Alphega — Extra 24
CAPÍTULO 144
História Paralela 24
Baek Kanghyeon nunca tivera muitas chances na vida de chamar alguém pelo nome com frequência. Mesmo com os pais e os irmãos, costumava dizer hyung em vez de usar os nomes. Como crescera sem um único amigo, não havia nome que ele estivesse acostumado a pronunciar.
A única pessoa que ele conseguia chamar pelo nome com um afeto tão natural era Kwon Haeil.
Kwon Haeil.
Só dizer aquele nome o enchia de uma satisfação quente e agradável que acalmava suavemente seu peito.
Haeil, que ficara olhando sem expressão por um momento, cobriu a boca com uma mão. Seu olhar disparava ao redor, como se não soubesse mais para onde olhar.
‘Isso pode ficar perigoso.’
Ele cruzou as pernas um pouco rápido demais. O latejar abaixo da cintura se acalmou quando a coxa o pressionou.
— …Baek Kanghyeon-ssi, você bate forte às vezes, sabia.
Ele resmungou com a cabeça virada, e sentiu dedos quentes traçando suavemente a ponta de sua orelha.
Enquanto Haeil estava atrapalhado e se esquentando, Kanghyeon brincava com sua orelha, a voz afundando em algo sutil.
— Você se apaixonou por mim de novo?
O calor da respiração de Kanghyeon era tão nítido que Haeil achou que sua orelha inteira poderia derreter.
— Baek Kanghyeon-ssi, sério……. Ugh…
Haeil contorceu o corpo enquanto oferecia de bom grado a orelha.
‘Como alguém pode não se apaixonar quando você seduz assim? Viva a lua de mel, droga!’
Seus olhos já ardiam com o tipo de calor que insinuava que ele poderia perder a cabeça a qualquer momento.
Bem nessa hora, Kanghyeon soltou sua orelha. Sua postura voltou à elegância calma de sempre, como se nada tivesse acontecido.
— Pensando bem, você demorou um tempo para chegar, não foi? Você dormiu?
— Igual a você, Baek Kanghyeon-ssi. Eu virei alguém que não consegue viver sem você.
A mão de Haeil passeou sugestivamente pelo peito de Kanghyeon. Seus olhos ainda ardiam de calor.
Kanghyeon segurou com firmeza a mão boba.
— Então isso significa que nós dois passamos a noite em claro.
Kanghyeon se levantou e puxou Haeil pela mão. Com um “opa” surpreso, Haeil se deixou levar obedientemente até o quarto, onde uma cama larga de design exótico os esperava.
Só então Kanghyeon soltou sua mão e subiu na cama primeiro. Deitou-se confortavelmente de lado e ergueu o cobertor, um tanto fino, em direção a Haeil.
— Vem cá. Se quisermos sair por aí mais tarde, devíamos dormir um pouco agora.
Diante do gesto sugestivo de Kanghyeon convidando-o para debaixo das cobertas, o coração de Haeil saltou. Com medo de que o cobertor se fechasse, ele se enfiou embaixo às pressas.
Os dois ficaram deitados frente a frente na cama e sorriram confortavelmente.
— Vamos focar em descansar e recarregar nos primeiros três dias. Podemos explorar com pressa depois.
— Tá, tá. …Espera. Três dias?
Enquanto repetia a pergunta, Haeil captou tardiamente o significado de “três dias”.
Seus olhos brilharam intensamente, mas ele tentou desesperadamente dormir enquanto abraçava Kanghyeon com força. Como Kanghyeon dissera, precisavam acumular energia com diligência naqueles três dias, pelo que estava planejado depois.
Ele não conseguia impedir os cantos da boca de se contraírem.
***
O primeiro dia deles nas Maldivas foi passado descansando apenas dentro do resort. Pretendiam tirar um cochilo breve, mas acabaram dormindo profundamente até a noite.
Depois de acordar, tomaram um banho rápido e foram para o restaurante principal desfrutar de um jantar luxuoso feito com frutas tropicais.
Durante a refeição, uma garrafa cara de vinho que eles não tinham pedido foi levada à mesa. Segundo o garçom, era um presente do dono do resort. Parecia que Lee Joohoon tinha providenciado aquilo.
Mais tarde, caminharam pela trilha da praia com a brisa noturna como companhia e depois voltaram a dormir.
Com o quanto tinham dormido durante o dia, não deveriam conseguir pegar no sono de novo. No entanto, no momento em que se abraçaram e fecharam os olhos, o sono veio com facilidade. Talvez fosse porque o descanso que compartilhavam ali era do tipo que não lhes pedia nada.
Na manhã do segundo dia, bem quando o sol nascia no horizonte, os dois caminharam devagar em direção à praia.
O vasto mar que encararam nas primeiras horas era ofuscantemente cristalino. A água que chegava aos tornozelos era transparente como vidro polido, revelando cada grão de areia por baixo.
— Senti isso ontem também, mas o mar é realmente lindo.
‘É, mas meu marido é ainda mais lindo.’
Enquanto Baek Kanghyeon estava absorto contemplando a paisagem, Kwon Haeil estava encantado demais com a inocência no rosto dele para pensar direito.
Clique. Clique-clique-clique!
Determinado a não perder o momento, Haeil tirava fotos sem parar com a câmera do celular.
