Alphega — Extra 15
CAPÍTULO 135
História Paralela 15
Era verdade que Haekang tinha certos traços de ‘velho preso num corpo de criança’.
Nunca tinha sido intencional. Talvez fosse o ambiente, com pessoas de alto escalão do grupo entrando e saindo, ou talvez o estilo inconsciente de criação e o jeito de falar do próprio Kanghyeon, que crescera ouvindo aquele termo inúmeras vezes.
Além disso, Baek Jungman recentemente começara a lhe dar sermões severos além de sua idade, então o menino acabou excessivamente educado, quase como algum filho de conglomerado que passara por uma educação de elite desde cedo. Às vezes até falava como adulto e, de vez em quando, usava um vocabulário surpreendentemente difícil.
Claro, havia momentos em que seu tom ou suas ações lembravam tanto Kwon Haeil que se pensava ‘o culpado é o Haeil’, mas, olhando para Haekang, não era incomum sentir que ele era mais um rapaz de dezoito anos do que um menino de oito.
Enquanto Kanghyeon se sentia responsável, a vozinha de Haekang chegou aos seus ouvidos.
— …Me desculpe por fingir que estava bem.
Haekang ficava checando a reação de Kanghyeon, com medo de que ele estivesse bravo. Parecia sentir uma culpa considerável por ter mentido, fosse por um bom ou mau motivo. Parecia que nem pensaria em mentir de novo, a menos que fosse absolutamente necessário.
Pensando no quanto o pequeno Haekang devia ter ficado ansioso enquanto sustentava a mentira, sentimentos de pena surgiram antes de qualquer pensamento de repreendê-lo. Principalmente porque a mentira tinha sido por ele; não importava o motivo, Kanghyeon não conseguia deixar de achá-la adorável.
— Obrigado por me contar.
Simplesmente sentindo a sinceridade de Haekang, tão parecida com a sua, Kanghyeon o abraçou com carinho.
— Você não queria preocupar o papai, né?
Haekang assentiu com uma expressão culpada.
— Eu ouvi que o Pai está passando mal agora porque os bebês dentro da barriga estão dando muito trabalho.
— Quem te contou isso?
— Eu ouvi o ahjussi secretário conversando com o papai no telefone.
Parecia que ele ouvira a voz de Wonwoo enquanto ele atualizava Haeil sobre o estado de Kanghyeon.
Ele quase disse “Estou bem” de novo, por hábito. Era coração de pai sempre querer mostrar um lado forte e composto diante do filho, mas aquele não era o momento para essas palavras.
— É verdade. O papai está passando um pouco mal.
Depois de pensar um momento, Kanghyeon falou com sinceridade para Haekang.
— Por isso eu sou sempre grato a você, Haekang-ah. Sou grato por você cuidar da Soyoon com tanta maturidade, e sou grato por você ser sempre atencioso comigo.
Tanto Kanghyeon quanto Haeil andavam ocupados com o negócio de resorts, que crescia a cada dia.
Embora Kanghyeon agora estivesse meio forçado a trabalhar de casa por causa do enjoo, que dificultava comer comida de fora, normalmente eram só Haekang e Soyoon sozinhos em casa. Mesmo que as empregadas e os seguranças cuidassem bem das duas crianças, a longa ausência dos pais podia cobrar seu preço.
Mas Haekang sempre cuidava de Soyoon com uma maturidade além da idade. Como irmão mais velho, às vezes quase como um pai, cuidava dela incansavelmente. Graças a ele, os dois pais podiam se concentrar no trabalho sem grandes preocupações.
Olhando para trás agora, Kanghyeon percebeu que não era algo para simplesmente ficar satisfeito. Deveria ter perguntado antes o que Haekang pensava ao agir de forma tão responsável, se tinha preocupações ou mágoas não ditas.
Kanghyeon fez uma pausa e o olhou com atenção. O menino tinha baixado um pouco a cabeça, sem saber o que dizer. O quanto uma criança de oito anos devia estar reprimindo, preocupando-se com o papel que sentia ter de desempenhar e atenta aos que estavam à sua volta?
Kanghyeon temeu ter colocado um fardo pesado demais sobre aqueles ombros pequenos.
— Mas o papai não precisa que você aja como adulto, Haekang-ah. Seja comigo, com seu avô ou com qualquer outra pessoa, eu só quero que você cresça do jeito que quiser, sem se preocupar com o que os outros pensam.
Enquanto dizia isso, Kanghyeon se lembrou de Baek Jungman segurando Haekang e lhe dando um sermão sério. Decidiu que deveria abordar esse ponto também.
— Não sei o que seu avô te disse, mas eu gostaria que você ficasse mais à vontade comigo.
— Eu estou à vontade agora.
— Me chamando de Pai?
— Isso é…….
Assim como Kanghyeon mencionara Baek Jungman, Haekang também pareceu se lembrar dele, os lábios se projetando num biquinho.
— Mas, se eu chamar os dois de Papai, fica confuso. E quando eu tentei chamar o senhor de Painho, o vovô tirou sarro de mim dizendo que soava caipira demais. Disse que parecia que eu tinha crescido no interior, como um jeca da roça.
— Hã?
Será que o sermão sério dele, na verdade, era só provocação?
Além disso, aquele jeito de falar soava suspeitamente como algo que Kwon Haeil diria. Parecia que Baek Jungman tinha sido bastante influenciado pelo jeito de falar de Haeil sem nem perceber.
