Alphega — Episódio 95
Em meio a tantos feromônios, Haeil, tendo captado com precisão o aroma de uma única pessoa, correu de uma vez até a pista principal.
Diante do reaparecimento de Kwon Haeil, que se tornara difícil de encontrar na pista principal por vários meses, mãos se estendiam de todos os lados, tentando segurá-lo e recebê-lo. Haeil empurrava, ansioso, aquelas mãos que só atrapalhavam, ocupado em seguir o rastro do aroma.
Por fim, no lugar mais escuro e reservado, num espaço em pé, encontrou um homem vestido todo de preto, com uma máscara também preta.
O homem parecia saber de que direção Haeil viria. Estava olhando exatamente para o lado de onde Haeil surgiu e, assim que cruzaram os olhares, curvou os olhos num sorriso.
Haeil, encarando com o rosto endurecido o homem de máscara, segurou seu braço com força.
— Vem comigo.
Era uma voz carregada de uma aura assassina, como se estivesse disposto a fazer qualquer coisa dependendo da reação. O homem, sem resistir, acenou com a cabeça e o seguiu obediente.
Ao ver isso, alguns clubbers cochicharam que Kwon Haeil tinha voltado a fisgar ômegas. Havia até quem dissesse, animado, que Kwon Haeil, que há algum tempo não se envolvia mais profundamente com nenhum clubber, incluindo ômegas, finalmente tinha voltado ao que era antes.
Ao saber que Kwon Haeil havia levado um ômega desconhecido para a sala VVIP, os olhos de todos brilharam ainda mais.
Os dois, que de repente se tornaram assunto entre os outros, tiveram, assim que entraram na sala VVIP, que provar de um silêncio gélido.
Haeil encarou o homem sem dizer nada. O homem de máscara também apenas o observava fixamente, avaliando-o com o olhar.
Quem falou primeiro foi Haeil.
— Fala tudo que você sabe.
Diante da pergunta direta, os olhos do homem se arregalaram um pouco, antes de se curvarem, como se sorrisse.
— Não sei do que está falando de repente.
Haeil não engoliu, assim, sem mais, aquela fala calma do homem.
— Não banca de bobo, fala logo. Eu sei que você regulou o feromônio de propósito pra me atrair.
O homem à sua frente era o ômega dominante que, certa vez, havia deixado em Baek Kanghyeon um feromônio tão sutil que só ele mesmo conseguiria perceber. Naquela época, Haeil havia reconhecido, com um receio quase assustador, o controle extraordinário de feromônio daquele homem.
Hoje também, o homem, do mesmo jeito de antes, provocava o ânimo de Haeil com seu próprio feromônio.
Em meio a tantos feromônios, o aroma daquele homem era, mesmo assim, incrivelmente fraco, quase imperceptível. Se não fosse alguém extremamente sensível a feromônios como ele mesmo, teria sido muito difícil prestar atenção naquele homem, num lugar onde imperavam aromas fortes e provocantes. Se não fosse pelo aroma que sentira através de Baek Kanghyeon, Haeil sequer teria se interessado.
Haeil pensou que aquele homem, surgido de repente, certamente estava conectado a Baek Kanghyeon. Afinal, dizia-se que Baek Kanghyeon não tinha amigos, e o único “conhecido mais novo” com quem ele mantinha proximidade era justamente aquele homem.
O sorriso nos olhos do homem se aprofundou ainda mais.
— É verdade o que dizem, faro de cão. Embora eu não devesse falar isso.
Rindo baixinho, o homem tirou finalmente a máscara. Como esperado, era uma beleza extraordinária, digna do adjetivo “dominante”, mas Haeil não tinha o menor interesse em sua aparência.
Seong Taerim, tirando aquela máscara sufocante, disse com um sorriso nos lábios:
— Eu estava pensando em como te encontrar, mas me disseram que, fazendo assim, você viria me pegar sozinho.
Taerim se mostrou amigável, sem nenhuma cautela. Sua voz também parecia bondosa, sem nenhuma intenção de enganar ou hostilizar Haeil.
Haeil olhou fixamente para Taerim.
Pelo modo como falava, era evidente que o homem à sua frente estava conectado a Baek Kanghyeon.
Haeil também percebera que os vigilantes da Baek Cheong o observavam de longe, também hoje. Comparado ao início, o grau de vigilância parecia um pouco mais brando, mas ainda pretendiam ficar por mais alguns dias.