Um cenário perfeito e o modelo mais adorável, que ficava bem não importava como a foto fosse tirada.
Os movimentos animados de Haeil traíam claramente sua empolgação enquanto ele clicava.
Continuou tirando foto após foto, esquecendo completamente do tempo, até perceber que o sol estava esquentando.
Bem nessa hora, não muito longe, avistou um carrinho de praia vendendo água de coco fresca.
— Vou comprar algo para a gente beber.
— Quer que eu vá com você?
— Não, não. Vou rapidinho, então fica aqui, Baek Kanghyeon-ssi.
Deixando para trás Kanghyeon, que filmava o mar com o celular, Haeil disparou até o carrinho cheio de cocos.
Um homem de meia-idade de pele bronzeada ergueu dois cocos como se estivesse esperando.
— Dois para você?
— Não, só um. Me dá o maior que você tiver.
O homem olhou para Kanghyeon ao longe. Devia tê-los observado juntos por um tempo.
Sem dizer mais nada, pegou o coco grande que Haeil apontou.
Cortou toda a parte de cima com um facão afiado, aparou a borda para que não ficasse irregular e enfiou um canudo na água de coco que balançava lá dentro. Haeil gostou especialmente do canudo ser dobrado em formato de coração.
Quando ele pegou a carteira para pagar e dar gorjeta, o homem balançou a cabeça.
— Não precisa. Pode guardar. A gorjeta também.
— Como?
— O dono já cuidou disso. Não se preocupe.
‘O dono?’
Lee Joohoon devia ter dado gorjeta a todos os vendedores do terreno do resort.
Ele não conseguia entender direito por que Lee Joohoon ia tão longe, mas, se fazer isso deixava o cara tranquilo, então não era uma coisa ruim.
Animado, Haeil pegou o coco grande e foi voltando até Kanghyeon.
Ou pelo menos esse era o plano.
Se ao menos três estrangeiros não estivessem reunidos perto das palmeiras.
— Aquele é o Alfa asiático de ontem, né?
A expressão Alfa asiático fez Haeil olhar na direção deles. Estavam na sombra, encarando Baek Kanghyeon com olhares mortais.
— Ei, fica de vigia. Vou dar uma lição naquele desgraçado.
‘O quê? Dar uma lição em quem?’
O instinto assassino brilhou nos olhos de Haeil enquanto ele caminhava a passos largos em direção a eles.
O latino grande e corpulento, que ainda não o notara, deu uma risadinha.
— A gente recuou ontem porque ia fazer barulho demais. Mas não tem como eu me encolher diante de um asiático qualquer.
O latino de sorriso sinistro e seus dois companheiros eram os que tinham assediado Lee Joohoon na madrugada do dia anterior, só para fugir diante dos feromônios de Baek Kanghyeon.
Tinham recuado naquela hora, mas o orgulho ferido claramente tinha apodrecido.
— Tem certeza disso? Ele é um Alfa dominante.
— A gente foi expulso para outro resort por causa dele, e você quer que eu simplesmente deixe pra lá?!
O latino retrucou, estalando os dedos ao dar um passo à frente.
— Dominante ou não, enfia a cabeça dele na água que ele não vai ter cabeça para liberar feromônio nenhum.
Seus olhos estavam fixos em Kanghyeon, que estava completamente absorto filmando as ondas, de costas totalmente desprotegidas.
— Vamos dar uma surra nele, e talvez provar como é um Alfa dominante asiático.
— Provar? Vocês acham que vão provar o meu marido, quando nem eu quero dividir ele?
Antes que o homem pudesse piscar, uma voz se intrometeu por trás deles. As pernas dos três homens cederam de uma vez. A súbita onda de feromônios avassaladores tornou difícil até respirar.
— Uugh…!
Era mortal o bastante para ser chamado de intenção assassina.
— Isso, continuem falando merda, seus filhos da puta patéticos.
A primeira frase fora dita num inglês ameaçador, mas a seguinte veio num coreano afiado e sem freios.
Graças à Onda Coreana, os palavrões coreanos eram bem famosos entre os estrangeiros.
E aquele som de S grave e fervente, que parecia subir das entranhas de um coreano, era algo que poucos estrangeiros conseguiam imitar.
Aquele xingamento épico, apoiado pelos feromônios avassaladores de um Alfa dominante, esmagou os três homens de joelhos instantaneamente.
Seus rostos ficaram pálidos. Seus próprios feromônios Alfa já tinham perdido toda a vontade de lutar e nem conseguiam roçar em Kwon Haeil.
‘Como eles ousam…!’
Ele queria esmagar a cabeça deles, uma por uma, com o coco na mão.
Mas havia outras pessoas por perto. Se as coisas escalassem, Kanghyeon perceberia, então decidiu não fazer um escândalo grande demais.
— Some daqui antes que eu rache o crânio de vocês com esse coco.
Assim que ele aliviou os feromônios, os três finalmente puxaram o ar e fugiram às pressas.
Fugiram estremecendo, olhando para trás para Kwon Haeil e Baek Kanghyeon.
— Até Alfas dominantes estão transando?
— Eles são insanos….
Um raro par de Alfas dominantes juntos, num país de palavrões certeiros.
A Coreia era mesmo um país maluco.
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Continua….
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✦ Tradução, revisão e Raws: Faby&Belladonna