— Então você começou a me chamar de ‘Pai’ por causa disso?
— Sinceramente, chamar o senhor de ‘Pai’ soa meio legal.
— Legal…
Olhando para o sorriso radiante de Haekang, Kanghyeon se sentiu um pouco murcho. O título ‘Pai’, que lhe causara tanta reflexão profunda, era só fruto de uma vaidade boba e infantil e de uma noção equivocada de coisa legal?
Em momentos como esse, ele se lembrava de que Haekang definitivamente ainda era uma criança.
— E o vovô também disse isso. Que eu sou basicamente a imagem do Pai daqui para frente.
Agora que ouvia aquilo, parecia que o sermão de Baek Jungman não tinha sido só sobre ser um jeca da roça.
— Se eu me comportar mal, fica feio para o senhor, Pai. Eu não quero isso.
Com uma expressão séria, Haekang aproveitou a chance para despejar tudo o que vinha guardando, falando com franqueza.
— Pai, o senhor sabe como as crianças de hoje em dia podem ser assustadoras? Tem criança que xinga os pais dos outros por uma palavra errada, falando coisas sobre a educação que recebeu em casa. O senhor me disse para me dar bem com todo mundo, mas, sinceramente, eu não quero andar com crianças assim.
‘Ele sempre foi tão falante assim?’
Kanghyeon piscou algumas vezes diante da súbita explosão de paixão de Haekang. Era bastante estranho ver a criança, normalmente quieta e reservada, despejando seus pensamentos com tanto fervor.
— Eu nunca, jamais, vou deixar ninguém falar mal do senhor, Pai. Vou crescer superbem-educado e gentil para que as pessoas elogiem o senhor por ter me criado bem. Quero ouvir dizerem que o filho do Presidente Baek Kanghyeon é motivo de orgulho em qualquer lugar aonde vá.
Não havia nada além de determinação sincera em sua voz.
Engolindo uma risada, Kanghyeon observou seu filho determinado com puro afeto.
‘Quando foi que ele ficou tão crescido?’
Ele só achara que o modo de falar dele era maduro, mas agora via que os pensamentos e a mentalidade dele também eram incrivelmente maduros. Era difícil acreditar que ele tinha apenas oito anos.
Mas o que o surpreendeu ainda mais foi a sinceridade avassaladora por trás daquela devoção.
No momento em que percebeu o quanto seu filho o adorava, sentiu um tremor de pura alegria e gratidão. Uma vibração diferente daquela que sentia ao pensar em Kwon Haeil se instalou em seu peito, deixando-o cheio e apertado.
— …Você gosta tanto assim do papai?
— Claro! Eu amo o senhor mais do que tudo no mundo!
Era uma resposta absolutamente sincera, sem um pingo de mentira.
— Seu outro pai em Busan pode chorar se ouvir isso.
— Acho que não. O papai disse que, assim que eu nasci, eu já gostava mais do senhor. Ele vivia dizendo que eu estava escolhendo favorito.
Kanghyeon soltou uma risadinha diante da frase tão ao estilo de Kwon Haeil que escapou mais uma vez da boca de Haekang. Imaginando Haeil resmungando para uma criança que provavelmente nem sabia o que ‘escolher favorito’ significava, a tensão de Kanghyeon se dissolveu irremediavelmente.
Com um rosto sorridente, Kanghyeon puxou Haekang com delicadeza para um abraço caloroso.
— O papai também te ama muito, Haekang-ah. Você é um milagre para mim.
Assim que Haekang ouviu a palavra ‘milagre’, sorriu encantado. Soubesse ou não que era seu nome pré-natal, ou sentisse o significado genuíno por trás dele, exibia uma expressão da mais completa felicidade.
‘O Seongju hyung tinha razão.’
— Crianças não erguem muros contra os pais. Talvez nem saibam que o conceito de ‘muro’ existe.
— São os pais que criam os muros. Eles só aparecem no momento em que os pais começam a pensar que existem muros com os filhos, se preocupando sozinhos e tirando as próprias conclusões.
Nunca houvera um muro.
Ele só parecera existir no momento em que ele pensou que existia. Não havia barreira alguma entre ele e o filho. A única coisa que existia era o afeto mútuo entre eles.
Kanghyeon se lembrou das palavras que Haeil dissera no fim da ligação, mais cedo.
— Baek Kanghyeon-ssi, só para você saber, o Haekang é uma criança que não quer ser desaprovada por você nem por um fio de cabelo. O mundo inteiro dele gira em torno de você. Só não se esqueça disso.
‘É claro que Kwon Haeil-ssi sabia muito antes de mim.’
Talvez por ter se lembrado daquelas palavras, de repente sentiu saudade de Kwon Haeil. Queria rir junto com ele de como o filho deles crescera maravilhosamente adorável.
Bzzz…
Como se seus corações estivessem conectados, o celular na mesinha de cabeceira vibrou. Àquela hora, só havia uma pessoa que ligaria para seu número pessoal.
Não aguentei e voltei mais cedo
Amor, abre a porta ~O(≧▽≦)O
Kanghyeon não conseguiu evitar rir do tom familiar da mensagem.
‘Sério, onde ele aprende a usar emoticons assim?’
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Continua….
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✦ Tradução, revisão e Raws: Faby&Belladonna