Nesse sentido, a atitude de Taerim era exatamente a resposta certa.
Entrar no horário de pico, quando muitíssima gente circulava, evitando os olhos dos vigilantes; dentro do lugar, atrair Kwon Haeil com feromônio, criando a chance de um encontro a sós; e o local desse encontro a sós seria um espaço onde a conversa fluiria bem, não barulhento, e a sala VVIP, com segurança rigorosa.
Era um método que só alguém que conhecesse bem a casa noturna e Kwon Haeil conseguiria bolar.
Por isso, Haeil pôde ter certeza de que, atrás de Taerim, estava Baek Kanghyeon.
Taerim, olhando para Haeil, cujos olhos aos poucos se acalmavam, disse:
— Prazer em conhecê-lo, senhor Kwon Haeil. Eu me chamo Seong Taerim.
Haeil cumprimentou, mostrando um sorriso alegre e sem malícia.
Embora fosse a primeira vez que se encontravam de fato, Taerim conseguia perceber que Kwon Haeil estava genuinamente preocupado com Kanghyeon. Pelo que ouvira antes, era um sujeito peculiar, com certo traço de loucura, e Taerim chegara a temer que ele fizesse alguma confusão ou algo absurdo — mas, ao que parecia, era, inesperadamente, bastante racional e perspicaz.
‘Hyung tinha razão.’
Taerim, pensando em Kanghyeon, na verdade já avaliava Kwon Haeil de forma bastante positiva, mesmo antes de encontrá-lo.
Já haviam se passado dois dias desde que Baek Kanghyeon declarara, de repente, o fim da relação com Kwon Haeil.
Durante esse tempo, Kanghyeon vivera na residência Cheongwoonjae, movendo-se principalmente para reuniões externas, sem tempo de passar pela empresa. Isso, na verdade, fora obra de Baek Jungman, que ajustara a agenda propositalmente, temendo que Kwon Haeil aparecesse na empresa em busca de Kanghyeon e causasse algum tumulto. Para prevenir qualquer eventualidade, ele até posicionara pessoas perto da empresa, prontas para retirar Haeil assim que ele fosse avistado.
Mesmo com toda essa precaução, Kwon Haeil nem sequer se aproximara dos arredores da empresa de Kanghyeon. Ele apenas ia e voltava entre casa e casa noturna, como sempre, sem parar em nenhum outro lugar específico.
Por causa disso, tanto os vigilantes quanto o próprio Baek Jungman, que recebia os relatórios deles, começaram a perder o interesse. Baek Jungman chegou a comentar que Kwon Haeil realmente era um sujeito leviano, como diziam os boatos, e até sentiu pena de Kanghyeon, por ter se envolvido com alguém assim.
Ao ouvir que Kwon Haeil vivia perfeitamente bem, como alguém que não tinha o menor interesse por ele, Kanghyeon sentiu um alívio secreto. Ele já percebera que aquele comportamento de Haeil era, na verdade, para proteger Baek Kanghyeon.
Ao ouvir tudo isso, Taerim também percebeu que Kwon Haeil não era apenas alguém leviano. E também que ele amava Baek Kanghyeon muito mais do que o próprio Kanghyeon imaginava.
Taerim, olhando para Haeil com simpatia, abriu a boca.
— O que você quer ouvir primeiro?
Por que Baek Kanghyeon tinha feito aquilo com ele?
Se era porque não queria mais vê-lo, que por isso nem voltava mais para casa?
Por que o número que usava para falar com ele agora não existia mais?
Taerim imaginava as perguntas que Haeil faria, esperando pela resposta.
Mas o que veio não foi, como Taerim imaginava, algo relacionado a “si mesmo”.
— Ele está… comendo direito?
A pergunta, começando de forma simples, foi puxando uma atrás da outra.
— Ele tinha dito que ultimamente estava difícil comer fora. Não está pulando refeições, né? Está dormindo bem? Ele já dormia pouco antes, e, com estresse, dorme ainda menos. Não me diz que está dormindo só uma ou duas horas…
Conforme as perguntas se seguiam, Taerim ia ficando, de forma estranha, cada vez mais desconcertado.
Queria perguntar de volta se aquilo era mesmo, de verdade, o que ele mais queria saber primeiro. O rosto tão sério de Haeil e suas perguntinhas simples formavam uma combinação bastante peculiar.
Talvez fosse por isso que ele passou a confiar ainda mais.
