trata-se de um movimento sem precedentes, e ainda é incerto que resultados isso trará.】
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A parte dos jornais econômicos estava resolvida.
Já que se gastou dinheiro, é preciso extrair o máximo. Ao usar as belas fotos de casamento como press release para anunciar o casamento, não seria bom obter outros efeitos junto? Considerou os méritos econômicos de reduzir a antipatia contra casais do mesmo sexo e, ao mesmo tempo, elevar as ações.
Por mais que fosse um traço especial, ainda existem olhares conservadores.
Para emocionar Gong Pyeonghwa, nenhum valor era demais, mas gastar em nome de prevenir figuras como Hwang Jincheol foi dinheiro em excesso.
Falando francamente, o que aquele Hwang Jincheol é? Mesmo que trabalhasse a vida inteira só respirando, não ganharia nem a metade da metade da metade da metade do patrimônio dele.
A qualquer momento pode vir à tona o fato de ser um traço especial e, ainda por cima, ômega. Em vez de a posição ficar abalada quando isso acontecesse, era melhor firmar bem desde o começo.
Pensando que é possível posicionar uma imagem forte de antemão, antes mesmo de assumir a sucessão da gestão, bom, não é até lucro?
Saebyeok estava disposto a fazer qualquer coisa para proteger sua família.
Durante a gestação, entregar relatórios diários ao sogro e ao pai, fazer reuniões por vídeo, planejar um evento de pedido de casamento?
Não está nos Quatro Livros e Cinco Clássicos? Susinjega chigukpyeongcheonha. Depois de estabilizar a casa, governa-se o país e pacifica-se o mundo.
Só quando a casa está em ordem é que o país se governa.
Shin Saebyeok teria os dois — a família e a empresa — perfeitamente.
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Baeksan e Taegang, famosas como rivais até entre os torcedores de beisebol, são inimigas de longa data, talvez por atuarem em setores sobrepostos.
E eis que surgiu uma boa notícia entre as duas empresas rivais.
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…e assim, os dois, que bem poderiam ser chamados de Romeu e Julieta dos tempos modernos, celebrarão um grandioso casamento no próximo dia 5.
(imagem do press release – dois homens de smoking sorrindo felizes. À esquerda, Gong Pyeonghwa, segundo filho do Grupo Taegang, e à direita, Shin Saebyeok, filho mais velho do Grupo Baeksan.)