Nele, que, tendo sido dispensado tão friamente sem entender o motivo, devia sentir bastante injustiça e sensação de traição, mas que, mesmo assim, perguntava primeiro pelo bem-estar de Baek Kanghyeon.
O canto da boca de Taerim se ergueu, satisfeito.
‘Que bom, hyung. Parece que essa pessoa é ainda mais sincera do que você pensava.’
Taerim se lembrou de Baek Kanghyeon, com o rosto sombrio, dizendo que talvez tivesse passado a ser odiado. Teve a certeza de que aquela preocupação era, no fim, infundada.
Taerim, sorrindo com um rosto radiante para Haeil, que ainda perguntava, ansioso, pelo bem-estar de Kanghyeon, disse:
— Se você tem tantas perguntas assim, não seria melhor encontrá-lo pessoalmente?
Diante da fala de Taerim, os olhos de Haeil se arregalaram num instante. Ele segurou os dois braços de Taerim com força, quase doendo, e perguntou às pressas:
— Posso encontrá-lo? Posso mesmo?
— Foi justamente para fazer vocês dois se encontrarem que eu vim até aqui.
Taerim disse isso, suportando a dor latejante nos dois braços.
— Mas eu tenho um pedido a fazer.
Diante do que Taerim disse em seguida, o rosto de Haeil foi se transformando em confusão.
˚˚˚
Kanghyeon, bebendo água fria repetidas vezes com o rosto ansioso, olhou para a garrafa de água mineral já vazia. A garganta seca e a sede constante não o deixavam ficar parado de jeito nenhum.
Kanghyeon colocou a garrafa vazia sobre a mesa e virou a cabeça em direção à janela.
Era um hotel de andar alto, com vista panorâmica para a paisagem noturna de Gangnam, mas, ainda assim, não se comparava à vista do último andar da Palace Sky Tower. Mesmo assim, achou que a localização não era tão ruim, provavelmente graças às luzes deslumbrantes da casa noturna WAVE.
Kanghyeon se aproximou do vidro panorâmico e tocou a janela com a mão. O frio que subia pela mão parecia acalmar, ainda que um pouco, seu peito quente de ansiedade.
Nos olhos baixos de Kanghyeon, tremeluzia a imagem da única pessoa que ele esperava.
Como esperado, ainda havia vigilância sobre Kwon Haeil.
O momento em que essa vigilância ficava mais vulnerável era tarde da noite, quando muitas pessoas circulavam pela casa noturna, num horário mais escuro.
Nesse momento, mesmo que Kwon Haeil saísse com o rosto coberto, misturado entre as pessoas, seria difícil para os vigilantes perceberem.
Assim, Kwon Haeil, ao sair da casa noturna, foi chamado para o quarto de hotel onde ele e Taerim haviam feito check-in. Nesse horário, como muitas pessoas circulavam entre a casa noturna e o hotel, sua entrada não chamaria atenção alguma.
‘Será que ele vai vir…? Taerim disse que ele viria, mas…’
Kanghyeon, lembrando-se da mensagem que Taerim enviara, mordeu os lábios.
A mensagem de Taerim não era longa. Dizia apenas que “aquela pessoa” logo iria, e que não precisava se preocupar com nada.
Mas Kanghyeon não conseguia simplesmente acreditar naquilo. Sabia da ferida terrível que devia ter causado a Kwon Haeil.
‘Por onde devo começar a falar? Se eu pedir desculpas… será que ele vai sequer aceitar?’
O peito doía.
Só de imaginar o olhar gélido de Kwon Haeil, já sentia falta de ar. Ao pensar, uma a uma, nas palavras de crítica que ele lançaria, as pontas dos dedos tremiam.
Ainda assim, queria encontrá-lo. Sentia tanta saudade que a garganta apertava. Mesmo que precisasse suportar palavras duras, queria olhar nos olhos dele.
— Kwon Haeil…
No momento em que sussurrava o nome de Haeil.
Bip—
Ouviu-se o som da fechadura da porta de entrada se destravando.
Kanghyeon, encarando a porta refletida no vidro panorâmico, mordeu os lábios com mais força, tenso.
Em seguida, a porta refletida na janela começou, lentamente, a se abrir.
⊱✿⊰ ─── Α · Β · Ω ─── ⊱✿⊰
Continua….
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✦ Tradução, revisão e Raws: Faby&Belladonna